TOKYO Resilience Project: conheça o maior programa de defesa civil do mundo
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TOKYO Resilience Project: conheça o maior programa de defesa civil global

Saiba como Tokyo está se preparando para seus maiores desafios para os próximos 100 anos.

Em dezembro 2022, o governo metropolitano de Tokyo anunciou o programa TOKYO Resilience Project, o maior programa de defesa civil do mundo, e que deverá preparar a capital japonesa para os desafios dos próximos 100 anos.

Continue por aqui e aprenda sobre este incrível projeto.

Tokyo Resilience Project

Tokyo é a maior cidade do mundo e tem cerca de 14,18 milhões de habitantes. Porém, a Região Metropolitana de Tokyo que inclui partes das província de Kanagawa, Chiba e Saitama possui cerca de 34 milhões de habitantes (até 41 a depender das outras prefeituras que podem ser consideradas como parte da Região Metropolitana de Tokyo), tudo o que acontece na capital inevitalmente afetará a vida de todos que orbitam Tokyo
Tokyo é a maior cidade do mundo e tem cerca de 14,18 milhões de habitantes. Porém, a Região Metropolitana de Tokyo que inclui partes das província de Kanagawa, Chiba e Saitama possui cerca de 34 milhões de habitantes (até 41 a depender das outras prefeituras que podem ser consideradas como parte da Região Metropolitana de Tokyo), tudo o que acontece na capital inevitalmente afetará a vida de todos que orbitam Tokyo

O programa tem cinco diretrizes: tempestades e enchentes; terremotos; erupções vulcânicas; preparação para doenças infecciosas; preparação para cortes de energia e comunicação.

18 anos para ser concluído

O ambicioso projeto TOKYO Resilience Project deverá levar 18 anos para ser concluído, ou seja, deverá terminar em 2040, e serão investidos JP¥ 17 trilhões (cerca de US$ 109 bilhões na cotação de janeiro de 2025).

Ao longo de 18 anos serão investidos JP¥ 17 trilhões (cerca de US$ 109 bilhões) em projetos de infraestrutura para preparar Tokyo para eventos climáticos e naturais extremos para os próximos 100 anos
Ao longo de 18 anos serão investidos JP¥ 17 trilhões (cerca de US$ 109 bilhões) em projetos de infraestrutura para preparar Tokyo para eventos climáticos e naturais extremos para os próximos 100 anos

A região metropolitana de Tokyo tem cerca de 37 milhões de habitantes e responde por 20% da economia japonesa.

Um desastre provocado por terremoto ou crises climáticas são um risco para a economia do país e até mesmo para economia mundial.

2023 foi o centenário do Grande Sismo de Kantō, um evento que pode se repetir em intensidade, mas não pode se repetir em consequência
2023 foi o centenário do Grande Sismo de Kantō, um evento que pode se repetir em intensidade, mas não pode se repetir em consequência

Na história moderna, o país sofreu dois terremotos que quase destruíram a cidade inteira, o Grande Sismo de Kantō de 1923, e o Grande Terremoto de Tohuko em 2011 Esse nível de destruição não deverá voltar a acontecer na capital japonesa.

Tempestades e enchentes

A geografia japonesa é no mínimo desafiadora. Além de ser atravessada por quatro placas tectônicas (Pacífico, Eurasiática, Mar das Filipinas e Norte Americana) tem sua temporada de tufões anuais (cerca de três atingem o Japão todos os anos).

Localizado no Círculo de Fogo do Pacífico, a geográfica do Japão é atravessada por quatro placas tectônicas: Pacífico, Eurasiática, Mar das Filipinas e Norte Americana
Localizado no Círculo de Fogo do Pacífico, a geográfica do Japão é atravessada por quatro placas tectônicas: Pacífico, Eurasiática, Mar das Filipinas e Norte Americana

Agora com o desafio da mudança climática, o risco de grandes tempestades, aumento na quantidade e no volume das chuvas, enchentes, elevação do nível do mar, a situação está muito mais perigosa.

A diretriz da TOKYO Resilience Project para prevenção de tempestades e enchentes é permitir que os residentes de Tokyo, inclusive os que vivem próximo a rios, da costa e em regiões mais baixas não precisem se preocupar com enchentes e danos das tempestades.

Super tufão Hagibis que atingiu o Japão em outubro de 2019
Super tufão Hagibis que atingiu o Japão em outubro de 2019

As ações concretas para o gerenciamento de crises climáticas são a ampliação do revestimento fluvial e aumento dos reservatórios de água para conter enchentes, e o fortalecimento do sistema de esgoto para aumentar a resiliência ao volume de água.

Os muros de contenção do mar serão aumentados e reforçados, estações de metro terão portões de estanque contra enchentes e outras medidas para lidar tanto com estações como para os subsolos de shoppings.

Esse túnel para vazão de água de 5,4km de extensão construído a 42 metros de profundidade na capital japonesa conectará o reservatório Ring Road Nº 7 do rio Kanda com o reservatório do rio Shirako. A construção prevista para  ser concluída em 2030 aumentará a capacidade de manejar água de enchentes dos atuais 2,64m³ milhões para 3,6m³ milhões em volume de água
Esse túnel para vazão de água de 5,4km de extensão construído a 42 metros de profundidade na capital japonesa conectará o reservatório Ring Road Nº 7 do rio Kanda com o reservatório do rio Shirako. A construção prevista para ser concluída em 2030 aumentará a capacidade de manejar água de enchentes dos atuais 2,64m³ milhões para 3,6m³ milhões em volume de água

O maior motivo para a queda de energia durante tempestades são acidentes causados por árvores que quebram ou são arrancadas e caem na fiação da rede elétrica ou outros detritos de estruturas que não suportam as rajadas de vento.

A TOKYO Resilience Project focará em diagnosticar as árvores que apresentam um risco a rede elétrica, demolir e remover estruturas abandonadas para que os detritos desses locais não se tornem projéteis que possam derrubar a rede elétrica.

O uso das tecnologias de satélites serão um dos principais aliados da TOKYO Resilience Project em múltiplas áreas de gestão de crises
O uso das tecnologias de satélites serão um dos principais aliados da TOKYO Resilience Project em múltiplas áreas de gestão de crises

Novas rotas para evacuação para as regiões montanhosas de Tama e as ilhas de Tokyo serão construídas bem como locais altos para situações em que a evacuação já não é mais possível.

Satélites monitorarão o clima, o solo para prever a possibilidade de sedimentação e aterros impróprios.

O sistema de controle e enchentes será gerenciamento por inteligência artificial para controlar o fluxo das comportas.

Prevenção de terremotos

Estudos apontam que um tremor de escala intensidade 7,9 na escala Richter (ou maior) atinja a região de Kanto nos próximos 30 anos.

Tokyo sofreu um terremoto de 7,9 em 1923, um tremor de intensidade máxima considerado como catastrófico.

Ukiyo-e de Unpo Takashim de 1925 retratando o Grande Sismo de Kantō de 1923 na região de Ueno
Ukiyo-e de Unpo Takashim de 1925 retratando o Grande Sismo de Kantō de 1923 na região de Ueno

O Grande Sismo de Kantō de 1923 destruiu as tubulações de gás de Tokyo e Yokohama causando grandes incêndios.

Simultaneamente ao terremoto, os ventos de um tufão na província de Ishikawa, costa da península de Noto, ajudaram a espalhar o fogo.

A tubulação de água também foi destruída e a cidade queimou initerruptamente por dois dias. Tokyo se tornou palco de cenas dantescas.

Ukiyo-e de Shiun Kondo de 1926 retrata incendio na ponte Mansei que atravessa o rio Kanda em Chiyoda e conecta a Tokyo
Ukiyo-e de Shiun Kondo de 1926 retrata incendio na ponte Mansei que atravessa o rio Kanda em Chiyoda e conecta a Tokyo

O tremor também gero um tsunami de 10 metros na baía de Sagami, Península de Bōsō e Izu, e nas ilhas de Izu.

O saldo da tragédia foram cerca de 140 mil vidas ceifadas, 570 mil casas destruídas e 1,9 milhões de refugiados. Foram registrados 57 tremores subsequentes ao Grande Sismo de Kantō.

Embora o Grande Terremoto de Tohoku de 2011 tenha sido mais forte em magnitude, o epicentro aconteceu no mar.

Suji Kotsubo Shingo Tsunami no Shurai, Ukiyo-e de Shiun Kondo de 1926 representando o tsunami que atingiu a baía de Sagami, Península de Bōsō e Izu, e nas ilhas de Izu
Suji Kotsubo Shingo Tsunami no Shurai, Ukiyo-e de Shiun Kondo de 1926 representando o tsunami que atingiu a baía de Sagami, Península de Bōsō e Izu, e nas ilhas de Izu

O epicentro do Grande Sismo de Kantōfoi aconteceu em Kaisei, uma pequena cidade da província e Kanagawa que fica a cerca de 70 km de Tokyo.

Para evitar uma catástrofe como a vista em 1923, a TOKYO Resilience Project focará em criar edifícios e comunidades que resistam e não espalhem fogo, e em uma rede de transporte própria para responder ao desastre das mais diferentes formas.

Área afetada pelo Grande Sismo de Kantō de 1923
Área afetada pelo Grande Sismo de Kantō de 1923

Os postes de energia públicos e privados deverão ser removidos e o cabeamento energético deverá ser subterrâneo.

Também será expandido infraestrutura para diminuir o impacto de tremores nos edifícios próximos as principais vias da malha viária.

A TOKYO Resilience Project desenvolverá estradas de respostas e gerenciamento de desastres que servirão como rotas de acesso para uma área ampla de Tokyo e separação de linhas de trem relevantes.

Todos os cabos de energia e telecomunicações deverão ser aterrados. A tubulação de água também será substituída por uma resistente a abalos sísmicos
Todos os cabos de energia e telecomunicações deverão ser aterrados. A tubulação de água também será substituída por uma resistente a abalos sísmicos

As ilhas de Tojyo terão cais e transporte de emergia para não ficarem isoladas. Haverá uma expansão das funções e desenvolvimento de novas docas focadas na prevenção de desastres.

Até 2040 haverá um esforço para a reconstrução de comunidades que tenham casas de madeira para evitar incêndios em casos de terremotos.

Tanto casas quanto edifícios residenciais deverão atender novos padrões de qualidade para que construções para serem resistentes a terremotos.

Novas edificações deverão atender aos padrões de segurança, além da promoção da reconstrução das casas de madeira
Novas edificações deverão atender aos padrões de segurança, além da promoção da reconstrução das casas de madeira

As novas residências deverão ser projetadas para que seja possível continuar nela mesmo após um grande terremoto.

As informações sobre as condições dos centros de evacuação serão prontamente divulgadas para a população.

Por fim, a TOKYO Resilience Project monitorará os danos causados pelos tremores utilizando satélites e outros dados disponíveis.

Prevenção de atividade vulcânica

Nos últimos 100 anos houve sete erupções vulcânicas que afetaram Tokyo, três delas na ilha de Izu Oshima (em intervalos entre 26 a 36 anos) e quatro na ilha de Miyake (em intervalos de 17 a 22 anos).

Erupção de Hōei de 1707 no Monte Fuji aconteceu após o violento de 8,7, o mais forte do país até ser superado pelo Grande Terremoto de Tohuko de 2011
Erupção de Hōei de 1707 no Monte Fuji aconteceu após o violento de 8,7, o mais forte do país até ser superado pelo Grande Terremoto de Tohuko de 2011

Mas o pior cenário possível é o Monte Fuji entrar em erupção. A última vez que isso aconteceu foi em 1707, uma erupção seguida de um violento terremoto de 8,7 que causou danos e destruição até a cidade de Osaka.

Um evento nos dias de hoje semelhante ao ocorrido em 1707 pode tornar as coisas bastante complicadas para transporte, comunicação e para a própria saúde das pessoas com os gases e detritos expelidos pelo vulcão.

O objetivo da TOKYO Resilience Project é manter a atividade urbana mesmo com uma erupção vulcânica, suas cinzas e detritos expelidos, mantendo as linhas de transporte abertas, protegendo as pessoas e as propriedades.

Região atingida pelas cinzas e detritos da erução do Monte Fuji em 1707
Região atingida pelas cinzas e detritos da erução do Monte Fuji em 1707

Nas ilhas onde há vulcões em atividade como Izu Oshima e Miyake, serão criadas áreas de embarque que levem em consideração a trajetória das cinzas e dos detritos vulcânicos.

Haverá investimento em equipamentos e materiais necessários como caminhões varredores de estrada para a limpeza.

Esses equipamentos farão a manutenção das vias que levam as principais instituições como hospitais, abrigos, corpo de bombeiros e centros de emergência.

Vulcões ativos na região de Tokyo marcado no retângulo
Vulcões ativos na região de Tokyo marcado no retângulo

Por fim, a TOKYO Resilience Project criará depósitos temporários para despejar as cinzas e detritos expelidos durante a erupção.

Prevenção de disrupção no fornecimento de energia, comunicação e dados

A prevenção de disrupção no fornecimento de energia, comunicação e dados é uma grande preocupação da contemporaneidade.

A TOKYO Resilience Project está trabalhando cortes de energia, comunicação e dados durante potenciais desastres.

O terremoto de Fukushima em 2022 causou forte disrupção nos meios de comunicação e dados da região afetada
O terremoto de Fukushima em 2022 causou forte disrupção nos meios de comunicação e dados da região afetada

Após o Sismo de Fukushima de 7,3 em março de 2022 houve queda de energia por cerca de 3 horas em 2,1 milhões de residências.

Em julho de 2022 houve uma disrupção de dado que afetou tanto as comunicações como os serviços urbanos e bancários.

A expectativa para Tokyo é que caso a cidade enfrente um grande terremoto hoje, cerca de 11,9% da cidade fique sem energia por quatro dias até que a rede elétrica seja restaurada.

A expectativa em caso de terremoto em Tokyo, cerca de 11,9% da cidade ficará sem luz por pelo menos 4 horas
A expectativa em caso de terremoto em Tokyo, cerca de 11,9% da cidade ficará sem luz por pelo menos 4 horas

A TOKYO Resilience Project promoverá fontes de energia renováveis, decentralizada e autossuficientes espalhadas pela cidade e bairros estimulando o uso de meios de transporte elétricos que possam ser carregados em casa.

Serão desenvolvidas comunidades para que os residentes possam evacuar com segurança.

A comunicação via satélite será prioridade nas regiões com menor torres de transmissões e os cabos marinhos de internet que alimentam as ilhas de Tokyo serão reforçados.

A TOKYO Resilience Project reforçará os cabos marinhos de internet para as ilhas de Tokyo
A TOKYO Resilience Project reforçará os cabos marinhos de internet para as ilhas de Tokyo

A TOKYO Resilience Project construirá infraestruturas digitais (servidores de nuvens) para que a economia não pare mesmo durante um terremoto e utilizará dados de simulações para manejar crises.

Prevenção de doenças infecciosas

A pandemia de COVID-19 ensinou duas lições amargas e valiosas. A primeira é que ninguém estava preparado para lidar com uma doença altamente infecciosa e letal. A segunda é que essa não será a última.

A crise climática e a globalização (trânsito internacional de pessoas e bens) farão com que a frequência que o mundo terá de lidar com pandemias seja cada vez maior e mais rápida.

A promoção de espaços amplos para a circulação de pessoas em crises de emergência sanitárias serão realizadas para que o confinamento seja mínimo ou nenhum
A promoção de espaços amplos para a circulação de pessoas em crises de emergência sanitárias serão realizadas para que o confinamento seja mínimo ou nenhum

Em caso de uma nova crise sanitária em que seja necessário manter o distanciamento social, evitar espaços fechados e trabalhar remotamente, a TOKYO Resilience Project trabalha para que não seja necessário um trauma tão grande como com a COVID-19.

Serão desenvolvidos espaços públicos seguros para que as pessoas possam se encontrar sem se preocuparem, além de modelos de transporte para que todos possam se mover confortavelmente se se preocupar com o risco de contaminação.

Serão desenolvidos espaços de convivência para que as pessoas possam se reunir em segurança pela TOKYO Resilience Project
Serão desenolvidos espaços de convivência para que as pessoas possam se reunir em segurança pela TOKYO Resilience Project

A flexibilização do trabalho para além do homeoffice como a promoção de escritórios satélites (salas comerciais montadas locadas por diárias, uma espécie de escritório virtual) próximos a estações de metro e aumentando a funcionalidade dos ambientes de estruturas já existentes.

Confira o vídeo oficial da TOKYO Resilience Project explicando como será endereçado cada uma das diretrizes do programa.

Para colocar legendas em português clique no ícone da engrenagem, “Legendas/CC”, depois em “Traduzir automaticamente” e selecione “Português

Para concluir você aprendeu como a cidade de Tóquio está implementando o maior programa de defesa civil do mundo.

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