As imperatrizes japonesas são mulheres importantes, pois foram o poder máximo dentro da religião e política. Apesar dos dias atuais apenas homens poderem exercer a autoridade máxima do shinto, as mulheres já tiveram seu espaço.
Lembrando que desde o fim da segunda guerra mundial, os imperadores do Japão tiveram que renunciar seu status de divindade e parentesco com a deusa do sol Amaterasu.
Neste texto terá uma visão sobre as imperatrizes japonesas e o problema de sucessão imperial do trono crisântemo, já que a linhagem de homens está perto do fim.
Sucessão do trono crisântemo
Apesar de o Japão ser o que é, em razão de uma deidade suprema feminina Amaterasu, a lei atual proíbe mulheres de assumirem o trono crisântemo.
Porém, Takamori Akinori, estudioso do shintō, tradições japonesas, especialista na Casa Imperial e professor da Kokugakuin University, afirma que a ideia de que o Imperador deva ser eternamente um homem, que a fração conservadora da sociedade acredita é infundada.

Japão teve 8 imperatrizes japonesas
Em primeiro lugar porque há a ideia de que a linha sucessória tenha sido sempre masculina, porém, o Japão já teve 8 Imperatrizes, algumas inclusive foram governantes fundamentais para o Japão como a Imperatriz Suiko (“推古天皇”, Suiko-tennō).
Influências chinesas
Akinori também argumenta: com a forte influência chinesa no Japão a partir do século IX, o país importou o que o professor define como atitudes chauvinistas masculina oriunda dos violentos períodos Chūnqiū shídài (“春秋時代”, período da Primavera e Outono entre 771 a 481 a.C) e Zhànguó shídài (“戰國時代”, período dos Estados Combatentes entre 481 a 221 a.C).

Com a exceção da Imperatriz Wu Zetian que governou a China de 690 a 705, todos os Imperadores chineses foram homens, uma tradição que foi adotada no Japão e que abriu mão da tradição matriarcal que fundou o país: a descendência de Amaterasu.
Histórico
Não por acaso, desde o final do período Nara (710 – 794) até dois momentos no período Edo (1603 – 1868) não houve mulheres ocupando o trono crisântemo: a Imperatriz Meishō entre 1629 a 1643, e a última Imperatriz do Japão Go-Sakuramachi entre 1762 até sua renúncia em 1771.

As oito Imperatrizes reinantes da história do Japão: Suiko, Kōgyoku-Saimei, Genmei, Genshō, Kōken, Shōtoku, Meishō e Go-Sakuramachi.
Embora a prática não fosse explícita em lei, foi a partir da era Meiji (1868 – 1912) que foi imposto por lei a sucessão masculina do trono crisântemo nos artigos 1 e 2 da constituição Meiji:
Artigo 1: O Império do Japão será reinado e governado por uma linhagem de Imperadores ininterrupta por eras eternas (o termo “ininterrupta por eras eternas” que ainda encontra eco na sociedade foi cunhado por Iwakura Tomomi, figura importante da modernização do Japão).
Artigo 2: O Trono Imperial será sucedido por descendentes imperiais do sexo masculino, de acordo com as disposições da Lei da Casa Imperial.
Sucessão matrilinear
Apesar da atual lei de sucessão se manter basicamente a mesma desde a constituição Meiji, a sucessão matrilinear do trono crisântemo já aconteceu, mesmo que o número de mulheres reinantes sejam poucas na história do país.
A Imperatriz Genmei (660 – 721) que governou o Japão entre 707 a 715, filha do Imperador Tenji (626 – 672) passou o trono para sua filha mais velha, a Imperatriz Genshō (681 – 748) governando o Japão de 715 a 724.

Como o pai da Imperatriz Genshō, o príncipe Kusakabe, filho do Imperador Tenmu (673 – 686) e príncipe herdeiro morreu sem assumir o trono, portanto, de acordo com o sistema legal de sua época, o Ritsuryō (律令), Genshō era a Naishinnō (“内親王”, Princesa Imperial).
Em outras palavras, ela era a herdeira legítima do trono.
Houve também o caso do Imperador Tenji (626 – 672) que governou o Japão entre 662 a 672 e ascendeu ao trono sucedendo sua mãe no trono crisântemo, a Imperatriz Saimei (594 – 661).

Samei foi o nome dado ao segundo reinado da Grande Rainha de Yamato que durou de 655 a 661.
Em seu primeiro reinado que durou de 642 a 645, a Grande Rainha de Yamato foi nomeada como Imperatriz Kōgyoku.
O Imperador Tenmu (631 – 686) assumiu o trono crisântemo após o reinado de seu irmão mais velho, o Imperador Tenji depois de destronar seu sobrinho durante a guerra Jinshin (壬申の乱), o Imperador Kōbun (648 – 672) que só foi reconhecido como Imperador em 1870.

Saimei, a Grande Imperatriz de Yamato, a 35ª e 37ª monarca reinante do Japão.
Entre as muitas razões pelo qual Kōbun foi deposto estava o fato de que ele não era descendente direto do clã Yamato.
Embora a consorte do Imperator Tenji fosse uma princesa do clã Yamato, eles não tiveram filhos.
A mãe Kōbun, por sua vez, era uma plebeia (no sentido de não pertencer a Casa Yamato).
Portanto, ainda que Kōbun fosse filho de pai hereditário do clã Yamato, ele não tinha a hereditariedade dupla como seu tio.

Logo, a ideia de o Japão ter somente Imperadores do sexo masculino é uma convenção histórica baseada na cultura chinesa e pela determinação do governo Meiji. Isso significa que tanto a tradição como as leis podem ser alteradas.
Há uma crise de sucessão na família Imperial, e apesar do casal Imperial do trono crisântemo (Hirohito e Masako) atual ter uma filha, a princesa Aiko, e 80% da opinião pública japonesa ser favorável que ela assuma o trono crisântemo, a aposta das vozes conservadoras é o príncipe Hisahito, segundo na linha de sucessão.


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