Shiwasu (師走) é a palavra japonesa para o mês de dezembro, o mês mais agitado do ano por causa das muitas atividades que essa época do ano exige das pessoas.
Não atoa o kanji “Shi” (師) significa “monge, mestre, professor”, e o outro kanji “Su” (走) significa correr.
Shiwasu

É uma correria de mestre porque desde pelo menos o período Edo há muitas atividades que precisam ser realizadas por monges e sacerdotes shintō.
Naturalmente também há muito trabalho a ser feito também por pessoas comuns.

Eclesiásticos ou pessoas comuns, todos estão na correria do Shiwasu, o último mês do ano, para a entrada do ano novo – embora as tarefas impostas aos religiosos são mais pesadas do que do resto da sociedade.
Neste artigo você verá algumas das tarefas realizadas dentro da sociedade japonesa durante o Shiwasu ao longo das eras do país. Confira.
1) Ōsōji: a limpeza de fim de ano de casa
A tradicional limpeza de casa de fim de ano, Ōsōji (大掃除), é um evento doméstico clássico, bastante conhecido e muito trabalhoso.
É a “senhora” faxina para tirar tudo do lugar, limpar aquele canto ignorado durante o ano e jogar fora tudo o que não tem mais serventia.

Mais do que uma super limpeza, o Ōsōji também é um ritual que prepara a visita de Toshigami (年神), o kami do grande ano, uma deidade associada a passagem do tempo e que visita as casas durante o período do ano novo.
Toshigami é associado as colheitas de arroz e ao renascimento das plantações. É preciso que haja espaço e energia para que ele deixe suas bençãos.
Por isso que é preciso jogar fora o que não tem mais utilidade e limpar todos os lugares para retirar as energias velhas.
Em associação ao Susuharai, as pessoas costumam começar o Ōsōji no dia 13 de dezembro.

A limpeza de fim de ano também acontece em outros ambientes como escolas, empresas e locais públicos.
2) Susuharai: varrendo a fuligem
A super limpeza de fim de ano Ōsōji é uma ramificação do Susuharai (煤払い) que significa literalmente “varrendo a fuligem”.
Essa prática de limpeza começou durante o período Heian (794 – 1185) com objetivo de afastar os maus espíritos e dar boas-vindas a Toshigami.

A forma correta de conduzir as limpezas na corte, castelos e residências dos aristocratas é detalhado no Engishiki (延喜式), um livro de normas e leis de 927.
A prática passou a ser centrada principalmente em templos e santuários no período Muromachi (1336 – 1573).
Durante o período Edo a prática foi estendida aos castelos e residências dos samurais e dos mercadores.
O 13º dia do mês Shiwasu foi estabelecido em 1640 como o dia em que a limpeza do castelo de Edo era realizada.

Por causa do uso de velas, lenha e carvão, a quantidade de fuligem era imensa. Quando os faxineiros terminavam a tarefa, os proprietários serviam mochi para os trabalhadores e comemoravam fazendo Dōage (“胴上げ”, jogando uns aos outros para o ar).
Depois os faxineiros iam para o Susuyu (煤湯), um banho para se limparem de toda sujeira.
Após o banho era servido sake e eles eram dispensados mais cedo. O Susuharai continua acontecendo a partir do dia 13 do mês Shiwasu nos templos e santuários do Japão.
3) Toshi no Ichi: as feiras para o fim de ano
Para comprar decorações de fim de ano como a corda sagrada Shimenawa (しめ縄) e os pinheiros para a entrada das casas Kodomatsu (門松) há as tradicionais feiras Toshi no Ichi (納めの不動).

O mais famoso acontece no templo Sensoji em Asakusa de 17 a 19 de dezembro (Shiwasu) coincidindo com o dia de Kannon, a deidade da misericórdia – dia 18 de todos os meses, nesse caso, dezembro (Shiwasu)
Esse evento no Sensoji é bastante disputado, mas há muitas outras feiras Toshi no Ichi espalhadas por todo o país, muitas delas acontecem no de 27 a 29 de dezembro e têm horário de funcionamento variado.
Para concluir você aprendeu 3 práticas importantes para a sociedade no mês de dezembro.
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