Há muitas possibilidades de hospedagem em uma viagem ao Japão: ryokan, hotéis tradicionais, hotéis capsulas e em casas de famílias. Uma das mais interessantes e talvez mais completa seja os Shukubo (宿坊).
Shukubo

Shukubo são hospedarias dentro de templos budistas que oferecem uma experiência bastante completa.
Além do pernoite, o valor costuma cobrir duas refeições veganas completas, onsen e atividades tradicionais do templo.
Existem muitos templos que oferecem o serviço de hospedagem, embora o número exato seja desconhecido.
A maior cadeia de Shukubo é a dos templos budistas do Monte Koyasan, um dos mais sagrados no Japão e lar da escola Shingon de budismo.

A maioria dessas hospedarias tem mais de mil anos de tradição e nos dias de hoje se tornaram uma experiência muito atrativa para turistas estrangeiros. Continue acompanhando a saiba mais.
Como começou o Shukubo
Desde suas fundações, muitos templos budistas possuíam um lugar para que os monges itinerantes pudessem passar a noite.
Eles percorriam grandes distancias a pé para cumprirem sua peregrinação pelos locais sagrados do budismo.

Peregrinações
A princípio, os Shukubo tinham o propósito para o que é conhecido como até hoje como Shikoku Henro (四国遍路) ou Shikoku Junrei (四国巡礼).
Em suma consiste visitar 88 templos associados ao monge Kūkai, fundador da escola Shingon de budismo.
Essa peregrinação de aproximadamente 1200km e pode levar até 60 dias para ser concluída começou na era Heian (794 – 1185).
Embora seja a mais conhecida, o Shikoku Henro não é a única peregrinação budista no Japão.

Mas, durante o período Edo as peregrinações para os templos de diferentes escolas budistas se tornaram muito popular entre pessoas comuns, o que impulsionou o turismo doméstico.
Como muitos templos ficam nas montanhas e não havia hotéis para os peregrinos, as portas dos Shukubo também foram abertas aos fiéis religiosos que viajavam para visitar esses locais sagrados.

Com o aumento da procura por estadia nos templos, os Shukubo se tornaram um ativo para arrecadação de recursos para o local se manter, realizar suas manutenções e ter um caixa.
O que esperar de um Shukubo
A tendência do período Edo se estendeu até os dias de hoje. Cada templo possui um valor para a estadia de se hospedes, mas normalmente o valor varia entre JP¥ 9 mil (US$ 57,78 – R$ 341,94) e JP¥ 15 mil (US$ 96,31 – R$ 569,96) por pessoa.

No valor da estadia está incluso duas refeições: café da manhã e jantar da culinária budista vegana Shojin Ryori e provavelmente uma cerimônia do chá.
Os dormitórios são simples com futon para dormir, portas e janelas de correr, e tatamis no chão.

As atividades variam muito de Shukubo para Shukubo. Em alguns o hóspede poderá ter a oportunidade fazer o Shakyo (“写経”, cópia de sutras com caligrafia japonesa) e Shabutsu (“写仏”, transcrever imagens de Buddha).
Orações matinais (por volta das 06:00 da manhã) e seções de meditação são um clássico que todo hóspede deverá encontrar, independente do templo em que se hospede. Rituais específicos também podem fazer parte da experiência.

A depender do Shukubo, o hóspede pode ter um banheiro privativo. No entanto, os banhos são coletivos.
Em alguns lugares há o onsen misto, em outros separados por gênero. Mas tudo é explicado pelo monge anfitrião, inclusive as regras.
Idealmente os hóspedes devem ter a experiência de um dia na vida de um monge, mas como se estivesse hospedado em um Ryokan.
Normalmente os Shukubo são incrivelmente belos, confortáveis e com comida muito saborosa.

Em geral é isso que se pode esperar de um Shukubo. Como existem muitos, é praticamente impossível detalhar com precisão o que cada um deles têm a oferecer. São escolas de budismo diferentes com suas próprias rotinas.
O que não fazer no Shukubo
Após ser recebido pelo monge o hóspede deve tirar seus sapatos. A bagagem também não deve ser arrastada no chão do templo, mesmo que ela tenha rodinhas.
No tatame do quarto não é permitido utilizar os chinelos que são oferecidos na entrada do templo, nem arrastar a bagagem no tatame.

Não se deve sentar no Tokonoma, o espaço embutido na sala para apreciação artística, estender toalhas nas vigas do dormitório, nem lavar nem molhar toalhas no banho coletivo.
Não esqueça de se certificar que o templo aceita cartões de crédito. Muitos lugares só aceitam dinheiro. Ao final da experiência, não esqueça de agradecer aos anfitriões.


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