Neste artigo você aprenderá um apelido de escritório no Japão usado pelas gerações mais novas chamado uehara.
Jovens e gírias são quase sinônimos, não é mesmo? A empresa de recursos humanos do Japão CHREA explicou uma nova tendência que está entrando no mercado de trabalho como um comportamento comum.
Gíria de trabalho: uehara
Eles estão usando nomes de famílias comuns como Uehara, Ebiharae Tamehara. O hara entra em qualquer nome ordinário, digamos assim.
O hara está sendo associado a palavra em inglês “harassment”, que significa assédio. Não tem nada a ver com significado real, mas por soar parecido é utilizado.
Aliás, muitas palavras relacionadas a assédio de quase todos os tipos. No Japão tem classificações que vão desde a assédios sexuais, morais, de clientes, para mães e pais no trabalho.
Então, Uehara tem sido ligado a assédios ligados a uma pessoa de hierarquia superior. Apelando para a falta de capacidade da pessoa entender, pois é jovem e sem experiência.
Funcionários com mais tempo de empresa podem falar de forma desdenhosa, ou sem levar a sério os mais novos.

Então, se chamar alguém de Uehara no trabalho no Japão já sabe que a conotação é negativa.
Já ebihara é ligado a uma evidência de sempre contestar a fala do funcionário pedindo provas ou explicações demasiadas mostrando a falta de confiança.
Tamehara é alguém que é inapropriado para a ocasião. Por exemplo, que fala informal quando não deve. Se não intimidade você não falará com seu colega de trabalho como se falasse com um amigo íntimo.
A língua japonesa tem diversas formas de classificação hierárquica e modos de se falar. Portanto, ao causar constrangimento falando de forma inadequada você será tamehara no trabalho.
Confidencialidade
Essas gírias no trabalho são usadas pelas gerações mais novas para elas se expressarem ou dividir com colegas problemas sem precisar indicar o nome de alguém mantendo a confidencialidade.
Mudanças no mercado de trabalho

Esse movimento mostra que os abusos no trabalho já não são mais suportados em silêncio pelas novas gerações.
Mesmo que elas usem essas gírias, elas estão desabafando mais em comparação com as gerações mais velhas que suportavam tudo caladas.
Balanço da vida pessoal
Os mais novos estão priorizando balanço na vida pessoal e percebendo que as horas de trabalho extensas não são boas.
Trocam mais de emprego
Se antes as pessoas trabalhavam toda a sua vida na mesma empresa, os mais novos estão fazendo o quiet quitting e estão mais abertos a trocar de emprego sem que isso signifique o fim de suas carreiras.

Elas querem evitar o fenômeno karoshi (morte de tanto trabalhar), elas trocam de trabalho, querem mais flexibilidade em suas horas com opção de vagas remotas ou híbridas.
Por isso, as start-ups estão sendo alvo dos jovens mais do que as empresas tradicionais, que eram o sonho de todo trabalhador.
Quiet quitting é um fenômeno mundial em que o trabalhador se limita a fazer apenas as tarefas básicas de seu cargo sem se engajar ou envolver.
É a lei do mínimo esforço. Se antes os trabalhadores faziam de tudo pela empresa e eram pró-ativos, isso acaba com esse modo de ser.
Menos horas e mais qualidade de vida
Ainda mais se a empresa tiver ueharas ou outros exemplos de assédio. Os homens mais novos trabalharam em média 38.1 horas por semana em 2022. Bem abaixo das 1.839 horas dos anos 2000.
Eles estão priorizando seu bem-estar mais que estabilidade econômica ou crescimento. Estes últimos eram valores de seus pais.
Um trabalhador de 26 anos afirmou que queria mais tempo para fazer coisas de que gosta. “Eu não odeio meu trabalho e eu sei que preciso pagar contas e aluguel, mas eu preferiria encontrar meus amigos, viajar ou ouvir música.
O jovem completa: “Eu sei que meu avô e mesmo a geração dos meus pais pensaram que não tinham escolha, era trabalhar duro e ganhar mais dinheiro, mas eu não entendo este modo de pensar.”
Por fim, diz o que muitas pessoas das gerações mais novas pensa: “É melhor ter um balanço de trabalho e de coisas que eu quero fazer longe do escritório e eu acredito que a maioria dos meus amigos se sente da mesma forma.”
As gerações mais novas estão reconhecendo situações de exploração. Portanto, não aceitam condições extenuantes por ganhos irrisórios.
Empresas estão querendo reter talentos novos
As empresas desesperadas por novos talentos estão oferecendo benefícios que antes eram impossíveis.
Ganham mais e trabalham menos
Portanto, os jovens ganham mais e trabalham menos. Segundo o analista Takashi Sakamoto do Recruit Works Institute contou para a reportagem do Business Standard os pagamentos subiram em 25% desde os anos 2000, apesar de menos horas trabalhadas.
Tensão entre gerações
Isso tem causado uma tensão entre jovens e funcionários mais antigos, que tanto aguentaram e sacrificaram. Os mais velhos construíram sua carreira com horas longas de trabalho baseados em ambição.
Ver os novos priorizando seu bem-estar e ganhando bem tem criado um mau-estar e um embate geracional no mercado de trabalho japonês.
Muitas pessoas mais novas viram o sacrifício dos pais em que deram suas vidas para as empresas, investindo em muitas horas e extrapolando e efetivamente abrindo mão de sua vida privada, segundo Sumie Kawakami professora de ciências sociais da Universidade Gakuin Yamanashi.
Ao final das contas, os mais novos viram que isso não é o que eles querem. No passado os empregadores pagavam uma boa quantia e davam benefícios para as pessoas ficarem na mesma empresa até sua aposentadoria.
No entanto, este não é mais o caso, pois as empresas estão cortando custos, nem todos os empregados têm contratos de período inteiro e os bônus não são mais generosos.
As pessoas se deram conta de que não precisam se sacrificar pelas empresas. Além disso, a pandemia fizeram questionamentos sobre prioridades.
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