Os filmes japoneses de samurai clássicos são conhecidos como Chanbara (チャンバラ) e Jidaigeki (時代劇). Você pode até não saber, mas essas obras samurai clássicas são a base para muitos filmes, diretores e franquias de sucesso no ocidente.
Filmes japoneses de samurai clássicos

O cinema japonês Jidaigeki foi fundamental e abriu caminho para uma série de diretores famosos que vão de George Lucas, Steven Spielberg e Quentin Tarantino
Quer conhecer quem foram os mentores e os filmes que marcaram os principais e mais famosos cineastas?
Confira abaixo nossa lista de 7 filmes japoneses de samurai clássicos para maratonar com seu parceiro ou parceira cinéfilo.
1. Shichin no Samurai
Dirigido pelo gênio do cinema mundial Akira Kurosawa, Shichinin no Samurai (“七人の侍”, Sete Samurais) é uma obra monumental sobre heroísmo e humanismo lançada em 1954 e um dos filmes japoneses de samurai clássicos imperdíveis.

Produzido pela Toho Co., Ltd, Sete Samurais também foi listado em 2012 como o 17º filme na lista de Melhores Filmes de Todos os Tempos da Sight & Sound, periódico britânico mensal especializado em cinema.
O longa foi escrito por Akira Kurosawa, Shinobu Hashimoto e Hideo Oguni, um time de cineastas que trabalharam juntos em projetos como A Fortaleza Escondida de 1958, Trono de Sangue de 1957 e Ikiry de 1952.

Sete Samurais é ambientado em 1586, metade do turbulento período Azuchi-Momoyama (1573 – 1603), e conta a história de sete ronin que se juntam para proteger uma comunidade agrícola do ataque de bandidos e saqueadores.
Com três horas e meia de duração, Sete Samurais foi uma revolução cinematográfica de sua época. Kurosawa se recusou a gravar em um cenário construído nos estúdios da Toho, mas sim em locação externa.

Em vez disso, o diretor mandou construir o cenário no distrito rural de Tagata na península de Izu, província de Shizuoka. Kurosawa argumentou que a qualidade do cenário influencia a qualidade da atuação dos atores.
Foi um filme extremamente difícil de ser filmado por causa do clima e recursos limitados como cavalos.
Foi necessário um ano para gravar, além de três meses de pré-produção. Foi considerado um filme impossível de ser feito.

Não só foi considerado impossível como a Toho cancelou a produção pelo menos duas vezes.
Em uma delas Kurosawa foi pescar com a tranquilidade de quem sabe que o estúdio já tinha gasto dinheiro demais para abandonar a produção.
Kurosawa inovou o cinema mundial com a utilização de lentes telefoto (teleobjetivas), uma tecnologia bastante rara naquele tempo, além de trabalhar com multicâmeras para as cenas contínuas de ação.

O filme, um dos mais caros de sua época, foi um divisor de águas no cinema japonês e mundial. Ele foi refilmado, adaptado e referenciado em muitas obras cinematográficas.
Sete Homens e Um Destino, filme estadunidense de 1960 do diretor John Sturges trocou os samurais por pistoleiros.
Os Seis Invencíveis de 1970 do diretor Jean Negulesco também foi uma imitação de Sete Samurais.

Batalha Além das Estrelas de 1980, ficção espacial dirigida por Jimmy T. Murakami é considerado como o Sete Samurais espacial com referência direta a Akira Kurosawa. O planeta do protagonista se chama Akir e seus habitantes Akira.
Você também encontra incontáveis elementos de Sete Samurais no universo Star Wars, na primeira trilogia e no filme Roge One.
O episódio Bounty Hunters da animação Clone Wars de 2008 é uma homenagem direta a Akira Kurosawa.

Há também homenagem direta a Akira Kurosawa e Sete Samurais no Capítulo 4: Santuário da série Mandalorian.
O filme Rebel Moon de 2023 de Zack Snyder foi inspirado no longa de Kurosawa e o clássico Sicário de 2015 de Denis Villeneuve também.
A quantidade de filmes que utilizaram a fórmula e se inspiram em Sete Samurais é gigantesca.
Akira Kurosawa foi um mentor para grandes diretores como Steven Spielberg, George Lucas, Martins Scorsese e Quentin Tarantino.
2. Trilogia Samurai
Baseado na maravilhosa obra de Eiji Yoshikawa, Musashi, a Trilogia Samurai lançada em 1954 a 1956 foi dirigida por Hiroshi Inagaki, produzido por Kazuo Takimura e escrito por Hideji Hojo, Hiroshi Inagaki e Tokuhei.

O filme é uma adaptação da obra de Eiji Yoshikawa dividido em três filmes: Miyamoto Musahi de 1954, Zoku Miyamoto Musashi: Ichijoji no Ketto (Duelo no Templo Ichijoji) de 1955, e Miyamoto Musashi Kanketsuhen: Kettō Ganryūjima (Duelo na Ilha Ganryu) de 1956.
Miyamoto Musashi de 1954 foi o segundo produzido pela Toho Co., Ltd a cores, se tornou um sucesso comercial dentro e fora do Japão.
Além disso, recebeu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1955. Os três filmes japoneses de samurai clássicos valem a pena.
A trilogia conta a história do Takezo, um jovem que buscou fama e reconhecimento junto as forças leias a Toyotomi Hideyoshi na histórica batalha Sekigahara junto com seu amigo de infância Matahachi.
Derrotados no campo de batalha, Takezo se vê preso a uma promessa a Matahachi e volta a sua aldeia para entregar uma mensagem. Nessa jornada ele se envolve em conflitos que o tornam um criminoso procurado.
A jornada de Takezo cruza com Otsu, a noiva de Matahachi, Osugi, a mãe superprotetora de Matahachi e um monge curioso chamado Takuan que salva sua vida, lhe dá o nome Musashi e mostra o caminho da redenção e iluminação a alma selvagem do jovem Takezo.
O segundo filme, Duelo no Templo Ichijoji de 1955 pega pouco antes da metade do primeiro livro até seu final.
Já o terceiro filme, Duelo na Ilha Ganryu de 1956, trabalha o segundo livro de Eiji Yoshikawa (a depender da edição).
A Trilogia Samurai foi um filme que deixou um grande legado no cinema japonês, apesar das limitações cinematográficas como sangue e membros decepados que o livro narra, mas que ainda não tinham chegado ao cinema convencional.
3. Kumonosu-jo
Outra obra dirigida pelo mestre Akira Kurosawa, Kumonosu-jo (“蜘蛛巣城”, Trono Manchado de Sangue) de 1957 é um clássico Jidaigeki escrito por Akira, Shinobu Hahimoto, Hideo Oguni e Ryuzu Kikushima numa adaptação do clássico Macbeth de Shakespeare.

Produzido, dirigido, coescrito e editado por Akira Kurosawa, Trono de Sangue foi uma vontade de Akira que se concretizou. Outra preciosidade dos filmes japoneses de samurai clássicos.
Ele era muito fã da peça e namorou a ideia de transportar a trama da Escócia medieval para o Japão feudal.
Assim como Sete Samurais, Trono Manchado de Sangue foi um dos filmes mais caros produzidos em seu tempo.
A cenografia foi construída nas encostas do Monte Fuji e cenas internas foram gravadas em um pequeno estúdio em Tokyo.

Outra parte do longa foi filmado na península de Izu. Cenas de florestas combinaram a floresta do Monte Fuji com fotos em estúdio. Foi muito difícil de produzir Trono de Sangue por causa da localização.
Kurosawa contou que a opção de gravar no Monte Fuji era muito menor por causa do visual da montanha e muito mais por causa do clima nebuloso e atrofiado que sempre faz por lá. A equipe contou com a ajuda do pessoal de uma base da marinha dos EUA da região.

A trama é basicamente a mesma de Shakespeare. Washizu é general e amigo pessoal do daimyo do castelo da Teia de Aranha da Floresta chamado Tsuzuki.
Após Washizu e Miki, outro general e amigo de Tsuzuki derrotarem os inimigos de seu suserano voltam para o castelo do daimyo.
Na volta para o castelo, Washizu e Miki encontram um espirito que diz que preverá o futuro dos dois generais.
O espírito diz que Washizu será nomeado Lorde da Guarnição do Norte e que Miki será nomeado comandante da fortaleza.

Depois o espírito fala que Washizu se acabará se tornando o daimyo do castelo da Teia de Aranha e o filho de Miki se tornará um daimyo.
Quando eles chegam ao castelo, Tsuzuki recompensa seus generais exatamente como o espírito previu.
Surpreendido, Washizu conta para sua esposa, Asaji, sobre o ocorrido. Asaji então convence Washizu a matar Tsuzuki quando ele fosse visitar para que a segunda parte da profecia pudesse ser cumprida.
Mesmo com as licenças poéticas que Akira Kurosawa toma da obra original de Shakespeare e a inclusão de elementos do teatro Noh no filme, Trono Manchado de Sangue é considerado como uma das melhores adaptações da Tragédia de Macbeth já feita.
4. Seppuku
Conhecido no ocidente como Harakiri, Seppuku (切腹) é um filme baseado na obra Ibun Ronin Ki de Yasuhiko Takiguchi lançado em 1962 com direção de Masaki Kobayashi, roteiro de Shinobu Hashimoto e produzido por Tatsuo Hosoya.

O longa é simplesmente espetacular e até hoje é considerado como um dos melhores filmes de todos os tempos.
Seppuku ganhou um remake em 2011 sob o título Ichimei (“”, Hara-Kiri: A Morte de Um Samurai).
O filme foi recebido com entusiasmo dentro e fora do Japão. E apesar de ter perdido a Palma de Ouro na 16ª edição do Festival de Cannes em 1963 para o italiano Il Gattopardo (O Leopardo), Seppuku venceu o Prêmio Especial do Júri.
Seppuku é de uma crueza que é capaz de sensibilizar até mesmo as almas mais insensíveis.
É um dos filmes japoneses de samurai clássicos mais impactantes e que ficará na memória por muito tempo.
Diferente dos tradicionais filmes Jidaigeki, Seppuku tem um ritmo lento e conta uma história dramática de honra e humilhação, coragem e covardia, verdade e hipocrisia.
A trama conta a história de Tsugumo Hanshiro, um ronin que chega na propriedade do clã Iyi e pede para cometer um seppuku no pátio principal e na presença de seus pares bushi.

Muitos ronins faziam essa mesma solicitação nas portas do clã na esperança de serem mandados embora com algum dinheiro. A situação se tornou tão incômoda que um dos pedintes teve seu “pedido” atendido.
Saito Kageyu, conselheiro do daimyo do clã Iyi fala para Tsugumo Hanshiro sobre o destino de Chijiwa Motome, o ronin que teve seu pedido atendido, na esperança de dissuadir Tsugumo. O ronin rejeita o conselho de Saito.

No entanto, Hanshiro só tem um pedido, que os samurais que o auxiliem no ritual do Seppuku fossem Yazaki Hayat, Kawabe Umenosuke e Omodaka Hikokuro, os mesmos samurais que convenceram Saito Kageyu a aceitar o pedido de seppuku de Chijiwa Motome.
Seppuku é um filme que se imortalizou. São tantas as camadas de temas trabalhados nesse filme que você pode assistir quantas vezes quiser e sempre verá algo sob uma perspectiva diferente.
5. Samurai
Samurai (“侍”, Samurai Assassino) é um filme de 1965 dirigido por Kihachi Okamoto, com roteiro de Shinobu Hashimoto e produzido por Tomoyuki Tanaka e Reiji Miwa.
O longa saiu como Samurai Assassin nos EUA para não confundir com o filme sobre Musashi.

O filme é ambientado em 1860, poucos anos antes da restauração Meiji (1868 – 1912) e conta a história de Niiro Tsurichiyo, filho bastardo de um importante aristocrata que faz seu caminho através da espada, mas marginalizado.
Niiro Tsurichiyo se une contra diversos clãs que se rebelaram contra o Ii Naosuke, daimyo de Hikone e braço direito do shogun e que se torna alvo da revolta das províncias de Satsuma, Mito e Choshuu pela escolha impopular do 14º shogun.

Para calar seus críticos, Ii Naosuke dá início à Purga Ansei (“安政の大獄”, Ansei no Taigoku / Encarceramento em Massa de Ansei).
A Purga faz com que os líderes das províncias de Satsuma, Mito e Choshuu tramem o assassinato de Ii.
Samurai Assassino é baseado no Incidente Sakuradamon, um evento histórico ocorrido em 24 de março de 1860, uma resposta contra o Tratado de Amizade e Comércio entre Japão e EUA imposto pelo comodoro Matthew Perry em 1858.
É um dos clássicos Jidaigeki com um lastro histórico de um período extremamente conturbado em que o Japão transitaria de um país feudal para uma potência Imperial aos moldes das potências ocidentais.
6. Goyokin
Dirigido por Hideo Gosha, Goyokin (御用金) é um Jidaigeki de 1969 escrito por Kei Tasaka e Hideo Gosha, produzido por Sanezumi Fujimoto, Hideo Fukuda, Hideyuki Shiino e Masayuki Sato.

Goyokin foi a primeira produção japonesa a gravar com câmeras da Panavision. Não teve grandes repercussões internacionais, mas o longa recebeu os prêmios de Melhor Cinematografia e Melhor Direção de Arte no Mainichi Eiga Konkuru.
Ambientado no final do período Edo, Goyokin é um filme espetacular que foi muito elogiado pela crítica dentro do Japão, além de ser um sucesso financeiro e um dos filmes mais influentes do gênero dentro do cinema japonês.

A trama conta a história de Magobei Wakizaka, um samurai vassalo do clã Sabai. A ilha vizinha, Sado, possui importantes minas de ouro que abastece o clã Tokugawa.
Quando um navio cheio de ouro afunda, pescadores locais recuperam parte do ouro.
A intenção dos pescadores era devolver o ouro ao shogunato, porém, o chefe do clã Magobei chamado Rokugo Tatewaki, pega para si e mata todos os pescadores para não ser denunciado.

Horrorizado com o ocorrido, Wakizaka promete não denunciar Rokugo para o shogunato e Rokugo promete não incorrer no crime que cometera.
Anos depois do ocorrido, Rokugo envia um vassalo para assassinar Wakizaka.
Mogobei Wakizaka estava vivendo em Edo quando o Kunai, o assassino enviado por seu antigo suserano, atenta contra sua vida.
Ciente de que Rokugo pretendia roubar ouro e matar mais inocentes, Mogobei retorna a Sabai para confrontar seu antigo mestre.
Goyokin é um longa de 124 minutos. A versão que foi veiculada nos EUA sob o título The Steel Edge of Revenge em 1974 é significativamente menor: 85 minutos.
Quando for assistir Goyokin não esqueça de verificar a duração para ver a edição completa.
7. Shura Yuki-hime
Se você gostou do clássico Kill Bill do diretor estadunidense Quentin Tarantino, você amará Shura Yuki-hime (“修羅雪姫”, Lady Snowblood / Vingança na Neve), filme de 1973 dirigido por Toshiya Fujita, escrito por Norio Osada e produzido por Kikumaru Okuda.

Baseado no anime de mesmo nome de Kazuo Koike e Kazuo Kamimura, Vingança na Neve foi um filme relativamente barato e rendeu um retorno financeiro razoável o suficiente para uma sequência em 1974.
Vingança na Neve é um clássico que foi adaptado no filme Po Ji (“破戒”, Quebra de Promessa) de Hong Kong de 1977 como um remake não oficial, serviu como inspiração para Kill Bill, além de ter referências no clipe Rockstar do artista Post Malone.
Ambientado em 1874, Vingança na Neve conta a história de Yuki, uma jovem que nasceu em uma prisão feminina. Sua mãe, Sayo, lhe deu o nome por causa da neve que caia ao lado de fora da prisão.
Sayo contou a suas colegas de prisão ter sido brutalmente estuprada por quatro bandidos que assassinaram seu marido e seu filho há um ano. Sayo acabou presa após matar esfaqueado Shokei Tokuichi, um de seus agressores.

Condenada à prisão perpétua pelo homicídio, Sayo seduz guardas para engravidar e morre por causa de complicações no parto.
Em suas últimas palavras Sayo pede para a criança ser criada para ser a mensageira de sua vingança.
A jovem Yuki recebe um brutal treinamento de combate com Dokai, o monge que a cria para cumprir o desejo de sua falecida mãe. Vingança na Neve é um clássico imperdível para fãs de Kill Bill.
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