Ser estrangeiro e procurar um bom emprego no país escolhido é sempre desafiador. Confira nesse artigo 6 conselhos para procurar emprego no Japão. Confira.
Procurar emprego no Japão
Antes de mais nada é importante ressaltar que as diferenças culturais e do próprio mercado de trabalho terão muito peso nos quesitos abaixo.
Leve os conselhos para guiar suas pesquisas, mas saiba que os 6 pontos não são decisórios, mas influenciarão na caminhada de aprendizado em procurar emprego no Japão.
1. Falar mais de dois idiomas não é um ativo
Seja você brasileiro que fala inglês, seja você alguém de língua materna inglesa, falar outro idioma que não o japonês não é um ativo para um estrangeiro conseguir uma boa vaga de emprego no país.
Por exemplo, alguém que fala português e inglês, mas não japonês sai em desvantagem para a maioria das vagas.
Isso não quer dizer que não haja vagas para quem domina o inglês. Eles priorizam muito em áreas turísticas, trabalhos de meio período, etc.
Em escolas de inglês eles pedem que o idioma seja de origem nativa.

Muito mais importante do que outros idiomas, o mais importante é dominar o japonês.
Não somente a fala, mas principalmente a escrita. A maioria dos empregos no Japão (70%) são pequenas empresas com 7 a 10 funcionários.
No Japão, as pequenas empresas são cerca de 84,9% do total das companhias japonesas, as médias empresas são por volta de 14,8% e as grandes empresas representam somente 0,3% das companhias japonesas.

Cargos onde há necessidade de profissionais bilingues para o comércio exterior são poucos e nem sempre estão disponíveis em todas as empresas de médio porte. Cargos dessa natureza são destinados aos japoneses.
A não ser que o profissional tenha capacidades únicas e muito desejadas por grandes companhias, além de ter de dominar o idioma japonês, dificilmente terá facilidade em conseguir uma vaga de emprego por falar mais de um idioma.

Em vez de se apoiar em idiomas, é melhor primeiro ir ao Japão como turista focado em conhecer pessoas que já passaram por esse processo, fazer conexões e construir relacionamentos de negócios que auxilie no futuro.
2. Falar japonês é o melhor caminho
Como dito no tópico anterior, dominar o idioma japonês é o mais importante para ter inserção no mercado de trabalho do Japão.
As certificações JLPT (Japanese Language Proficiency Test) são muito importantes para quem busca uma vaga em uma empresa tradicional com construção de carreira.
Até mesmo em konbinis e demais serviços com atendimento direto ao consumidor precisará ter pelo menos um N2.
As certificações JLPT tem cinco níveis: N5, N4, N3, N2 e N1. O nível N5 é o mais fácil de todos e o N1 é o mais difícil.
As companhias japonesas que empregam no estilo salarymans exigem pelo menos o JLPT N2, mas o ideal mesmo é o JLPT N1.

Claro que isso depende do que cada pessoa está procurando. Se o objetivo é trabalhar em empregos temporários, construção civil e indústrias no geral (colarinho azul), o nível N3 pode ser suficiente, além da capacidade técnica.
Para ter um emprego colarinho branco, o mínimo que se exige é um domínio do idioma japonês no nível negócios. Não adianta mentir. Esteja preparado para uma entrevista difícil.
3. Não tente se misturar
Mesmo que você seja nissei ou sansei não se engane. Ao final das contas você é estrangeiro.
Tentar fazer como os japoneses que saem da graduação e se candidatam para as vagas de emprego durante o Shukatsu (就活) é uma péssima ideia.
O Shukatsu vai do começo de novembro até o final de fevereiro e reúne um exército de novos graduandos vestidos uniformemente disputam uma vaga nas principais companhias do país.

A não ser que a pessoa tenha sido criada e estudado no Japão desde pequeno e seja escolhido pelas empresas por promoção da diversidade, não importa o quão bem você fale ou escreva, o tratamento não é o mesmo.
Se você está procurando um bom emprego no Japão, o melhor caminho é buscar empresas não tradicionais voltadas para o setor de inovações como startups, indústria do relacionada ao turismo e mídias sociais.
4. Escolha bem a empresa de recrutamento
Para ter êxito em encontrar um bom emprego no Japão, a escolha do recrutador é fundamental. Isso não muda a necessidade da capacidade técnica do candidato.
Profissionais de alto nível como programadores e profissionais de TI em geral, engenheiros, designers, arquitetos e prestadores de serviços especializados, por exemplo, costumam ser mais agraciados em comparação com os que não tem essas qualificações.

Ir atrás de grandes agências de recrutamento nem sempre é a melhor alternativa. Talvez, seja mais interessante procurar pequenas agências de empregos e seja mais especializada na sua área de atuação.
Depois de escolher sua agência é importante ser resiliente, persistente e sempre manter contato com seu recrutador.
É importante demonstrar interesse na busca por emprego para que você seja lembrado.
5. Sua vida será escrutinada
Uma entrevista de emprego no Japão é uma entrevista sobre a sua vida inteira. Não vão querer saber apenas sobre os trabalhos anteriores. Vão perguntar sobre a universidade, talvez, sobre o ensino médio.
Perguntarão sobre sua vida pessoal, casamento, se tem ou pretende ter filhos no futuro e até sobre a opinião dos pais sobre estar morando no Japão. É um pouco invasivo, mas no Japão isso é normal.

Responda aquilo que for confortável responder e tente se esquivar da melhor forma possível as perguntas invasivas.
No entanto, esteja preparado para responder muitas coisas e normalmente não aconteceria em uma entrevista em um país ocidental.
Esteja preparado para responder perguntas sobre lacunas entre educação e empregos.
Aliás, não é comum os japoneses terem algum intervalo entre empregos ou da universidade para o mercado de trabalho.
6. Saiba selecionar as empresas para trabalhar
Procurar emprego nunca é fácil. Afinal, se você está procurando, quem está precisando é você.
Além disso, a demanda de pessoas é sempre muito maior em comparação com a oferta da vaga.
Ainda assim, é muito importante manter a dignidade. Isso significa saber recusar certas empresas. A escolha fica evidente já na própria entrevista de emprego.

Se o contratante te trata mal, dificilmente as coisas melhorarão se a contratação acontecer.
Nesse sentido, o terceiro tópico do artigo volta: evite procurar emprego em empresas tradicionais ou as gigantes japonesas.
A cultura dessas empresas ainda é muito tradicional. O choque cultural de como os japoneses trabalham (horas extras não remuneradas e não sair antes do chefe) são apenas algum dos pontos em que o normal lá, pode não ser tão bem aceito.
Startups e empresas de inovação sempre serão as melhores opções por serem mais abertas a estrangeiros, novas culturas e ideias.
Estes e outros conselhos sobre procurar emprego no Japão, bem como questões culturais você encontra por aqui.
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