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Shinzo Abe sugere estacionar armas nucleares dos EUA no país

Shinzo Abe é ex primeiro ministro e defendeu que o Japão considere um compartilhamento de armas nucleares aos moldes da OTAN.

Em meio a invasão russa à Ucrânia e os recentes lançamentos ICBM (Mísseis Balísticos intercontinentais) da Coreia do Norte, o ex primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, sugeriu que seu país permita que os EUA detenha armas nucleares dentro do território japonês.

A fala de Shinzo Abe, ex primeiro-ministro, a principal liderança (e ainda muito influente) do LDP (Liberal Democratic Party), partido governista com ampla maioria na Dieta, foi feita em um programa de televisão sobre a segurança nacional face aos acontecimentos recentes.

Em um programa televisionado sobre a segurança nacional, o ex primeiro-ministro Shinzo Abe opinou que o Japão deveria criar mecanismos para permitir uma partilha de armas nucleares aos moldes da OTAN
Em um programa televisionado sobre a segurança nacional, o ex primeiro-ministro Shinzo Abe opinou que o Japão deveria criar mecanismos para permitir uma partilha de armas nucleares aos moldes da OTAN

A sugestão parece vir em um momento oportuno, tanto o atual primeiro-ministro, Fumio Kishida, quanto seus antecessores, Shinzo Abe e Yoshihide Suga, trabalham para ‘rever’ o artigo 9° da Constituição do Japão.

A grande questão em jogo é se o artigo 9° da Constituição do Japão adentrou no espírito do povo japonês após os horrores da segunda guerra mundial, ou se o receio de ameaças externas poderá fazer o país repensar sua posição pacifista.

Animosidade norte-coreana

Neste domingo, 27 de fevereiro de 2022, a Coreia do Norte realizou um teste com um ICBM (Intercontinental Balistic Missile) em direção ao mar do Japão. O artefato voou por aproximadamente 300km de distância a 600km de altitude antes de cair no mar.

Ao que tudo indica, o míssil norte-coreano caiu fora da zona econômica exclusiva do Japão. O teste também não causou nenhum dano a nenhuma estrutura física japonesa.

Teste de míssil de cruzeiro a partir de submarino norte-coreano no início de 2022. Imagens da agência estatal da Coreia do Norte
Teste de novo míssil de cruzeiro a partir de submarino norte-coreano no início de 2022. Imagens da agência estatal da Coreia do Norte

Contudo, este foi o 8° teste em 2022 de uma sequência de mísseis que Pyongyang lança em direção ao mar do Japão. O último lançamento do regime de Kim Jong-Un aconteceu em 30 de janeiro, todos eles com equipamento capaz de transportar ogivas nucleares.

Como Japão e Coreia do Norte não possuem relações diplomáticas, o Japão protestou contra os testes pela embaixada do Japão à embaixada da Coreia do Norte em Beijing, capital chinesa.

É improvável que as consequências da invasão da Ucrânia se limitarão aos países da Europa. Uma pesquisa realizada pela Nikkei Asia revelou que 77% dos japoneses acreditam que a guerra na Ucrânia respingará em Taiwan.

Encontro entre os presidentes Vladimir Putin e Xi Jinping em ocasião do convite do anfitrião dos Jogos Olímpicos de Inverno Beijing 2022 ao colega e líder russo
Encontro entre os presidentes Vladimir Putin e Xi Jinping em ocasião do convite dos Jogos Olímpicos de Inverno Beijing 2022

É de conhecimento público que Vladimir Putin foi recebido como convidado de honra de seu anfitrião Xi Jinping nas aberturas dos Jogos de Inverno de Beijing 2022 onde uma série de acordos bilaterais foram assinados.

Não se sabe a totalidade dos acordos, mas analistas de defesa acreditam que a China observa atentamente os desdobramentos da guerra na Ucrânia para ver qual será a reação dos EUA e outros membros da OTAN.

Mudança radical na balança de poderes

É seguro afirmar que o mundo unipolar liderado pela maior superpotência econômica e militar da história, os EUA, acabou no mesmo dia em que Putin foi autorizado pelo parlamento russo, a Duma, a lançar uma ofensiva contra a vizinha Ucrânia.

China e Rússia estão aliadas e alinhadas no propósito de criar um mundo multipolar, em outras palavras, uma ordem mundial onde cada superpotência teria sua(s) própria(s) zona(s) de influência.

Alguns dos principais parceiros da Nova Rota da Seda: Vladimir Putin (Rússia), Xi Jinping (China), Hassan Rohani (Irã), Aleksandr Lukashenko (Belarus), Narendra Modi (Índia) e
Alguns dos principais parceiros da Nova Rota da Seda: Vladimir Putin (Rússia), Xi Jinping (China), Hassan Rohani (Irã), Aleksandr Lukashenko (Belarus), Narendra Modi (Índia)

Há um dito, que diz que a Rússia, tem todos os elementos da tabela periódica, além de muito combustível, um dos exércitos mais bem preparados do mundo (70% modernizada) e sofisticadas tecnologias em diversos setores civil, militar e espaciais.

A China também é detentora de uma grande força militar, mas sua verdadeira força é sua pujante economia.

Além disso, os chineses criaram um novo polo financeiro independente do padrão dólar, um mecanismo que provavelmente será testado para a Rússia lidar com as sanções do ocidente. Se bem sucedidos, Rússia e China modificarão a ordem mundial.

Japão na linha de frente

O ministro da Defesa do Japão, Nobou Kishi, falou em entrevista coletiva: “Se a Coreia lançou o míssil deliberadamente enquanto o mundo está distraído com a invasão russa na Ucrânia, tal até é imperdoável”.

E continuou: “Independentemente dos motivos, os repetidos lançamentos de misseis pela Coreia do Norte são inaceitáveis e não podemos ignorar o avanço considerável das capacidades nucleares da Coreia do Norte”.

Sistema de defesa antiaérea Patriot do Japão
Sistema de defesa antiaérea Patriot do Japão

Além das praticamente inexistentes relações diplomáticas entre Japão e Coreia do Norte, existem regiões disputadas com a Rússia e a China.

Inclusive, uma linha de contato foi criada entre os ministérios da defesa do Japão e China para evitar incidentes nessas regiões.

Com o aumento do poderio militar de seus vizinhos, o Japão também entrou na corrida armamentista (mesmo sem ter formalmente um exército) e vem desenvolvendo suas capacidades defensivas em conjunto com países aliados como os EUA.

Aumento das capacidades de dissuasão do Japão

Diz o artigo 9°, da Constituição Pacifista japonesa:

“Aspirando sinceramente a paz mundial baseada na justiça e ordem, o povo japonês renuncia para sempre o uso da guerra como direito soberano da nação ou a ameaça e uso da força como meio de se resolver disputas internacionais.

Com a finalidade de cumprir o objetivo do parágrafo anterior, as forças do exército, marinha e aeronáutica, como qualquer outra força potencial de guerra, jamais será mantida. O direito a beligerância do Estado não será reconhecido.”

Para o ex primeiro-ministro, Shinzo Abe, o Japão deve rever como lida com a segurança nacional. Em entrevista, Abe disse: “É preciso que entendamos como a segurança global é assegurada. Não devemos fazer dessa discussão um tabu face a nossa realidade”.

Artigo 9° da Constituição do Japão
Artigo 9° da Constituição do Japão

Nas palavras de Abe, “O Japão deve considerar suas opções”. Ele se referia a países membros da OTAN que não possuem armas nucleares, mas que os EUA as mantém em suas bases dentro do país, como na Alemanha, por exemplo.

No entanto, Shinzo Abe afirmou que o Japão é o único país que sofreu com o horror dos do uso de armas nucleares.

Portanto, a única forma de obter uma cortina nuclear é com ogivas equipadas em navios dos EUA estacionados na região.

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Compartilhamento nuclear

A proposta do líder do LDP na Dieta, Shinzo Abe, propõe o princípio do compartilhamento nuclear, como o da OTAN. Mas o primeiro-ministro Fumio Kishida disse em sessão na Dieta que o uso de forças nucleares não é uma opção.

Por causa da segunda guerra mundial, os países da Ásia não veem a militarização do Japão com bons olhos, então, ser um país no guarda-chuva de um país estrangeiro com armas nucleares apontadas para Beijing não trará nenhuma melhora na segurança da região.

Manifestantes defendem o artigo 9° da Constituição do Japão contra as investidas do LDP nos últimos anos
Manifestantes defendem o artigo 9° da Constituição do Japão contra as investidas do LDP nos últimos anos

Por hora, uma série de modernizações estão acontecendo nos equipamentos militares da SDF. Recentemente, o primeiro-ministro Fumio Kishida disse pretende equipar as SDF com equipamento ofensivo contra bases inimigas.

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