A sopa de missô é um clássico da culinária japonesa e bem conhecido por quem frequenta restaurantes, já que é um acompanhamento clássico servido com arroz. Nas casas japonesas sua presença é constante por conta da facilidade do preparo e tradição.
No Japão é um ingrediente presente no dia a dia e tem muita opção de preparo, desde uso da massa diluída, até preparos prontos em pó industrializados. Neste artigo você terá uma visão sobre o que uma sopa japonesa tradicional é feita, além de ter um entendimento cultural enraizado pelas tradições alimentares do Japão.
O que é sopa de missô?

De forma direta e sem segredos, a sopa de missô é feita com pasta de soja fermentada misturada com caldo de peixe ou alga marinha. A pasta é base para o preparo e quando é diluída ajuda a dar a cor e o sabor. A sensação no paladar é de uma sopa leve e muito gostosa, perfeita para ser consumida sozinha ou para complementar uma refeição.
Outro ingrediente essencial é o pó de dashi feito com peixe bonito seco granulado. Para versões vegetariana se usa a alga-marinha kombu.
Para complementar tofu macio cortado em quadrados e para finalizar alga-marinha wakame, que quando é hidratado fica bem macio e dá uma textura para a sopa.
O resultado é uma sopinha japonesa muito aconchegante perfeita para esquentar em dias frios, mas não só. No calor ela também é bem-vinda, pois meio morna ou até gelada ela hidrata de forma saborosa. Versátil e uma boa opção para consumir proteína de soja no dia a dia.
Preparo fácil e sem segredos
Não tem segredo no seu preparo, usando as quantidades certas e na ordem em dez minutos a sopa fica pronta. Boa para entrada, como acompanhamentos, lanche ou café da manhã.
Sim, é muito comum tomar uma sopa de missô no café da manhã no Japão, já que a primeira refeição do dia costuma ser consistente para aguentar o dia, mas antes de entender o preparo saiba sobre a pasta.
Pasta de soja missô

São três tipos de pasta de missô que dependerá do tipo de fermentação e tempo. Pode ser fermentando com esporos de fungo kojikin no arroz.
Essa massa é boa para fazer a sopa e serve para fazer refogados com vegetais ou carnes. É versátil e base para muitas receitas.
Cultura e histórico alimentar
A soja era fundamental na alimentação na idade média no Japão, bem como o bolinho de arroz onigiri. Uma curiosidade é que o bolinho surgiu por ser mais fácil de transportar. Se já assistiu A Viagem de Chihiro vai lembrar da cena em que a personagem principal abre uma trouxinha e tem bolinho de arroz.
Portanto, ter bolinho e pasta de soja era sinônimo de refeição completa para quem viajava, o que era muito comum para a população comum para fazer comércio, visitar templos ou família.
Imagine você na idade média, quais seriam as opções para comer em um país que não tinha vendinhas disponíveis por todos os lados. Alguns caminhos eram ermos. O que poderia levar consigo e não estraga? Trigo não era comum no país e pão muito menos. Macarrão era um luxo antes do período Edo quando se popularizou depois.
Então, você tira de sua furoshiki (pano enrolado que era uma trouxinha para carregar coisas) arroz em bolinha (onigiri), pasta de soja fermentada e peixe seco. Sem precisar de fogo já comeria tudo isso para se manter o mínimo nutrido e o melhor com tempero gostoso.
Se tivesse acesso a fogo, panelinha e água potável já teria uma sopa de missô. Para acompanhar o arroz e se conseguisse colher ou comprar um vegetal ou legume para assar ali no fogo.
Tanto, o onigiri, peixe seco e pasta de soja fermentada não estragavam fácil. O arroz japonês é cozido sem sal ou óleo. Os outros dois tem tempo de vida maior, já que a fermentação é um processo que ajuda a conservar e o peixe seco não tem água e por isso não mofa.
No começo a soja fermentada não era amassada como pasta e seus grãos eram servidos inteiros.
Já a partir do período Muromachi ele passou a virar pasta e na época dos estados combatentes em que as diferentes partes do Japão guerreavam conhecido como Sengoku, a pasta era importante na alimentação dos soldados. A conservação não requere refrigeração e isso dava vida útil interessante.
Dica: diluir a pasta de soja sem deixar cozinhar
Missoshiru não tem segredo, mas uma etapa importante para preservar os benefícios da pasta fermentada é desligar o fogo após a água ferver e só depois adicionar a pasta e dissolver na base escolhida.
Base da sopa: peixe, vegetal, alga-marinha ou cogumelo
Como comentamos a base do caldo é o dashi é feito com peixe seco bonito, sardinhas baby ou alga marinha kombu, bem como cogumelo shiitake serve.
Essa base é a que dará um sabor complementar e pode ser substituída por legumes. O objetivo é simples, ferver o seu ingrediente de preferência e fazer um caldo. Dá certo com cenoura, batata, rabanete e se preferir frango.
Com a base decidida se será de peixe seco, de alga marinha ou vegetais, pense no quê adicionar na sopa.
Adicione ingredientes de sua preferência
O modo clássico sempre tem tofu macio (momen), mas pode decidir por outros. Por exemplo, repolho fatiado, cogumelos, cenoura, alga-marinha, cebolinha, alho poró.
O tofu é um queijo de soja que pode ser encontrado em algumas variações de textura e quantidade de água. O que tem mais água é liso e muito macio. Perfeito para tomar na sopa proteica e nutritiva.
A pasta de soja fermentada é um ingrediente muito útil de se ter na despensa e uma ótima forma de incluir a soja na alimentação. Quando for usar, a dica é não incluir sal adicionado nas suas receitas, pois ela já vem sódio no seu preparo.
A sopa de missô é uma forma de preparo que conquista pela praticidade. Se for optar pelo tipo industrializado, tome cuidado que esse tipo é menos saudável. Dê preferência por fazer do modo tradicional, que já é rápido e fácil.
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