Sem opções para filmes ou séries? Confira uma seleção de 9 filmes japoneses independentes para amantes do cinema cult.
Uma dica: salve essa página para voltar nela. Alguns desses filmes japoneses podem ser assistidos neste artigo ou possui um link para eles. Confira.
Filmes japoneses independentes
Para quem está acostumado ao mainstream não pode deixar de conferir o cinema cult japonês.
Aos amantes da sétima arte são uma primazia em inovação, técnicas e temas que não seriam abordados em filmes de estúdios maiores.
1. Kurutta Ichipēji (Uma Página de Loucura)
Esse clássico de 1926 dirigido por Kinugasa Teinosuke, diretor do filme Jigokumon (Oscar de melhor filme internacional e melhor figurino da 27ª edição de Academy Awards), é uma obra prima para qualquer amante da Sétima Arte.

A história do longa foi frequentemente associada a Kawabata Yasunari, o primeiro japonês a receber o Prêmio Nobel de Literatura em 1968.
No entanto, a suposição é que Kinusaga Teionsuke, Sawada Banko e Inuzuka Minoro tenham sido coautores.
Kurutta Ichipēji (“狂った一頁”, Uma Página de Loucura) é uma produção feita pela vanguarda artística japonesa fortemente influenciada pelo expressionismo alemão. Tsuburaya Eiji, coautor de Godzilla e Ultraman, foi cinematógrafo do longa.
Enredo
O filme mudo conta a história de um marinheiro aposentado que é contratado como segurança de um hospital psiquiátrico.
Observando uma paciente em sua cela, ele a reconhece como sua esposa internada após tentar assassinar a filha do casal.

Sob sentimento de remorso por abandonar a esposa e a filha para passar longos períodos no mar, o velho segurança tenta libertar sua esposa e fugir com ela do hospital, mas ela recusa.
Dois dias depois a filha do casal surge no hospital para contar para a mãe estar noiva, mas ela fica possessa ao descobrir seu pai trabalhando no local.
Esse surpreendente terror japonês toma caminhos surpreendentes e inesperados a partir daí.
Perdido por 45 anos
O filme ficou perdido por 45 anos até ser redescoberto pelo diretor, Kinugasa Teinosuke, em 1971.
Porém, essa versão possui menos de um terço do que a versão original. O filme foi exibido em diversos festivais de cinema desde então.
Kurutta Ichipēji foi indicado para as premiações Berlin International Film Festival e International Film Festival Rotterdam em 1973, Melbourne International Film Festival em 2004 e Ghent Film Festival em 2023.
2. Hadaka no Shima (A Ilha Nua)
Hadaka no Shima (“裸の島”, A Ilha Nua) é um filme preto e branco com quase nenhum diálogo, quase se assemelhando a um filme documental.
O longa foi dirigido, escrito e produzido por Shindō Kaneto e lançado em 1960.
Enredo
O filme conta a história de uma pequena família – marido, esposa e dois filhos – que vivem na ilha Sukune no Mar Seto (Mar do Interior). Eles são os únicos habitantes de lá.

Todos os dias eles precisam ir até a ilha vizinha com um barco a remo para buscar água consumo e para a parca plantação que cultivam em um solo árido.
Embora seja um filme com quase nenhum diálogo, Hadaka no Shima explora com maestria as dificuldades, a dor, o luto e a resiliência (e ainda um certo espaço para alguma alegria) em meio a um mundo de indiferença e escassez.
Hadaka no Shima é um filme duro e reflete uma realidade para muitas pessoas naquele período no Japão, mas ainda muito palpável em diversos países do mundo contemporâneo.
É o típico filme cult que abre um leque de possibilidades de discussões no campo cinematográfico, filosófico, político, humano e artístico.
3. Otoshiana (Pitfall)
Dirigido por Teshigahara Hirodhi, Otoshiana (“おとし穴”, Pitfall) é um filme espetacular e um verdadeiro presente aos amantes do cinema Cult e de filmes japoneses independentes.

O longa tem uma pegada psicodélica experimental japonesa e surrealismo através do designer gráfico Kiyoshi Awazu, um dos nomes mais importantes dentro do universo de desing gráfico do Japão.
Enredo
O pano de fundo de Otoshiana é a história de mineiros divididos em dois sindicatos rivais.
O filme é um caos e seu ponto de partida é um mal estar com a fuga de um mineiro e seu filho de uma ameaça não explicada.

O mineiro descobre estar sendo procurado para um trabalho em uma vila fantasma aonde todos parecem ter desaparecido.
O mineiro é brutalmente assassinado por um homem de branco que tenta culpar o antigo líder sindical da mina.
O homem assassinado vaga entre o mundo dos vivos e dos mortos buscando uma explicação para sua morte.
São tantas as nuances trabalhadas em Otashiana, que é difícil saber por onde começar.
O longa é forrado de críticas sociais sobre a exploração do trabalho, condições desumanas de trabalho, a alienação humana, a maldade humana, a violência, maus entendidos, modo de sobrevivência e as grandes mazelas humanas e sociais.
Você pode assistir ao filme com legendas em inglês clicando aqui.
4. Tokyo Senso Senyo Hiwa (O Homem que Deixou Seu Testamento no Filme)
Dirigido por Ōshima Nagisa, Tokyo Senso Senyo Hiwa (“東京戦争戦後秘話”, O Homem que Deixou Seu Testamento no Filme) lançado em 1970 conta a história de jovens estudantes ativistas durante os protestos universitários de 1968 a 1969.

Essa onda de protestos foi de uma brutalidade até difícil de imaginar na sociedade japonesa em um ponto de ebulição tão agressiva como este. Porém, as imagens desse evento são bem raras.
Ōshima Nagisa dedicou o filme aos “jovens que morreram no período pós-guerra e todos os jovens que morreram sem ter a intenção de morrer”.
Tanto que a tradução literal de Tokyo Senso Senyo Hiwa é “A História Secreta de Tokyo no Pós-Guerra”.

O filme transita entre a política, um governo opressivo e uma ocupação militar permanente dos EUA no Japão, o existencialismo, o lugar de jovens que rejeitam os valores tradicionais e querem escapar da opressão social e estatal.
Tokyo Senso Senyo Hiwa é considerado pelos críticos como o melhor trabalho de Ōshima Nagisa em sua extensa carreira de cineasta no cinema e na televisão.
5. Den-en ni Shishu (Pastoral: Morrer no Campo)
Lançado em 1974, Den-en ni Shishu (“田園に死す”, Pastoral: Morrer no Campo) é um filme no mínimo peculiar. Escrito e dirigido por Terayama Shūji, o longa explora o experimentalismo surrealista.

Enredo
É um filme autobiográfico e trabalha com a estrutura de “filme dentro do filme”. O prólogo do filme acompanha uma criança de seis anos (o próprio diretor). O filme dentro do filme pula para ele com 15 anos de idade.
O longa seque para um Frame Story (história-moldurada) revelando o protagonista como um adulto.
Segue depois o resumo do filme dentro do filme, resumo do Frame Story, resumo de todo o filme dentro do filme e o epílogo.
É uma odisseia poética juntando muitas coisas. Desde traumas do período de reconstrução do Japão, memória e percepção de realidade entre as diferentes experiências através da idade, natureza do ego, dúvida e ceticismo.

Esse é um filme muito artístico. Portanto, livre. Não é um filme comum e parece não se enquadrar em regras ou moldes predefinidos.
É Den-en ni Shishu é um filme extremamente original e perspicaz que merece sua atenção. Clique aqui para assistir ao filme completo legendado em português.
6. Tetsuo (O Homem de Ferro)
Tetsuo (“鉄男”, O Homem de Ferro) é um filme de terror de ficção científica cyberpunk.
Dirigido escrito e produzido por Tsukamoto Shinya, o longa narra a vida de um salaryman sem nome que um dia acorda como um ciborgue.

Lançado em 1989, o filme não segue uma narrativa convencional e foi considerado um filme depravado.
Enredo
O protagonista passa a ser assombrado e sodomizado por sonhos e fantasias sexuais orgânico e maquinário.
As partes do corpo do protagonista começam a ser transformadas em máquinas tenebrosas, inclusive seu órgão reprodutor.
O filme é tenebroso em sua proposta e utiliza dos instintos humanos mais animais em meio a uma sociedade cada vez mais industrializada.

Tetsuo é um filme de baixo orçamento e explora os sintomas sociais que o Japão vivia nos anos 80 com o fetiche por produtos metálicos e industriais, o rigor das relações, além do vazio de uma vida voltada ao consumo.
O longa é um clássico do cinema underground e obra obrigatória do surrealismo japonês.
Além disso, serve como metáfora para a alienação de uma sociedade altamente industrializada como o Japão da década de 80 produzia.
7. Rabu & Poppu (Love & Pop)
Baseado no romance de Murakami Ryū, Topaz II, Rabu & Poppu (“ラブ&ポップ”, Love & Pop) foi dirigido por Anno Hideaki, animador famoso especialmente pelo Neon Genesis Evangelion.
O longa é bastante experimental e a maior parte do filme foi gravado com câmeras Sony Handycam.

Enredo
Rabu & Popu acompanha a história de quatro amigas, a protagonista Hiromi Yoshii, Nao, uma garota interessada em computadores.
Além de Chieko, a mais velha e mais madura entre as quatro e Chisa, uma garota que quer largar a escola para se tornar uma dançarina profissional.
As estudantes do ensino médio praticam Enjo-Kosai (援助交際), encontros pagos com homens mais velhos com fetiches em garotas com uniformes escolar, além de eventualmente terem relações sexuais com eles.
O conceito de Enjo-Kosai é alvo de debate entre sociólogos japoneses. Alguns veem como uma forma de prostituição, outros entendem como um rito de passagem que se desenvolveu na sociedade capitalista contemporânea do Japão.
E é por essa discussão honesta e sensível que o filme transita: pedofilia, assédio sexual, violência psicológica, transição da adolescência para a vida adulta, percepção de tempo e uma explosão de emoções e sentimentos que a temática suscita.
8. H Story
O drama H Story é uma autobiografia documental ficcional dirigida por Suwa Nobuhiro.
Lançado em 2001 narra a história da equipe de Suwa em tentar fazer o remake do clássico de 1959 Hiroshima Mon Amour de Alain Resnais.

Enredo
O filme original acompanha o romance entre uma atriz francesa e um arquiteto japonês.
Ele trabalha na reconstrução da cidade rodeada de memórias das pessoas e revivem os horrores da guerra.
Em H Story, o diretor atua no filme interpretando a si mesmo. Dessa forma, ele repassa pelos traumas da guerra e do pós-guerra e como esse evento marca e sua habilidade em produzir um filme que remonte esse passado.
9. Fuchi ni Tatsu (Harmonium)
Vencedor do Prêmio do Júri na 69ª edição do Festival de Cannes, Fuchi ni Tatsu (“淵に立つ”, Harmonium) é um drama escrito e dirigido por Fukada Koji e lançado em 2016.

Enredo
O longa narra a história de uma família de um subúrbio, Toshio, sua esposa Akie e a filha do casal, Hotaru. Eles vivem uma vida comum, correta e aparentemente feliz.
Um dia, Toshio está na oficina de sua casa quando Yasaka, um antigo amigo de Toshio aparece por lá e começa a ajudá-lo.
Yasaka tinha acabado de sair da prisão e não tinha nenhum lugar para ficar, então Toshio oferece para ele um espaço e um trabalho como assistente.

Hotaru, a filha do casal, toca harmônio, mas é uma principiante no instrumento. Yasaka começa ajudá-la e na casa em geral. O tempo vai passando e as relações vão se aprofundando.
Em determinado momento Yasaka e Akie (a esposa de Toshio) começam a se sentirem atraídos.
O filme explora as fraturas existentes dentro das famílias quando uma situação inesperada paira sobre ela.
Para concluir você aprendeu uma lista interessante de filmes independentes japoneses do gênero cult.
Deixe sua visita em nosso site em dia. Temos sempre conteúdos sobre o Japão.


0 comentário em “9 filmes japoneses independentes para amantes do cinema cult”