Um segmento de negócios que está em alta se chama taishoku daikou. São as empresas japonesas para pedir demissão fazendo um trabalho necessário na atual cultura de trabalho. Continue lendo e saiba mais.
Empresas japonesas para pedir demissão
Pedir demissão já é uma decisão difícil. Há quem o faça com facilidade. Ao mesmo tempo tem gente que fica ansioso.
Agora, imagine chegar no dia pedindo demissão e receber não como resposta, começar a ser perseguido pelo chefe e mais atitudes nada profissionais.

Pedir demissão nem sempre é uma tarefa fácil no Japão. A cultura de trabalho funciona de uma forma peculiar que sair de seu cargo é algo que mexe com valores internos.
No ocidente é comum trocar de emprego por salários melhores, pedir demissão ou ser demitido. Este último é desagradável, mas acontece. Inclusive com acordos.
Tarefa difícil no Japão
No Japão a tarefa é árdua. Por isso, uma empresa que faz o intermédio entre empregado e contratante tem seu espaço no mercado.
Assessoria de demissão
Além de lidar com o anúncio, também faz o meio de campo com todas as comunicações necessárias para oficializar o fim do contrato. Portanto, atua como uma espécie de assessoria de demissão.
Isso é perfeito para quem está saindo de empresas com ambiente tóxico e não quer lidar mais com seus ex-colegas e chefes.
Dessa forma, se evita que haja conversas constrangedoras. Portanto, para um funcionário que já fez a cabeça, mas mesmo assim não quer ser persuadido. Bem como evita argumentos para convencer do contrário.
Casos extremos
Em alguns casos extremos existe assédio moral dos chefes para obrigar a permanência. Alguns se recusam a dar a demissão.
Ao propósito evita qualquer outra técnica de manipulação psicológica para fazer o empregado se sentir culpado.
Uma das empresas chama-se Momuri de Minato em Tokyo e já fez o serviço para 20.000 pessoas, além de ter atendido a 350.000 consultas onlines.
Cultura de trabalho no Japão
A cultura do trabalho japonês possui valores fortes em relação aos funcionários. Depois que se é contratado a regra é: ser leal.
Sendo leal para a empresa colocando todos os outros aspectos da vida em segundo plano. Em troca a empresa promete cuidar do funcionário em toda a carreira garantindo uma vaga pela vida.
Então, era muito comum se passar a vida trabalhando em um só lugar até se aposentar. Essa norma cria uma pressão enorme em quem desiste de sua vaga, seja por qual motivo for.
Condições de trabalho: 12 horas por dia
Além disso, o país é conhecida por suas jornadas de trabalho extensas aonde ficar 12 horas ou mais no trabalho é comum.
Uma das pessoas que contratou o serviço conversou com a reportagem da CNN Business em reportagem de 2024.
A funcionária Yuki Watanabe de 23 anos entrava às 09 hs e saia às 21 hs. Havia dias que saía às 23hs em uma grande empresa de telecomunicações.
Sua saúde começou a ficar debilitada. Seu supervisor costumava a ignorar no trabalho. Além disso, não queria recusa no seu pedido de demissão.
De tal forma que contratou a empresa japonesa para pedir demissão Momuri.
Estas empresas já existiam antes da pandemia de COVID-19. No entanto, passaram a ser mais requisitadas após as pessoas terem tido tempo de refletir sobre suas carreiras, segundo uma empresa de recursos humanos.
Apenas em 2023 foram 11.000 pedidos. Seu serviço custa 22.000 ienes (US$ 150 – R$ 870). Além de fazerem todos os trâmites, indicam advogados caso haja disputas legais.
Pedidos de demissão recusados
Segundo uma funcionária da Momuri chamada Shiori Kawamata, é comum clientes chegarem até a empresa após terem tentado pedir demissão sozinhos.
No entanto, tiveram suas cartas de resignação rasgadas chegando até o estágio de pedirem ajoelhadas com a cabeça baixa.
Para quem não sabe se prostrar é uma forma comum na cultura japonesa de pedir desculpas, respeito, deferência ou como forma de mostrar humildade em pedidos.
Desespero
Ao passo que muitos clientes ligam desesperados e os relatos de assédio são surpreendentes.
Perseguições e assédio
Um chefe chegou a tocar a campainha repetidamente e um chegou a levar o funcionário até um templo em Kyoto para tirar uma maldição.
A cultura do trabalho é maçante e os chefes levam o pedido de demissão como uma ofensa pessoal.
Uma cliente da Momuri relatou que seu ex-chefe fingia dar um soco nela quando fazia algo errado.
Na maioria são funcionários de pequenas e médias empresas, mas existem casos de grandes corporações.
Mudanças graduais nos mais jovens
A mentalidade de ter que trabalhar para sempre em um lugar está mudando. Já que a geração mais nova rejeita a conformidade, mas lidar com as recusas e objeções é um desafio quase impossível em alguns casos.
Alguns rasgam as cartas de demissão e alguns pedem que o funcionário encontre alguém para ficar em seu lugar como uma espécie de obrigação, ou seja, nunca conseguem sair.
Por isso, as empresas japonesas para pedir demissão acabaram encontrando mercado.
Portanto, quando a carga fica pesada, o ambiente tóxico ou as condições péssimas, os mais novos estão optando por querer sair. 60% dos clientes da Momuri estão na faixa dos 20 anos incluindo recém-formados.
Muitas empresas surgiram
Segundo reportagem do The Guardian de 2024 é estimado existirem 100 empresas japonesas de pedir demissão. Muitos recorrem por conta de abuso de poder dentro de seus trabalhos, além de condições precárias.
Dessa forma, um em cada seis funcionários do Japão optou por contratar uma empresa japonesa para pedir demissão nos últimos 12 meses, segundo a empresa de informações trabalhistas Mynavi, segundo reportagem do Mainichi Shimbun.
Outras empresas são Exit e Albatroz cobrando 22.000 ienes e 12.000 ienes para demissões de meio período. A Exit já auxiliou 10.000 pessoas cobrando 20.000 ienes.
A empresa Guardian explica que pedir demissão é sentido como traição ao sistema dos jovens honrarem seus superiores. Já atendeu 13.000 clientes cobrando 29.800 ienes.
Lei garante pedido de demissão
A relutância de aceitar demissões está ligada a não só a cultura de trabalho, mas pela falta de mão de obra com o envelhecimento da população. No entanto, a lei japonesa garante o pedido de demissão.
Uma advogada chamada Akiko Ozawa passou a oferecer este tipo de serviço também em sua firma que costumava atender empresas antes. Cobrando 65.000 ienes eles fazem todo o processo.
Além disso, Ozawa é autora de um livro sobre taishoku daiko.

Seja como for o governo japonês possui uma lista de empregadores abusivos para combater práticas abusivas.
No entanto, críticos apontam que enquanto esta mentalidade permanecer, empresas japonesas para pedir demissão serão necessárias.
Em conclusão você aprendeu neste artigo mais sobre a cultura de trabalho, mentalidade da lealdade, como as gerações mais novas estão mudando.
Além disso, viu a demanda de tipos de negócios impensáveis no ocidente prosperarem no Japão por conta de suas particularidades culturais.
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Fontes: BBC, The Guardian, Associated Press, New York Post, The Mainichi Shimbun, The Wall Street Journal, Kyodo News.


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