Uber humano é conceito de tecnologia imersiva no Japão
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Uber humano: tecnologia imersiva conceitual pode ser uma realidade no Japão

Conceito sugere uso de tecnologia imersiva e aluguel de pessoas

O termo uber humano ficou conhecido entre o meio tecnológico em uma conferência do MIT Techs Review da Ásia. Continue lendo e entenda.

Uber humano?

Parece piada, mas não é. No Japão, quando a pandemia estava em seu auge, quem podia ficou em casa.

Por isso, foi comum que acontecessem formaturas com eventos no ambiente online, como no presencial usando avatares robôs.

Graduação realizada em cerimônia de formatura de negócios em 2020
Graduação realizada em cerimônia de formatura da Universidade Business Breakthrough em 2020. Alguns alunos compareceram com avatares robôs devido a restrições

Antes disso tudo acontecer, Jun Rekimoto já tinha mostrado uma alternativa desse tipo de tecnologia no evento da EmTechAsia realizado no ano de 2018 em Singapura.

Apresentação do conceito do uber humano em feira de tecnologia EmTech de 2019
Apresentação da feira de tecnologia realizada pela EmTech em Singapura em 2018

Jun Rekimoto é professor na Universidade de Tokyo e um pesquisador de tecnologia VA/VR, além de trabalhar na Sony CLS.

Pesquisador Jun Rekimoto. Créditos: Rekilab

Este trabalho foi desenvolvido junto com Kana Misawa da Universidade de Tokyo.

A pesquisa pode ser conferida no site ResearchGate em um documento batizado de Chamaleon Mask: Embodied Physical and Social Telepresence using Human Surrogates (Máscara Camaleão: Telepresença Física e Social Usando Substitutos Humanos).

Basicamente, a ideia é usar uma pessoa para levar um dispositivo eletrônico na cabeça como um substituto humano dos avatares robôs. Ou seja, o corpo é temporariamente emprestado para outra.

Uma pessoa fica em casa de forma remota e poderá ir a eventos usando um substituto humano.

Enquanto, o substituto humano usando o Chamaleon Mask terá a experiência de ser outra pessoa.

Chamaleon Mask – Como funciona

Uma pessoa (substituto humano – uber humano) usaria um capacete Hacosco com um tablet com câmera externa batizado de ChamaleonMask.

O tablet mostrará o rosto do usuário remoto, assim como sua voz será transmitida em tempo real.

Pessoa ao lado do uber humano que usa capacete ChamaleonMask
Usuário ao lado de seu susbstituto humano usando protótipo do capacete ChamaleonMask

O rosto do uber humano não poderá ser visto e o capacete não impedirá que a pessoa respire, além de ter espaços ergonômicos para comportar nariz e o formato do rosto de forma confortável.

Como o uber humano enxerga

Já o uber humano terá uma tela posicionada na frente dos olhos que transmitirá imagens do ambiente em sua volta através de uma outra câmera externa que ficará posicionada perto do tablet.

Desta forma, o substituto humano conseguirá enxergar o que acontece no ambiente e saber por onde ir através de realidade virtual (VR) de forma imersiva.

Além disso, eles adicionaram uma lente wide na câmera ampliando a visão do uber humano. Estas imagens são compartilhadas com o usuário remoto em tempo real.

Já o uber humano (substituto humano) verá em sua tela, minimizado no canto direito da tela, o usuário remoto em vídeo simultaneamente melhorando a comunicação entre as partes.

esquema explica interação e como o capacete funciona
Na imagem de cima podemos observar a visão do uber humano

Comunicação entre o usuário remoto e o substituto humano (uber humano)

Além disso, a comunicação entre uber humano e usuário remoto será possível de forma privada através de um sistema de áudio interno.

Agindo como um diretor, o usuário remoto mutará a comunicação externa e abrirá o canal interno para falar com o uber humano usando Google Hangouts.

O uber humano usará fones de ouvido com microfone para poder se comunicar. A conversa deve ser feita em local privado, longe das outras pessoas e com a voz baixa.

Depois, o usuário remoto poderá colocar no mudo a comunicação interna para abrir os auto falantes em viva voz do tablet para falar com as pessoas que estarão no ambiente.

Protótipo

O capacete foi desenvolvido como um protótipo em teste. Um iPad Air foi usado na ocasião, assim como um iPhone 6.

Protótipo do capacete ChamaleonMask
Protótipo do capacete Chamaleon Mask com um iPad Ai e iPhone6

Forma mais real

O argumento é que os robôs avatares não conseguem substituir a presença de uma pessoa de forma completa. Então, um humano no lugar seria muito mais interessante.

Atualmente, as pessoas ainda agem de forma diferente e não tratam o robô avatar com naturalidade.

Ainda que também seja estranho se deparar com alguém usando um tablet na frente do rosto, isso seria naturalizado.

Com outras palavras, este tipo de uso seria mais aceito quando se tornar comum e as pessoas ficariam mais confortáveis em um futuro.

Telepresença física e social

O uber humano deverá suprimir sua personalidade e agir em propósito do usuário remoto como uber humano substituindo sua presença social e física usando telepresença e tecnologia imersiva.

No vídeo abaixo, podemos ver uma explicação simples de parte do conceito. Ative as legendas para entender.

Resolução de ajustes de problemas com mais facilidade

Além disso, quando se usa um avatar robô, ele pode passar por certos problemas que precisem da interação humana, como ajuste de volume e posicionamento.

São limitações que poderiam ser resolvidas de forma imediata e ágil sem incomodar outras pessoas com isso com o uso do substituto humano.

O humano também possui jogo de cintura e conseguirá achar a melhor solução levando em consideração o que se passa no ambiente, além de poder lidar com eventuais crises.

Mais barato que avatar robô

Avatares robôs da ANA em meio a feira
Avatar robô New Me da empresa ANA Holdings

Além disso, seria uma alternativa mais barata em comparação com um avatar robô, que é uma tecnologia cara e pouco acessível. Bom, pelo menos por enquanto.

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Outro benefício seria o de poder fazer coisas que os robôs avatares ainda não conseguem, como subir escadas e abrir portas.

Sugestões de uso do ChamaleonMask

A página oficial possui algumas sugestões de como o uber humano poderia ser usado.

Em uma apresentação de negócios ou para uma celebridade poder fazer tours em cidades diferentes sem ter que sair de sua casa, são alguns exemplos.

Também pode ser usado em consultórios médicos, para dar aulas, reuniões, visitar parentes em casa de repouso e participar de conferências.

Todas estas ideias de tecnologia imersiva foram apresentadas no evento da EmTech Asia antes da pandemia e os registros da ideia do uber humano podem ser conferidas nas redes sociais da página oficial @EmTechAsia

Ideia conceitual

Portanto, a ideia do uber humano ainda é bem conceitual e não foi aplicada no dia a dia no Japão, mas é uma possibilidade e algo que pode ser explorado, já que o mercado japonês é mais aberto quanto a novidades deste tipo.

Lembrando que o aluguel de pessoas é um serviço comum no país e bem-aceito. Por lá, dá para alugar alguém para ir fazer compras, tomar um café, dar conselhos ou apenas ouvir sem julgamentos. Candidatos é que não faltariam para a ideia do uber humano.

Será que funciona?

Os testes conduzidos pelos pesquisadores e documentados na pesquisa mostraram reações positivas, tanto do usuário remoto, quanto do uber humano em dois casos. Abaixo confira o andamento e conclusão de um teste.

Teste 1

Em um exemplo, uma mulher japonesa de 28 anos precisava ir até uma outra cidade para retirar um documento.

Ela contatou uma conhecida de 23 anos que era estrangeira e estudante para ser seu uber humano.

Ela conhecia a cidade que precisava ir e guiou a sua uber humano até o prédio que emitia seu documento, um órgão oficial.

Pessoas assumem que pessoa com capacete é a pessoa da tela

O oficial com quem a mulher falou assumiu que ela é quem estava por debaixo do capacete de forma imediata.

No entanto, pediu para que ela retirasse o capacete para confirmar sua identidade e entregar o documento. Quando entendeu a situação, pediu que ela voltasse com uma autorização oficial.

Quando a uber humana fez o requerimento em outro local foi informada que ainda não existe uma legislação para o uso de um substituto humano e por isso não poderia entregar a autorização, mas que no futuro isso poderia acontecer, caso a legislação mude.

Conclusão – Ser outra pessoa é interessante

A estudante que serviu de uber humano afirmou que achou interessante a experiência de ser outra pessoa.

Além disso, achou que esse tipo de trabalho a fez sentir que ajudou alguém. Por isso, consideraria virar uber humano como um trabalho de meio período.

A usuária remota ficou satisfeita com a experiência e se animou com a possibilidade de poder ir em locais desta forma.

Quem quiser dar uma olhada no projeto e entender melhor a ideia do uber humano pode visitar o site oficial (em inglês) e baixar o trabalho completo: https://lab.rekimoto.org/projects/chameleonmask/

Futuro do uber humano

Interagir com uma pessoa vestindo um tablet ainda é estranho, por isso a ideia é aprimorar essa máscara no futuro.

Pesquisadores já estão desenvolvendo uma máscara tridimensional que pode ser projetada e ser mais realista.

Segundo o professor de filosofia e ética da Universidade Butler nos Estados Unidos e pesquisador de AI, James Macgrath contou para a VICE não existe dilema em usar um uber humano se pagar bem pelo serviço e tempo.

Ele afirma que o conceito proposto pelo uso da ChamaelonMask na verdade é bem comum e entende se alguém quiser esse tipo de serviço, em vez de usar os robôs avatares.

Se não consegue viajar a trabalho, pode usar Skype, se não pode ir a uma conferência, pode pedir para alguém ler um documento em seu lugar. Então, juntar os dois seria ideal e o uber humano atenderia a essas necessidades.

Em sua opinião contratamos pessoas para representar nossos interesses o tempo todo, desde advogados para resolver problemas a pessoas para fazer o transporte de algo.

Jun Rekimoto ainda adiciona que a sensação de ser um substituto humano pode ser bem interessante, já que você fica livre de sua responsabilidade, além de ter a sensação constante de que está ajudando alguém.

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