Hashi ou ohashi é um utensílio que serve para comer no Japão. Dois palitinhos segurados de maneira correta servem como uma pinça, mas não só.
Depois que se aprende o jeito eles são uma maravilha para pegar de tudo. No entanto, é compreensível que eles causem medo.
Há quem se preocupe em não saber usá-los, quem domina a técnica fica com receio de não usar de acordo com as regras de etiqueta e bons modos.
De qualquer forma, hashis são elementos interessantes da cultura japonesa. Não são apenas utensílios. Neste artigo descobrirá de tudo um pouco. Fica por aqui.
Hashi

O hashi passou a ser usado no Japão por volta do século 7 e 8. Eles são muito importantes na mesa e proeminentes na Ásia.
Em vez de garfo o hashi cumpre suas funções de pegar a comida, mas sem espetar. Aliás, nunca espete coisas com o hashi. Não é de bom tom, segundo as regras de etiqueta.
Em vez de usar a colher se toma a sopa direto do bowl ou com uma pequena concha.
A faca tem lugar na cozinha para cortar ingredientes. Aliás, o Japão tem facas maravilhosas, mas na mesa as refeições são servidas em tamanhos de mordida ou que sejam fáceis de serem pinçadas com o hashi.
As carnes são fatiadas como frios, o peixe cortado em postas pequenas ou que desmanchem e por aí vai. Toda as preparações são pensadas para dar certo com o hashi. O arroz é glutinoso, dá para pegar montinhos para comer.
Muitas vezes, o arroz é servido em onigiri (bolinhos) para comer com as mãos. Até o sushi pode ser comido com as mãos sem problemas, sabia?
Funcionalidades
Não é só para pinçar, eles servem para misturar, desfiar, pressionar, colocar e cortar.
Na mesa e na cozinha

Eles são usados na mesa, mas também tem as versões para cozinhar com o cabo mais longo.
Ótimas para refogar, fritar e mexer. Aliás, são muito bons para usar no fogão, pois deixam as mãos bem longe do fogo.
O manabashi é usado para manejar peixe e frango. Saibashi para vegetais. Tem os moribashi com ponta metálica para arrumar as comidas e serem servidas.
Konabashi é o usado em restaurantes de tempurá, pois eles são grossos para poder misturar a farinha para empanar.
Cada um tem o seu em casa
Os palitinhos são coisas familiares e é normal que cada um tenha o seu em casa de uso exclusivo. Por exemplo, no ocidente se lava o garfo e não existem marcações de uso.
No Japão, os hashis são de uso pessoal como uma escova de dentes. O fato de terem uma variedade imensa, faz cada membro escolher um tipo e design para chamar de seu.

Tem hashi de criança que é mais curto e tem desenhos fofos. Aliás, tem os especiais para os pequenos aprenderem com alças para segurar.
Os de adultos decorados e estilosos. Dá para ter vários, conforme o gosto.

Sazonais
A decoração varia conforme a temporada também e será possível comprar temáticos da primavera, outono, verão e inverno. Estes são um charme.
Celebrativos

Alguns são celebrativos, sendo peças muito bonitas com sets para presentear recém-casados, por exemplo, em aniversários e datas especiais.
Descartáveis
Claro, tem os descartáveis também. Estes são muito usados em obentôs e nos restaurantes. São práticos e higiênicos.
Fúnebres
Outro hashi cerimonial é o usado em atos fúnebres depois da cremação quando os ossos remanescentes são colocados na urna pela família.
De onde vem os hashis
80% dos hashis vem da cidade de Obama em Fukui. Os descartáveis costumam ser importados da China (waribashi), 2% é feito no Japão com 70% vindo de Nara.
Simbologia: ponte com os deuses
Eles possuem um significado profundo no Japão e no começo eram usados para evitar contato das mãos com as oferendas aos deuses (comida) em altar.
Hashi é um nome japonês e significa ponte. A ponte entre o divino e os humanos. Passou a ser incorporado no dia-a-dia, já que antes era comum comer com as mãos. Aliás, prática comum em outros países asiáticos no Oriente Médio até os dias atuais.

Higiene
Além do uso simbólico a higiene também é uma questão importante na hora de adotar os palitinhos.
Do nascimento a morte
A primeira vez que uma criança tem contato com o hashi é aos 100 dias de vida em um ritual chamado okui-zome ofertando arroz vermelho e peixe de forma simbólica. Do nascimento até a morte eles estão presentes na vida de um japonês.
Materiais
A variedade da fabricação é grande. Tem os descartáveis de bambu, mas os feitos de plástico, madeira e metal.
Geralmente se dá preferência aos materiais baratos e resistentes feitos de plástico ou resina. Eles são tipos seguros e não liberam substâncias ao entrar em contato com calor, podem ser lavados e reutilizados e com menos impacto ambiental.
Alguns são feitos com madeira sintética e recebem uma camada de resina para aumentar a durabilidade.
Desta forma o hashi é acessível e durável com opções para todos os tipos de bolsos e preferências. Estes custam a partir de 100 ienes.
Já os de madeira com acabamento de laca são lindos e artesanais, que recebem resina de uma árvore de cor avermelhada impermeabilizante são mais caros podendo custar 25.000 ienes.
O quilo da laca custa 100.000 ienes, pois o processo de coleta é trabalhoso. 200 ml levam 10 a 15 anos de uma árvore velha. O artesão leva 10 anos de aperfeiçoamento para se tornar habilidoso. A madeira é um material escasso.
Características
Leve para não cansar as mãos, não esquenta rápido para não queimar, também não é gelado para não causar desconforto térmico.
Artesanais
Os mais bonitos são os shokunin feitos por artesãos habilidosos com acabamento de pó metálico chamado maki-e em desenhos com design lindos.
Alguns são feitos com madeira de cerejeira ou de cedro. São ideais para dar de presente.

Madeiras
Os mais caros são feitos de madeira. Por exemplo, os de cedro sugi no ki são antibacterianos, textura macia na pegada e tem um aroma muito gostoso.
Kuri no ki de castanheiro-da-índia é resistente, antibacteriano e macio. Já as de madeira de bordo maede no ki tem colorações variadas e é macio.
De madeira de ébano kokutan tem coloração escura é elegante e sofisticado. De madeira de carvalho kashi no ki é durável e resistente sendo ideal para uso diário.
Diferenças entre hashi japonês e chinês
Obviamente o hashi chegou ao Japão por influência chinesa. No entanto, eles diferem bastante nos dias atuais.
Os palitinhos japoneses são mais curtos e sua ponta mais fina para poder lidar com comidas delicadas. Além disso, eles podem ter ranhuras na ponta para aumentar a aderência na hora de pegar peixe cru que é mais escorregadio.
Os utensílios chineses são mais longos, grossos e tem a base quadrada. Ele tem a simbologia de ser comunitário e harmonioso.
Hashis por região
Cada região do Japão produz um hashi único. Se estiver em viagem pelo país recomendamos dar uma olhada nos palitinhos de cada região.
A cidade de Obama usa a técnica togidashi com padronagens usando conchas do mar que ficam lindas. Em Aomori aplicam laca o mês inteiro e depois recebe polimento.
Personalizados
Tem lojas no Japão que você pode customizar seu hashi escolhendo materiais e design. É uma experiência significativa.
Como usar

O segredo é posicionar ele entre os dedos polegar e o dedo médio. A ponta de cima fica encostada no dorso. Fazer isso dará firmeza na hora de abrir e fechar.
Além disso, apenas o hashi de cima é movimentado, o de baixo serve como apoio. Dê uma olhada no vídeo abaixo.
Regras de etiqueta
Depois que aprender a segurar, tem algumas regras bem simples para não fazer feio na mesa.
Não usar para apontar para algo ou alguém, não espetar a comida, não pingar shoyu na mesa quando for pegar um pedaço de sashimi, não passar comida de hashi para hashi, não lamber a ponta do hashi.
Não deixar apoiado por cima do bowl ou das badeijinhas no centro da mesa. Tem um apoiador de hashi para isso ou se não tiver use um guardanapo e deixe ao lado com a ponta coberta.
O hashi que leva a boca não deve ser usado nas bandeijas de comida compartilhada. Para isso tem um hashi de mesa.
Gostou do artigo? Curta e compartilha. Deixe sua visita em nosso site em dia. Temos sempre conteúdos sobre o Japão para promover intercâmbio cultural.


0 comentário em “Hashi: tradição, tipos, como usar e simbologia”