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Imagens revelam que combustível nuclear do reator n°1 de Fukushima Daiichi derreteu

A situação da usina nuclear de Fukushima Daiichi se tornou crítica após imagens revelarem que o combustível nuclear do reator n°1 derreteu. Confira.

Imagens feitas por robôs especiais revelaram que o combustível nuclear de Fukushima Daiichi derreteu e caiu no fundo do reator mais danificado da planta. A situação é gravíssima e pode levar a uma catástrofe pior que Chernobyl.

O Grande Terremoto de Tohokku destruiu não só a estrutura dos reatores como o sistema de refrigeração, daí a necessidade de bombear e armazenar água continuamente e a discussão sobre despejar água radioativa no mar.

Imagens obtidas pelo robô robô ROV-A do combustível nuclear derretido no reator n°1 de Fukushima Daiichi. Foto por IRID/Hitachi-GE Nuclear Energy, Ltd. via AP
Imagens obtidas pelo robô robô ROV-A do combustível nuclear derretido no reator n°1 de Fukushima Daiichi. Foto por IRID/Hitachi-GE Nuclear Energy, Ltd. via AP

Por causa da enorme quantidade de água armazenada, está ficando cada vez mais difícil de manter milhões de toneladas sem que elas vazem dos tanques de armazenamento e contaminem ainda mais o solo.

Ainda estão presos entre os escombros dos reatores de Fukushima Daiichi, planta nuclear administrada pela TEPCO (Tokyo Eletric Power Company), aproximadamente 900 toneladas de combustível nuclear.

Gambiarra nuclear

Sem sistema de resfriamento para lidar com o aquecimento (por tempo indefinido) do combustível nuclear, a operadora TEPCO passou a bombear água do mar para resfriar os reatores destruídos pelo tsunami de 2011.

De acordo com especialistas em energia nuclear, como a BRACIER (Comitê Brasileiro da Comissão de Integração Energética Regional), só foi utilizado água do mar por não existir nenhuma outra alternativa para impedir o derretimento.

Imagem aérea de taques de água radioativa utilizadas para resfriar o combustível nuclear dos reatores danificados na planta de Fukushima Daiichi
Imagem aérea de taques de água radioativa utilizadas para resfriar o combustível nuclear dos reatores danificados na planta de Fukushima Daiichi

Contudo, James Walsh, pesquisador sênior associado do MIT SSP (Massachusetts Institute of Technology Security Studies Program) advertiu na data que, ao utilizar água do mar para resfriar o combustível nuclear, o sal e o boro corroerão o reator ao longo do tempo.

Agora é preciso correr contra o tempo para evitar que o combustível entre em fusão, isto é, derreta, deixe o reator danificado ainda mais instável e o material radioativo entre em contato com a atmosfera.

Risco de novas explosões

Com o derretimento do material nuclear, o U235 (Urânio), e consequentemente caindo no fundo do reator n°1 da planta de Fukushima Daiichi, há um alto risco do calor e a pressão fazer com que novas explosões aconteçam.

Nessas condições, uma ou mais explosões espalhariam radiação na atmosfera, isso significa em milhares de vezes mais radiação do que a explosão de uma arma nuclear de forma completamente fora de controle.

Resumo sobre a atuação da radiação e seus efeitos no corpo humano
Resumo sobre a atuação da radiação e seus efeitos no corpo humano

Apesar da urgência, oficiais do governo do Japão e os técnicos da TEPCO afirmaram anteriormente que será necessário entre 30 e 40 anos para retirar todo o combustível nuclear da usina.

Contudo, críticos afirmam que as autoridades estão excessivamente otimistas. O robô ROV-A que capturou as imagens também mediu o nível de radioatividade: 2 sievert, quantidade fatal para seres humanos – o limite aceitável para humanos é de 50 milisievert.

Reator N°1

O reator n°1 é o mais danificado da planta e com um nível de radiação tão alto que o primeiro robô não foi capaz de realizar a tarefa de fotografar as cerca de 280 toneladas de combustível nuclear imerso em 2 metros de água.

Para monitorar o progresso (ou deterioração) de Fukushima Daiichi, foi necessário um consórcio entre a empresa Hitachi-GE Nuclear Energy e a International Research Institute for Nuclear Decommissioning.

A direita uma representação da situação do reator n°1. Agora, contudo, todo o combustível nuclear (amarelo) chegou ao fundo do reator
A direita uma representação da situação do reator n°1. Agora, contudo, todo o combustível nuclear (amarelo) chegou ao fundo do reator

Foram desenvolvidos cinco robôs para monitorarem e investigarem os reatores nos próximos meses. Com o derretimento desse material, a retirada do combustível nuclear que já é complicada se tornou extremamente difícil.

Após informar sobre a situação, Kenichi Takahara, porta-voz da TEPCO informou que é preciso mais investigações para entender quadro da usina.

Mas não há boas notícias no horizonte dado que o primeiro robô enviado parou de funcionar por causa da alta radiação no local.

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Desregulamentação e negligência

O Grande Terremoto de Tohoku seguido de tsunami em 2011 foi o que se chama em filosofia de contingência, isto é, algo que foge completamente ao controle como fruto de um acaso, logo, não há culpados.

Contudo, a desregulamentação do governo para o setor energético torna o estado japonês parcialmente responsável pelo desastre nuclear, a outra parcela fica por conta da TEPCO que deixou de investir em segurança para maximizar os lucros.

Negligência e falta de investimento na segurança da planta de Fukushima Daiichi foram decisivos para desastre nuclear
Negligência e falta de investimento na segurança da planta de Fukushima Daiichi foram decisivos para desastre nuclear

Os custos de manutenção de usinas nucleares são altos, portanto, não foi a prioridade dos acionistas, fato confirmado por funcionários da usina. Para saber mais, confira o documentário realizado pela emissora pública dos EUA, a PBS.

As legendas estão disponíveis em inglês. Para deixá-las em português, vá até o ícone de configuração (engrenagem), clique em ‘Legendas/CC’, ‘Traduzir Automaticamente’ e selecione a opção ‘Português’.

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