Gunkanjima (軍艦島) – a ilha Hashima (端島) fica localizada a cerca de 18,5 km da cidade de Nagasaki.
Popularmente conhecida por ser uma ilha fantasma desde 1974 quando a mina de carvão foi fechada.

Gunkanjima significa “Ilha Encouraçado”, esse apelido foi dado a ilha Hashima por causa da sua semelhança ao couraçado Tosa (土佐) o primeiro navio de guerra da classe Tosa da marinha Imperial de 1920 projetado por Yuzuru Hiraga.
A ilha Hashima é bem pequena, são cerca de 63 mil metros quadrados e foi fundada ainda durante a era Meiji (1868 – 1912).

Gunkanjima foi comprada pela Mitsubishi Goshi Kaisha em 1890 para a extração de carvão em minas submarinas.
Quatro minas de carvão foram estabelecidas chegando a profundidades de quase 1 km e de lá foram extraídos 15,7 milhões de toneladas de carvão entre 1891 a 1974.

Embora seja considerada um Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO, Gunkanjima tem uma história bastante conturbada. Continue lendo para saber mais sobre a ilha Hashima.
Gunkanjima: o início da prosperidade
Em 1890, a ilha Hashima era só uma entre as mais de 500 ilhas desabitadas na costa da província de Nagasaki.
Depois de ser adquirida pela Mitsubishi passou a ser fornecedora de carvão para uma série de empresas japonesas.

A Yahata Steel Works é uma siderúrgica fundada em 1896 e ficou operacional em 1901.
O objetivo era atender a demanda da indústria pesada do Japão e foi fundamental para a modernização do país, pois era abastecida com carvão da ilha Hashima.
A demanda por carvão era crescente e atraiu cada vez mais trabalhadores e suas famílias lá.
Portanto, a ilha Hashima começou a desenvolver sua infraestrutura: um edifício residencial com sete andares foi concluído em 1916.

O apelido de Gunkanjima só veio quatro ou cinco anos após a conclusão do edifício residencial.
No entanto, na década de 30 a história de progresso e prosperidade ganhou páginas sombrias.
Ilha Hashima e a segunda guerra mundial
É comum afirmar que a segunda guerra mundial começou em 1939 quando a Alemanha invadiu a Polônia.
Porém, historiadores mais sérios e criteriosos afirmam que ela começou em 1931 com a invasão japonesa à Manchúria.
Desde então, prisioneiros de guerra chineses e conscritos coreanos foram enviados a ilha Hashima para trabalho forçado antes mesmo da Kokka Sōdōin Hō (“国家総動員法” Lei de Estado de Mobilização Geral) em 1938.
Ryoo Seung-wan, diretor do filme, afirmou que o filme não tem a intenção de gerar um sentimento anti nipônico ou exaltar o nacionalismo coreano, mas mostrar como a guerra transforma homens comuns em monstros
Essa página sinistra da história só acabou ao final da guerra em 1945. As estimativas de mortos por acidentes nas minas, exaustão e má nutrição é muito controversa.
Os números mais modestos são estimados em 137, os mais extrapolados dizem mais de 1.300.
Além de Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO, Gunkanjima também serve como um memorial de crimes de guerra durante a segunda guerra mundial.
Gunkanjima e o pós guerra
Durante o período de reconstrução do Japão no pós-guerra e o rápido crescimento econômico, a ilha Hashima também acompanhou esse boom.

Foram construídos mais 30 edifícios residenciais, escolas, cinema, Pachinko, um templo budista e um santuário shinto.
Com espaço limitado para qualquer coisa, Gunkanjima foi pioneira em criar plantações no telhado dos edifícios da ilha. Hashima chegou ao seu auge em 1959 com uma população de 5.259 habitantes.
A densidade populacional Gunkanjima à época era muito maior do que a de Tóquio ou Nova Iorque, as maiores metrópoles de então. Eram 83,5 pessoas por km² e com uma renda per capita significativa.

Em parâmetros comparativos, quase todos os habitantes da ilha de Hashima tinham uma televisão no início dos anos 60, a média nacional era de 10% das residências japonesas com um aparelho televisor. Mas a bonança durou pouco.
A decadência de ilha Hashima
Durante a década de 60 o Japão realizou uma transição energética. Em vez de carvão, o país começou gerar energia a partir do petróleo e do gás natural.
Porém, o carvão ainda era muito utilizado nas siderúrgicas para a produção de metal.

Graças ao crescimento econômico espetacular, a demanda por carvão continuou alta para a produção de aço.
Em 1964 um incêndio causou a inundação da principal mina de carvão de Gunkanjima.
Apesar das tentativas da Mitsubishi em construir uma nova mina de carvão em Hashima, não foi possível e a companhia entendeu que as possibilidades de extração de carvão de forma segura na ilha foram exauridas.

As minas secundárias continuaram ativas até janeiro de 1974 quando foram oficialmente fechadas.
Em abril do mesmo ano toda a população de Gunkanjima já tinha partido e a ilha ficou completamente desabitada.
Morte e renascimento de Gunkanjima
Desde que a população de Gunkanjima foi embora em 1974 a ilha caiu no ostracismo e no esquecimento popular. Foi só nos anos 2000 que a ilha Hashima voltou a receber atenção.

Em 2001 a Mitsubishi Group transferiu a propriedade da ilha para a cidade de Nagasaki.
Em 2008 Gunkanjima foi listada como candidata a Patrimônio Mundial, o que só aconteceu em 2015.
Hashima é um dos Locais da Revolução Industrial Meiji no Japão: Ferro e Aço, Construção Naval e Mineração de Carvão na lista de Patrimônio Mundial da Humanidade e está aberto a visitas públicas desde 2019.

O cenário pós-apocalíptico da ilha Hashima atrai muitos turistas e entusiastas dessa estética, que pode servir tanto a ficção científica quanto ao terror.
Muitos filmes foram rodados por lá, incluindo 007 Operação Skyfall de 2012 e o live action Attack on Titan de 2015.
Em 2024 foi lançado o J-Drama Umi ni Nemuru Diamond (“海に眠るダイヤモンド”, The Diamond Sleeping in the Sea), um conto de amor, amizade e família que se passa em Gunkanjima em 1955.
Visitando Gunkanjima
Para saber como visitar a ilha Hashima, clique aqui para acessar o site da Gunkanjima Concierge, empresa que realiza as viagens a partir do Tokiwa Terminal. Página em inglês. Utilize o tradutor de seu navegador se necessário.
Para concluir você aprendeu sobre a ilha Gunkanjima e acabou virando um ponto turístico interessante no Japão.
Deixe sua visita em nosso site em dia. Temos sempre conteúdos sobre o Japão.


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