Moradores de rua no Japão (homeless), quem são, motivos problema social

Moradores de rua do Japão: entenda este problema social

Entenda quem são os moradores de rua do Japão, como a sociedade lida e motivos de existirem pessoas em condições precárias.

Os moradores de rua do Japão são conhecidos de forma interna como homeless (sem tetos). Ele existem, mas são diferentes do que estamos acostumados no ocidente.

Muita gente se surpreende que um país de primeiro mundo, ocupando o top 5 de nações desenvolvidas tenha esse tipo de problema social.

Difícil de vê-los nos locais de maior circulação de turistas é preciso um olhar acurado para percebê-los e em períodos específicos. Neste artigo abordaremos este tema sensível e um problema social.

Moradores de rua do Japão – Homeless

Um país desenvolvido economicamente não escapa de ter indivíduos que não se encaixaram nas regras sociais, que não conseguem se prover, seja por qual motivo for. Também não escapa de crises econômicas.

Cada cultura, cada país tem as suas particularidades e seus problemas, assim como facilidades.

Ninguém escapa de ter moradores de rua, Estados Unidos, França, Japão, Canadá, Alemanha, entre muitos outros de primeiro mundo.

Como são os moradores de rua no Japão

No Japão, os moradores de rua são pessoas que se escondem, seja por vergonha ou ainda pela mentalidade de ordem social. São vários perfis.

Alguns trabalham, mas não ganham o suficiente para alugar nem ao menos um cubículo em uma lanhouse (os cybercafés).

Envergonhados e humilhados de suas condições é como se desaparecessem em vida ou se demitissem da vida que um dia levaram não por opção.

Tem gente que mora na rua por pouco tempo até conseguir um emprego fixo, outros passam muitos anos na rua montando casas de papelão em locais afastados em parques, perto de estações de trem e rios.

Casa de papelão dos moradores de rua do Japão
Casa de papelão perto dos trilhos de Shinjuku, mas afastados dos olhos das pessoas. Moradores de rua do Japão que se estabelecem de forma improvisada.

Crises e perda de emprego

Muitos perderam seus empregos e a possibilidade de um sustento, de alugar uma casa nas épocas de crise dos anos 90 e de 2008. Estes são os idosos.

Casa de papelão e lona azul é morada de pessoas em situação de rua no Japão
Casa de papelão e lona azul é morada de pessoas em situação de rua no Japão. Ficam em locais afastados.

Sem oportunidades ou puro azar

Alguns nunca tiveram oportunidade de entrar no mercado de trabalho e apenas conseguiram sub-empregos, sem garantias, nem possibilidade de carreira ou o suficiente para alugar uma casa.

Estes são os jovens que não conseguiram ser aprovados nos concorridos exames escolares, frequentar uma escola boa, não tinham suporte familiar, não aguentaram a pressão ou simplesmente deu tudo errado na vida.

Também tem a parcela que perde seu emprego, não consegue outro e se afunda. A crise econômica da recessão dos anos 90 ainda tem suas consequências nas pessoas de 40 e 50.

Homem que é morador de rua no Japão mora em local improvisado feito de papelão perto de rio Sumida
Homem que é morador de rua no Japão mora em local improvisado feito de papelão e madeira perto de rio Sumida. Seu perfil é o que faz maioria entre habitantes da rua, homens por volta dos 50 anos de idade.

Escolhas erradas, sem possibilidade de volta

Outros fizeram escolhas erradas na vida, sem volta ou retorno. Ainda tem os que escolheram se tornar johatsu (os evaporados) e não podem recorrer a benefícios sociais.

Os johatsu são pessoas que optarem por abandonar suas vidas e identidade evaporando da sociedade e de seu convívio. Mas, nem todo johatsu vira homeless. Muitos conseguem reconstruir a vida em outro lugar, mesmo de forma precária.

Trabalham em bicos de dia

A rua acaba se tornando moradia e fazem bicos diários para poder comer. A maioria trabalha em construções de obras civis com ligação da Yakuza pagando menos do que a média.

Esse trabalho não é para todos, pois exige um esforço físico grande.

De dia ficam ocupados e frequentam locais específicos, longe dos olhos de turistas.

Não chamam a atenção

Eles não são vistos em qualquer lugar e não pedem esmola. Se vestem de forma simples, carregam seus pertences e passariam despercebidos se os cruzasse na rua distraído.

Homem sem casa no Japão perambula pelas ruas com seus pertences
Homem sem casa no Japão perambula pelas ruas com seus pertences

De noite dormem na rua

De noite eles dormem em barracas ou agrupados em caixas de papelão em frente a lojas, debaixo de viadutos, pontes, adjacentes em estações de metrô, do lado de calçadas e nos parques com suas lonas azuis.

No dia seguinte, saem para trabalhar ou passar o tempo andando para se misturarem na multidão de assalariados e das pessoas cuidando de seus assuntos indo e vindo.

Sem teto no Japão

Alguns não dormem de noite

Enquanto os trabalhadores convencionais dormem de madrugada, a noite nas grandes cidades é movimentada em bairros como Kabukicho ou em torno das estações de metrô e trem. Muitos moradores de rua no Japão passam a noite andando.

Os que não se engajam em trabalho pesado na construção civil, cochilam em armários, hoteis cápsula ou em cubículos por algumas horas. Claro, os que tem dinheiro para pagar.

Os motivos disso acontecer são inúmeros e seria difícil numerar e abordar todas as questões complexas que afetam o Japão.

Questões culturais

A cultura do honne and tatemae cala as reclamações. A cultura do trabalho é massiva. O coletivismo faz com que o julgamento e a opinião dos outros pesam na vida.

Moradores na rua do Japão

A mentalidade: vergonha e fracasso

A mentalidade de que precisa ser ajudado financeiramente é algo que leva a questionamentos de capacidade, sensação de fracasso, humilhação no Japão.

A sensação de se tornar um fardo para os órgãos públicos, um embuste. Portanto, elas não pedem ajuda mesmo sendo elegíveis.

Desconhecimento de políticas de ajuda

Segundo um grupo de voluntários que ajuda homeless no Japão chamado Tokyo Spring Homeless Patrol contou para a revista Metrópolis, apesar de haver quem tem vergonha, algumas pessoas não sabem que existe ajuda governamental e abrigos para moradores de rua.

Seikatsu Hogo é um sistema de proteção de assistência pública que tem além de abrigos, casas compartilhadas para pessoas sem condições de pagar aluguel.

Dificuldades

No entanto, não é todo mundo que consegue aplicação para o seikatsu hogo. Antes de dar o auxílio eles pedem informações de todos os familiares e contatam um a um pesquisando se não há ninguém com condições financeiras para dar suporte.

Relações familiares complicadas e vergonha entram na lista, pois muitos não querem revelar que estão sem poder se sustentar e seria uma humilhação.

Um dos voluntários chamado Daisuke do grupo Tokyo Spring conseguiu ajuda, pois não tem familiares vivos.

A cultura do trabalho

Perder o emprego no Japão é igualmente vergonhoso com a cultura de trabalho. Não é normal mudar de emprego, renegociar salários e buscar novas oportunidades.

A regra é ser contratado por uma empresa e se manter leal, ficando uma carreira toda (uma vida).

Quando alguém perde seu emprego é difícil falar com família e amigos. Fica a sensação de fracasso. A recolocação com o mesmo salário e status é tarefa quase impossível.

Ainda mais se foi um salarymen. Uma empresa demitir não é comum, se acontece fica em dúvida a conduta do profissional. Uma mancha difícil de remover.

Se foi você que pediu demissão, quem irá se arriscar a contratar um funcionário que não é resiliente? Uma via de mão dupla.

Estigma social

Segundo o julgo social, é muito feio e reprovado ser homeless. Se o senso comum é assim a pessoa moradora de rua também se reprova e sente vergonha. Então, ela se esconde.

Recuperação, auge e queda da economia

Além disso, após a II guerra mundial, o Japão estava destruído em todas as formas, economicamente e moralmente.

Capitalismo único

Eles conseguiram sim se reerguer, subiram até o topo com a economia de um capitalismo considerado único no mundo.

Trabalho intenso

No entanto, a base de muitas horas de trabalho, surgimento de um termo chamado karoshi (morte por trabalho excessivo), sub-empregos, concorrência massiva no mercado com contratação em apenas uma época do ano.

Bolha econômica, recessão e crise mundial

Tudo que chega ao auge, desce. A bolha econômica começou a estourar nos anos 80. Já nos anos 90 houve recessão e durou até o começo dos anos 2000.

Isso fez com que os japoneses não conseguissem empregos regulares que pagassem bem. Muitos recorreram a trabalho em meio período recebendo mau e sem segurança.

Os jovens trabalhadores dessa época não conseguiram juntar dinheiro, gastando tudo na sua sobrevivência. Sem residência fixa não conseguem empregos formais, pois é um requisito dos empregadores ter endereço.

Problemas internos

Além da crise financeira de 2008 e outros problemas nacionais econômicos com baixa natalidade, queda na força de trabalho e envelhecimento da população.

Difíceis de contabilizar

Os moradores de rua do Japão são difíceis de contabilizar, pois os homeless se escondem.

Segundo censo são menos de 1%

Na última contagem disponibilizada em 2024 e divulgada pelo jornal Japan Times, o número de moradores de rua do Japão tinha caído 0.8% em janeiro em comparação com o ano passado.

O senso ocorre desde 2003 e contabilizou 2,820 moradores de rua no Japão, segundo dados do Ministério da Saúde.

Dos quais 2,575 são homens, 172 mulheres e 73 indivíduos não identificados. Comparando com a população total de 126 milhões dá menos de 1%.

No entanto, há especialistas com opinião deste número não ser real e nem todos os homeless serem contabilizados.

A maior parte está em Osaka com 856, Tokyo com 624 e Kanagawa com 420. Em Osaka o bairro da pobreza é Kamagazaki. Em Tokyo é Sangenjaya, que até foi excluída do mapa e seu distrito dividido.

Cyber homeless e moradores de hotel cápsula

Morador de café internet no Japão
Cyber café alugam cabines e são equipados com banheiro com chuveiro, toalha de banho e amenidades de higiene por preços baixos. Um net café paga 17 dólares por hora nos mais econômicos. A maioria são trabalhadores de meio período

Existe um estigma social e uma pressão grande. Muitos lutam muito para não virarem moradores de rua, mesmo sem ter dinheiro para alugar uma casa ou um apartamento adequado.

Então, muitas pessoas com trabalhos de meio período moram em cybercafés. Pequenos cubículos com computador pagando por hora para passar a noite. Estes locais possuem comidas de máquina, banheiros e chuveiros por aluguel.

Eles ficam fora do censo e segundo organizações não governamentais chegam a 15.000 apenas em Tokyo. Também existe a parcela de pessoas moradoras de hoteis cápsula ou de hotel cubículos em espaços minúsculos.

Hotel cápsula com cubículos minúsculos no Japão são alternativa para não parar na rua
Hotel cápsula com cubículos minúsculos no Japão são alternativa para não parar na rua

Escondidos e sem possibilidades de trabalho formal, os moradores de rua do Japão são um problema social sem aparente solução. Todas as particularidades do país os fazem agir de uma maneira única, como em nenhum outra nação.

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