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Plano de reestruturação da Toshiba Corp foi rejeitado pelos acionistas

Decisão ainda poderá ser revertida na próxima reunião ordinária marcada para julho de 2023. Saiba mais.

Na quinta-feira, 24 de março de 2022, foi anunciado a rejeição do plano de reestruturação da Toshiba Corp. (6502.T) por seus acionistas após votação realizada no mesmo dia em reunião do conselho da companhia.

A proposta desenhada pela gestão do então CEO, Satoshi Tsunakawa, previa separar a gigante japonesa em duas companhias com diferentes ramos de atividade, uma no setor industrial, inclusive na produção de semicondutores, e outra para o segmento de infraestrutura.

Acionistas e fundos de investimento rejeitaram o plano de reestruturação da gigante japonesa em votação extraordinária realizada em 24 de março de 2022
Acionistas e fundos de investimento rejeitaram o plano de reestruturação da gigante japonesa em votação extraordinária realizada em 24 de março de 2022

A ideia principal era dividir a corporação em três companhias diferentes, como a aprovação para tal plano demandaria 2/3 dos votos dos acionistas, o plano reduziu para duas companhias, o que precisaria de maioria simples no conselho.

O plano foi interpretado como uma artifício para acalmar os acionistas e colocar uma espécie de cortina de fumaça nos escândalos recentes envolvendo a Toshiba Corp. Como a votação demonstrou, os acionistas optaram por manter a companhia em seu estado original.

Decisão ainda não é final

A votação do dia 24 de março de 2022 aconteceu em um caráter extraordinário, portanto, não tem validade jurídica, mas serviu como uma espécie de termômetro para os gestores do conglomerado.

A próxima reunião ordinária com o conselho da Toshiba Corp acontecerá somente em junho de 2023, lá serão apresentadas as propostas para o futuro da corporação para a apreciação e votação final dos acionistas.

A diretoria da corporação deverá apresentar novas propostas que atendam melhor aos interesses dos acionistas na próxima reunião ordinária em 2023
A diretoria da corporação deverá apresentar novas propostas que atendam melhor aos interesses dos acionistas na próxima reunião ordinária em 2023

Após a votação, novo presidente e CEO da Toshiba Corp, Taro Shimada informou em coletiva de imprensa: “Consideraremos uma série de opções para aumentar o valor de nossa corporação”.

Uma proposta apresentada por um grupo de acionistas para privatização da corporação e a venda de ativos para fundos de hedge, isto é, fundos investimentos que priorizam maior rentabilidade e buscam proteger os ativos de perdas, também foi rejeitada.

Toshiba Corp: uma empresa público-privada

Assim como A Petróleo Brasileiro SA Petrobras (PETR4.SA) e o Banco do Brasil SA (BBAS3.SA), a Toshiba Corp é uma empresa pública de economia mista com capital aberto, isso significa que o governo japonês possui certos controles sobre ela.

Isso porque a empresa possui tecnologia e serviços que são considerados uma questão de segurança nacional, portanto, é indispensável para o governo japonês que ela não se torne uma empresa privada.

Por ser uma empresa pública de capital aberto, a Toshiba se financia com a venda de títulos no mercado, diferente de uma empresa estatal que é financiada diretamente com o dinheiro público
Por ser uma empresa pública de capital aberto, a Toshiba se financia com a venda de títulos no mercado, diferente de uma empresa estatal que é financiada diretamente com o dinheiro público

Como empresa pública de capital aberto, muitos investidores e fundos de investimento podem comprar títulos que estão listadas nas respectivas bolsas de valores, no caso da Toshiba Corp, é a Tokyo Stock Exchange.

Embora a Toshiba seja uma empresa pública, não significa que o estado japonês determine como ela opera. A lógica da gestão da empresa pública de economia mista é a mesma da empresa privada, e não de empresa estatais que contam com recursos próprios.

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Dificuldades financeiras e escândalos

Nos últimos anos, a Toshiba Corp vem se envolvendo em uma série de escândalos como o contábil de 2015 que foi descoberto por uma investigação independente.

O caso revelou que que fraudes fiscais ocorreram por sete anos após a crise financeira de 2008.

Em 2021, investidores descobriram através de outra investigação independente que houve um conluio entre a corporação e o Ministério da Economia, Comércio e Indústria em detrimento dos acionistas internacionais.

Com os escândalos desde a crise econômica de 2008 e negócios pouco rentáveis, não só o valor dos títulos da empresa sofreram uma queda expressiva como a própria confiança da companhia frente aos acionistas e investidores internacionais
Com os escândalos desde a crise econômica de 2008 e negócios pouco rentáveis, não só o valor dos títulos da empresa sofreram uma queda expressiva como a própria confiança da companhia frente aos acionistas e investidores internacionais

Ademais, embora a empresa detenha tecnologia para energia nuclear, o negócio nunca deslanchou porque sua subsidiária na estadunidense Westinghouse Electric Co. faliu e outros empreendimentos não estavam sendo rentáveis.

Sem a aprovação pelo conselho da reestruturação, a administração da gigante japonesa precisará encontrar uma forma de reconquistar a confiança dos investidores e sua reputação como companhia confiável no mercado.

Fontes: Kyodo News

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