O Monte Koya é um complexo montanhoso localizado ao norte da província de Wakayama e relativamente próximo ao sul da província de Osaka. Além disso, é lar de um dos principais locais de peregrinação budista no Monte Koyasan.

Oficialmente os montes considerados mais sagrados do Japão são o Monte Fuji nas províncias de Shizuoka e Yamanashi.
Monte Tate na província de Toyama e Monte Haku nas províncias de Gifu, Fukui e Ishikawa. Estes são chamados Sanreizan (三霊山).
No entanto, há quem jure de pés junto que o Monte Koyasan é o mais sagrado do Japão.
O Koyasan é o berço da escola de budismo exotérico Shingon criado pelo monge Kukai, um dos mais importantes da história do país e tem cerca de 10 milhões de adeptos.
A história do monge Kukai, conhecido pelo nome póstumo Kobo Daishi, da escola de budismo Shingon e da peregrinação budista no Monte Koyasan remontam cerca de 1200 anos.
É uma história tão forte que é acreditado que Kobo Daishi retornará como Miroku Nyorai, o Buda do Futuro.
Monge Kukai: a principal personagem da peregrinação no Monte Koyasan
O Monge Kukai (774 – 835), Kobo Daishi, é uma das figuras mais cultuadas na história do Japão e do budismo japonês.
Para os seguidores da escola Shingon (fundada por ele), o corpo do monge pereceu no Monte Koyasan, mas seu espírito permanece vivo observando o mundo através da montanha sagrada.
Kukai nasceu na aristocrática família Saeki, um ramo do clã Otomo. Aos 15 anos foi iniciado nos clássicos chineses e aos 17 anos foi para Nara estudar na universidade Imperial Daigaku-ryo depois que sua família caiu em desgraça em 791.
De acordo com historiadores, Kukai se desiludiu com o confucionismo, mas se mostrou muito interessado nos estudos budistas.
Aos 22 anos se iniciou no budismo e publicou seu primeiro grande trabalho literário o Sango Shiiki aos 24 anos.
Aos 30 anos partiu para uma expedição patrocinada pelo governo Imperial do Japão para a China liderada por Fujiwara no Kadanomaro para aprender mais sobre o Tantra Mahavairocana. Ele voltou ao Japão em 806 como o 8º Patriarca do Budismo Esotérico.
A notoriedade de Kukai e sua ida ao Monte Koyasan
Após a morte do Imperador Kanmu (781 – 806) veio o reinado do Imperador Heizei e que desprezava o budismo.
Kukai ficou a sombra do Monge Saicho, fundador da escola Tendai de budismo e tinha conseguido aliados poderosos na corte durante esse período que vai até 809.
Quando o Imperador Saga assume o trono Crisântemo em 810, Kukai surge como figura pública ao ser nomeado como chefe administrativo do templo Todai-ji.
Kukai fez uma petição ao Imperador para que lhe fosse permitido realizar rituais esotéricos para manter a harmonia e vencer as sete calamidades.
Em 816 ele fez uma nova petição ao Imperador pedindo para se recolher no Monte Koya e se afastar das obrigações mundanas.
Essa autorização só saiu no meio do ano de 819, mas ele não pôde ficar por ter recebido ordens para assumir a posição de conselheiro do secretário de estado.
O Imperador recusou aceitar a demissão de Kukai em 831 quando o monge demonstrava sinais da doença que o levou a morte em 835. Kukai só conseguiu voltar ao Monte Koyasan no final de 832 e ficou lá até o fim de sua vida.
A sagrada peregrinação budista no Monte Koyasan
Como dito acima, a escola Shingon de budismo é muito importante dentro da religiosidade japonesa.
No auge da escola Shingon no Monte Koyasan durante o período Edo existiram cerca de 2 mil templos, hoje restam apenas 117. Confira as sete rotas de peregrinação no Koyasan:
- Choishi-michi (町石道): a rota principal criada em 1285 e considerada como a mais difícil de realizar conta com 23,5km começando ao sul do rio Kinokawa e vai até o templo Kongobu-ji, sede da escola Shingon;
- Nyonin-michi (女人道): conhecida como a Rota de Peregrinação das Mulheres, essa é a rota mais tranquila para ser feita e era a mais movimentada por transeuntes durante o período Edo;
- Kuroko-michi (黒河道): com 18km de extensão, essa rota também conhecida como Yamato-guchi é uma das mais antigas e mais difíceis trilhas de peregrinação budista no Monte Koyasan;
- Kyo-Osaka-michi (京大坂道): essa é uma trilha de 14km foi e é bastante popular entre os que queriam visitar templos na montanha por não ser tão íngreme;
- Makio-michi (槇尾道): é a rota mais curta do Koyasan. Com 4km de cerca extensão, metade dela passa em meio a floresta e metade é pavimentada;
- Mitani-zaka (三谷坂): conhecida como a Choishi-michi inclinada e com 5,5km de extensão, essa rota sai da Myoji Station e leva até o santuário Niutsuhime-jinja;
- Hatcho-zaka (八町坂): com apenas 1,5km de extensão, essa pequena rota que liga a Mitani-zaka e a Choishi-michi dá acesso ao Futatsu-torii, dois torii de 6 metros de altura e 4,5 toneladas cada feitos de granito. Diz a lenda que foi construído por Kobo Daishi (monge Kukai).
Como a peregrinação budista no Monte Koyasan conta com 117 templos, cada uma dessas rotas merece um artigo próprio para falar de suas atrações e possibilidades de Shukubo (acomodações nos templos), uma tradição que remonta o período Edo.
Várias formas de aproveitar a peregrinação budista no Koyasan
Fazer as trilhas a pé é idealmente a melhor forma, mas há outras possibilidades como fazer trechos sob trilhos, ônibus e carros.
Há locais para acampar, konbinis, áreas de descanso, supermercados, máquinas de venda, enfim, toda a estrutura necessária para receber visitantes no Koyasan.
É recomendado a vistantes que queiram se hospedar nos templos budistas realizarem suas reservas com antecedência. É sem dúvidas uma rica experiência, ainda mais desfrutando da gastronomia budista Shojin Ryori.
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