O período Asuka (538 – 710) é um dos momentos mais importantes da história do Japão. É durante essa era conturbada e cheia de mudanças radicais na sociedade que o Japão adota o budismo como religião oficial do estado.
É também o momento que pela primeira vez o Japão tem uma constituição, a chamada Constituição dos Dezessete Artigos promovida pelo príncipe Shōtoku, uma das personalidades mais importantes na história do país e que mais apareceu na moeda japonesa.

No entanto, a existência do príncipe ainda é um assunto aberto. O período Asuka também é um período extremamente conturbado com conflitos entre clãs, especialmente entre o clã Soga e o clã Mononobe, dois poderosos clãs que entraram em choque no final do período Kofun.
Continue acompanhando o artigo para saber como o período Asuka foi um período marcado por intrigas, complôs, assassinatos, novas técnicas de guerra e transformações significativas na estrutura política japonesa.
O fio da meada entre o período Kofun e o período Asuka
Se você já leu nosso artigo sobre o período Kofun deve se lembrar que o último evento significativo desse período foi o conflito entre o Clã Soga e o clã Mononobe por causa da destruição do templo que Soga no Iname fez em seu Yashiki para Buda.

Além de Mononobe no Okoshi queimar o templo de Soga no Iname com autorização do Ōkimi, o Grande Rei, ele jogou a estátua de Buda dada pelo rei de Baekje, Seongmyong, para o Yamato Seiken.
Esse evento foi o pivô de uma sucessão de acontecimentos que marcaram o período Asuka. Mas para entender o tamanho do problema causado com a destruição do templo e a estátua de Buda, primeiro é importante entender quem foram os clãs Soga e Mononobe.
O clã Soga
Soga no Iname citado acima foi Ō-Omi do Yamato Seiken, o mais alto cargo dentro da administração abaixo somente do próprio Grande Rei, o Ōkimi.

Seu clã, o Soga, era uma ramificação do clã Kazuraki um poderoso Uji (姓) dos primeiros anos do governo Yamato e com laços de casamento com a família real, o que aumentou influência e o poder dos Soga entre os Gōzoku (豪族).
No século VI esse poderoso clã estabeleceu seu centro de poder na região de Asuka, atual região central da província de Nara e estabeleceu alianças com clãs Toraijin (渡来人) imigrantes da península coreana.

Esses imigrantes trouxeram com eles tecnologias importantes como irrigação, aterro, técnicas de construção de reservatórios d’água, ferraria, construção naval, tecelagem de seda e uma nova técnica mais durável cerâmica chamada Sueki (須恵器).
Além de seus conhecimentos técnicos e tecnológicos, os imigrantes da península coreana também trabalhavam diretamente no governo Yamato nos registros e administração financeira.

O clã Soga trabalhou arduamente para aumentar as terras, Miyake (屯倉), da família real e com isso chegaram a posição política mais alta do período Kofun, justamente o cargo de Ō-Omi.
Soga no Iname e a estratégia de casamento
Soga no Iname, o Ō-Omi referido acima e no artigo anterior sobre o período Kofun, além do mais alto cargo político do Yamato Seiken, também casou duas de suas filhas com o 29º Imperador do Japão, Kinmei-tennō.
Um pequeno adendo antes de continuar a história, o termo Tennō (“天皇”, Imperador) não era utilizado durante esse período, o termo ainda era Grande Rei, Ōkimi (大王). Contudo, a partir daqui o texto utilizará o termo adotado pela Casa Imperial do Japão: Tennō.

Voltando, em alguma medida, Soga no Iname inaugura o que depois foi amplamente explorado no Japão, especialmente no período seguinte ao Asuka, o período Heian, que é a figura do avô materno.
Ser avô materno dos descendentes e sucessores do trono crisântemo dava um poder e influência enorme a essa figura em relação ao Imperador e em relação ao próximo Imperador, especialmente porque os filhos do Imperador eram criados pela família materna.
As duas filhas de Soga no Iname geraram descendentes do Imperador Kinmei e três deles se tornaram Imperadores e Imperatriz, o que aumentou e muito o poder, status e influência do clã Soga na política do Japão, ainda que Iname não vivesse para ver todo esse poder.
Disputa pelo trono crisântemo
Durante o período Asuka, ainda não estava exatamente estabelecida uma sucessão do trono crisântemo de pai para filho nem de irmãs para irmãos. Essa não era uma prática comum na época.

Com a abertura de duas linhas reais, a linhagem do Imperador Kinmei e a linhagem dos Imperadores Soga, abriram violentas disputas, entre elas, a disputa após a morte do 31º Imperador do Japão, Yōmei-tennō, filho do Imperador Kinmei e filho de uma das filhas de Soga no Iname.
Após a morte de Yōmei, Soga no Umako, filho de Iname, entrou em conflito com Mononobe on Moriya, filho do rival de Soga no Iname, Mononobe no Okoshi, sobre qual descendência deveria ascender ao trono crisântemo.
De forma bastante polida e civilizada, o candidato ao trono de Soga no Umako, o 32º Imperador do Japão, Sushun-tennō, seu sobrinho, acabou vencendo a disputa uma vez que seu rival morreu assassinado.

Tal como seus pais, Soga no Umako se tornou Ō-Omi (大臣), o cargo mais alto abaixo do Imperador, e Mononobe no Moriya se tornou Ō-Muraji (大連), o segundo cargo mais importante da corte, e continuaram se confrontando.
A queda do clã Mononobe
A disputa pelo poder é brutal e Soga no Umako estava mais do que disposto a eliminar não apenas seu rival, o Ō-Muraji Mononobe no Moriya, mas todo o seu clã e para isso se aliou com um grande número de clãs na corte.

O objetivo era político, mas por meio das armas. Como afirmou Carl von Clausewitz, general e teórico militar prussiano: “A guerra é continuação da política por outros meios” e foi exatamente o que Soga no Umako fez.
Mas, por mais que a coalizão do clã Soga fosse forte, não seria nada fácil derrubar o clã Mononobe, clã esse o qual Mononobe no Moriya na figura do Ō-Muraji cuidava dos assuntos militares Yamato Seiken.
Esse confronto, de acordo com a lenda, teve participação de um jovem de 14, o príncipe Shōtoku, filho do Imperador Yōmei (o Imperador Yōmei foi um devoto budista em vida).
A batalha foi duríssima e o clã Mononobe foi capaz de repelir as forças lideradas pelo clã Soga muitas vezes com a participação do próprio Ō-Muraji Mononobe no Moriya arqueando de cima de uma árvore contra as forças inimigas.

A situação das forças lideradas pelo clã Soga estava periclitante. Foi então que o príncipe Shōtoku começou a fazer esculturas de madeira do Shitennō (四天王), os Quatro Reis Celestiais guardiões do budismo.
Depois de terminar as estátuas, Shōtoku orou aos Quatro Reis Celestiais e prometeu que se o clã Soga vencesse a batalha, ele construiria um templo dedicado a eles em agradecimento pelo favorecimento na batalha.
Pouco tempo depois, as forças aliadas a Soga mataram Mononobe no Moriya com uma flechada enquanto ele estava no topo de uma árvore atacando as forças inimigas. A morte de Moriya desestabilizou o clã Mononobe e o clã Soga conseguiu prevalecer.
O príncipe Shōtoku manteve sua palavra e construiu o templo Shitennō-ji, templo esse que continua de pé em Osaka.
Essa batalha entre forças pró budistas (Soga) e anti budistas (Mononobe) está mais para o campo da lenda do que da realidade.

Mesmo que não seja a batalha em si não seja ou não tenha sido tudo o que a lenda diz ter sido, isso não muda o fato de como as gerações futuras perceberam esse momento e como elas o registraram para a história.
Todo o poder para Soga no Umako
Com o fim do clã Mononobe, Soga no Umako se tornou a figura mais poderosa do Japão. Afinal, além de ocupar o cargo mais alto da corte, também era tio do Imperador que ele conseguiu colocar no trono cristântemo.
Se alguém tinha dúvidas sobre o poder de Umako, todas elas foram sanadas em 592. Em 592, Soga no Umako organizou o assassinato do Imperador Sushun, seu sobrinho e quem ele mesmo colocou no trono.
Após declarações do Imperador Sushun, Soga Umako temeu além de perder sua posição e prestígio, que sua vida estaria em perigo. Então, ao invés de esperar ser atacado, ele decidiu se antecipar e atacar primeiro.
Em condições normais de pressão e temperatura, você imaginaria que esse assassinato levaria a corte e a política japonesa ao caos, certo? Não foi o que aconteceu. Houve zero repercussão sobre assassinato do Imperador Sushun.
Suiko-tennō: a primeira Imperatriz do Japão
Após assassinar o Imperador Sushun, Soga no Umako colocou em seu lugar a irmã caçula do Imperador Yōmei e neta de Soga no Iname, a primeira Imperatriz reinante do Japão e a 33º monarca do Japão, Suiko-tennō.
A afirmação de que ela foi a primeira Imperatriz reinante de fato do Japão se dá porque tanto a rainha xamã Himiko do final do período Yayoi, sua sucessora Iyo, quanto a Imperatriz Jingū são figuras semi lendárias.

Em relação a Imperatriz Suiko, há evidências históricas substanciais sobre sua existência e governo. Esse evento foi tão significativo que é considerado de fato o início do período Asuka, ou seja, de 592 à 710.
O palácio da Imperatriz Suiko ficava em Asuka, o reduto e sede do poder do clã Soga, daí o nome do período e tudo o que essa região e esse clã implicou na história do Japão. A partir daí, mudanças radicais aconteceram no país.
Shōtoku: o regente prodígio
Após sua entronização, a Imperatriz Suiko nomeou seu sobrinho de então 19 anos, o príncipe Shōtoku, como seu Sesshō (“摂政”, regente) para que ele cuidasse da política do país em seu lugar.

A regência do príncipe Shōtoku foi marcada por dois objetivos principais: fortalecer a unidade do reino Yamato sob o Gabinete da Imperatriz (Imperador) e promover o budismo pelo território controlado.
Teoricamente Shōtoku era filho do Imperador Yōmei, sua mãe era meia irmã do Imperador Yōmei, filha do Imperador Kinmei com uma das filhas filhas de Soga no Iname, o que significa dizer que além de sangue Imperial, Shōtoku também descendia do clã Soga pelos dois lados de sua família.

Só que há pouco ou quase nada sobre esse lendário príncipe genial. A lenda fala de um jovem que só aparece uma vez a cada dois ou três séculos com uma inacreditável capacidade intelectual e habilidades de memorização.
Uma famosa anedota do príncipe era que ele podia ouvir dez questões ao mesmo tempo e responder com precisão a cada uma delas. Também era dito que ele tinha capacidades sobrenaturais.
Diz a lenda que aos dois anos de idade, o príncipe Shōtoku instintivamente fez uma oração budista e que um osso do Buda Sidarta Gautama materializou nas suas mãos como resultado.

Em outro episódio, Shōtoku teria escolhido um cavalo divino em meio a um estábulo com centenas de cavalos, cavalgou com ele até os céus e ao redor do Monte Fuji.
Umayato no Miko: o verdadeiro príncipe Shōtoku
O príncipe Shōtoku se chamava, ao menos durante o período de sua vida, Umayato no Ō ou Umayato no Miko. O nome Shōtoku é póstumo e só apareceu em documentos cerca de 100 anos após sua morte.

Para separar a lenda do personagem real, os livros históricos modernos japoneses vem tentando adotar o verdadeiro nome, mas vem encontrando barreiras por causa do enraizamento da lenda dentro da sociedade japonesa.
Essa personagem é tão importante para o Japão que só no século XX, a figura de Shōtoku foi impressa em sete cédulas de yen. Mas, voltando ao personagem real, a posição que ele supostamente ocupou, Sesshō, sequer existia naquele momento.
Ao invés de regente, ele provavelmente ocupou um importante cargo ligado à família real e um provável candidato à sucessão Imperial. Mas há sempre a possibilidade de que Shōtoku, o Umayato no Ō nunca tenha existido.

Mas, se ele realmente existiu, é bastante improvável que ele seja responsável por todas as conquistas a ele atribuídas. Até mesmo seu famoso retrato (feito cerca de 100 anos após sua morte) sequer retrata a pessoa a quem o retrato supõe retratar.
O debate entre os historiadores sobre a existência ou não existência dessa figura semi lendária segue. Enquanto isso, o artigo seguirá com o que a historiografia tradicional japonesa define.
As conquistas do príncipe Shōtoku
Ao lado de Soga no Umako e da Imperatriz Suiko, Shōtoku conseguiu três importantes conquistas enquanto serviu a política japonesa de sua época. A primeira dela foi a Kan’i Jūnikai (“冠位十二階”, Sistema de Classificação e Capas de Doze Níveis) em 603.
A segunda foi a Jūshichijō Kenpō (“十七条憲法”, Constituição de Dezessete Artigos) em 604, e a terceira foi o envio das Kenzuishi (遣隋使), missões diplomáticas para a dinastia Sui a partir de 607.
Kan’i Jūnikai: o Sistema de Classificação e Capas de Doze Níveis
O Kan’i Jūnikai foi o sistema que inaugurou dentro da corte doze classificações que eram distinguíveis pela cor dos Kanmuri (“冠” caps utilizados por nobres) de quem as usava.
Mas mais importante do que hierarquizar, o novo sistema abandonou o antigo modelo de sucessão hereditária para a ocupação dos cargos e passou para um modelo baseado nas habilidades e conquistas atingidas pelos indivíduos, algo que se avizinha da meritocracia.

O antigo sistema político do período Kofun foi mantido (para saber mais confira o artigo Período Kofun: o lendário estado de Yamato), mas foi melhorado para que os burocratas pudessem avançar na hierarquia independentemente do prestígio e títulos familiares.
Esse sistema baseado no implementado pela dinastia Sui (581 – 618), não indicava o cargo que a pessoa ocupava, mas o nível hierárquico dentro daquela repartição e foi baseado nas seis virtudes de Confúcio: Virtude, Benevolência, Propriedade, Sinceridade, Justiça e Sabedoria. Confira da maior hierarquia para a menor:
- Daitoku (大徳): Virtude Maior – roxo escuro;
- Shōtoku (小徳): Virtude Menor – roxo claro;
- Daijin (大仁): Benevolência Maior: azul escuro;
- Shōjin (小仁): Benevolência Menor: azul claro;
- Dairei (大礼): Propriedade Maior: vermelho;
- Shōrei (小礼): Propriedade Menor: laranja;
- Daishin (大信): Sinceridade Maior: amarelo escuro;
- Shōshin (小信): Sinceridade Menor: amarelo claro;
- Daigi (大義):Justiça Maior: branco:
- Shōgi (小義): Justiça Menor: cinza claro;
- Daichi (大智): Sabedoria Maior: preto;
- Shōchi (小智): Sabedoria menor: cinza escuro.
Jūshichijō Kenpō: a Constituição de Dezessete Artigos
Talvez a contribuição mais significativa tenha sido o Jūshichijō Kenpō, a Constituição dos Dezessete Artigos, um código de conduta e de ética voltado para os burocratas da corte.

O objetivo dessa que é considerada como a primeira constituição do Japão era promover a unidade e a obediência entre os chefes do Gōzoku espalhados pelo governo Yamato. Os artigos eram simples e diretos para a compreensão de qualquer um.
Importante ressaltar, porém, que apesar do termo Kenpō (Constituição), o Jūshichijō Kenpō não foi um documento legal, foi uma idealização de como os indivíduos que serviam ao governo Yamato deviam se portar
Artigo 1º
A harmonia deve ser valorizada e a rejeição da oposição gratuita deve ser honrada. Todos os homens são influenciados por sentimentos de classe e poucos são inteligentes. Por isso, há alguns que desobedecem a seus senhores e pais, ou mantêm rixas com as aldeias vizinhas.
Mas quando os de classes altas e baixas vivem em harmonia e amizade, e há concórdia nas discussões de negócios, as coisas fluem espontaneamente em direção à verdade. Então, o que há que não possa ser alcançado?
Artigo 2º
Reverencie sinceramente os Três Tesouros: Buda, a Lei e o Sacerdócio, o refúgio final de todos os seres gerados, os supremos objetos de fé em todos os países. Que homem, em que época, pode deixar de reverenciar esta Lei?
Poucos homens são completamente maus. Talvez eles possam ser ensinados a segui-la. Mas se não se apegarem aos Três Tesouros, como poderão endireitar sua perversidade?
Artigo 3º
Quando receberdes as ordens do Soberano, devereis ouvi-las com reverência. O Senhor é como o céu e os súditos são como a terra. Com o céu acima e a terra abaixo unidos no cumprimento leal de suas funções em suas respectivas posições, veremos o mundo governado em perfeita ordem, como na harmoniosa rotação das quatro estações. Se a terra tentasse suplantar o céu, tudo simplesmente ruiria.
Portanto, quando o Senhor falar, que seus súditos ouçam e obedeçam; quando os superiores agirem, os inferiores obedeçam. Consequentemente, quando receberdes as ordens do Soberano, devereis estar atentos em cumpri-las fielmente. Se falhardes nisso, a ruína será a consequência natural.
Artigo 4º
Todos os ministros e funcionários devem fazer da conduta respeitosa a base de seu comportamento. O princípio fundamental de governar o povo consiste na conduta respeitosa.
Quando os superiores carecem de conduta respeitosa, o povo em geral se torna desordeiro. Quando o povo em geral carece de conduta respeitosa, certamente cometerá atos ilícitos.
Portanto, quando os funcionários observam a conduta respeitosa, a ordem social não é perturbada. Quando o povo em geral observa a conduta respeitosa, os assuntos de Estado serão administrados sem esforço.
Artigo 5º
Ao julgar casos judiciais do povo comum, os juízes devem banir os desejos gananciosos e renunciar aos seus próprios interesses. Devem tratar com imparcialidade as ações movidas pelo povo.
Há milhares de casos a serem julgados diariamente. Se tantos forem julgados em um único dia, haverá um número imenso de disputas a serem resolvidas ao longo dos anos.
Atualmente, alega-se que alguns juízes buscam o próprio lucro e atendem aos casos após receberem subornos, o que deu origem ao ditado: “Os processos dos ricos são como uma pedra atirada no lago, enquanto os processos dos pobres são como água atirada sobre uma rocha”.
Consequentemente, os pobres não sabem a quem recorrer. Tal situação, se persistir, significaria uma falha no cumprimento do dever dos funcionários públicos.
Artigo 6º
Castigue os viciosos e recompense os virtuosos. Esta é a excelente regra da antiguidade. Portanto, não deixe que as boas ações de ninguém passem despercebidas, nem que as más ações fiquem impunes quando as presenciar.
Aduladores e enganadores são como uma arma afiada fatal que pode derrubar estados, ou uma espada afiada que pode destruir povos. Da mesma forma, os bajuladores gostam de divagar com seus superiores sobre os erros dos inferiores, e, para seus inferiores, censuram as faltas dos superiores. Tais homens jamais são leais a seus senhores, nem benevolentes para com o povo. Tudo isso é a origem de graves distúrbios civis.
Artigo 7º
Cada pessoa tem um dever a cumprir e que a esfera do dever não seja confundida. Quando pessoas sábias e capazes são encarregadas de altos cargos, surge uma voz unânime de aprovação, mas quando pessoas perversas ocupam altos cargos, desastres e perturbações se multiplicam.
Neste mundo, poucos são dotados de sabedoria inata. A santidade é uma meta alcançada após longa autodisciplina. Todos os assuntos de Estado, sejam grandes ou pequenos, certamente serão bem ordenados quando as pessoas certas estiverem nos cargos, em qualquer período, seja crítico ou pacífico, todos os assuntos serão resolvidos pacificamente quando homens sábios estiverem no poder.
Desta forma, o Estado será duradouro e o reino estará livre de perigos. Portanto, os sábios soberanos dos tempos antigos buscavam homens bons para altos cargos, e não bons cargos para homens favorecidos.
Artigo 8º
Todos os funcionários devem chegar cedo aos seus gabinetes no Tribunal e sair tarde. Muitos assuntos de Estado são urgentes. Mesmo que os funcionários permanecessem em seus gabinetes o dia todo, não conseguiriam concluir todos os seus trabalhos.
Portanto, se chegarem tarde, não poderão atender às emergências, se saírem cedo, não poderão concluir seu trabalho.
Artigo 9º
A sinceridade é a base da retidão. Todas as coisas devem ser feitas com sinceridade. O bem e o mal, o sucesso e o fracasso dependem da presença ou ausência de sinceridade.
Quando as autoridades mantêm a sinceridade, o que não pode ser alcançado? Quando as autoridades não mantêm a sinceridade, tudo fracassará, sem exceção.
Artigo 10º
Deixemos de lado a ira e evitemos olhares raivosos. Não nos ressentimos apenas porque outros se opõem a nós. Cada pessoa tem sua própria mente, cada coração tem seus próprios ensinamentos.
Eles podem considerar errado o que consideramos certo. Não somos inquestionavelmente sábios, nem eles certamente tolos. Ambos somos simplesmente homens comuns. Quem é sábio o suficiente para julgar qual de nós é bom ou mau? Pois todos nós somos sábios e tolos alternadamente, como um anel sem fim.
Portanto, embora outros possam se deixar levar pela raiva, ao contrário, temamos nossas próprias faltas, e embora possamos ter certeza de que estamos certos, ajamos em harmonia com todos os outros.
Artigo 11º
Recompensas e punições devem ser aplicadas de forma adequada, considerando claramente o mérito e o demérito das pessoas. Recentemente, as recompensas nem sempre têm sido concedidas de acordo com o mérito, e as punições nem sempre de acordo com o demérito.
Os funcionários responsáveis por essa questão devem aplicar recompensas e punições de forma adequada e sem falhas.
Artigo 12º
Os funcionários distritais não devem cobrar impostos arbitrariamente. Não há dois monarcas para um país. Não há dois senhores para um povo.
O povo do país considera o Imperador como seu senhor e os funcionários nomeados pelo Governo são todos súditos do Imperador. Como podem eles ousar cobrar impostos do povo de forma privada, além dos impostos oficiais?
Artigo 13º
Todos os funcionários em exercício devem conhecer suas próprias atribuições. Quando estiverem doentes ou em missão, podem não conseguir cumpri-las. Mas, quando lhes forem confiadas tarefas, devem comportar-se de maneira harmoniosa e colaborativa com os demais, como se já estivessem no comando da função há muitos anos.
Não criem problemas para a administração pública alegando que não lhes foi confiada a tarefa.
Artigo 14º
Todos os funcionários, de alto e baixo escalão, devem se precaver contra a inveja. Se você sente inveja dos outros, os outros, por sua vez, sentirão inveja de você, perpetuando assim um círculo vicioso.
Portanto, se descobrirmos que outros nos superam em inteligência, não ficaremos satisfeitos. Se descobrirmos que nos superam em habilidade, ficaremos invejosos. Pessoas verdadeiramente sábias raramente aparecem neste mundo, talvez um sábio a cada cinco séculos, dificilmente um sábio a cada dez séculos. Sem garantir homens sábios e sabedoria, como o país poderá ser governado em boa ordem?
Artigo 15º
Desconsiderar o benefício privado e visar o bem público é o dever dos funcionários. Se alguém é motivado por benefício privado, o ressentimento certamente surgirá. E se houver ressentimento, será muito difícil trabalhar em harmonia com os outros.
Se alguém não consegue trabalhar em harmonia com os outros, prejudica o bem público com motivações privadas.
Se o ressentimento surgir, subverte as leis. É por isso que no primeiro artigo se diz que “os poderosos e os humildes devem ser harmoniosos e amistosos”. Seu propósito é semelhante a este.
Artigo 16º
As pessoas devem ser empregadas em trabalhos forçados nas estações apropriadas. Esta é uma boa regra da antiguidade. As pessoas devem ser empregadas nos meses de inverno, quando estão livres, e não devem ser empregadas da primavera ao outono, quando se dedicam à agricultura e à sericicultura. Sem a agricultura, o que comeríamos? Sem a sericicultura, que roupas usaríamos?
Artigo 17º
As decisões sobre assuntos importantes geralmente não devem ser tomadas por uma única pessoa. Devem ser discutidas entre várias pessoas. Mas, para assuntos menores e de menor importância, não é necessário consultar muitas pessoas. No caso de discussões sobre assuntos importantes, deve-se temer que ocorram erros. É preciso consultar várias pessoas para chegar à conclusão correta.
Kenzuishi: as missões diplomáticas para a dinastia Sui
As missões diplomáticas do Japão para a dinastia Sui na China iniciadas pelo príncipe Shōtoku foram a primeira missão oficial do Japão desde os Wa no Goō (Os Cinco Reis de Wa).
A dinastia Sui acabou com as duas cortes da China, a corte do norte e a corte de sul e unificou o país em 589. A primeira embarcação enviada por Shōtoku foi no ano 600, mas esses registros só constam em documentos chineses.

Os registros apontam que na ocasião da visita dos embaixadores, o Imperador Wen (Buntei para os japoneses) ordenou que seu subordinado perguntasse sobre os costumes dos japoneses.
O mensageiro (diplomata) respondeu que o Ōkimi (大王), o Grande Rei de Wakoku, via os céus como seu irmão mais velho e o Sol como seu irmão mais novo, e que ele se prestava aos assuntos do estado durante a noite enquanto ainda estava escuro.
Porém, quando o Sol nascia, ele confiava os assuntos ao seu irmão mais novo, o Sol, se refreava em lidar com quaisquer assuntos governamentais. Nos registros, no entanto, não menciona que à época, quem ocupava o trono crisântemo era uma mulher, não um homem.

O Imperador respondeu que esse estilo de governança era extremamente irracional e mandou informar o mensageiro para que seu rei corrigisse esse costume ridículo, depois se recusou a receber outras missões diplomáticas.
A situação foi extremamente embaraçosa para o lado japonês, o que leva a supor ser esse o motivo dos registros dessa missão diplomática só constar em documentos chineses e não nos registros japoneses.
Esse ocorrido tem uma particularidade bastante interessante. Os outros dois projetos do príncipe, o Jūnikai e o Jūshichijō Kenpō, foram implementados três e quatro anos respectivamente depois dessa primeira missão.

Isso sugere que Shōtoku respondeu às críticas feitas pelo Imperador Wen. A segunda missão diplomática foi enviada em 607 e foi liderada por Ono no Imoko, um burocrata de uma família pouco poderosa, mas que ascendeu ao governo graças à sua inteligência e habilidade graças ao Jūnikai implementado pelo príncipe.
Essa missão diplomática está registrada tanto no Nihon Shoki (日本書紀) de 720, como no Suí Shū (隋書) de 636; O sucesso da missão, no entanto, é debatível.
A missão que deu errado, mas deu certo
No Suí Shū, o registro chinês da missão diplomática japonesa à dinastia Sui, está escrito que Ono no Imoko louvou o Imperador Yang, filho do Imperador Wen, por sua vigorosa promoção ao budismo.

Imoko também disse ao Imperador que trouxe consigo monges para aprenderem com o exemplo do Imperador. Ono no Imoko também presenteou o Imperador com uma carta escrita pelo “Imperador onde o Sol Nasce para o Imperador onde o Sol se Põe”.
O Imperador Yang não ficou nada feliz com a carta por causa da palavra Tenshi (“天子”, Filho do Céu), termo empregado para se referir ao Imperador.
A carta continha a palavra duas vezes, o que implicou em colocar o ocupante do trono de Wakoku no mesmo nível que o Imperador chinês. A comparação foi compreendida como um insulto e como uma piada.

O Imperador Yang também detestou a metáfora para a terra onde o Sol se põe. Para o Imperador isso implicava dizer que o seu país estava em declínio. Mas o que realmente irritou ele foi a palavra Tenshi.
Ele instruiu seu ministro do exterior a nunca mais apresentar uma carta bárbara como aquela novamente. Apesar das cabeçadas, a missão não foi um fracasso e o Imperador Yang enviou uma missão diplomática ao Japão liderada por Pei Shiqing (Hai Seisei para os japoneses).
Essa visita do diplomata chinês foi uma grande vitória para a corte japonesa para negociar com o país vizinho mais em pé de igualdade.

Há uma série de histórias dentro do Japão sobre essa missão diplomática em que mostra o Japão em posição de força, bravura e confiança exigindo que as relações entre os dois países fossem iguais.
Talvez isso foi o que os governantes da época desejavam, mas a realidade foi menos heróica do que essas histórias contam. Mesmo assim a missão foi um sucesso para o Japão.
A dinastia Sui reconheceu o trono crisântemo como independente e soberano em vez de um estado vassalo a corte chinesa, o que era a prática mais comum da China em relação aos seus vizinhos.

Naturalmente as razões da dinastia Sui para reconhecer o Japão (Wakoku) como independente e soberano não se deu por causa dos belos olhos da Imperatriz Suiko ou do príncipe Shōtoku.
Na época, a dinastia Sui estava em guerra contra o reino de Goguryeo e a situação não era favorável para as forças chinesas. Com esse movimento diplomático, o Imperador Yang evitou que o Japão se aliasse ao reino de Goguryeo.
Asuka Bunka: a cultura Asuka
Em 608, um ano depois da missão diplomática japonesa e chinesa, Hai Seisei, chefe da missão diplomática da dinastia Sui em Yamato (Wakoku) voltou para a China em companhia de Ono no Imoko na terceira missão diplomática de Yamato no vizinho continental.

Nessa missão, Imoko levou com ele uma série de acadêmicos seculares e budistas como Takamuko no Genri, um dos idealizadores das reformas Taika, o monge Sōmin que estudou budismo e o I Ching, e Minabuchi no Shōan, um monge intelectual que estudou junto a Sōmin e alegadamente também ajudou na formulação das reformas Taika.
Entre os nomes mais famosos da missão, Sōmin e Minabuchi no Shōan ficaram 32 anos estudando na China, além de seus outros colegas que também passaram muito tempo adquirindo conhecimento.
A bagagem cultural e política que eles trouxeram para o Japão ajudou a criar a cultura Asuka, ou, Asuka Bunka (飛鳥文化), o contribuiu em enormes avanços para a cultura e as instituições governamentais.

A pedra angular da Asuka Bunka era o budismo, mas esse centro de gravidade cultural começou antes das missões diplomáticas em 594 com o Sanpō Kōryū no Mikotonori (“三宝興隆の詔”, Decreto para a Prosperidade dos Três Tesouros) decretado pela Imperatriz Suiko um ano após se tornar Imperatriz
Esse decreto que oficializou o budismo como religião oficial tem como essência os Três Tesouros do Budismo, isto é, o Buda, os ensinamentos de Buda e os monges budistas que transmitem os ensinamentos.
A ideia era enraizar o budismo no Japão e após o decreto, membros do Gōzoku começaram a construir templos budistas. O clã Soga, por exemplo, construiu o templo Asukadera. Já o clã Hata construiu o templo Kōryū-ji.

A nível de curiosidade, o templo Hōryū-ji em Ikaruga, província de Nara, é o complexo de madeira mais antigo do mundo. As esculturas dos templos criados durante esse período são de uma beleza inacreditável.
Esculturas como a Shaka Sanzonzō (釈迦三尊像) do Hōryū-ji e o Asuka Daibutsu do templo Asukadera, esculturas que sobreviveram ao tempo, bem como os templos, dão o tom de como e para onde a cultura Asuka estava indo.
Outras duas obras de arte também revelam a potência e vibrância cultural do período Asuka, o Tamamushi no Zushi (玉虫厨子), uma miniatura de um santuário com pinturas preservadas, algo extremamente raro.

A outra é a Tenjukoku Shūchō (“天寿国繍帳”, Mandala do Paraíso da Vida Celestial), um bordado em seda datado de meados de 622 e feito por ocasião da morte do príncipe Shōtoku. É uma das obras de arte mais antigas do Japão.
A cultura Asuka, ou Asuka Bunka, tem forte influência chinesa e coreana por onde o budismo chegou a o país.
Mas é possível encontrar elementos culturais da Índia, Ásia Ocidental e até mesmo da cultura helenística por causa da rota que a religião fez ao longo da história até chegar ao Japão.

O último legado do príncipe Shōtoku
Como dito acima, o príncipe Shōtoku morreu em 622. Mas antes de morrer, Shōtoku conseguiu produzir mais uma conquista. Junto com Soga no Umako fizeram o primeiro compilado da história do Japão, o Kokki (“国記”, Registro Nacional) em 620.
Eles também produziram o Tennōki (“天皇記”, Registro dos Imperadores). Esse último, o Tennōki, provavelmente tinha outro nome porque o termo Tennō (“天皇”, Imperador) ainda não era utilizado na época.
Os dois livros não sobreviveram ao tempo e se perderam em incêndios, porém, ambos são mencionados no Nihon Shoki que foi escrito por volta de 100 anos depois das duas obras mencionadas.
O Japão pós príncipe Shōtoku
Após a morte de Shōtoku, o clã Soga concentrou ainda mais poder e praticamente monopolizou a corte. Soga no Umako foi sucedido por seu filho, Soga no Emishi, uma figura extremamente autoritária.
Ele indicou seu filho, Soga no Iruka, para o cargo de Ō-Omi, o mais alto na estrutura governamental, sem consultar ninguém, nem mesmo a Imperatriz Suiko. Mas ele foi além, inclusive em termos simbólicos.

Soga no Emishi e Soga no Iruka construíram suas residências em colinas acima do palácio imperial para demonstrar que eles estavam acima da família imperial. Essas residências foram nomeadas de forma a igualar o status ao da Imperatriz.
Soga no Iruka, filho de Emishi, atacou o filho mais velho de Shōtoku, o príncipe Yamashiro no Ōe. Como resultado e encurralados Yamashiro no Ōe e sua família inteira cometeram suicídio. O objetivo de Iruka era eliminar a família e a linhagem do príncipe Shōtoku.

Nakatomi no Kamatari, burocrata, político e estadista, começou a temer pelo futuro do reino e começou a formular um golpe para derrubar o clã Soga. Não seria uma tarefa simples e ele precisaria de um aliado poderoso ao seu lado.
O Incidente Isshi no Hen
Para realizar seu intento, Nakatomi no Kamatari buscou formar aliança com o príncipe Naka no Ōe, um jovem de 19 anos famoso por sua bravura. Kamatari se aproximou de Ōe após uma partida de Kemari, um esporte popular entre os aristocratas da época.

Ambos se tornaram amigos e partilharam suas preocupações sobre a atual conjuntura e sobre o futuro e Ōe aceitou fazer parte do golpe contra os Soga.
Durante uma cerimônia no Daigokuden (“大極殿”, Hall do Estado) dando boas vindas a diplomatas vindos da península coreana em 645, o golpe foi posto em ação. O plano era que os subordinados de Kamatari e Ōe atacassem Soga no Iruka.
De acordo com a lenda, quando chegou a hora do ataque, os subordinados travaram de medo, mas Naka no Ōe viu a hesitação de seus homens e atacou Iruka ele mesmo com sua espada.
A notícia da morte de Soga no Iruka não tardou a chegar a seu pai, Soga no Emishi, que, em vez de organizar um contra-ataque, cometeu suicídio em desespero. Com isso, o ramo principal do clã Soga caiu e abriu espaço para um novo Japão.
O caso ficou conhecido como o Isshi no Hen (“乙巳の変”, Incidente Isshi). O fim do domínio do clã Soga não era o objetivo final de Nakatomi no Kamatari e Naka no Ōe. Eles tinham planos ambiciosos para o futuro.

Tão logo o clã Soga se foi, eles logo colocaram em marcha seus planos que reestruturou drasticamente o governo do reino Yamato começando com reformas que ficaram conhecidas como Taika no Kaishin (“大化の改新”, Reformas Taika).
O reino Yamato no dia seguinte ao ocaso do clã Soga
Após o assassinato de Soga no Iruka e do suicídio de seu pai, Soga no Emishi, todos os olhos do reino Yamato voltou seus olhos para o príncipe Naka no Ōe e aguardavam ansiosamente pelos movimentos políticos que viriam a seguir.
O primeiro movimento foi a abdicação de Saimei-tennō, também conhecida como Imperatriz Kōgyoku, a 35ª e 37ª Imperatriz do reino Yamato. um gesto simbólico para que a família real retomasse sua autonomia.
A Imperatriz Saimei, diga-se, era mãe biológica de Naka no Ōe. Ela renunciou para que Naka no Ōe ocupasse o trono crisântemo, mas ele recusou argumentando que sua ascensão ao trono daria a impressão que esse era o objetivo ao matar Soga no Iruka.

O trono foi sucedido por Kōtoku-tennō, o 36º Imperador do Japão, irmão da Imperatriz Kōgyoku e tio de Naka no Ōe.
Naka no Ōe se tornou o príncipe herdeiro e seu co-conspirador, Nakatomi no Kamatari se tornou Uchitsu-omi (“内臣”, Ministro do Interior, ou Ministro do Centro), cargo criado pós golpe.
É nesse momento que os cagos de Ō-omi Ō-muraji desaparecem e em seu lugar surgem os Ministros da Direita (Udaijin) e o Ministro da Esquerda (Sadaijin) respectivamente.
O cargo de Ō-muraji, diga-se de passagem, estava desocupado desde a morte de Mononobe no Moriya na metade dos anos 500 e que agora fora reavivado com o cargo de Sadaijin.
Era preciso alimentar a ambição dos políticos e burocratas da corte. Para isso, nomearam os monges Sōmin e Takamuko no Genri para se tornarem os estudiosos do estado.
Sōmin e Takamuko ficado 32 anos estudando a cultura e leis chinesas com a terceira missão enviada ao país pelo príncipe Shōtoku e acumularam uma enorme quantidade de conhecimento que pavimentou a construção de um reino mais moderno.
Era Taika: a primeira era do Japão
Estamos em 645, Naka no Ōe e Nakatomi no Kamatari agiam através do Imperador Kōtoku e começaram a reforma do reino para um país moderno. Esse período que compreende de 645 a 650 é conhecido como Era Taika (大化年号), a primeira era do Japão.
Essa ideia de nomear um período veio da China e tem o conceito de que o Imperador tem autoridade não só pelo território e pelos súditos, mas também sobre o tempo.

O nome Taika veio de uma passagem do clássico chinês Shangshu (“書經”, Livro dos Documentos; Clássico de História), um dos Wujing (“五經”, Cinco Clássicos).
No segundo ano da Era Taika, Naka no Ōe publicou um decreto do Imperador Kōtoku que implementou uma série de reformas, a Kaishin no Mikotonori (改新の詔).
Kaishin no Mikotonori: as reformas da era Taika
As reformas Kaishin no Mikotonori tiveram quatro artigos formulados por Naka no Ōe e Nakatomi no Kamatari.
Artigo 1°
O primeiro e pilar de toda a reforma foi a abolição do sistema Shisei da era Kofun e instaurar o sistema Kōchikōmin-sei (“公地公民制”, Sistema de Terras Públicas e Cidadãos Públicos).
Na prática o Kōchikōmin-sei acaba com a propriedade privada. A partir do Kaishin no Mikotonori, nem os clãs do Gōzoku, nem lordes, nem a membros da família imperial era permitido ter propriedade privada (terra e servos).
As terras dos Gōzoku, os Tadokoro, e as terras dos membros da família imperial, os Miyake, bem como a sua mão de obra qualificada, os Kakibe e Koshiro, foram abolidos.
A partir do Kaishin no Mikotonori, toda a terra (o território) e seus súditos eram propriedade do estado. Os Gōzoku passaram a receber uma espécie de salário do governo central chamado Jikifu (食封) por seus serviços burocráticos prestados ao estado.
Apesar de toda essa mudança, a política Kabane (títulos de nobreza) se manteve. O que foi alterado foi o controle da terra e da força de trabalho.
Artigo 2º
O artigo segundo deu ênfase na necessidade da construção de infraestrutura, especialmente estradas, para estabelecer centros de governo de fato nas províncias, tornando-as de fato províncias em seu sentido real.
O território não seria mais controlado pelo lorde mais poderoso da região, agora seria uma estrutura burocrática com governadores enviados pela capital. Também foi prevista a criação dos Sakimori (防人), a força de segurança (soldados e guarda de fronteiras) das províncias.
Para essa força de segurança foram instalados postos de controle e vigilância para entre outras coisas, criar um sistema de troca de informação rápida e confiável
Artigo 3º
O artigo terceiro estabeleceu a criação de dois tipos de censo: o Koseki Seido (Sistema de Registro Familiar) e o Keicho (Registros Fiscais Anais). Também criou o chamado Shūju no Hō (“班田収授法”, Lei de Alocação Periódica de Terras Cultiváveis).
A lei Shūju no Hō determinou que os Kubunden (“口分田”, campos de arroz) fossem distribuídos para cada pessoa no Japão com idade a partir dos 6 anos de idade. Todos eram obrigados a plantar arroz e pagar impostos sobre os Kubunden.
Artigo 4º
O sistema de imposto anterior ao Kaishin no Mikotonori e que eram cobrados pelos Gōzoku foi abolido. Em seu lugar entrou um novo sistema centralizado e uniforme para o país: o Sōyōchō-sei (租庸調).
Sō (租) era o imposto pago em arroz. Yō (庸) era o imposto pago com trabalho forçado na capital. Chō (調) era o imposto pago em produtos especiais como manufatura, condimentos, tecido e bebidas.
Existia também outro imposto chamado Zōyō (雑徭), um imposto pago com trabalho forçado, mas não para a capital, esse trabalho era realizado nas próprias províncias.
A ambição do Kaishin no Mikotonori
Quatro artigos relativamente simples em termos objetivos, mas que se revelou uma gigantesca ambição de Naka no Ōe e Nakatomi no Kamatari para o futuro do Japão e que levou décadas até ser completamente implementado no reino.
Essas quatro diretrizes reformaram o reino Yamato o transformou em um estado centralizado poderoso, com uma população bastante organizada e bem controlada por uma autoridade absoluta, o Imperador.
Apesar de tudo muito interessante e fazer parte da história oficial do Japão, a existência real deste decreto, o Kaishin no Mikotonori, é bastante questionável. Esse documento é mencionado somente no Nihon Shoki, um livro semi lendário.
A lenda das Reformas Taika
O debate sobre se o Kaishin Mikotonori, as Reformas Taika, de fato existiram. Há uma série de inconsistências difíceis de serem solucionadas. Em primeiro lugar, o Nihon Shoki é um livro de 720, 75 anos depois do suposto decreto.
Em uma escavação arqueológica recente em Asuka foram encontrados muitos Mokkan (木簡), tiras de madeira utilizadas como papel. Esses Mokkan da metade do século VII revelou que um kanji de um caracter do decreto no Nihon Shoki não era usado na época.

Esse kanji só seria utilizado nos próximos 60 anos depois Kaishin Mikotonori ser decretado. Há outras palavras no Nihon Shoki que são anacrônicas ao período em questão como o próprio uso de Tennō para se referir ao Imperador. Existe a possibilidade real de que tudo não passe de uma história dos escritores do Nihon Shoki.
Mesmo se não for um fato, o que o Nihon Shoki se esforça para demonstrar é o empenho que o governo central fez para alcançar esses objetivos nas décadas seguintes.
Reformas que marcaram um período
Seja os decretos reais ou não, uma série de reformas começaram a operar em 645 e adentraram até o final do século. O plano foi grandioso e prometia um novo país, mais moderno e estável.
Mas, a prática foi muito mais complicada do que a ideia concebia. A situação política da corte era extremamente turbulenta. A ascensão do imperador Kōtoku fez a capital se mudar de Asuka para Naniwa (atual Osaka).

A relação entre o imperador e o príncipe Naka no Ōe se deterioraram ao longo do tempo e o príncipe herdeiro voltou para Asuka.
Após a morte de Kōtoku em 654, a mãe de Naka no Ōe, a imperatriz Kōgyuoku-tennō, ocupou o trono crisântemo como a 37º Imperatriz do Japão, desta vez como vez como Saimei-tennō.
Ela e a Imperatriz Kōken-tennō / Shōtoku-tennō foram as únicas que ocuparam o trono crisântemo por duas vezes. Com o entroncamento da imperatriz Saimei, a capital voltou para Asuka.
As turbulências políticas continuaram em 658 quando o filho mais velho do imperador Kōtoku, o príncipe Arima, acusado de tramar um plano para assassinar a imperatriz Saimei, condenado à morte e executado. Um abalo no mundo político.

As constantes construções de novos palácios pela Imperatriz, parte significativa dessas novas construções eram razão de incêndios que destruíram outros palácios, também pesavam muito nos cofres do tesouro.
Tōhoku: o nordeste do Japão
A região de Tōhoku, nordeste da ilha de Honshu que compreende as atuais províncias de Akita, Aomori, Fukushima, Iwate, Miyagi e Yamagata, região montanhosa e com cenários espetaculares, até então não fazia parte do reino Yamato.
Tōhoku era vista pela corte e pela aristocracia Yamato como um país estrangeiro e seus habitantes eram conhecidos como Emishi (“蝦夷”, bárbaros), uma visão que só foi mudar a partir da idade média do Japão (a partir do período Kamakura).

Mas o interesse em incorporá-la ao reino Yamato surge durante o período Asuka e um dos primeiros expedicionários na conquista do nordeste do Japão foi o general Abe no Hirafu (575 – 664).
Abe no Hirafu empreendeu uma campanha militar a partir da parte ocidental de Tōhoku banhada pelo Mar do Japão. Abe fez conquistas até a província de Dewa e construiu postos, castelos e fortes.
O mundo fora do Japão
Enquanto as reformas Taika tomavam tração dentro do Japão, o mundo do lado de fora também se transformava rapidamente. Na península coreana a situação mudou completamente desde a segunda metade do século VI.

Os antigos quatro reinos, Baekje à oeste, reino com relações diplomáticas, econômicas, culturais, políticas e até militares com o reino Yamato, Silla à leste, Goguryeo ao norte e a confederação de reinos independentes ao sul, Kaya, tiveram fronteiras redesenhadas.
Goguryeo ao norte, reino que combateu guerreiros do reino Yamato, perdeu uma quantidade imensa de território para o reino de Silla, reino que também combateu guerreiros do reino Yamato.
A confederação Kaya, a porta de entrada do Japão para a península coreana, foi completamente tomada e absorvida pelo reino de Silla. Assim, o Japão perdeu acesso à península coreana.

Na China, a dinastia Sui colapsou em 618 e foi substituída pela dinastia Tang. A dinastia Tang expandiu o território controlado para a Ásia Central, Vietnã e parte da região norte da península coreana e o reino de Silla viu na dinastia Tang um poderoso aliado contra o reino de Baekje e Goguryeo.
Baekje pede socorro
Em 660, em meio a guerra contra o reino de Silla, o rei do reino de Baekje foi derrubado. Apesar de estarem em franca desvantagem, a aristocracia de Baekje se recusou a aceitar a rendição.
A corte de Baekje decidiu enviar uma missão diplomática ao reino Yamato, seu aliado desde o período Kofun, solicitando ajuda na guerra contra Silla. Baekje era um importante fornecedor de minério de ferro, ciência e tecnologia para o reino Yamato.

O príncipe Naka no Ōe não podia se dar ao luxo de perder esse importante aliado e seu poder de influência na península coreana. Naka no Ōe concordou com o pedido e enviou um grande exército para Baekje pelo mar do Japão em 663.
Infelizmente para Baekje e especialmente para o Japão, a ajuda não ajudou. É que a frota do reino Yamato foi destruída pela frota Tang na Batalha de Baekgang junto com a resistência de Baekje.
O evento da Batalha de Baekgang foi um enorme constrangimento internacional para o Japão e selou o destino do reino de Baekje e a presença japonesa na região. Naka no Ōe e seus conselheiros temiam por um ataque do reino de Silla e a dinastia Tang contra o Japão.
Infraestrutura de defesa
O medo de uma eventual invasão do reino Silla e da dinastia Tang fez com que na região ocidental do Japão, especialmente ao redor de Nanotsu no Miyake (那津官家) na baía de Hakata em Kyūshū, o mais importante centro administrativo do reino Yamato e que mais tarde será conhecido como Dazaifu, se fortificasse.

O Nanotsu no Miyake foi uma construção realizada após a rebelião de Iwai (“磐井の乱”, Iwai no Ran) em 527 contra o governo Yamato para ter mais controle sobre a região de Kyūshū e como posto diplomático avançado entre o Yamato e os reinos da península coreana.
Após a derrota na Batalha de Baekgang, o Daizafu mudou para uma ilha para o interior do país e muito fácil de ser protegido pela geografia e pelas infraestruturas militares que foram instaladas na região.
Fortificações como os Mizuki (“水城”, castelo de água), fossos cheios d’água em volta do as instalações, e os castelos montanhosos, Yamajiro (山城), no Monte Ōno. Essas infraestruturas garantiram que nenhuma invasão teria êxito.

Um grande efetivo de Sakimori, força de segurança (soldados e guarda de fronteiras) criados no artigo segundo da Kaishin no Mikotonori (reformas Taika), foram destacados para proteger a região.
Um sistemas de alerta de invasão através de sinal de fogo foi desenvolvido e por fim, no lugar onde era Nanotsu no Miyake, foi construído o Tsukushi no Murotsumi (筑紫館), complexos diplomáticos feitos para hospedar e entreter as embaixadas e os embaixadores das nações estrangeiras.
Em 668, o reino de Silla finalmente derrotou o reino de Goguryeo e unificou a coreia sob a dinastia Silla. Após a unificação, a aliança Silla-Taing acabou em seu lugar surgiu a guerra entre os até então aliados, a Guerra Silla-Tang que durou de 668 até 676.

Uma das razões que levam a crer que nunca houve uma invasão contra o Japão foi justamente a guerra entre os antigos aliados que viria logo após os objetivos de ambos fossem atendidos.
Foco na política interna
A derrota na Batalha de Baekgang fez com que o reino Yamato deixasse de lado a política externa e focasse nas política internas, em especial o avanço das reformas Taika. Ainda em 668, Naka no Ōe mudou a capital mais uma vez, dessa vez para Ōtsunomiya, na antiga província de Ōmi.

Lá, finalmente se tornou Tenji-tennō, o 38° Imperador do Japão. No ano seguinte, Nakatomi no Kamatari, seu amigo e co-autor do novo estado Yamato morreu. Antes de morrer, no entanto, o imperador Tenji concedeu a ele a seus descendentes um novo nome: Fujiwara.
O imperador Tenji também não tinha o tempo como seu aliado, mas, nos próximos três anos que lhe restaram, ele realizou o primeiro censo nacional, o Kōgo-nen-jaku (庚午年籍) e decretou o Ōmi-ryō (近江令), um conjunto de leis administrativas e penais.
Jinshin no Ran
Antes de sua morte em 672, seu irmão caçula, o príncipe Ōama era visto como o provável sucessor do trono crisântemo, mas pouco antes de morrer, a relação entre o imperador Tenji e seu irmão Ōama se deterioraram drasticamente.

Por causa dessa desavença, o imperador Tenji nomeou seu filho, o príncipe Ōtomo, para sucedê-lo. Após a morte de Tenji, Ōtomo e seu tio Ōama entraram em guerra pela sucessão do trono crisântemo.
Ōtomo, tecnicamente Kōbun-tennō, o 39º imperador do Japão, recebeu apoio dos clãs das regiões centrais e que eram os mais poderosos do reino Yamato.

Já seu tio, Ōama, obteve apoio dos clãs provincianos que por razões óbvias (desapropriação) não sabiam se odiavam mais o imperador Kōbun, ou seu pai Tenji que arquitetou as reformas Taika que os desapropriou.
Apesar do apoio dos clãs mais poderosos, Ōtomo, o imperador Kōbun, não assegurou a vitória na Jinshin no Ran (“壬申の乱”, Guerra Jinshin). Ōama e seus aliados saíram vitoriosos de diversas regiões centrais do reino Yamato.

Após a derrota na Batalha da Ponte Seta na província de Ōmi (atual província de Shiga), o imperador Kōbun cometeu seppuku e a correlação de forças dentro do reino mudou radicalmente.
Tennō e a nova ordem
Os grandes e poderosos clãs que apoiaram o imperador Kōbun ou foram destruídos ou desapareceram na irrelevância. Vitoriosos, Ōama transferiu a capital de Ōtsunomiya de volta para Asuka.
Em 673 ele foi entronizado como o 40º imperador do Japão, Tenmu-tennō. E apesar do artigo ter por muitas vezes utilizado o termo Tennō, foi o Imperador Tenmu o primeiro a realmente utilizar o termo.
Tennō é um termo de origem chinesa com implicações políticas e divinas. Porém, esse não era um termo muito utilizado pelos chineses, mas foi utilizado brevemente durante a dinastia Tang e a missão diplomática japonesa o levou para casa.

Os primeiros registros do termo Tennō apareceram em documentos diplomáticos oficiais no final do século VII com o reinado do imperador Tenmu.
Assim que assumiu o poder, o Tenmu não apontou ninguém para cargo algum. Em vez disso, ele passou a gerir diretamente os assuntos de estado com seus filhos e com sua esposa consorte, a imperatriz Jitō.
Outra mudança importante foi a criação de um novo sistema de oito Kabane (títulos) chamado Yakusa no Kabane (八色の姓) em 684. Esse novo sistema possuía títulos ainda mais poderosos do que os de Ō-Omi e Ō-Muraji.
Yakusa no Kabane
Os quatro títulos mais poderosos, o topo da aristocracia do reino eram o Mahito (真人), Asomi (朝臣), Sukune (宿禰) e Imiki (忌寸), respectivamente. Esses Kabane de continuaram com prestígio pelos séculos seguintes.
Os quatro títulos menos poderosos eram o Michinoshi, Omi, Muraji e Inagi. O objetivo dessa reforma no sistema Kabane era fortalecer o governo central e desencorajar quaisquer rebeliões.
O Kabane Mahito era dado apenas para membros da família imperial. Asomi era um título dado a membros da família imperial que foram rebaixados a nobres como os clãs Fujiwara, Taira e Minamoto.
Sukune era um título muito semelhante ao Asomi em termos de prestígio. O título de Imiki era dado à nobreza estrangeira que imigrou para o Japão como membros da casa real do finado reino de Baekje.
Michinoshi era o título dado aos artistas, acadêmicos e sábios religiosos. Omi, o título mais importante do antigo sistema Kabane, agora era o título dado aos vassalos.
Muraji, o segundo mais importante do antigo sistema, agora era dado aos embaixadores e para alguns amigos da família imperial.
Por fim, o título de Inagi era fornecido aos líderes e elites das vilas e pequenas cidades regionais. Mas mais importante que isso é que o novo sistema não era hereditário, ele só era concedido por merecimento.
Foi dessa forma que o imperador Tenmu recompensou os clãs que o apoiaram e lutaram ao seu lado durante a Guerra Jinshin.
Fujiwara-kyō: a nova capital
Apesar de ter movido a capital do reino novamente para Asuka, Tenmu começou a construção de uma nova capital em Fujiwara-kyō (atual cidade de Kashihara, província de Nara) ao norte de Asuka. Essa foi a primeira capital construída no estilo de planejamento chinês.

Pesquisas arqueológicas em 2004 revelaram que a antiga capital era consideravelmente maior do que as capitais que a sucederam: Heijō-kyō (atual Nara) e Heian-kyō (atual Kyoto).
Tenmu não viveu para ver sua nova capital. Após sua morte em 689, a imperatriz Jitō, sua esposa, ascendeu ao trono crisântemo e se tornou a 41ª imperatriz do Japão, Jitō-tennō. Em 694 ela moveu a capital para Fujiwara-kyō.
Cultura Hakuhō
O período entre o início das reformas Taika em 645 até o final do reinado da imperatriz Jitō em 697 é marcado pelo que ficou conhecido como cultura Hakuhō ou Hakuhō Jidai (白鳳時代), uma subcategoria da cultura do período Asuka.

A cultura Hakuhō foi fortemente influenciada pelos elementos culturais, políticos e religiosos que os embaixadores japoneses trouxeram da dinastia Tang. Em termos artísticos, a pintura Hōryūji no Hall do Santuário Kondō é um belo exemplo.
As esculturas da época bem como a arquitetura como a do templo Yakushi-ji em Nara erguido pelo imperador Tenmu e pela imperatriz Jitō, em especial a torre leste conhecida como música congelada, também são excelentes exemplos dessa cultura.

O budismo se espalhou rapidamente pelo país com a ajuda dos imperadores e junto com o budismo, seus ritos também foram incorporados no Japão como, por exemplo, a cultura da cremação dos mortos que substituiu os túmulos Kofun a partir de 646.
A queda de Baekje trouxe uma leva de refugiados extremamente educados e que, para além das tecnologias, administração e outros saberes práticos, também trouxeram muita poesia que encontrou terreno fértil na corte Yamato.

Foi durante o período Hakuhō que surgiram as poesias Waka, Chōka e Tanka, além do sistema de escrita Manyōgana, sistema de kanjis chineses utilizados exclusivamente para representar os sons japoneses.
Considerações finais
O período Asuka foi fundamental para pavimentar o que pode ser considerado como o primeiro estado japonês de fato com a consolidação do poder centralizado, alianças políticas bem definidas e uma institucionalidade inaugurada por meio de lei.
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