A pirataria sempre foi um negócio muito lucrativo e seduzia muitas pessoas. Os piratas japoneses tiveram seu papel na história em diversos momentos dentro e fora do Japão.
Piratas japoneses

Pensar em pirataria costuma fazer parecer ser algo do passado, mas existe até hoje.
Há piratas somalis, na Amazônia brasileira, há por todas as partes do mundo.

A era de ouro pode ter terminado, mas a pirataria não, e talvez nunca. Esse artigo não falará sobre os piratas dos dias de hoje, mas sim dos piratas japoneses da era feudal. Confira a história dessas figuras históricas interessantes.
1. Fujiwara no Sumitomo
A história de Fujiwara é maravilhosa. Membro do clã Fujiwara, filho de Fujiwara no Yoshinori e um nobre de sétimo escalão da corte Imperial. Este é um posto de menor escalão, mas bem posicionado.

Nobres de baixo e intermediário escalão viviam tentado encontrar formas de provarem seu valor e ascender socialmente dentro da corte Imperial. Não foi diferente para Fujiwara no Sumitomo.
Em meados de 930, foi apontado como adido militar da província de Iyo (atual província de Ehime) por indicação de Fujiwara Motona, governador da província de Iyo e primo de Fujiwara no Yoshinori, pai de Sumitomo.
Seu trabalho era combater a pirataria
O trabalho de Sumitomo era combater a pirataria no Mar Seto, o Mar do Interior do Japão.
Além disso, manter a ordem pública da província. Ele agarrou a oportunidade e com árduo trabalho conseguiu completar suas tarefas.
Mas, já dizia o cantor brasileiro Marcelo D2 na canção Qual é?: “Quem nasceu para a malandragem não quer ser doutor”.
Por razões desconhecidas, Fujiwara no Sumitomo decidiu abandonar a aristocracia e se tornar vida louca.

Formou um reino pirata de mil embarcações
Um belo dia de 936, abandonou seu posto no governo da província de Iyo, juntou as fações piratas remanescentes, trouxe para seu time agricultores e samurais descontentes.
Então, criou um reino pirata na ilha Hiburi e chegou a comandar cerca de mil embarcações.
O ataque
Em 939 ordenou um de seus subordinados (Fujiwara Fumimoto) atacasse dois oficiais de governados regionais: Fujiwara no Takaiko da província de Bizen (atual província de Okayama) e Shimada Koremoto da província de Harima (sudoeste da província de Hyogo).
Takaiko e Koremoto trabalharam em conjunto para derrubar a rota comercial e financeira do pirata japonês Fujiwara no Sumitomo em Setouchi.
O ataque aos oficiais aconteceu em Sukieki, província de Settsu (leste da província de Hyogo, norte de Osaka).
O aviso
Os oficiais voltavam de Kyoto para fazer reclamações do pirata japonês à Corte Imperial quando foram capturados por Fumimoto e tiveram as orelhas e o nariz decepados para dar um recado aos demais oficiais e governadores.

Controle das águas e saques
Entre 936 a 939, Sumitomo já controlava as águas de Shikoku, do leste de Kyushu, a costa de Okayama, Hiroshima, Yamaguchi a da província Hyogo (nomes atuais das cidades e províncias).
No ano seguinte (940) o pirata japonês Sumimoto atacou e saqueou as capitais das províncias de Awaji (parte da província de Hyogo) em fevereiro.
Sanuki (atual província de Kagawa) em agosto e a cidade de Dazaifu, centro administrativo de Kyushu, em outubro.
Um pouco antes dos ataques de Sumitomo, Taira no Masakado liderou uma rebelião contra a Corte Imperial em Kyoto Tengyō no Ran (天慶の乱), uma campanha que durou 59 dias até Masakado ser derrotado.
Após a derrota da rebelião de Taira no Masakado, todas as atenções das autoridades Imperiais se voltaram para Fujiwara no Sumitomo.

Uma enorme frota liderada por Ono no Yoshifuru foi enviada para o Mar Seto para destruir o reinado pirata de Sumitomo.
Mas destruir a frota pirata foi muito difícil em comparação com vencer Taira no Masakado.
Frota destruída
A frota pirata de Sumitomo só foi destruída em maio de 941 sob o comando do subsecretário de Ono no Yushifuru, Minamoto no Tsunemoto na Batalha da Baía de Hakata.
Derrotado, Fujiwara no Sumitomo fugiu com seu filho, Shigetamaro, além de ter buscado refúgio na província de Iyo.

Ele foi capturado e morreu na prisão. Mas foram necessários quase dois anos de luta para vencer esse surpreendente pirata japonês.
A versão mais comum é que ele foi preso e morreu na prisão no mesmo ano, mas há versões que dizem ter sido executado. O paradeiro real de Sumitomo é desconhecido.
2. Murakami Takeyoshi
Durante o período Sengoku (1336 – 1573) o Japão virou um caos. O Imperador se tornou uma personagem figurativa, o shogunato Ashikaga era quem tinha de fato o poder político, mas o país estava dividido entre os “reinos” dos daimyos.

Guerras e caos
No meio desse caos eis que surge Murakami Takeyoshi (1533 – 1604). O Japão é um país insular e com muitas ilhas.
O mar interior (o Mar Seto) é uma região com 400km de extensão e com mais de 3 mil ilhas.
Durante esse período de guerras intermináveis, o clã Murakami controlava e protegia essa região.
Como cada região tinha suas próprias leis, impostas pelos daimyos locais, na região do mar interior não seria diferente.
O clã Murakami tinha suas próprias leis sobre rotas comerciais estratégicas e não devia satisfação a nenhuma outra autoridade.
Líder do ramo Noshima
Murakami Takeyoshi era o líder do ramo Noshima da família Murakami e um homem nascido e feito para o mar.
Excêntrico
Takeyoshi era o mar desse estreito mar. Ele utilizava um capacete dourado em formato de concha e comia um polvo antes das batalhas como um símbolo de cada tentáculo representando proteção para cada uma das direções.

Senhor do mar Seto
Considerado como um pirata japonês, Takeyoshi comandava uma verdadeira fortaleza naval.
Comandava tantos navios e tão imponentes, que diz a história serem necessários cerca de 80 marujos para impulsioná-los.
Daimyos menores e marinheiros reconheciam Murakami Takeyoshi como o senhor do Mar Seto e pagavam tributos a ele. Luis Frois, missionário português descreveu o famigerado pirata japonês:
“Ele vive em sua grande fortaleza e possui muitos servos. Ele é tão poderoso nessa costa e na costa de outras regiões que seus senhores pagam tributos anuais a ele por medo de serem destruídos.”
Takeyoshi combateu as força de Oda Nobunaga como comandante das forças Mori em 1576 na primeira Batalha de Kizugawaguchi, mas foi derrotado na segunda Batalha de Kizugawaguchi em 1578.

Apesar da derrota para as forças de Oda Nobunaga, a história e a lenda de Murakami “Kaizoku” Takeyoshi permaneceu.
O clã era tão forte que ficou conhecido como Murakami Suigun (exército d’água) e há até um museu dedicado ao clã naval em Imabari, província de Ehime.
3. Tay Fusa
A história do pirata japonês Tay Fusa é real, mas sua verdadeira identidade é um mistério.
Na região da Ásia Ocidental havia muitos piratas que formavam tripulações pluriétnicas e plurinacionais.

Okinawa, a península coreana, a ilha de Taiwan, Manchúria, enfim, diversas regiões contavam com piratas japoneses, chineses, coreanos, hakka, ainu e filipinos estavam sempre a espreita por uma oportunidade.
Em 1580, um grupo pluriétnico de piratas invadiram e conquistaram o Vale do Cagayan nas Filipinas ocupadas pelo Império Espanhol.
Os locais foram escravizados, os piratas se apossaram das reservas de metais preciosos e a região se tornou o forte dos piratas.
Os relatos históricos indicam que tripulação pirata responsável por conquistar o Vale do Cagayan era liderada por um japonês conhecido como Tay Fusa.
A hipótese é que o nome Tay Fusa fosse na verdade Taifu-san ou Taifu-sama.

Não há muitas certezas sobre quem eram esses piratas japoneses e quem eram os estrangeiros integrantes da tripulação.
Para os espanhóis tanto fazia quem era aqueles invasores, eles precisavam ser eliminados.
Em 1582 uma expedição liderada por Juan Pablo de Carrión saiu para lidar com os piratas.
Há uma história absurda contando que 40 a 60 espanhóis combateram mais de mil piratas e ainda assim venceram.
Essa é uma história difícil de acreditar. Afinal, os piratas estavam equipados com armamentos modernos, além de lanças e outras armas brancas (katanas não foram vistas na batalha).
“Os japoneses são o povo mais guerreiro daqui. Eles têm artilharia, arcabuzeiros e piqueiros treinados e usavam armadura. Tudo isso é obra dos portugueses que levaram as suas intenções para um aspecto bélico.” – Gonzalo Ronquillo, ex-governador-geral das Filipinas.

A verdade é a indicação dos piratas japoneses estarem em franca desvantagem numérica.
Após uma série de escaramuças os espanhóis acabaram derrotando os piratas japoneses e a atividade pirata na região caiu drasticamente.
Essa é uma história que os historiadores podem debater melhor e há farto material sobre esse evento nos melhores portais de história militar debatendo de forma séria e não ficcional as Batalhas de Cagayan.
Para concluir você aprendeu sobre três piratas japoneses e seus feitos. Elas ajudam a contar um pouco da história japonesa.
Deixe sua visita em nosso site em dia. Temos sempre conteúdos sobre o Japão.


0 comentário em “Conheça a história de três piratas japoneses”