Já imaginou um refrigerador humano para refrescar o corpo em dias de calor intenso? No Japão uma solução nada comum está sendo vendida pela empresa Trusco Nakayama. Chamado de Hiemon Box, uma pessoa caberá em uma espécie de câmara gelada para abaixar a temperatura corporal de forma rápida.
Refrigerador humano no Japão
A empresa que fabrica essa máquina é a SDRS que está a acostumada a desenvolver máquinas de venda automática bem comuns no país. Aliás a inspiração veio dessas máquinas de venda refrigeradas que vendem produtos gelados.
A temperatura interna desse refrigerador japonês humano é de 15 graus Celsius. Dentro fica uma cadeira o ar fresco será de 5 graus Celsius soprando em áreas estratégicas como pescoço, cabeça, ombros e costas.
Dessa forma, o corpo tem um alívio imediato de sensação de calor tendo um frescor que aliviará bastante. Em testes da empresa, as pessoas relataram alívio de calor em cinco minutos e ao passar dez minutos dentro tiveram ajuda em sintomas de exaustão.
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Parece uma ideia saída de um sketch de piada, mas essa é uma solução útil para se ter em áreas que as pessoas trabalham em condições climáticas muito quente como fábricas, áreas de construção civil, armazéns e trabalhadores que ficam em áreas externas em eventos.
O set é equipado com três áreas de ar condicionado e que desliga de forma automática após 20 minutos de funcionamento para evitar superaquecimento do sistema motor da máquina, além de consumir apenas metade da eletricidade de um ar-condicionado normal.
Além disso, não requere instalação e pode ser usado em ambientes externos e internos. Vai equipado com rodinhas para ser móvel e prático.
Começou a ser vendido em abril e já começou a aparecer em espaços públicos no Japão mostrando que há demanda e a ideia foi bem aceita.
Uma unidade foi doada para a cidade Maebashi em Gunma aonde os visitantes do hall da cidade podem usar de graça durante os horários de abertura para eles se refrescarem em dias muito quentes.
A ideia é que além dos locais de trabalho citados em que trabalhadores podem ter um alívio do calor extremo, o refrigerador humano seja útil em shows, em campos abertos para agricultores, escolas na hora das atividades físicas, em campos de golfe, perto de lojas e no transporte público.
O Japão é um país que no verão tem temperaturas perto dos 40 graus Celsius em clima úmido e há dias em que o termômetro ultrapassa os 40 graus.
Os casos de insolação são altos e cada ano que passa mais pessoas vão parar no hospital. Só em julho foram 48 casos apenas na cidade de Tóquio. Por isso, a sociedade civil, empresas e governo estão buscando novas formas de lidar com o aquecimento global e em especial proteger trabalhadores e o público do perigo térmico.
Por enquanto essa máquina de refrigerar humanos no Japão está sendo vendido a nível industrial, por isso o preço é salgado. Custa 1.5 milhões de ienes (US$9,326.25) com taxas.
Por enquanto está sendo vendida para empresas e organizações colocarem em seus sítios de trabalho e não para uso doméstico. No entanto, as organizações e órgãos públicos podem deixar essas máquinas a disposição do público como fez a cidade de Maebashi.
E o choque térmico?
Bem, com a popularização da notícia do refrigerador humano no Japão, repercutiu na imprensa internacional, muitas pessoas do ocidente ficaram se questionando se não se fica doente ao se expor a um ambiente gelado no calor.
Outras questionam a excentricidade dos produtos japoneses. Por isso, nossa equipe fez um trabalho de curadoria e pesquisa para responder a estes questionamentos, além da notícia desse produto vindo do Japão.
Segundo informações do hospital CEMA, o problema do choque térmico está na mudança constante de ambiente quente para frio. Para poder fazer uma transição térmica tranquila, se aconselha a evitar a mudança brusca e frequente.
Como o refrigerador humano japonês trabalha com ventos gelados na nuca e na parte da cabeça a temperatura tende a cair gradualmente ao longo de dez minutos deixando o corpo aclimatizar. A temperatura interior será de 15 graus e ajudará o corpo quente a ir resfriando sem ficar imediatamente gelado.
O problema ocorre quando há mudança extrema, segundo a otorrinolaringologista do Hospital Nossa Senhora das Graças Sheila Sass contou no site oficial do hospital.
A dica é colocar um agasalho inicialmente para o corpo se equilibrar ao entrar em locais muito gelados. Nesse caso isso se encaixa quando as pessoas estão acostumadas a entrar em ambientes com ar condicionado como lojas depois de chegarem da rua em dias muito quentes também.
Além disso, um dos maiores causadores de alergias em sistemas de ar condicionado está na falta de higienização dos filtros, segundo informações do CEMA.
Como é o calor no Japão?
Em relação ao calor japonês o clima no verão fica bem quente e por causa do clima úmido, a sensação térmica abafada é maior. A sensação é estar em uma panela de pressão.
Como o Japão é composto por um conjunto de ilhas e estar cercado pelo Oceano Pacífico faz o ar ser quente também. Portanto, o sol a pino é quente e o vento também é quente, enquanto a umidade alta faz o corpo trabalhar mais para poder suar.
O suor é uma resposta do corpo e ajuda a diminuir a temperatura corporal, mas com o clima úmido isso fica difícil e o calor fica retido na pele por mais tempo causando um superaquecimento.
Calor de mais de 40 graus Celsius na cidade de Tóquio causa muitos casos de insolação. Para as pessoas que estão prestes a passar mal de calor, o refrigerador humano é uma forma de diminuir a temperatura corporal melhor que um ar condicionado.
Resfriar o corpo funciona?
Para quem tem problemas de pressão arterial no calor sentirá um desconforto pelo aumento da frequência cardíaca.
A indicação imediata é o resfriamento. Se não tiver ar-condicionado vale modificar a temperatura, refrescar, tomar banho ou usar roupas úmidas, segundo o cardiologista Alexsandro Fagundes, presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas contou ao portal G1 da editoria de saúde.
E a conta de luz?
Segundo os fabricantes ele consome metade da energia de um ar condicionado e desliga após vinte minutos.
Cultura de produtos inovadores
A sociedade japonesa é muito retratada no ocidente como um país de gostos estranhos e excentricidades. Foi assim que o refrigerador humano entrou nos noticiários recentemente.
A verdade é que os japoneses são muito abertos a inovação e criatividade comercial. Por isso, muitos produtos tidos como esquisitos fazem sucesso e as pessoas realmente usam e testam.
Podemos notar sabores diferentes, produtos que vem da linha invenção, além de muitos outros. Obviamente que também tem a parte de marketing. Se destacar, promover, chamar a atenção, ser lembrado fazem parte do ciclo de venda e consumo global.
O que soa estranho no ocidente, no Japão faz sentido. Não muito diferente de pessoas que entram em lojas de ar-condicionado em dias de calor buscando um refresco.
A câmara refrigerada possui propósito de aliviar a sensação de calor para emergências e imediatismo, já que muitas pessoas vão parar no hospital passando mal.
Como essa câmara está sendo vendida por empresas, é uma forma de proporcionar trabalhadores conforto e segurança térmica quando o problema de aquecimento global é uma realidade.
A indústria japonesa já adota algumas inovações como uma roupa com ventilador embutido que dá um resfriamento de cooler, além de usar tecidos tecnológicos que evaporam melhor o suor, entre outros.
Ar-condicionado no Japão
Muita gente ao ler essa notícia pode pensar que pessoas que estejam se sentindo desconfortável com calor podem procurar um ambiente com ar-condicionado em vez de entrar na câmara refrigeradora.
Apesar do ar-condicionado ser uma necessidade e todo lugar ter um, os japoneses tendem a deixar o clima interior em temperatura confortável com o ambiente externo, mas não gelado.
Isso ocorre por alguns motivos, entre eles para economizar energia. O país que é uma ilha lida com desafios energéticos e a maioria tem muita consciência em relação ao uso de energia.
No calor as temperaturas internas de lojas tendem a ficar por volta dos 20 graus Celsius para uma sensação confortável e nada traumática para o corpo.
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Fontes: The Guardian, Sora News, CNN, 9 News, Yahoo! News Japan.
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