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Japão condena ataque russo na Ucrânia e trabalhará com o G7

O primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida, afirmou que o país tomará decisão em conjunto com os países aliados. Confira.

Na madrugada do dia 24, poucas horas antes do Sol raiar, um ataque militar a Ucrânia foi autorizado pelo líder russo, Vladimir Putin, alegando defesa das autoproclamadas Repúblicas Democráticas de Donetsk e Luhansk e dos russos étnicos no país vizinho.

Antes de autorizar o ataque, o presidente russo realizou um discurso dirigido aos cidadãos alegando que suas ações visam desmilitarizar e ‘desnazificar’ Kiev.

Primeiro-ministro Fumio Kishida condenou a agressão russa à Ucrânia nesta quinta-feira, 24 de fevereiro, em entrevista coletiva
Primeiro-ministro Fumio Kishida condenou a agressão russa à Ucrânia nesta quinta-feira, 24 de fevereiro, em entrevista coletiva

O primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida, se pronunciou condenando a invasão e os ataques russos na Ucrânia.

“Estamos fazendo o nosso melhor para coletar informações e entender o que está acontecendo. A situação é tensa, trabalharemos em conjunto com a comunidade internacional, incluindo o G7”, disse o primeiro-ministro em coletiva de imprensa.

Um dia antes da invasão russa à Ucrânia, Fumio Kishida anunciou sanções contra a Rússia pelo reconhecimento das autoproclamadas Repúblicas Democráticas de Donetsk e Luhanks.

Um breve resumo histórico

Desde a Revolução da Praça Maidan em 2014, ou do golpe de estado via ‘revoluções coloridas’, a classificação dos acontecimentos dependerá da perspectiva dos envolvidos e das preferências dos espectadores, já que a Ucrânia se movimentava para se aproximar da União Europeia e da OTAN.

Após a queda da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) no natal de 1991, a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) realizou dois movimentos de expansão ao leste incorporando algumas das ex repúblicas soviéticas como Polônia, Romênia e Lituânia.

Revolução da Praça Maiden em 2014, ou do golpe de estado via ‘revoluções coloridas’, a classificação dependerá da perspectiva dos envolvidos e das preferências dos espectadores, em especial a população pluri étnica da Ucrânia. Foto por Jeff J Mitchell, Getty Images
Revolução da Praça Maiden em 2014, ou do golpe de estado via ‘revoluções coloridas’, a classificação dependerá da perspectiva dos envolvidos e das preferências dos espectadores, em especial a população pluri étnica da Ucrânia. Foto por Jeff Mitchell, Getty Images

Depois dos fatos de 2014, um novo governo pró-ocidente e russofóbico foi formado. Uma série de leis foram criadas para romper definitivamente os laços que ligavam Moscou a Kiev, como a proibição do idioma russo e a mais significativa, o rompimento da Igreja Cristã Ortodoxa.

Dessa forma, hoje em dia, existe a Igreja Cristã Ortodoxa Ucraniana e a Igreja Cristã Ortodoxa Russa. A separação foi considerada o ato mais agressivo após a derrubada dos monumentos da era soviética, que indignou os russos e nações irmãs (Kiev foi a primeira capital da história da Rússia).

As amargas lembranças do Holodomor, as coletivizações forçadas das fazendas de propriedade privada da Ucrânia que resultou na morte de aproximadamente 4 milhões de ucranianos por inanição na era stalinista, e do próprio czarismo, ainda são cicatrizes abertas na Ucrânia.

Pedido de adesão a UE e a OTAN

Para se afastar da esfera de influência de Moscou, desde a queda do ex presidente pró-Rússia, Viktor Yanukóvytch, natural da então província de Donetsk, portanto, um russo étnico, o governo ucraniano busca se integrar na União Europeia.

O mandado de Petro Poroshenko havia prometido reaver o território da Criméia, anexado pela Rússia em 2014 em um controverso referendo popular assegurado por tropas russas no território. Já o atual presidente ucraniano Volodymyr Zelensky se mostrou um outsider na política.

Encontro oficial entre o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenber
Encontro oficial entre o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenber

No primeiro dia de mandato, Zelensky dissolveu o parlamento para assegurar uma maioria para apoiar seu governo.

Após escaladas na região de Donbass, passaram receber apoio informal dos países da OTAN nas zonas de conflito civil.

Receberam armas e algum treinamento, mas só. Isso porque existem unidades neonazistas dentro da Ucrânia que a OTAN se recusa a fornecer treinamento.

Abandonados à própria sorte

Até agora, as nações aliadas da Ucrânia não deram uma resposta forte e firme como muitos ucranianos esperavam e contavam. Nos últimos meses, a escalada da OTAN e Rússia em território ucraniano foi de mal a pior.

Mas não há disposições por parte da OTAN em colocar soldados da aliança em território da Ucrânia para defender o país dos agressores. Por hora, apenas anunciaram um pacote de sanções para a Federação Russa.

Ataque de mísseis russos de cruzeiro de alta precisão em aeroporto militar em Kiev, capital da Ucrânia na manhã de quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022
Ataque de mísseis russos de cruzeiro de alta precisão em aeroporto militar em Kiev, capital da Ucrânia na manhã de quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Porém, o governo russo já contava com essas sanções e se prepararam aumentando suas reservas de ouro e diversificando seus ativos no exterior.

Agora, a Ucrânia se vê sozinha e com poucos meios de se defender de um dos exércitos mais poderosos do mundo.

Lembrando que o artigo 5° da OTAN de reciprocidade só é válida aos membros e nações aliadas não estão cobertas pela proteção das 27 nações que compõem a maior organização militar do mundo. Além disso, não há indícios que os estados membros estão dispostos a enfrentar a Rússia pela Ucrânia.

A posição do Japão

A invasão russa a Ucrânia é um acontecimento muito importante para o Japão, que tem disputas territoriais com a Rússia. Para Tomohiko Taniguchi, ex conselheiro de gabinete do primeiro-ministro, o Japão não pode ser ambíguo.

“O Japão não pode tomar uma atitude ambígua sobre princípios inegociáveis. Isso vale tanto para as relações com a Rússia, quanto com a China”, um outro vizinho com disputas territoriais.

Ex conselheiro do gabinete do então primeiro-ministro, Shinzo Abe, Tomohiko Taniguchi
Ex conselheiro do gabinete do então primeiro-ministro, Shinzo Abe, Tomohiko Taniguchi

Mas ações unilaterais devem ser descartadas, continua Taniguchi: “Agora é essencial manter-se em sintonia com os outros países do G7 para lidar com a resposta mais apropriada da escalada russa”.

“A menos que o Japão mostre uma atitude resoluta contra a Rússia dessa vez, não terá força para confrontar a China caso Beijing decida intervir e conquistar Taiwan da mesma forma. O que está acontecendo na Ucrânia não se limita a esse país, atinge a todos e é um teste aos valores que acreditamos”, concluiu Tomohiko Taniguchi.

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Próximos passos

Desde janeiro, os países da aliança (OTAN) vêm falando em consequências sem precedentes, mas até agora nada de muito concreto além de sanções econômicas aconteceu, na verdade, o setor de alimentos e energia ficou de fora do pacote de sanções.

O Japão tem muito a perder caso a Rússia consiga derrubar o atual governo ucraniano e instalar a força um novo governo que seja vassalo as políticas de Moscou, caso esse cenário aconteça, a posição japonesa ante as ilhas disputadas com Beijing e Moscou enfraquecerá.

Ministros das relações exteriores dos países do G7, mais o chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell
Ministros das relações exteriores dos países do G7, mais o chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell

A resposta da OTAN será fundamental para os próximos passos da aliança euroasiática entre China e Rússia. Uma situação complicada em que demonstrações de fraqueza serão exploradas ao limite.

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