Desde a década de 90 foi avisado sobre o que aguardava a humanidade no futuro de hoje: a emergência climática. Uma empresa japonesa está desenvolvendo uma resposta para responder a essa emergência: a Dogen City.

A N-Ark é uma empresa japonesa estabelecida em 2021, sediada em Shizuoka e com o objetivo de desenvolver negócios, soluções urbanas, turismo e agricultura relacionados a água e ao mar com projetos ambiciosos.
A cidade no mar, se levado a cabo, terá 1,58km de diâmetro e 4km de circunferência. A estimativa é que Dogen City seja autossuficiente, tenha 10 mil habitantes e seja capaz de receber diariamente 30 mil não residentes.

A promessa é que a cidade marinha seja inaugurada em 2030. Há muito ceticismo de que seja realmente viável, mas é potencial solução para um problema inescapável para o Japão e todos os países com acesso ao mar.
Dogen City: um projeto para o futuro
A cidade circular Dogen City está sendo pensada para lidar com os desafios das emergências climáticas: será resistente a climas extremos como tufões e até mesmo tsunamis.

É especulado que a cidade tenha um local de lançamento de naves espaciais. Um dos maiores desafios é a utilização de materiais que sejam resistentes a corrosão da água salgada.
Os cidadãos de Dogen City contarão com escolas, hospitais, escritórios, áreas para a prática de esportes e atividades físicas, parques e locais para a produção de alimentos.
A cidade também terá estações de telecomunicações, laboratórios de pesquisa e desenvolvimento, armazéns e centros de evacuação, templo religioso com cemitério, supermercados, lojas, bares, restaurantes, halls, estádio

A expectativa é que a cidade circular gere anualmente mais de 22 milhões de kW, 3.288 toneladas de lixo, consuma 2 milhões de litros d’água e produza 6.862 toneladas de alimentos, além da coleta e tratamento de esgoto.
Turismo medicinal na Dogen City
A cidade circular no oceano, Dogen City, tem a ambição de se tornar um polo do turismo medicinal. Os residentes e visitantes terão a telemedicina a sua disposição com os dados médicos que serão coletados na cidade.

Uma das promessas é combinar a análise do sangue e do genoma das pessoas para desenvolver e simular a resposta de novas drogas no corpo, além da possibilidade de cirurgias robóticas realizadas remotamente.
Dentro do leque de turismo medicinal, uma das apostas mais interessantes é o “Food is Medicine” (Comida é Remédio) que terá como missão educar as pessoas a importância dos alimentos na prevenção da saúde e como prepará-los adequadamente.

Haverá também um polo industrial de desenvolvimento e pesquisa em saúde que envolverá a indústria de dados médicos, agricultura e aquacultura e experimentos com equipamentos médicos avançados.
Data center no oceano
Data centers são instalações complicadas por consumirem muita energia e muita água para resfriar os servidores. Uma cidade no oceano não precisa se preocupar com a questão da água, o que também reduz o consumo de energia.

O projeto da Dogen City prevê a construção de um data center com 1782 servidores em submarinos chamado Deep Edge com 20 metros de comprimento e 3,18 metros largura, capacidade de 240 kW e com um peso de 3.288 toneladas.
Os Deep Edge ficará entre 30 e 50 metros de profundidade a uma temperatura média de 15°C. Embora os servidores sejam considerados maintenance free, eles serão substituídos a cada 5 anos.
Viabilidade do projeto Dogen City
Como dito, o projeto é bastante ambicioso e difícil de ser concebido em um espaço de tempo tão curto como a N-Ark diz que o fará. A empresa ainda não anunciou quem são os grandes parceiros comerciais para desenvolver a cidade.

A ideia de criar uma zona econômica no oceano não é uma novidade e outras empresas já estão mirando essa possibilidade tendo em vista os problemas que o desequilíbrio climático trará como o aumento das chuvas e o nível do mar.
Uma empresa sul-coreana chamada Oceanix Busan também está nessa corrida com um projeto de bairro flutuante em Busan com capacidade de 12 mil pessoas.
A expectativa é que o projeto fique pronto até 2030 quando a cidade será a anfitriã da Expo World.

Uma cidade flutuante também está sendo construída nas Maldivas com 5 mil unidades que incluem casas, restaurantes, lojas, escolas, hospital e centro de saúde e um prédio de governo. A cidade deverá ficar pronta em 2027 e abrigará 20 mil pessoas.
Dogen City: uma resposta para a emergência climática
O projeto Dogen City é uma resposta a emergência climática que já é uma realidade.
Por hora seus efeitos atingem principalmente os países mais pobres, por isso não é tão noticiado como se acontecesse em algum país rico e desenvolvido.

Dois exemplos emblemáticos foram as chuvas no Rio Grande do Sul em maio de 2024 que afetou 70% dos municípios do estado e 84% dos municípios gaúchos declaram estado de emergência, além da enchente no Paquistão em 2022 que inundou 1/3 do país.
Na região de Sindh no Paquistão, por exemplo, entre metade de junho a outubro de 2022 choveu o equivalente a 10 anos de chuva. Tanto o Paquistão quanto o Rio Grande do Sul ainda sofrem com as consequências das enchentes.

No Japão a situação ainda não é tão crítica, ainda assim é um dos países mais vulneráveis com as mudanças climáticas, especialmente por ser um país insular (ilha). O aumento no nível dos mares causará enormes prejuízos ao Japão até 2100.
Projetos como a Dogen City que pretende construir cidades inteligentes e autossuficientes no mar podem ser soluções. Até 2100 mais de 300 milhões de pessoas serão afetadas com o aumento do nível do mar.

Países como Japão, Maldivas, Indonésia, Países Baixos, Coreia do Sul serão brutalmente afetados pelo aumento do mar. Osaka terá 80% da sua população afetada com o aumento do nível do mar até 2100.
Tokyo terá 37% da população afetada, Nagoya 29%, isso sem contar um aumento de pelo menos 10% no volume das chuvas, fora o aumento a incidência dos tufões na região.

Se a Dogen City se tornará realidade é uma pergunta em aberto, mas soluções como ela talvez se tornem bastante necessárias.
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