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Japão decide não assinar Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares da ONU em 2021

Segundo governo, diferente abordagem para a questão foi a razão.

O Japão pegou muitas nações de surpresa – inclusive a japonesa – ao declarar que o país não irá renovar sua assinatura no Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares da ONU, e que expirará em janeiro de 2021.

Para os membros da Japan Confederation of A- and H-bomb Sufferers Organization, “O governo japonês deveria ser o primeiro a ratificar o acordo, não virar as costas para ele”, afirmou o secretário geral da organização, Suechi Kido.

Japoneses reunidos H-bomb Suffererres Organization
Manifestação organizada pelos membros da Japan Confederation of A- and H-bomb Sufferers Organization em 26 de outubro de 2020.

Por ser o único país do mundo a vivenciar os horrores da guerra nuclear, era de se esperar uma atitude diferente do país, porém, a segurança nacional tem outro entendimento.

Declaração oficial

De acordo com o Secretário Chefe de Gabinete, a decisão de não ratificar o TNP (Tratado de Não Proliferação) foi tomada por divergências na abordagem do para a abolição de armas de destruição em massa.

Katsunobu Kato
Secretário-geral de gabinete Katsunobu Kato em coletiva de impressa, 26 de outubro de 2020.

“Acreditamos que, com os recentes desafios de segurança imposto pelos países vizinhos, é apropriado fazer progressos firmes e realistas quanto ao desmantelamento nuclear enquanto mantemos nossa força e capacidade dissolutiva de lidar com essas ameaças”, afirmou Katsunobu Kato em conferência de imprensa.

Saia justa

O Japão se encontra em uma situação nada confortável. Nos últimos anos, a China vem militarizando o Mar do Sul da China e repetidamente invadindo as águas de vizinhos com barcos de pesca.

Somente em 2020, o governo japonês afirma que navios de pesca chineses violaram a zona marítima exclusiva do Japão quatro vezes em relação ao ano de 2019.

Míssel chinês DF - 5B
Míssil chinês DF-5B em desfile militar de comemoração aos 70 anos da República Popular da China, 1° de outubro de 2019.

Com a militarização do Mar do Sul da China, o Japão se vê cada vez mais ameaçado por seu vizinho, a China – bem como a ameaça nuclear norte-coreana.

DEsfile militar norte-coreano
Desfile militar norte-coreano em 2018.

Portanto, o governo japonês se vê forçado a ter em seu território o escudo protetor dos EUA dado que a constituição japonesa proíbe o país de possuir armas ofensivas.

Ameaça global

Na Assembleia Geral da ONU em 29 de setembro, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou em seu discurso que “Infelizmente, o progresso para a eliminação total das armas nucleares está paralisado e corre o risco de ser comprometido”.

Silo nuclear
Silo nuclear modernizado.

A ONU também observa que “hoje, o risco do uso de armas nucleares – intencionalmente, por acidente, ou por erro de cálculo – é maior do que nunca, desde os dias mais sombrios da Guerra Fria. A deterioração das relações entre os Estados nucleares, o papel crescente das armas nucleares nas estratégias de segurança nacional, os avanços tecnológicos e a erosão do regime de não proliferação”.

Ainda há esperança

Sobreviventes da bomba de hidrogênio segurando cartaz
Japan Confederation of A- and H-bomb Sufferers Organization, 26 de outubro de 2020.

Embora nenhuma das nove potências nucelares – EUA, Rússia, China, França, Inglaterra, Israel, Índia, Paquistão e Coreia do Norte – seja signatária do TPNW (Tratado de Proibição de Armas Nucleares), ainda há esperança de um mundo livre de armas nucleares.

Em outubro de 2020, Honduras se tornou o 50° signatário do TPNW. Além disso, ainda são signatários do TNP (Tratado de Não Proliferação) 122 nações comprometidas com o não desenvolvimento de armas de destruição em massa.

Duas mulheres segurando cartaz de agradecimento
Agradecimento da ICAN (Internation Campaign to Abolish Nuclear Weapons) a Honduras, outubro de 2020.

Apesar da decisão do governo japonês, os membros da Japan Confederation of A- and H-bomb Sufferers Organization continuaram pressionando as autoridades para a cooperação internacional de um mundo livre da ameaça nuclear.

Kunihijo Sakuma, diretor e advogado da organização – além de ser um sobrevivente dos ataques nucleares na segunda guerra mundial – é otimista quanto ao futuro, acredita que o mundo caminha para a total proibição.

Kunihijo Sakuma
Kunihijo Sakuma, diretor e advogado da Japan Confederation of A- and H-bomb Sufferers Organization.

Quanto a decisão de seu país, é categórico: “nós não desistiremos”.

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