Robôs como cuidadores de idosos no Japão
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Papel dos robôs nos cuidados com idosos no Japão

Os cuidados com idosos no Japão é um assunto que será resolvido na sociedade 5.0 com os robôs dentro dos lares. Saiba mais.

A ideia de um futuro em que as máquinas estejam presentes no dia a dia, já está sendo moldada no Japão faz um tempo. Aos poucos eles estão sendo introduzidos para serem normalizados e o papel dos robôs nos cuidados com idosos no Japão já é algo que está dentro da agenda política e algo sendo debatido na sociedade.

No começo foram colocados em atendimento ao público na recepção, para servir mesas e até como pet, que fez muito sucesso. Agora eles estão sendo projetados para ajudar os idosos.

O país tem uma das maiores populações idosas do mundo, mas seu sistema público e de cuidados não é o suficiente. Por isso, as empresas estão desenvolvendo robôs para ser uma força tarefa destinados a serem assistentes.

Robô assistente no Japão

Rumo a sociedade 5.0 no Japão

Combinando tecnlogia com políticas públicas e inovação, ano após ano dinheiro está sendo investido cada vez mais. O governo tem o plano de colocar para frente a sociedade 5.0 em que as pessoas conviverão com robôs de forma integrada e total.

A projeção é de que em 2050, o Japão seja totalmente tecnológico como nas cenas do desenho Os Jetsons. Inclusive, com carros voadores (assunto para outro artigo).

Para isso além das pessoas se acostumarem com os robôs em seu dia-a-dia e do investimento tecnológico, mais coisas deverão ser pensadas como questões éticas, custos, riscos em relação a privacidade, segurança, coleta de dados, entre outros.

O sistema de cuidados pode ter uma ajuda muito boa com robôs que ajudam a levantar da cama ou mesmo carregar idosos para tomar banho, lembrar de tomar remédios, monitorar sistema vital e mais.

No entanto, segundo os pesquisadores, os resultados do momento mostram que as demonstrações ainda não estão boas para substituir a interação humana. Aliás, essa substituição também está sendo discutida e levantada.

Os robôs testados agora estão em ambientes controlados com seus movimentos meticulosamente arranjados. O espaço é preparado com nenhuma obstrução no chão, com luzes ajustadas e acompanhamento dos engenheiros de perto.

Robô urso ajuda a levantar idosos para enfermeira

Atualmente os movimentos dos robôs ainda são controlados por pessoas. Isso não é um cenário que se assemelhe a uma casa de um idoso no dia-a-dia normal. Acontecem coisas inesperadas e pessoas são imprevisíveis.

Além disso, um humano consegue ter uma percepção empática e acaba sendo fundamental, mais do que as necessidades práticas. No entanto, apesar de saber que o cuidado humano é essencial, as famílias e os próprios cuidadores estão com a mente aberta para um robô assistente, ainda mais se for ajudar com as tarefas que demandam esforço físico.

Robôs assistentes testados em casas de cuidados com idosos no Japão

Entre as preocupações está o fato das pessoas passarem a ter uma visão impessoal dos cuidadores de idosos. Alguns idosos podem se sentir confusos e frustrados, segundo a reportagem do Japan Today.

Pauta política do governo

Como o governo está com a pauta da sociedade 5.0 em curso, tudo o que sai sobre o assunto na mídia tem um viés positivo. Isso reflete a agenda política para resolver problemas conhecidos e que incomodam como o envelhecimento da população e a falta de mão de obra.

Estes desafios são graves não apenas para a economia, mas para a parte cultural, social e ética. Por exemplo, o quê um cuidado deve ser caracterizado, como é medido em questão de valor ou que tipo de futuro os japoneses querem viver.

Esperança e hesitação na mesma balança

Atualmente sobre esse assunto, dois sentimentos pairam no ar: esperança e hesitação. Isso segundo percepção de uma pessoas que trabalha no desenvolvimento de tecnologias e está em contato com o nicho de cuidados com idosos. Obviamente que a eficiência é almejada, mas perder o toque humano não.

Por enquanto, o país tem focado em testar robôs que tem aparência fofa como uma foca terapêutica e os modelos que saem parecem brinquedos com suavização de traços e sem ser muito parecidos com humanos.

Além disso, o intuito não é a substituição dos humanos nas tarefas de cuidado, mas que sejam assistenciais para levantar peso, na mobilidade e monitorar e serão aceitos do ponto de vista ético.

Susbtituição ou assistência

Mas, como a tecnologia é deturpada pelo uso não moral, não podemos descartar a substituição no futuro por quem não se importa com aspectos emocionais e quer apenas seu problema seja resolvido. No caso de famílias que não podem ou não querem dar atenção a um idoso.

No entanto, o ato de cuidar é algo humano e não apenas tarefas a serem concluídas quando tratamos sobre cuidado com idoso, que muitas vezes sente carência, necessitando de presença.

Toque humano no cuidado

Muitos idosos apenas tem contato com o mundo externo e mantém relacionamentos com seus cuidadores por terem problemas de mobilidade. Além do afeto, uma relação de confiança e compreensão.

Desigualdade

Também precisamos pensar sobre o lado dos custos. Por enquanto, estas tecnologias serão para poucos custando caro e destinado a instituições privadas e famílias ricas.

Isso levanta discussões sobre acessibilidade, por isso é importante debater sobre políticas públicas e investimento sustentável para que modelos mais baratos possam estar disponíveis para quem precise e seja pobre ou de classe média.

Questões levantadas

Como a tecnologia pode fazer pela humanidade sem aumentar a desigualdade, sem substituir as pessoas e seu toque humano? No entanto, não é o que vemos quando as tecnologias são apoderadas pelas empresas que buscam o lucro e as pessoas desejam resolver seus interesses sem levar moralidade ou ética.

Pode ser que elas fiquem acessíveis, mas elas terão a mesa qualidade e eficiência? Será mais provável que os robôs baratos sejam inferiores e os mais caros tenham todas as funcionalidades necessárias.

Outro ponto a se considerar está no fato de muitos idosos passarem por uma perda de congnição e desenvolvimento de doenças mentais.

Uma pessoa consegue perceber mudanças, que uma ferramenta de monitoramento não consegue. Imagine um idoso com depressão ter seu apoio de contato humano cortado, pois um cuidador está ali não apenas para fazer seu serviço, mas para perguntar se a pessoa está bem e a única manifestação de expressão de consideração do dia.

No demais, ver um rosto humano acaba sendo reconfortante, além da companhia. Como o futuro japonês de uma sociedade tecnológica com robôs que são cuidadores de idosos será?

As análises feitas neste artigo foram pontos que demais artigos sobre o tema deixam para fora por conta da agenda política sobre sociedade 5.0 e a introdução dos robôs na sociedade japonesa. Pegamos os relatos da Giulia De Togni da Escola de Ciências da Saúde da Universidade de Edimburgo na Escócia deu para o portal japonês Japan Today, com apuração e tradução dos pensamentos para criação deste artigo do Japão Real com contribuição de análise de especialista e pesquisadora do Japão com experiência há mais de 10 anos.

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