O Japão é uma nação que está em processo de envelhecimento e enfrentando cada vez mais desafios. Neste artigo você terá noção quais são, como as comunidades estão se reorganizando e como será o futuro do país nos próximos anos.
Japão: a nação de idosos

As cidades rurais estão virando locais vazios, sem escolas pela ausência de crianças nas comunidades, devido ao baixo número de nascimentos, mas principalmente pela maioria dos jovens irem morar nos grandes centros urbanos buscando um trabalho.
Atualmente toda a população do país está em declínio e bateu 125 milhões. A expectativa é que diminua mais nas próximas quatro décadas.
A média de idade que as pessoas vivem é de 87.6 anos para mulheres e 81.5 anos para homens. É a nação mais velha do mundo com exceção de Mônaco.
30% das pessoas tem 65 anos ou mais. Em 2046 terá mais idosos do que jovens. No Japão um a cada cinco pessoas com mais de 65 anos tem demência. Um a cada quatro pessoas com 65 anos ou mais vive sozinho.
Isso tem alterado como as coisas funcionam nas sociedades. Isso inclui adaptações em políticas públicas, mercado de trabalho, até repensar como é a arquitetura das casas e dos espaços públicos.
Abaixo você verá dados interessantes coletados pela reportagem do National Geographic que fez um especial sobre o tema. Nós do Japão Real organizamos usando arquitetura de informação para mostrar fatos importantes, além de ver uma curadoria de informações relacionadas ao tema baseada em pesquisas.

O Japão não está sozinho nessa caminhada rumo a uma população envelhecida com China, Coreia do Sul, Itália, Alemanha e Estados Unidos.
Isso está levando as nações a terem que pensar de forma inovadora como adaptar suas cidades para pessoas mais velhas.
Tecnologia, cuidados e adaptações
O Ministério da Saúde no Japão anunciou que lançará oito espaços dedicados a desenvolver robôs cuidadores. Isso já está em plano e empresas estão fazendo melhorias para que a sociedade caminhe para um futuro tecnológico.
Negócios também estão surgindo relacionados a morte solitária, já que os idosos acabam sem amigos pelo curso natural de falecimento e sua rede de apoio também ser idosa.
Osamu Yamanaka é um médico de 67 anos que faz uma ronda entre os aposentados que vivem sozinhos em unidades de Kotobukicho, que é um bairro pobre.
Lá vivem idosos que não fazem parte da sociedade formal por terem problemas com álcool, tem doenças mentais ou são ex presidiários. Um dos seus pacientes é um idoso de 83 anos chamado Seiji Yamazaki, que trabalhava na construção civil.
O idoso vive em um apartamento de um cômodo e o médico faz um check-up geral, leva comida diariamente, dá remédios e troca as fraldas.
Morte em casa e benefícios
Ele tem as necessidades cobertas por um sistema de cuidados do governo que teve início nos anos 2000. Antes os idosos iam até o hospital e ficavam até suas mortes. Hoje com esse sistema que paga benefícios as pessoas tendem a morrer em casa.
Apesar de ser um sistema bom, ele está entrangulado de forma financeira, além de ter falta de profissionais cuidadores. As estimativas são de que o governo precise de 700.000 pessoas até 2040.
Soluções
Entre as soluções estão a robótica, promover a carreira de cuidadores, contratar aposentados e voluntários, receber trabalhadores estrangeiros, mas para estes existe a barreira da linguagem, pois é preciso que eles falem japonês.
O número de pensões financiadas pelo governo concedidas aumentaram entre 1999 e 2022, chegando ao triplo. No entanto, existe um debate sobre como isso pode ser mantido de forma sustentável.
Entre as propostas para solucionar este problema está acelerar o crescimento econômico, incentivar mulheres e outros adultos a trabalhar, aumentar as taxas de consumo. Transformar os idosos em contribuintes novamente.
Idosos de volta ao mercado de trabalho
O governo já incentiva que pessoas com mais de 60 trabalhem e está tentando aumentar a idade para aposentadoria para 65 anos.
Mais de 70% das mulheres japonesas de 64 anos trabalham, mas em vagas de meio período por conta dos baixos pagamentos e de ter pouca assistência de creche. Mais de um terço das empresas deixam as pessoas trabalharem após os 70 anos.
Cidades rurais vazias
Quando voltamos os olhos para área rural, vemos que mais da metade dos municípios são designados como despopulados.
Nas comunidades de gente idosa a rotina está sendo reorganizada e está remodelando a sociedade. Uma das cidades Kamigo tem 2.000 residentes com 65 anos ou mais, a escola já fechou, as lojas também e a grama toma conta dos parques.
O shopping perto da estação de trem agora vende coisas para idosos e itens úteis que os cuidadores usam, lixos para descarte de fraldas, panos de absorção de odores e pacotes de um pó chamado toromi para adicionar nas bebidas e deixar ela mais rala. Tudo para prevenir asfixia com comida e bebida.
Comunidade que se zela
A comunidade se organizou para um sistema para que todos sejam acompanhados uns pelos outros em sistema de checagem chamado Machizukuri e criação de um local de convivência para compras e socializar.
Um prédio foi adaptado com mesas e cadeiras, mini supermercado e uma tela para assistir coisas, até um terraço. Além disso, os banheiros são equipados com um local para descarte de bolsa de ostomia.
Bonde e centro de prevenção de cuidados
Uma cidade chamada Toyama com 410.000 habitantes instalou bondes que os idosos pegam com desconto, eles sobem sem precisar de degraus e leva de graça a pontos turísticos.
Uma escola fechada foi transformada em um centro de prevenção de cuidados com clube de saúde para idosos com academia, aulas e piscinas rasas com água até a cintura e com corrimão.
A iniciativa para todas estas mudanças partiu do prefeito Masashi Mori que ficou no cargo até 2021 completando 20 anos de serviço. Com 69 anos agora trabalha em uma fazenda de pêras. Ele conta que tomar a iniciativa cedo foi fundamental para manter os idosos ativos e com a mobilidade boa para eles andarem pela cidade. Afinal, pessoas ativas adoecem menos.
Na cidade na parte rural 40% tem mais de 65 anos e eles já tem um centro de cuidados que fornece atendimento em casa. Existe muitos filhos solteiros vivendo com suas mães idosas ou casais que ambos tem demência.
Segundo um dos médicos do centro chamado Naoko Kobayashi morrer não é uma coisa simples e seu trabalho consiste em dar assistência para a família e pacientes para diminuir seus sofrimentos.
Casas fantasmas
Além disso fica um estigma na casa que essas pessoas morreram. Ninguém quer morar ou comprar uma casa que um idoso tenha morrido sozinho. Apenas no Japão já se foram 8 milhões assim.
Só em Toyama são 7.000 casas que foram negligenciadas pelos donos e eles se tornaram inadimplentes. O governo está tomando medidas legais para lidar com esse problema com aprovação de lei para aplicar multas e tornar os nomes públicos para escrutínio. Levou cinco anos para a cidade conseguir demolir 3 casas fantasmas.
Soluções de casas de cuidadores com uso de tecnologia
Em uma casa de cuidados para idosos em Amagasaki chamada Yume Paratiis um robô ajuda a transferir a idosa Kotoyo Shiraishi de 98 anos para a cadeira de rodas. Ele está sendo testado e útil para fazer tarefas que envolvem carregar peso e permite que um enfermeiro faça o trabalho que antes requeria dupla.
A casa ainda testa sistema de monitoramento e comunicacional usando robôs. Um deles o Telenoid tem um tamanho de bebê e estética facial humana que serve como autofalante para os cuidadores conversarem com os idosos a distância. Nem todos aceitam usá-lo, mas alguns idosos acabam se abrindo com o robô.
A casa Future Care Lab em Tóquio tem sensores no chão e nas paredes para detectar quedas e envio de alertas para os telefones de cuidadores. Aliás, várias tecnologias estão sendo desenvolvidas no Japão atualmente.
Uma cama da Panasonic que custa US$ 10.000, mas que dobra ao meio, empurra a pessoa e a outra metade vira uma cadeira de rodas.
Uma cadeira rotativa que mergulha os idosos na banheira, uma cadeira que que ensaboa e joga água morna para banhos, uma cama inteligente com sensores que permite saber se o idoso está dormindo, acordado ou fora dela com um sistema que permite que 150 cuidadores chequem 500 residentes de forma remota. Antes visitas tinham que ser feitas pessoalmente em cada quarto a cada duas horas.
Morte solitária e os negócios que surgem
Sobre as mortes solitárias, apenas em Tóquio ocorreram 4.200 casos em 2020 de idosos com mais de 65 anos. Isso está causando um receio por parte dos locadores de imóveis que resistem em alugar casas para idosos.
Isso fez com que surgissem empresas especializadas em seguro para cobrir custos de morte solitária, quanto a aluguel não pago e limpeza do apartamento quando não descobrem o corpo e ele fica lá por certo tempo causando manchas e odor. Outras empresas se especializaram em oferecer serviços de limpeza profunda nesses casos.
Todo o Japão está passando por uma transformação reorganizando a sociedade, a economia e como as coisas funcionam para lidar com uma das nações mais velhas do mundo.
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