Lançado em 2016, o longa Depois da Tempestade dirigido por Hirokazu Kore-eda é uma obra prima do cinema japonês que foi gentilmente adicionada ao hall das melhores obras produzidas pela sétima arte.
É difícil, no entanto, entender a decisão das distribuidoras ocidentais em dar o título do filme de Depois da Tempestade, afinal, o título original é Umi Yori Mo Mada Fukaku (“海よりもまだ深く”, Mais Profundo Do Que o Oceano).
Não que o título Depois da Tempestade seja ruim, mas convenha-se, mesmo que você ainda não tenha assistido ao filme, Mais Profundo Do Que o Oceano é muito mais poético.

Nesta obra, Hirokazu Kore-eda apresenta o universo que é a sociedade japonesa em pequenos detalhes, tal qual em um poema, e presenteia os espectadores e as espectadoras com um convite a partilhar aquilo que nos há de mais caro e comum: a condição humana.
Mergulhe nas nuances observadas (mas não descrita na ordem cronologica dos eventos no filme) pelo portal Japão Real do longa de Depois da Tempestade. Aproveite para adicionar a sua aba de páginas outros artigos relacionados.
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Sinopse do filme Depois da Tempestade
O filme acompanha a história da família Shinoda, mais especificamente de Ryota (Hiroshi Abe), um escritor de meia idade que divide seu tempo entre a escrita e um trabalho de meio período para sobreviver como detetive particular,e as complicações das relações familiares.
A história começa alguns dias após a morte do pai de Ryota e se desenrola durante a sessão de tufões no Japão próximo ao verão, e neste caso, entre o 23º e 24º tufão do ano e tem como pano de fundo a vida de um japonês comum.

O protagonista é uma personagem cheia de vícios e condutas reprováveis (ainda que muitas deles sejam bobas). Mas ao mesmo tempo, é um indivíduo com virtudes que nem sempre são vistas ou apreciadas por trás da sua condição de pobreza relativa.
O filme centra na relação entre Ryota e sua mãe, Yoshiko (Kirin Kiki), sua irmã Chinatsu (Satomi Kobayashi), sua ex-esposa Kyoko (Yoko Maki), seu filho Shingo (Taiyo Yoshizawa) e seu colega de trabalho Kento (Sosuke Ikematsu), além da relação entre mãe e filha, avó e neto, ex-nora e ex-sogra.
Sobre a pobreza relativa
É preciso voltar um pouco para explicar a afirmação do início do artigo de que o longa Depois da Tempestade é uma obra prima do cinema japonês.
O primeiro ponto a mencionar é a conexão, o elo que a história forma nos espectadores e espectadoras.
A vida normal
O filme retrata a vida de uma pessoa que poderia ser qualquer um, em qualquer lugar do mundo que vive a pobreza relativa.
Um alguém que não é nem velho e nem jovem, próximo a meia idade, que não teve seu lugar ao Sol e que mal consegue se manter financeiramente.

Esse é um fenômeno crescente em todo mundo: advogados e engenheiros sobrevivendo como motoristas de aplicativos, musicistas atrás de balcões, atrizes e atores atrás dos telefones de empresas de telemarketing, escritores trabalhando como detetive particular.
E se um dia essa situação era estereotipada entre os artistas e pessoas consideradas excêntricas, hoje atinge a todos: engenheiros sem empreiteira, advogados sem clientes, músico sem público, atriz sem trupe, jornalistas em agências precárias de marketing digital.
Sentimento de impotência
Não é preciso ser um japonês para vestir os sapatos das personagens do filme Depois da Tempestade. Ryota, por exemplo, tem que lidar com o fato de que não só perdeu sua família, isto é, ex-esposa e filho, com também não tem condições financeiras para representar o “papel de pai”.

Ryota também precisa lidar com o fato de que sua ex-esposa, Kyoko, seguiu com sua vida e tem um novo relacionamento com um homem profissional e financeiramente estável capaz de presentear Shingo de uma forma que Ryota talvez nunca poderá fazê-lo.
A impotência também se mostra na incapacidade de tirar sua mãe, Yoshiko, dos conjuntos habitacionais, uma frustração que Yoshiko carrega independentemente de seus filhos. Aquilo que deveria ser provisório se tornou uma permanência de 40 anos.

Ainda que talentoso na escrita, seu primeiro livro, Mesa Vazia (uma referência a pobreza relativa?), foi premiado, mas em uma pequena premiação e teve pouca repercussão no universo literário.
Ele até teria a possibilidade de uma vida mais confortável, mas isso exigiria abrir mão de algo muito importante.
Entre vícios e virtudes, a resiliência
Esse é uma questão polêmica na jornada que Kore-eda apresenta. Ryota encontra em seu caminho a possibilidade de tornar-se um escritor de mangás, o que lhe renderia um bom salário, estabilidade e ainda trabalhar com seu talento natural.
Apesar da proposta parecer promissora, isso significaria enterrar sua carreira como um clássico e tradicional escritor de romances.
O que você faria? Aceitaria uma proposta materialmente mais confortável em troca daquilo que faz de você: você?

Que nome se dá a isso? Orgulho ou resiliência? Para manter seu sonho ou seu orgulho, Ryota usa parte do pouco que ganha em apostas esportivas e bilhetes de loteria enquanto busca na casa de sua mãe qualquer objeto deixado por seu pai para que ele possa penhorá-lo.
E assim, como cerca de 60 milhões de japoneses, Ryota compra sonhos ao preço de JP¥ 300,00, uma prática que aprendeu e herdou de seu falecido pai, um homem que passou a vida trabalhando em uma fábrica e vivia pedindo dinheiro emprestado para apostar.
Repetição de padrões
Você provavelmente já ouviu o ditado “o fruto nunca cai longe da árvore”. Em Depois da Tempestade isso é evidente, ciclos que se repetem de geração em geração, seja ele motivado pelo meio e a convivência, por conta da herança genética, ou até mesmo por karma.

De forma muito sutil, Kore-eda revela o quão parecido os filhos são dos pais, e como os filhos reproduzem de maneira automática aquilo que reprovavam em seus pais. Muitas vezes, até mesmo um mau hábito pode ser a única boa memória afetiva de um pai.
Ryota aprendeu o hábito de apostar com seu pai, provavelmente com o pouco tempo que tinham para passar juntos.
E tal como Ryota, seu pai buscava um sonho, e assim como seu pai, Ryota, incapaz de pagar por bons momentos Shingo, faz da aposta um elemento de vínculo com seu filho.

Mas mais do que hábitos, Gabor Maté, especialista em traumas, especialmente os traumas infantis, e suas consequências e impactos no desenvolvimento da saúde física e mental, afirma que os pais passam seus traumas para seus filhos inconscientemente.
Expectativas vs realidade
Não se sabe o que o pai de Ryota gostaria de ter feito, a visão que tantos os filhos como a esposa têm dele é mais negativa do que positiva. Talvez ele não tenha sido perguntado a respeito, talvez nunca tenha comentado.

Ryota, no entanto, quando no colegial tinha a expectativa de se tornar servidor público, a mesma mentalidade que muitas pessoas (especialmente no Brasil) possuem para uma vida estável e com relativo conforto material.
Acabou se tornando um romancista em busca de um lugar ao Sol, mas como Ryota reconhece, não é fácil chegar até a vida idealizada.
Porém, ele também nos relembra que o mais importante é lutar todos os dias para ser a pessoa que você gostaria de ser.

Chinatsu, por exemplo, também trabalha num subemprego, e apesar de ser uma personagem aparentemente mais consciente de sua condição, não esconde seu descontentamento em ter tido a história da família usada como pano de fundo para o livro, Mesa Vazia, do irmão Ryota, e não ter sido recompensada financeiramente com o prêmio que ele recebeu.
Shingo gostaria de poder viver junto com os pais e a avó, mas a sua realidade é diametralmente oposta a seu desejo. Kyoko, por sua vez, é pragmática demais para ter espaço para expectativas que envolvam o que realmente seu coração gostaria.

Yoshiko sonhou com uma casa digna e espaçosa que tivessem três quartos, mas precisa se contentar com a parca pensão que recebe e com um modesto apartamento em um conjunto habitacional.
Como nossos pais
Muitas vezes a relação entre pais e filhos parecem se assemelhar a dois pedaços de imãs com a mesma polaridade tentando se aproximar.
É o caso de Ryoka e seu pai. Herdou tudo do pai, inclusive a habilidade com as palavras, menos a caligrafia que puxou de sua mãe.

É evidente que ele não está nem próximo da vida que imaginou que teria, isto é, fartura material. E mesmo reprovando as atitudes do pai, busca nos mesmos lugares que seu pai a fortuna que um dia virá.

Já Chinatsu, do pai só herdou a bela caligrafia, no demais é como sua mãe: casada e mãe de duas crianças. Ela acredita que o irmão sempre atrás do dinheiro da mãe deles, Yoshiko, ao mesmo tempo que aceita que a mãe pague por aulas de patinação no gelo para sua filha.

Shingo não foge à regra. Em muitos momentos ele é exatamente como seu pai. Ao mesmo tempo, Ryota é capaz de entender as motivações e objetivos do filho só de observá-lo de longe em uma atividade banal.
A cultura de apostas do Japão
Elemento de fundo, mas simultaneamente essencial para o desenvolvimento da história, a cultura de apostas do Japão aparece no longa Depois da Tempestade com riqueza de detalhes, mas com pouco destaque. É preciso estar atento as nuances apresentadas.
É possível observar desde o hábito social de passar por locais de aposta esportivas entre o turno para uma aposta, ou apenas para torcer. Simultaneamente é possível perceber que a cultura do consumo de álcool fora do horário de trabalho é tão normal quanto apostar.

Também revela o quão degradante é o vício da aposta, as emoções que ela desperta no adicto, a desfiguração física e psicológica com os picos de adrenalina com a possibilidade da vitória, e o ciclo de repetição – na crença de que tudo será diferente da próxima e no próximo bilhete.
Há também uma breve visita aos pachinkos que não deixam de ser jogos de aposta, mas que tem uma atmosfera menos colérica, afinal, as premiações dos pachinkos não são como nas apostas esportivas com grandes premiações em dinheiro.
Privacidade e cultura de motel
Uma realidade de uma pessoa japonesa ordinária é a falta de privacidade. Como um pequeno país insular com metade do seu território coberto por florestas, o acesso a imóveis grandes e confortáveis no Japão são para uma pequena parcela da população.
Vivendo em ambientes pequenos e apertados, é praticamente impossível atender um telefonema, por exemplo, sem ser ouvido. Trancar a porta e falar baixo só servem para ter a falsa sensação de privacidade.

Isso também explica o sucesso da cultura de motel no Japão, seja ele para namorados ou pessoas casadas que não tem espaço suficiente em casa para poder ter uma relação sexual ou uma discussão em casa sem que seus filhos ouçam tudo o que está acontecendo.
Os motéis também são usados por pessoas que traem seus parceiros e parceiras, pessoas em processo de divórcio que já deram um novo encaminhamento para a vida, pessoas apaixonadas e pelos profissionais sexo como sugere de forma sutil.
Cultura do lixo
A cultura do descarte do lixo no Japão é uma das mais importantes que um estrangeiro precisa aprender quando decide viver no Japão. As regras são rígidas e aqueles que a violam estão sujeitos a multas.
Kore-eda não deixa de fora esse “aspecto menor” cotidiano japonês ao incluí-lo em uma cena onde ele é descartado no dia errado e a sensação de que todos estavam vendo e reprovando a ação em silêncio.
Velhice, solidão e morte
Essa temática é trabalhada do começo ao fim, mas é colocada de forma tão óbvia que dá até para deixar passar se a pessoa que estiver assistindo focar apenas no fio condutor da história mencionada brevemente na sinopse.
O conjunto habitacional que Yoshiko vive e criou seus filhos agora é um local habitado majoritariamente por idosos, até mesmo os comércios da região entregam na casa daqueles que vivem a partir do terceiro andar.

Morrer sozinho e o corpo só ser descoberto dias depois é uma realidade ali. Enquanto isso, a solidão da velhice oscila entre a saudade, a solitude, a liberdade de fazer o que quer, mas também na saudade de aqueles quer partiram deixaram no coração de seus entes.
Há também uma incerteza, de que quando chegar a hora de ser cuidado pelos filhos, assim eles o farão.
É possível sobreviver com o dinheiro da pensão ou da aposentadoria mesmo em uma situação difícil, mas definitivamente não é possível contratar um cuidador.
Ciúme, paixão e desejo
Ryota não superou a perda de sua família mesmo sabendo que ele não a valorizou quando teve a oportunidade. Imagine (ou relembre) o sentimento de ver o amor de sua vida e seu filho com uma pessoa muito mais capaz de prover uma vida confortável a ambos do que você.
E como detetive particular, Ryota vigia e investiga tanto o novo namorado de Kyoko como o relacionamento deles propriamente dito. Nesta relação de perda, arrependimento e ciúme, é possível fazer um paralelo com a obra do genial Eça de Queiroz, Primo Basílio.

Se você já leu esse ácido romance, talvez associe ao momento em que Jorge descobre a verdade entre Luísa e seu primo Basílio, como ele reage, seus sentimentos contraditórios e sombrios. Aqui, no entanto, há mais desespero do que raiva.
Apesar de não ser possível comparar Jorge com Ryota, Kore-eda revela como as mulheres são invariavelmente vistas como um bem material, uma posse. O ciúme faz o indivíduo ter atitudes estúpidas que o reduzem a um idiota incapaz de respeitar o outro e suas decisões.
Etiqueta e tradição
As boas e más etiquetas também compõe o pano de fundo, mas são evidentes nos gestos tanto dos mais velhos, especialmente dentro de casa, como nas gerações mais novas na vida social e profissional.
O ritual de oferecer incenso, comida e água aos antepassados ou a um ente querido que faleceu é visto, e ao mesmo tempo, uma cena até engraçada que pode ser interpretada como uma crítica a secularização dos costumes.

Ao mesmo tempo, o olhar atento perceberá algo que é afirmado por Shusaku Endo, escritor católico japonês:“o Japão é um pântano porque absorve toda a sorte de ideologias, transformando-as em si mesmo, e distorcendo-as no processo de fazê-lo.”
Isso também é verdadeiro para ideologias individuais. É visível, especialmente na personagem de Ryota, o quão contidas são as emoções e como não há vazão para elas no mundo externo, como se houvesse alguém sempre observando. Então, o que resta é implodir.
Extorsão e corrupção
Mais do que um detetive particular, Ryota utiliza a extorsão como ferramenta de trabalho. De alguma forma, ele faz como qualquer empresa faz: oferece seu produto ao cliente mais interessado e pelo melhor preço.
Tudo o que é flagrado por Ryota a pedido de seus clientes é oferecido a vítima por um preço maior. Há também uma perspectiva da disposição das pessoas em pegar pela extorsão em ordem de se livrar de alguma coisa de se beneficiar da situação.

Em uma das tentativas de extorsão, Ryota chantageia um jovem estudante. O estudante presumidamente rico aciona seu pai, que aciona a polícia, que procura o dono da empresa de investiga, Koichiro (Lily Franky), que chega até Ryota.
Koichiro toma o dinheiro de extorsão e pergunta se Ryota está tentando destruir seus negócios. A singela cena revela as espirais de poder e conexões entre pessoas com algum poder econômico, instituições e servidores públicos que há na(s) sociedade(s).
Trabalho e amizade
Há uma breve abordagem sobre as reuniões de trabalho com clientes acontecerem em restaurantes e ambientes similares. Essa parece ser uma etiqueta que acontece em todos os seguimentos econômicos, sejam eles lícitos ou ilícitos.

A relação entre colegas de trabalho aparenta ser a única relação de amizade conhecida na vida do protagonista. Sem dar mais detalhes, o parceiro de trabalho de Ryota, Kento, um rapaz mais novo que o trata com grande deferência a seu senpai.
É possível argumentar se ele é de fato um bom amigo. Em muitos momentos em que talvez Kento devesse dizer não a seu colega, não só não o faz como também o acompanha durante seus momentos de vícios em jogos e até empresta dinheiro a Ryota.

Fica no ar e sem resposta, no entanto, o motivo de Kento ser tão gentil com seu colega de trabalho. Esse é um mistério que sem pistas ou dicas, mas o que fica explícito é o sentimento de gratidão, fidelidade e lealdade a um amigo.
Comida, culinária e afeto
Há dois momentos em que a comida é destaque no filme. Na primeira vez surge com as belezas da culinária japonesa e da comida consumida por pessoas comuns, suas cores, aparência e textura. Só faltou sentir o cheiro, pois a cena dá até fome.
No segundo momento revela como a comida não é um alimento que possa ser assemelhado a um combustível que mantém uma pessoa, mas um elo capaz de unir uma família ao redor de um objetivo comum.

É muito comovente que Kore-eda tenha dedicado uma parte significativa do filme para esse momento que une trabalho em grupo, dedicação, tempo e paciência para a preparação de um prato singelo que alimenta muito mais do que o corpo, alimenta a alma.
Há quem nunca teve essa experiência, o que é profundamente entristecedor, mas muitas pessoas tem nesses momentos de almoço/jantar em família (independente do formato) as lembranças mais agradáveis, engraçadas e por vezes tumultuada dos entes queridos.
Pequenas mentiras e vergonha
Sentir vergonha e falar pequenas mentiras é algo que todas as pessoas já sentiram e fizeram, mas as pequenas mentiras e a vergonha têm um peso diferente na vida de uma pessoa de meia idade que vive em situação de pobreza relativa.
Elas se somam a sensação de impotência mencionada no início. Há um misto de orgulho e vergonha quando se é questionado se está tudo bem ou se a pessoa está sem dinheiro, especialmente quando a pergunta vem de quem deveria ser cuidado pela pessoa.

Aí surgem as pequenas mentiras para sustentar a aparência de que tudo está bem, quando na verdade tudo o que há é apenas terra arrasada, incertezas do dia seguinte e a esperança de que o amanhã será melhor.
Ryota nos faz lembrar o sentimento desolador de não ter sido capaz de cumprir o papel social que é esperado dele pela sociedade, mas ainda assim fazer de tudo para cumpri-lo, mesmo que para isso ele tenha que passar fome.
Confira o trailer legendado de Depois da Tempestade
Depois da Tempestade é Mais Profundo Do Que o Oceano, um filme com tantas camadas que quando termina faz pensar que não dá para assistir só uma vez.
O elenco é espetacular, mas é difícil não ressaltar a atuação de Hiroshi Abe e Kirin Kiki.

Contudo, se você está procurando por um drama ao estilo Hollywoodiano, este definitivamente não é um filme indicado. Apesar de profundamente humano, é cru como a própria natureza que rege o mundo dos homens.
Mas não deixa de ser surpreendente que um filme sobre vidas tão monótonas, tediosas e desinteressantes possa despertar tantas belezas e reflexões sobre a dureza da vida e aquilo que resta aos que nada tem: fé e perseverança.

Muitas coisas ficaram sem ser comentadas como, por exemplo, quando um personagem secundário releva sua vaidade misturada com frustração, em partes para se engrandecer aos olhos dos outros, em outra talvez para se lamentar daquilo que não foi, ou aquilo que gostaria de ter acontecido. Quem sabe.
Se você já assistiu ao filme, não deixe de comentar suas impressões e completar com aquilo que não foi abordado no artigo. Se você ainda não assistiu, Depois da Tempestade está disponível nos canais de streaming Amazon Preme Video e Apple TV.


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