Uma ida ao Japão significa necessariamente visitar um santuário shintô e tempos budistas, seja você religioso ou não.

Os santuários não só fazem parte da história e da cultura dos japoneses como muitos são Patrimônios Mundiais da UNESCO.
Seja por motivos espirituais, culturais, estéticos ou arquitetônicos, visitar santuários Shinto é altamente recomendável, principalmente quando há festivais ocorrendo nesses espaços sagrados.

Regras para visitar um santuário shintô
Santuários Shinto são abertos a todos, independentemente de religião ou na falta dela.
No entanto, você sabe como entrar, se comportar e o que fazer uma vez por lá? Continue o artigo e confira.
1. Faça reverência no Torii
No Sando (参道), o caminho ou estrada que leva as portas de um santuário (Jinja, Jingu, Taisha, Miya), você encontrará um Torii, um portão/portal feito de pedra, concreto ou madeira com laque vermelho e demarca o limite entre o mundano e o sagrado.

Antes de entrar em solo sagrado, pare em frente ao Torii e faça uma reverência se curvando a um ângulo 45°. Há quem se curve até a altura da cintura, você também pode fazer se sentir confortável, mas não é necessário.
A tradição Shinto diz que se curvar diante do Torii antes de entrar no santuário é como se saúda os guardiões e pedem permissão para em um santuário shintô.

Por fim, antes de entrar, certifique-se de entrar pelo lado esquerdo. Quem estiver saindo também sairá pela esquerda. O centro do Torii, de acordo com a tradição, é reservado para o trânsito das deidades.
2. Purifique-se
Uma vez dentro do santuário, continue o caminho até o edifício principal e procure pela Chouzuya (手水). Alguns santuários são bem grandes, possuem um segundo Torii, jardins e outras instalações.

A Chouzuya é inconfundível. É uma fonte de água em uma espécie de bacia de pedra coberta por um telhado.
É nessa fonte que o visitante deve se purificar antes de entrar e visitar o santuário shintô no edifício principal. Para se purificar, siga os seguintes passos:
- Pegue o Hishaku (柄杓), uma concha de bambu, madeira ou metal com a mão direita;
- Encha a conha com água direto da bacia ou de uma torneira;
- Dê um passo para trás e lave a mão esquerda sem deixar que a água caia novamente na bacia;
- Troque o Hishaku de mão e agora lave a mão direita sem deixar que a água volte para a bacia;
- Por fim, pegue novamente o Hishaku com a mão direita, coloque um pouco de água na mão esquerda e toque os lábios com a água, mas não beba a água.
Idealmente tudo deve ser feito com apenas uma concha d’água. Se ainda tiver água na concha, vire-a de cabeça para baixo e coloque novamente suporte. Esse gesto simboliza que o Hisghaku está disponível para purificar outro visitante.

Algumas pessoas costumam sacudir as mãos para secar ou usam um lenço. Em tese você não deveria tocar nada depois de purificar as mãos, mas raramente alguém segue essa tradição ortodoxa e não será considerado uma ofensa se você secar suas mãos.
3. Visitando o Honden
Chegou o tão aguardado momento de visitar o edifício principal do santuário. Esse lugar se chama Honden (本殿).
Seu interior só é acessível ao público em geral em dias de rituais específicos e é lá onde a(s) deidade(s) do santuário estão entronadas.

Normalmente você verá um Suzu (鈴), um sino na entrada do Honden, alguns grandes outros pequenos, mas todos eles com uma corda para o visitante tocar. Toque o sino duas vezes em um ritmo calmo.
Mentalize que você está anunciando sua presença diante das deidades do santuário enquanto você estiver tocando o sino.
Depois de tocar o sino vá até o Saisen Bakko (賽銭箱), uma caixa de madeira, pedra ou metal com uma abertura no topo.

É ali onde você fará sua oferta. Doe o quanto seu coração sentir que você deve doar. Independente da quantia, sempre deposite uma moeda de 5 ienes. A pronúncia em japonês de 5 ienes, “Go-en”, quando escrita significa boa sorte ou boas conexões.
Depois de fazer sua oferenda, se curve duas vezes diante do Honden, bata duas palmas e junte suas mãos em sinal de oração Gassho (合掌). Depois de orar ou refletir o motivo de sua visita ao santuário, curve-se pela última vez.

Os japoneses tem uma expressão para esse ritual final: “Nirei, Nihakushu, Ichirei”, ou seja, duas curvaturas, duas palmas, uma curvatura. Essa expressão costuma ajudar as pessoas a lembrarem como se portar no Honden.
4. Visitando o santuário
Depois das formalidades espirituais você está livre para caminhar pelo santuário, comprar algum souvenir como Omamori ou Goshuin, tomar um chá, visitar os jardins ou simplesmente aproveitar um momento agradável.

5. Uma última reverência
Quando for embora não esqueça de se manter à esquerda na hora de cruzar o Torii. Depois de atravessar o Torii, dê meia volta, curve-se mais uma vez em direção ao Torii para se despedir das deidades do santuário.

Dicas úteis de etiqueta para visitar um santuário
Não há nada de muito especial no que pode ou não fazer, mesmo assim é sempre bom rememorar os conceitos básicos de civilidade e respeito pelas pessoas e pelos lugares, especialmente os sagrados.

Mantenha o silêncio, não tire fotos em locais proibidos (há placas informando a proibição), não coma, beba ou fume no santuário, não toque os objetos sagrados, respeite as cerimônias e rituais, não use roupas estravagantes, não vá com pets ou dispositivos barulhentos. Tire seus óculos de sol do rosto.
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