O ano é 1890, 22 anos após o fim do shogunato (1603 – 1868), no meio da era Meiji (1868 – 1912) em um meio de nada na região nordeste da província de Hokkaido é inaugurada uma das maiores lendas do Japão: a prisão Abashiri, ou Abashiri Kangoku (網走監獄).

A prisão Abashiri foi construída para receber os criminosos mais perigosos do Japão. Aqueles que tiveram o infortúnio de ser hóspedes desta distinta instalação, além do tratamento especial oferecido pelo estado, também tiveram o privilégio de desenvolver a região.

Abashiri surgiu como uma pequena aldeia em março de 1872, a época era escrita com os harigana “アバシリ村”, em 1875 se tornou uma vila recebeu o nome em kanji “網走村” e só recebeu o título de cidade em 1902 ao se fundir com as vilas Isani e Nikuribake, além da antiga cidade de Kitami.

Essa região gélida banhada pelo mar de Okhotsk – e a própria província de Hokkaido – foi desenvolvida, em partes, graças aos detentos da prisão Abashiri de segurança máxima. Desativada em 1984, tornou-se museu a partir de 1985 e hoje é aberta ao público.
As atrações turísticas da Prisão Abashiri
Pelo modesto valor de JP¥ 1.500,00 (US$ 10,23) para adultos, JP¥ 1.000,00 (US$ 6,82) para estudantes universitários e JP¥ 750 (US$ 5,12) para estudantes até o ensino médio, qualquer pessoa pode vivenciar um pouco da rotina dos internos da prisão Abashiri, inclusive desfrutar da alimentação que era oferecida aos detentos.

Com horário de funcionamento das 09:00 às 17:00 e fechado apenas nos dias 31 de dezembro e 1º de janeiro, a visita a prisão mais famosa do Japão é uma parada obrigatória para quem visita a região. Lá, o visitante conhecerá os seguintes locais:
Ponte Kagami
A prisão foi construída isoladamente as margens do rio Abashiri e o único acesso à penitenciária era através da Kagamibashi (“鏡橋” ou “かがみばし”, Ponte Kagami), a Ponte Espelhada.

A ponte de acesso a prisão Abashiri ganhou esse por que, oficialmente, quando os prisioneiros cruzassem a ponte e vissem seu reflexo nas águas do rio, observassem quem eram e quem poderiam se tornar depois de chegarem ao seu destino.
No entanto, quando os veículos automotores começaram a ser utilizados no Japão, os internos entram transferidos por ônibus e a impressão de entrada foi perdida.
Porém, quando o prisioneiro saía, poderia ter essa experiência ao deixar o complexo caminhando.

Construída em 1890, a Ponte Espelhada foi reconstruída quatro vezes desde a fundação da prisão, a ponte de 29 metros de comprimento e 6 metros de largura teve sua última reforma em 2012.
Portão principal
Conhecido como “portão dos tijolos vermelhos”, o imponente portão principal de 23,22 metros de comprimento da prisão Abashiri é uma construção surpreendente, que já não é possível ser reproduzida hoje em dia.

A técnica foi utilizada nas antigas construções durante a Era Meiji e deixavam um aspecto esmaltado.
Os tijolos eram aquecidos em fornos a temperaturas de aproximadamente 1.160°C junto com sal que derretia no processo. Esses tijolos são até 30% menores em comparação com os tijolos comuns.
O portão dos tijolos vermelho tem uma sala em cada lado onde ficavam os guardas da prisão e funcionavam como recepção para familiares ou visitantes dos detentos e também para os procedimentos de entrada.

O tamanho e a grandeza da construção corroboram com a ideia de uma prisão inviolável.
Durante muito tempo seu nome era evitado como se fosse uma espécie de maldição. Quando alguém se referia a prisão Abashiri, dizia que era a “prisão nas terras distantes”.
Prédio da administração
Concluído em 1912 e reconstruído em 1988, o prédio da administração da prisão Abashiri foi designado como Jūyō Bunkazai (“重要文化財”, Propriedade cultural importante) dentro das classificações das Yūkei Bunkaza (“有形文化財”, Propriedade cultural tangível).

O belo edifício térreo de madeira de 500m² de estilo ocidental, telhado de telhas e seis janelas semi arqueadas no sótão era, com o próprio nome revela, a sede da administração do presídio de segurança máxima.
Lá estavam alocados a divisão de assuntos gerais, divisão de detenção, divisão de suprimentos, divisão de educação e divisão de trabalho.

Esse edifício tem diversos detalhes e acabamentos típicos das construções da era Meiji, além de uma bandeira do Sol Nascente na parede.
Portão dos fundos
Se o governo japonês tinha a intenção de modificar a visão de seus internos sobre si mesmos com a ponte Kamibashi, o que realmente os fazia mudar de mentalidade, ou ao menos algum senso de liberdade, era quando atravessavam o portão dos fundos.

Feito com tijolos, o portão dos fundos começou a ser construído em 1919 e foi concluído em 1924, cinco anos depois, com 12 metros de altura e 1.080 metros de comprimento. O portão foi reconstruído em outra localidade em 1995.
Do “lado de fora” do portão dos fundos, prisioneiros utilizaram o espaço durante 70 anos (até setembro de 1993 na parte da colônia penal, e não na parte do museu) cultivando pequenas hortas ou na fazenda de suínos.
Comporta da prisão Abashiri
Através do rio Abashiri que banha a margem do complexo penitenciário de segurança máxima, a prisão era abastecida diariamente com suprimentos para os internos e para adubo para as plantações através da comporta.

A ponte de 24 metros com a comporta foi concluída em 1924 e foi reconstruída em 2002.
Hoje no museu há o manequim de um guarda e de um interno que fazia o transporte das commodities para a prisão durante a primeira metade do século XX.
Quartel dos funcionários
Conhecido como “casa dos guardas”, o quartel dos funcionários foi concluído em 1912.
O edifício de madeira de 90m² com capacidade para três famílias recebeu diversas reformas e foi ocupado por funcionários até 1983.

O quartel dos funcionários foi reconstruído em 2004 e oferece aos visitantes do museu a oportunidade de vislumbrar a vida cotidiana das famílias que dividiam os três alojamentos do edifício.
Armazém de shoyu e miso
Os principais insumos da alimentação consumida pelos internos na prisão Abashiri Kangoku, o miso e o shoyu, eram produzidos pelos próprios detentos e armazenados neste edifício de 43m² concluído em 1892 e reconstruído em 1983.
A ideia da administração do presídio era que o complexo abrigasse a agricultura de subsistência.

Os dois principais campos de plantio da prisão eram o de trigo (1º) e de soja (2º), e aqueles que preparavam o shoyu e o miso já tinham conhecimento do processo de produção.
Isso porque a alimentação é muito importante para os presidiários, um dos poucos prazeres disponíveis.
Depois de produzido, o shoyu era armazenado nos chamados barris de 50-koku, cada barril tinha capacidade de armazenar 9 mil litros de shoyu.
Distrito da corte
O distrito da corte na prisão Abashiri (Corte Sumária de Abashiri) era uma seccional da Corte Regional de Kushiro. Com uma área total de 1.142,82m², o distrito começou em 1900 e foi concluído em 1952.

Em sua dependência ficavam a sala da corte do único juiz que tinha e julgava crimes menores.
A sala da corte completa com três juízes para crimes graves e sala de consulta onde eram realizadas as discussões sobre objeções expressas no tribunal.
O distrito também abrigava uma sala de detenção provisória aonde o acusado era mantido até que recebesse uma sentença ou absolvição e uma sala de interrogatório onde os juízes questionavam os réus.
Alojamento temporário
Embora os alojamentos temporários estejam presentes no museu da prisão Abashiri Kangoku, eram construções itinerantes.
Elas só tinham uma porta e serviam de dormitório para os detentos que trabalhavam fora da prisão e não conseguiam voltar para ela após o dia de serviço.

De abril a novembro de 1891, mais de mil internos da prisão Abashiri construíram a Central Road, uma linha férrea de 163km que ligava a cidade de Abashiri a Sapporo. Quando uma seção da ferrovia era concluída, os alojamentos eram alocados na próxima seção.
Como você deve imaginar, estimado(a) leitor(a), qualquer coisa que se assemelhasse a conforto só poderia vir da imaginação desses tristes trabalhadores forçados. Com cerca de 12m², esses alojamentos eram basicamente cabanas de madeira cobertas de palha.

As precárias camas coletivas do alojamento tinham um tronco de madeira para que os presos utilizassem como travesseiro.
Vigiados ininterruptamente por guardas, essas cabanas improvisadas não tinham divisões, logo, o local de dejetos ficava dentro desse ambiente.
Os detentos recebiam uma kashiwabuton, uma colcha fina que os prisioneiros dobravam e dormiam dentro. Posteriormente ao desenvolvimento de Hokkaido, a prisão adotou um modelo de alojamento um pouco melhor chamado tako-beya.
Armazém de agricultura
Quando a prisão Abashiri introduziu a agricultura de subsistência operada por seus internos nos primeiros anos do complexo, técnicos que estudaram no que hoje é a Hokkaido University School of Agriculture, introduziram as práticas modernas utilizadas nos EUA.

Diversas regiões da cidade de Abashiri também, mas a prisão de segurança máxima foi a única de todo o Japão a ter sua própria terra para cultivo produzida pelos próprios detentos reconhecida em 1922 pelo Ministério da Justiça do país.
Construído em 1891, o armazém de agricultura do complexo contava com uma área total de 77,76m² e abrigava os equipamentos, maquinário e fertilizantes utilizados para o cultivo. Em 2002 o edifício foi reconstruído para o museu.
Armazém de vegetais
Com 72,9m², o armazém de vegetais da prisão Abashiri foi erguido em 1891 e reconstruído em 1983. Apesar da penitenciária ter áreas de cultivo, não era fácil plantar por causa do clima e do rigoroso inverno.

Cada prisioneiro recebia 25g de leguminosas em conserva por refeição. Os principais legumes consumidos pelos internos durante o verão eram o repolho fresco, repolho chinês e pepino. A partir das primeiras geadas do outono, o principal legume era o rabanete.
Cerca de 3 mil rabanetes eram armazenados após serem secos em barris de madeira chamados de 25-koku e enterrado em um buraco de 1,6m de profundidade e de mesma medida em diâmetro.
Museu penal
O museu penal foi construído em 2010 e oferece aos visitantes uma série de imagens da construção da ferrovia Central Road que conecta a cidade de Abashiri e a capital de Hokkaido, Sapporo.

O filme chamado “A Floresta Onde Os Detentos Com Uniformes Vermelhos de Presidiários Trabalhavam” e que apela aos cinco sentidos tem 7 minutos de duração e possui cinco idiomas disponíveis.
Futamigaoka
Nas dependências do museu da prisão Abashiri os visitantes também podem visitar o complexo Futamigaoka a oeste da penitenciária.
Inicialmente chamado de Kussharo, esse complexo com 1.993m² erguido em 1896 foi um projeto piloto para a agricultura da casa de detenção.

O complexo Futamigaoka funcionou por mais de um século como uma prisão a céu aberto e como uma filial do presídio principal, e assegurou a produção de alimentos para os internos da prisão Abashiri.
A prisão agrícola Futamigaoka é primeira feita de madeira da história do Japão e foi realocada em 1999. O prédio da administração, as celas e a cozinha foram inauguradas em 1896 junto com o complexo agrícola.

Mais tarde, em 1926, foi inaugurado um auditório e uma cafeteria. Depois, em 1930, foi anexado ao complexo Futamigaoka um local onde os detentos colocavam e retiravam as correntes que utilizavam enquanto trabalhavam na terra.
Casa de detenção e casa de guarda central
Inaugurada em 1912, a casa de detenção e casa de guarda central também foi designada como Jūyō Bunkazai (“重要文化財”, Propriedade cultural importante) dentro das classificações das Yūkei Bunkaza (“有形文化財”, Propriedade cultural tangível).

Com 3.333,72m², esse complexo com uma estrutura octogonal central conectada a cinco edifícios térreos situa-se atrás onde ficavam as celas dos detentos, está instalada atrás do prédio da administração da prisão Abashiri.
As casas de detenção nº 1, nº 3 e nº 5 têm 58,2 metros de comprimento, enquanto as nº 2 e nº 4 têm 72,7 metros. Apesar dos diferentes tamanhos, cada casa de detenção possui 226 celas com 10m², com exceção de 100 celas solitárias (80 no edifício nº4 e 20 no nº 5) de 5m².

A casa de detenção foi pensada para impedir que os detentos pudessem olhar pelo corredor para a cela do outro lado.
As portas de madeira eram trancadas com uma fechadura de ferro e a janela com barras de ferro fica acima da porta de madeira.
Casa de banho
Construída em 1912, a casa de banho era o ponto alto no dia dos internos. Com 208,22m², a casa de banho era partilhada por 15 prisioneiros simultaneamente por um período de 15 minutos. Com isso, cerca de 200 presos conseguiam tomar banho em um dia.

Sob o comando dos guardas, o banho era dividido em cinco tempos de 3 minutos: tirando as roupas; emergindo na banheira; se lavando com sabão, se enxaguando em outra banheira; colocando as roupas.
A frequência dos banhos era determinada anualmente pela administração da prisão. Antigamente era comum que os internos pudessem tomar 5 banhos mensais entre junho e setembro e uma vez por mês nos outros meses.
Câmara de punição
Em 1912, a prisão Abshiri recebeu prisioneiros de Honshu que dominavam as técnicas de produção de tijolos para a construção de muros, pontes, armazéns, celas e outras necessidades que a prisão possuía.

A câmara de punição foi construída em 1912 por obra desses artesãos dos tijolos. Com 10m², essas celas com porta dupla e sem janelas era destinada a prisioneiros que quebravam regras da penitenciária.
Essa cela solitária era um confinamento completamente escuro, solitário, com refeições reduzidas e dedicada a autorreflexão. Primeiro foi batizada como “câmara de punição”, depois foi chamada de “câmara da disciplina” e terminou como “câmara protetiva”.
Celas solitárias
Além das solitárias na casa de detenção, existiram na prisão Abashiri e no complexo Futamigaoka 50 celas solitárias com 4,86m² feitas de madeira, 16 em Abashiri e 34 em Futamigaoka.

O uso desse tipo de celas de confinamento foi caindo à medida que as políticas carcerárias buscavam desenvolver habilidades sociais, profissionais e reabilitação dos internos do que na punição e no trabalho forçado.
Auditório
Designado como Jūyō Bunkazai (“重要文化財”, Propriedade cultural importante) dentro das classificações das Yūkei Bunkaza (“有形文化財”, Propriedade cultural tangível), o auditório da prisão Abashiri foi erguido em 1912, foi reconstruído em 1981 e possui 404,87m².

Nesse belo edifício de madeira, monges budistas e padres católicos buscavam dar assistência espiritual aos internos e cultivar valores morais em seu caráter em uma das formas de reformar e reabilitá-los para a sociedade.
De acordo com a história passada de geração em geração, os internos se dedicavam de corpo e alma no auditório da prisão Abashiri. A arquitetura e a riqueza de detalhes do edifício também são surpreendentes.
Guaritas
As guaritas desenvolvidas em 1880 para prisões de todo o Japão foi desenvolvido pelo Ministério Interior. A data de construção é incerta, mas a que está no museu da prisão foi reconstruída em 1992.

A guarita de madeira para os guardas da prisão Abashiri tem 3 metros de altura, mas o modelo do complexo do museu não é necessariamente o mesmo utilizado em outras do Japão, existem outros designs.
Prisão Abashiri: a Guantanamo japonesa
A vida dentro da penitenciária de Abashiri pode ser descrita como um dos oito infernos gelados do budismo. Além do frio desesperador de até -18°C durante o inverno sem nenhuma forma de aquecimento, a má nutrição e o trabalho forçado eram outros carrascos que ceifavam os internos.

Nos primeiros anos de funcionamento da penitenciária, os prisioneiros eram forçados a jornadas de trabalho pesadíssimas diárias que iam da construção da ferrovia até prédios governamentais e repartições públicas.
Como os banhos aconteciam duas vezes ao mês, muitos detentos desenvolviam doenças de pele e o acompanhamento médico inexistia. Além disso, a alimentação disponível era mínima: uma pequena tigela com sopa de miso, um pouco de peixe e algum vegetal ou legume.

De acordo com os registros do museu, 221 prisioneiros morreram vítimas do rigor da natureza da região, desnutrição e exaustão. Para o bem e para o mal, a província de Hokkaido deve seu desenvolvimento a esses prisioneiros e seus sacrifícios.
Esses sacrifícios não foram esquecidos pelos internos da casa de detenção. Em 1909, cansados dos maus tratos a que eram submetidos, os detentos atearam fogo na prisão. A reconstrução foi concluída em 1912 e é hoje Museu da Prisão Abashiri.
O propósito da penitenciária
Quando a prisão foi construída em 1890, as fronteiras da Ásia Oriental não estavam definidas. A Rússia, país que faz fronteira com o Japão, já tinha começado a desenvolver sua região siberiana.
Já no ano seguinte, 1891, o Império Russo começou a construção da ferrovia Transiberiana, a terceira maior linha férrea do mundo (9.289 km) que foi concluída em 1904. No final do século XIX, Hokkaido era uma ilha enorme e praticamente desabitada.

O governo Meiji temeu que os russos chegassem ao norte da Hokkaido uma vez que o sul do Oblast de Sacalina fica apenas a alguns quilômetros de distância.
Porém, para desenvolver a região, isto é, abrir estradas, ferrovias e infraestrutura era necessário um grande investimento.
E nesse momento, os recursos do governo japonês eram deveras escassos para dar cabo o desenvolvimento da ilha. Kentaro Kaneko, então secretário do governo Meiji, sugeriu que utilizassem detentos para fazer o trabalho.
Prisão Abashiri e seus detentos
A proposta de Kentaro Kaneko foi aprovada. E apesar de ser conhecida por ser uma prisão de segurança máxima para os prisioneiros mais perigosos do Japão, inicialmente, a maioria de seus internos eram presos políticos.
Parte considerável da primeira leva de prisioneiros eram antigos samurais leais ao clã Tokugawa e que protagonizaram a fracassada Rebelião Satsuma, também conhecida como Seinan Sensō (“西南戦争”, Guerra do Sudoeste).

Essa encarniçada guerra civil, a mais séria que desafio o governo Meiji, que durou de 20 de janeiro de 1877 a 24 de setembro do mesmo ano. O custo para pacificar e basicamente erradicar a classe dos bushi foi tão grande que obrigou o Japão a abandonar o padrão ouro.
O estado japonês estava virtualmente falido, sua dívida externa mais que dobrou. Com exceção das ferrovias, telégrafos e indústria bélica, todas as outras empresas e indústrias do país foram vendidas muito abaixo dos preços para um grupo que ficou conhecido como Zaibatsu (財閥).
O custo do desenvolvimento de Hokkaido
A vila pesqueira de Abashiri foi escolhida a dedos: era fácil de vigiar os prisioneiros e difícil demais para uma tentativa de fuga: ao norte fica o mar Okhostk, o lago Abashiri ao sul e o lago Notoro (Notori) a oeste e montanhas.

Não houve outro propósito para a primeira leva de prisioneiros que não fosse o desenvolvimento de Hokkaido, eles eram considerados literalmente como ativos do governo. A primeira tarefa foi ligar a região costeira com a região central de Hokkaido.
A construção das estradas e linha férrea foram extremamente difíceis, tudo era feito manualmente, grandes árvores eram cortadas na floresta próxima ao rio e com as pernas acorrentadas a bolas de ferro para evitar fugas.

Acidentes, ou melhor, ferimentos de trabalho eram comuns e as mortes de prisioneiros era extremamente elevada. Mas, apesar das adversidades do rigoroso inverno do norte, a infraestrutura para o Japão reclamar Hokkaido para si fora concluída em poucos meses.
Prisioneiros ilustres
Naoya Abe, mais conhecido como Joji Abe (George Abe), ex-yakuza e autor do romance best-seller Hei no Naka no Korinai Menmen (塀の中の懲りない面々) e que foi adaptado para o cinema em 1987, foi prisioneiro de Abashiri.

Outro famoso interno foi Hajime Itō, autor do romance Abashiri Bangaichi baseado em sua vivência na prisão e que se tornou filme em 1965, o primeiro filme Yakuza Eiga (“ヤクザ映画”, filme do gênero Yakuza).
Outro famoso ex-yakuza, Kōzō Minō, que colaborou com o jornalista do Yomiuri Shinbum, Kōichi Iiboshi, com suas memórias de seu tempo como associado ao Yamamura-gumi e escritas enquanto estava preso.
A série Jingi Naki Tatakai (“仁義なき戦い”, Luta Sem Código de Honra), mais conhecida como Yakuza Papers que se tornou uma série de 11 filmes, também foi interno em Abashiri.
Prisioneiros políticos de Abashiri
Algumas figuras proeminentes da história do Japão foram internos na prisão Abashiri. Entre eles, Tsuda Sanzō, um policial japonês que tentou assassinar o Tsarevich (futuro Czar Nicolau II) durante uma visita ao Japão em 1891.

Kyuichi Tokuda e Kenji Miyamoto, ambos presidentes do Nihon Kyōsan-tō (“日本共産党”, Partido Comunista Japonês) foram presos em Abashiri, bem como o militante de extrema direita Shūsuke Nomura, membro do Minzoku-há (“民族派”, grupos étnicos nacionalistas).

O agente de contra espionagem soviético, o croata Branko Vukelić, foi preso em julho de 1944 em Abashiri, mas não suportou o rigoroso inverno e morreu em janeiro de 1945.
Mestres da fuga
Torakichi Nishikawa, também conhecido como Gosunkugi, coroado como o rei da fuga das prisões após conseguir fugir por seis vezes da prisão. Em sua fuga mais espetacular acabou pisando em prego de 15 cm, o arrancou e caminhou por 12km.

Contudo, a prisão Abashiri não estava na lista de fuga de Nishikawa. Na verdade, durante seu período como interno se tornou um prisioneiro exemplar. A única pessoa que conseguiu fugir foi um interno chamado Yoshie Shiratori.
A fuga de Yoshie Shiratori
Em sua “carreira”, Yoshie Shiratori fugiu de quatro prisões: Aomori, Akita, Abashiri e Sapporo respectivamente. Todas suas fugas foram espetaculares, mas a de Abashiri foi tão impressionante que existe uma réplica de sua fuga no museu.
Shitori jurou que fugiria da prisão depois de ser colocado em uma cela aberta, exposto ao frio extremo, com roupas de verão e sendo agredido pelos guardas da prisão. Sua fúria era tanta que, para a surpresa dos guardas, ele quebrou suas algemas na frente deles.

Após essa demonstração, foram feitas algemas especiais para ele que demoravam cerca de duas horas para tirá-la com um especialista. Suas correntes só eram tiradas uma vez por semana para ele tomar banho.
Quando recebia comida, Shiratori sempre deixava um pouco de miso cair nas correntes dos pés e das mãos, além de cuspir o miso nas barras de vigilância da porta da cela.
Depois de um tempo, elas oxidaram e ele conseguiu quebrá-las. No dia 26 de agosto de 1944, após um blackout em consequência da guerra, Yoshie iniciou sua fuga.

Shiratori quebrou as barras da cela, deslocou seus dois ombros para passar pelo buraco na porta, escalou o telhado e fugiu para uma mina abandonada nas montanhas onde morou por dois anos.
Ele foi recapturado após esfaquear um agricultor quando Shiratori roubava tomates da plantação do homem, o que ele afirma ter sido em legítima defesa após entrar em luta corporal com o agricultor.
Yoshie condenado a pena de morte e foi para prisão de Sapporo onde fugiu em 1947. Ele foi preso mais uma vez depois de ter confessado a fuga para um policial que ofereceu um cigarro a ele.
Durante seu julgamento, sua sentença foi convertida de pena de morte para 20 anos de reclusão em uma prisão de Fuchu onde cumpriu 13 anos e foi solto por bom comportamento.


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