A pedra de caligrafia japonesa é um dos itens essenciais para fazer a tinta sumi. Ela faz parte essencial de todo o processo de práticas artísticas, pertencente da cultura. Continue lendo e saiba mais.
Sumi é uma tinta japonesa feita de fuligem. Pode ser de pinho comumente da região Shoenboku, como de corda de vela. Também têm as feitas com resíduos de petróleo de forma ampla e comercial.
Misturada com gelatina natural Nikawa solidifica a fuligem deixando a perfeita para fazer blocos de tinta duráveis, como podem ser engarrafas de líquido diluído comumente usado pelos escolares.
Tanto a tinta sumi, quanto a pedra fazem parte dos quatro tesouros de estudo juntamente com o papel washi e os pinceis.
A atividade de caligrafia era amplamente praticada pelos estudantes, mas isso está mudando no Japão.
Pedras de caligrafia do Japão em risco de sumir
Atualmente a prática está em declínio, os artesãos estão ficando velhos sem discípulos colocando em risco a produção nacional da pedra de caligrafia japonesa.
Pedra de caligrafia Suzuri
Pedras de mina são comumente usadas para ganhar textura quase de areia (houbou).
A pedra interfere nas características controladas ao fazer a tinta: dureza (textura) e densidade.
Hatsuboko é como a pedra interfere na cor, sombra, pegajosidade e maciez. Portanto, é muito importante.
Touken e Waken
Touken são as pedras da China, Waken são as pedras para misturar tinta do Japão. Os dois tipos são bem diferentes, cada um com suas qualidades de extração e produção e ambas são encontradas no país.
Partes da pedra japonesa
A parte da frente é kenmen ou kenpyou
A parte de trás é Kenin ou kenpai
Os lados são kensoku ou kenbou
O arco (bordas) é kenshin ou kendon
A superfície onde a tinta deve ser friccionada tem várias partes.
A parte que tem mais elevação é Oka e a parte plana é Riku ou Bokudou.
A parte de cima onde o líquido se concentrará é Umi, Bokushi, Ike ou Genshou (oceano).
Esta parte ainda forma um arco côncavo chamado de Rakusho ou Zetsu.
Formatos e tamanhos
O formato retangular é o mais comum de tamanho de aproximadamente 25, 38 ou 42 tabis. No entanto, existem também pedras para tinta em formato circular ou de tamanhos únicos com designs diferentes.
As pedras japonesas para tinta possuem tamanhos pequenos e maiores. As menores são indicadas para menores quantidades de tintas.
Se usar pouca tinta em uma pedra grande, a água tende a evaporar mais rápido. A pedra menor tem até 7 cm indo até a maior de 20 cm.
Pedra de caligrafia de Akama

A pedra Akama é uma obra de arte esculpida em pedra de difícil mineração e disponibilidade. Produzida em Shimonoseki (antiga Akamaseki) e Ube de Yamaguchi. Seu histórico é longo com produção do período Kamakura (1185-1333).
Tradicionalmente a região de Kanmon era a produtora, que foi para o distrito de Asa em Sany-Onoda no período Edo. Atualmente é minado em Ube.
É minada e esculpida por artesãos usando métodos tradicionais passados de geração para geração. Este tipo de pedra tem ligação com a família Omori, que servia como produtora de pedra de caligrafia no domínio Chofu (Choshu e atual Yamaguchi).
O tipo de pedra dá o nome Akama é um material excelente com características de quartzo e ferro, que acabam sendo perfeitos para diluir a barra de tinta em pequenas e finas partículas.

É boa para esculpir e por isso ganha padronagens variadas bem bonitas que são obras de arte. Ela é minada apenas no subterrâneo e os artesãos fazem a extração também. Portanto, dá bastante trabalho e é arriscado, o que eleva o seu valor.
Dez anos de experiência para conseguir minar
Os profissionais precisam além de ter habilidades artísticas, saber lidar com mineração, explosivos e por isso para alguém ser considerado hábil para minar são necessários pelo menos dez anos.
Presente de lordes
Além disso, sua produção foi restrita por volta do período Edo a região de Yamaguchi e era um presente comum de lordes e para poucos.
Um minério bem antigo que dá excelentes pedras de caligrafia japonesa, produzida de forma tradicional, de uma forma trabalhosa já que quando é extraída é bem grossa com cerca de dez metros de grossura. Então, apenas um metro poderá ser usada para trabalhar cortada com wariya.
A pedra é armazenada no escuro com umidade para que não fique ressecada. Depois para ser trabalhada com chisel tagine.

A pedra recebe encravações com padronagens ukashi bori e ke bori para fazer linhas de forma delicada. A técnica tataki borui para dar textura.
O trabalho leva semanas com diferentes chisels e depois polida com pedra e recebe uma camada em laca aumentando sua durabilidade.
Já deu para perceber que além das características boas para pedra de caligrafia, com disponibilidade limitada, carrega uma hereditariedade cultural, de muita dedicação, trabalho, técnicas artesanais desenvolvidas no Japão.
Onde comprar
Endereço: 793 Nishimakura Iwataki, cidade de Ube.
Pedra de caligrafia de Tosa (Ichiki Kobo)

O material de Tosa em Shikoku é minado das montanhas que foram formadas há milhões de anos. Selecionada com cuidados, os artesãos esculpem em estado meditativo de calma.

A retirada da pedra é autorizada pelo Ministério das Florestas, com autorização da prefeitura local e de uma associação Mihara de processamento e produção de pedra de caligrafia formada desde 1981.
Inclusive, eles abrem workshops e treinam artesãos com habilidades. Elas são feitas a mão de forma artesanal com reconhecimento pela qualidade.
A pedra foi descoberta pelo caligrafista Kenkichi Shintani em 1966 ganhando reconhecimento pelo país entre pessoas especializadas.
Cada pedra tem características únicas ganhando propriedades conforme suas necessidades. Retirada da vila Mihara no vale Genya na prefeitura de Kochi.

Os sedimentos compactados pelo oceano há mais de 40 milhões de anos antes mesmo do arquipélago Japão ser formado, mudou de localização pelas placas tectônicas sendo movida para a superfície facilitando sua extração nos dias atuais.
Contém quartzo e minerais como hematita e pirita.
Onde comprar
1027-2 Yuzunoki, Vila Mihara, Distrito Hata
Tel: 0880-46-2730
Associação de Produção e Processamento de Pedra de Caligrafia Mihara.
O artesão Iki Kazuya faz as pedras por encomenda a mão levando vantagem das características da pedra trabalhada como textura e grossura. O resultado é que cada uma é única.
O acabamento natural tem uma textura muito macia perfeita para fazer a tinta sumi e de aparência bonita e elegante que se integra no ambiente.
Pedra de caligrafia de Daigo-machi

A pedra Daigo-machi de Ibaraki (cidade Kokuji) é um local de produção tradicional e artesanal japonês da pedra de caligrafia ainda que de forma limitada. Por isso, é um pouco mais cara, mas de excelente qualidade.
Desde a era Tokugawa são produzidas pedras que são obras de arte que recebem finalização em laca retirada de árvore urushi (de difícil extração com poucos que fazem este trabalho nos dias atuais), assim como recebem desenhos ou têm um aspecto rústico considerado elegante.
A nona geração do lorde da província de Mito (atual Ibaraki) Tokugawa Nariaki gostava muito das qualidades da pedra da região ganhando nome de Kokuji fazendo referência a prosperidade eterna.
Rara pela falta de artesãos
É uma das que possuem um design simples que a faziam ser perfeitas para dar de presente a lordes, tendo preferência entre caligrafistas, literários e empresários.
Por conta da dificuldade de achar artesãos que esculpissem a pedra de Daigo-machi ela ficou sumida por um tempo na década de 30 se tornando rara.
Sua arte foi revivida por Taiseki Hoshino entre 55 e 64. Ela é esculpida com tagane e polida para finalizar.
Outro artesão é o Taizan Sato que foi discípulo de Hoshino seguindo seus passos. Tem seu próprio studio desde 2002 com grande experiência.

Onde comprar
415 Taiko, Taiko-cho, Kuji-gun, Ibaraki
Pedra de caligrafia de Ogatsu

A pedra vulcânica de Ogatsu (atual Ishinomaki em Miyagi) era considerado pelo Date Masamune uma excelente matéria-prima para fazer pedra de caligrafia.
Os artesãos que esculpiam esta pedra trabalhavam diretamente para o domínio Sendai (do Date) virando uma especialidade da região com artesãos qualificados com técnicas passadas de geração para geração. Desde 1985 a pedra de Ogatsu é registrada como artesanato tradicional japonês pelo governo.
Ainda feita de forma artesanal, muitas pedras foram perdidas durante o tsunami de 2011 tendo sua produção interrompida na época com destruição dos pequenos estúdios.

Para a recuperação da cidade, as pedras de caligrafia foram fundamentais para arrecadar fundos para sua reconstrução e podem ser encontradas para compra nos dias atuais, mas de forma limitada.
Suas propriedades que são consideradas excelentes são a baixa absorção de água e de dureza boa para compressão.
De cor preta é datada do período Muramachi (1336-1573) com recortes históricos da existência da pedra de um livro desta época.
Seu processo de manufatura envolve minar a pedra, tirar um pequeno pedaço, ser lavada com água e areia de rio. Ela começa a ser esculpida com chisel hori nomi ou komaru nomi.
O formato é básico com o oceano e a parte elevada (montanha). O chisel kuri nomi é usado para esculpir estas partes e o artesão usa seu corpo todo em um trabalho de paciência.
A profundidade e a textura são ajustadas conforme medidas e a experiência do artesão, pois ele vai checando tudo com as mãos.
Ela é polida com pedra e papel tendo cuidados de acabamento em toda a sua parte, inclusive, na parte debaixo.
Então, ela é finalizada com laca, no fogo ou com tinta para aumentar a durabilidade.
O vídeo abaixo é uma preciosidade de antes do tsunami quando um artesão ensinava o processo de esculpir a pedra.
Tradições
No dia anterior ao festival Tanabata (das estrelas) era costume lavar a pedra de caligrafia e limpar a mesa antes de escrever o desejo em papel para pendurar no bambu. É uma excelente forma de praticar a cultura japonesa continuando uma tradição muito antiga.
Qual pedra escolher
Escolha uma pedra que se adeque ao tamanho de seus pinceis e quantidade de tinta que costuma usar.
No demais, tome cuidado onde compra sua pedra tendo certeza do local de produção com o vendedor.
Tem muita pedra de caligrafia falsificada sendo vendida a preços exorbitantes na internet. Algumas são feitas de plástico e recebem tinta de coloração preta no exterior e eles até colocam cimento na base para deixá-la pesada.
Quem pratica caligrafia sabe a maciez e textura que uma boa pedra de caligrafia japonesa proporciona. Quando testar saberá com certeza.
Já quem está começando, evite comprar de vendedores que não sabem dizer de onde a pedra veio, peça bastante fotos e se puder vá até um dos locais citados no artigo e compre direto com os artesãos para fortalecer uma arte que está em declínio no Japão por falta de demanda.
Entre em contato pelos canais deles e pergunte se eles vendem online ou por encomenda.
Desta forma, ajuda as comunidades a continuarem a produzir pedra de caligrafia japonesa, que com o passar do tempo perde artesãos pelo nível de dificuldade de treinamento, dificuldade de mineração, entre outros fatores.
Como preparar a tinta de caligrafia japonesa sumi na pedra
Existem várias formas de preparar a pedra, desde as mais rústicas feitas pelas pessoas de forma comum, mas usando paciência e meditação ou as mais ritualísticas e elitistas usando utensílios especiais.
Modo de preparo da tinta sumi na pedra de caligrafia
Coloque uma quantidade pequena de água na pedra usando um conta-gotas ou a colher mizusaji.
Se o tempo estiver muito gelado, aqueça a pedra. Este processo fará a cor mais bonita ao dispersar a cola e facilitar a fricção na pedra.
Se usar uma água gelada (10ºC) impedirá de conseguir finas partículas.
Se não tiver esses utensílios não tem problema apenas jogue um pouco de água mole na pedra, como no vídeo abaixo.
Movimentos
O segredo será colocar uma leve pressão na barra na pedra em movimentos circulares ou frente e trás.
Se colocar muita pressão terá menos qualidade na cor e deformará sua pedra de tinta sumi. Tem que ter paciência. Faça este processo por pelo menos cinco minutos ou até ter a consistência desejada.
Gotejar a água aos poucos fará um líquido mais rico.
Se a sua pedra tiver a parte mais baixa na frente, que é o oceano, a tinta escorrerá naturalmente para frente. Use a água com tinta para molhar a ponta da barra enquanto faz movimentos circulares.
Para fazer graduações de pretos diferentes para usar em sombreamentos, use uma quantidade grande de tinta da barra. Depois transfira para um recipiente e comece a fazer as diluições.
Após usar a barra de tinta, limpe com papel toalha a ponta de forma delicada.
A pedra deve estar bem limpa.
A caixa que guarda a pedra chama Suzuri-bako.
Cuidados
Após usar a pedra, limpe bem os resíduos de tinta, seque e guarde na caixa. Caso não faça esse processo, da próxima vez não conseguirá obter uma cor homogênea. Neste caso, só polindo a pedra.
Se ficou muito tempo sem usá-la é recomendado deixar mergulhado com água antes de usar.
Suzuri-bako

A caixa chamada suzuri-bako feita em laca e usada para guardar os itens de caligrafia são importantes para os escritores de poema haku que viajavam pelo país.

Algumas têm um pequeno sino junto a pedra com motivos filosóficos. Dizia-se que o cantar do pássaro cuco fazia ter saudades do passado. É uma metáfora. A voz do pássaro na caixa, assim como as palavras não mais escritas remanescem na pedra de caligrafia.


0 comentário em “Pedra de caligrafia japonesa Suzuri: tipos, qual escolher e usar”