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Ruína encontrada em Kyoto pode ser do palácio relatado no Genji Monogatari e no Makura no Sōshi

Ruinas da lendária residencia Imperial Dairi do Palácio Heiankyu do período Heian e descrita em obras clássicas do Japão pode ter sido encontrada. Confira

Uma escavação iniciada em 2015 pela Kyoto City Archaeological Research Institute no distrito de Higashi-Shinmeicho, Kamigyo Ward em Kyoto a cerca de 500 metros a noroeste do Castelo Nijo conseguiu resultados surpreendentes.

De acordo com os pesquisadores, as ruínas encontradas podem ser o que sobrou do Dairi, residencia Imperial do Palácio Heiankyu relatado nos clássicos da literatura japonesa do século XI Genji Monogatari (O Conto de Genji) e Makura no Sōshi (O Livro do Travesseiro).

Mapa da escavação no Heiankyo. A região marcada em vermelha foi onde encontraram os vestígios do Dairi
Mapa da escavação no Heiankyo. A região marcada em vermelha foi onde encontraram os vestígios do Dairi

Os pesquisadores acreditam que os achados arqueológicos tratam-se do lendário pavilhão Tokaden e do Kokiden Hall, edifícios dedicados a Imperatriz e as atendentes do palácio quando a capital Kyoto era chamada de Heiankyo.

De acordo com os contos, lendas e história, o Palácio de Heiankyu existiu durante o período Heian (794 – 1185). Os indícios dos objetos barro encontrados e analisado pelo time de arqueólogos dão credibilidade a essa possibilidade.

Outras fontes de pesquisa

Uma das fontes de pesquisa da Kyoto City Archaeological Research Institute foi o Daidairi zu Kōshō (大內裏圖考証), livro do período Edo (1603 – 1868) publicado em algum momento entre o final da metade do século XVIII por Kozen Uramatsu.

O Daidairi zu Kōshō é uma obra dedicada de pesquisa dedicada a antiga capital do Japão, Heiankyu. Foi através dele que os arqueólogos deduziram o local onde deveria ser o lendário Palácio Imperial.

Página do livro Daidairi zu Kōshō,compilado por Kozen Uramatsu no período Edo
Página do livro Daidairi zu Kōshō,compilado por Kozen Uramatsu no período Edo

Até agora foram encontrados vestígios de cinco pilares, valas em L para escoar as águas da chuva que caíam no telhado do edifício. Ao que tudo indica, o edifício possuía 12 metros de leste a oeste e 27 metros de norte a sul.

Também foi constatado que a construção passou por diversas reformas e uma possível reconstrução entre o meio e o final do período Heian. Registros históricos apontam que a antiga residência Imperial resistiu até o século XIII.

É provável que a residência Imperial, Dairi, já existia antes de ser realocada na capital Heiankyo, porém, ainda não está claro quando as obras Tokaden e o Kokiden Hall foram concluídas.

Descrições do palácio no Genji Monogatari e Makura no Sōshi

Na obra Makura no Sōshi (枕草子), O Livro do Travesseiro atribuída a Sei Shōnagon, dama da corte da Imperatriz Teishi, consorte do Imperador Ichijo durante a última década do século X e início do século XI dá alguns detalhes sobre o palácio.

“O jardim do Tokaden é pequeno por causa de uma cerca colocada nas proximidades, mas a paisagem com neve é muito bonita”, escreveu Shōnagon. O Makura no Sōshi é um livro sobre observações e pensamentos da serva da Imperatriz.

  • Murasaki Shikibu ou Lady Murasaki, autora do clássico Genji Monotagari. Embora seu nome real seja um mistério, acredita-se que se chamava Fujiwara Takako
  • Sei Shōnagon, autora do clássico Makura no Sōshi e dama da corte da Imperatriz Teishi

Já na obra Genji Monogatari (源氏物語), O Conto de Genji, obra escrita por Murasaki Shikibu ou Lady Murasaki (seu nome real permanece um mistério), romancista, poetisa, fidalga e dama de companhia da corte Imperial, descreve a vida no Palácio Imperial de Heiankyu.

Um dos locais mencionados no romance de Murasaki fala sobre como o Kokiden Hall serviu como local para um encontro secreto entre as personagens Hikaru Genji, antagonista da obra e Oborozukiyo, irmã caçula de Kokiden, a amante preferida do Imperador.

Trabalho delicado

Arqueologia é um trabalho de formiga, afinal, é preciso ter cuidado para manter preservado os vestígios de muitos séculos ou milênios atrás. No caso do Palácio Imperial Dairi, a situação é ainda mais complicada.

Isso porque parte da construção foi destruída quando Toyotomi Hideyoshi realizou uma grande construção que incluía um fosso no antigo local da residência Imperial para abrigar sua residência e escritório conhecida como Jurakudai (聚樂第) ou Jurakutei (聚楽第).

O local das escavações onde foram encontradas as ruínas é praticamente em meio a cidade
O local das escavações onde foram encontradas as ruínas é praticamente em meio a cidade

Além disso, os trabalhos são difíceis por causa da cidade em si. Em uma parte das ruínas funciona uma casa de repouso para idosos atualmente. Contudo, as descobertas das ruínas trouxeram surpresa e entusiasmo aos especialistas.

“O Imperador Kanmu, que construiu Heiankyu, incorporou tecnologias chinesas ao estilo da cultura da dinastia Tang. Já o Dairi, foi construído com métodos tradicionais. (As últimas descobertas) são informações importantes que indicam que ele também valorizava a cultura tradicional do Japão”, disse Nobuya Ami, professor de arqueologia da Kindai Unversity.

U-kyo da residência Imperial Dairi feita pelo artista Utagawa Hiroshige
U-kyo da residência Imperial Dairi feita pelo artista Utagawa Hiroshige

O professor emérito da história japonesa antiga e medieval da Kyoto University também comentou sobre as recentes descobertas:

“Esta série de descobertas raras mostram até mesmo a transição que levou ao final do Período Heian, sem mencionar o fato de que (as ruínas dos dois edifícios) foram encontradas exatamente onde os documentos antigos descreveram, o que é muito surpreendente”.

Ainda há muito trabalho a ser feito pela Kyoto City Archaeological Research Institute e seus especialistas. Continue acompanhando o portal Japão Real e mantenha-se informado sobre novas descobertas, notícias e muito mais.

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