Sadako Sasaki, dos 1.000 origamis de tsuru
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Sadako Sasaki – A criança da paz e dos 1.000 origamis de tsuru

Sadako Sasaki, símbolo da paz, dos origamis de tsuru, sobrevivente da bomba de Hiroshima e vítima dez anos depois da doença da bomba atômica.

Sadako Sasaki (Teiko Sasaki) foi uma criança exposta a radiação da bomba atômica de Hiroshima quando tinha apenas dois anos de idade.

Por conta disso e dez anos depois desenvolveu leucemia e faleceu por consequência da exposição a chuva negra.

A história de vida de Sadako acabou sendo conhecida mundialmente como a criança da paz ou criança da bomba atômica por conta de seus origamis de tsuru feitos antes de sua morte e representavam o seu desejo máximo em viver e da paz.

Continue lendo e conheça sua tocante história, suas motivações aonde desvendamos os mitos e um lançamos um olhar real aos ocorridos, além do impacto mundial de sua vida, período no hospital e morte transpassando nações, culturas diferentes e língua permeando a todos.

Sadako Sasaki, a criança da paz

Sadako Sasaki, a criança da paz, doença da bomba atômica no Japão
(Teiko) Sadako Sasaki em primeiro dia de aula da escola elementar

Seu hábito desenvolvido em fazer origamis de tsuru (dobraduras em papel de garça japonesa) viraram um símbolo forte mundial, com popularização de sua história em mais de 80 países.

Conheça a história de Sadako Sasaki, Teiko, a criança da paz e dos origamis de tsuru

Doença da bomba atômica

Aos doze anos foi diagnosticada com leucemia após nódulos terem aparecido em seu pescoço e atrás das orelhas de forma inesperada.

Rosto inchado de Sadako Sasaki por conta da leucemia, doença da bomba atômica
Rosto inchado de Sadako Sasaki por conta da leucemia, doença da bomba atômica

A doença caiu como uma bomba na família e comunidade de Sadako. Ela era uma criança saudável, amava praticar esportes e engajada em suas atividades escolares com grandes planos em seu futuro interrompido por um evento ocorrido há mais de uma década.

Mostrando que as consequências da bomba atômica perduram por muitos anos depois de seu lançamento.

Trouxe atenção aos perigos de uso de bombas nucleares

A doença da bomba atômica como ficou conhecida pelos médicos japoneses naquela época estava sendo descoberta em muitos pacientes.

Pessoas com câncer começaram a surgir e todas eram sobreviventes das bombas atômicas lançadas ao Japão em 1945 em Hiroshima e Nagasaki.

Isso trouxe atenção pelos perigos do uso deste tipo de arma (nuclear) em destruição em massa com consequências devastadoras na vida dos sobreviventes.

Já não bastasse a destruição e impacto violento na hora e no local com pessoas sendo estilhaçadas, derretidas e carbonizadas a temperaturas altíssimas, mas nos anos seguintes afetando a saúde de pessoas impactadas, quanto seus descendentes prolongando a consequência e a destruição na vida de pessoas inocentes.

Os origamis de tsuru

Origamis de tsuru, dobradura de garça japonesa de Sadako Sasaki inspiraram mundo ao rezar por paz
Origamis de Sadako Sasaki

Quando Sadako estava hospitalizada começou a fazer origami de tsuru (dobradura de garça japonesa) em meados de agosto de 1955.

Este era um passatempo muito comum entre pacientes do hospital em tratamento de câncer da ala pediátrica. Tendo que ficar de repouso e deitados dobrar origami era uma atividade prazerosa.

Além disso, a menina tinha um ímpeto grande em viver e ser curada. Fazer 1.000 tsurus é uma simpatia comum no Japão aonde dizem que um desejo pode ser atendido.

A história de Sadako e o motivo dela fazer as dobraduras em papel de garça ganharam ares dramáticos, filosóficos e vida própria quando contada ao longo dos anos depois.

Primeiro por um jornalista austríaco e depois para o resto do mundo que começou a replicar, tendo simbologia muito forte até os dias atuais. Mais para frente contamos a história toda com detalhes.

Uso político e de conscientização

Como ela virou símbolo pelo mundo como uma sobrevivente de bomba atômica, seu nome teve uso político e de conscientização com motes de paz abominando este tipo de recurso em guerras.

Ela conseguiu fazer mais de 1.000 pássaros em dobradura de papel

Segundo conta o site do museu virtual de Hiroshima relatando a história de Sadako, menos de um mês após ter começado a fazer as dobraduras origami, Sadako conseguiu fazer mais de 1.000 garças japonesas (origami de tsuru). Foram mais de 1.300 ao total.

Na manhã do dia 25 de outubro, ela faleceu assistida e confortada por família e amigos.

A popularização de Sadako pelo mundo

Sadako virou um símbolo e sua história com significados fortes para a propagação de uma mensagem de paz mundial contra uso de bombas nucleares e as consequências de seu uso.

Uma criança inocente se vai

A reflexão que ficava na época era: como um evento ocorrido há tantos anos roubou a vida de uma criança inocente de apenas 12 anos de idade?

Descobrindo as consequências da bomba atômica

Ainda não existia conhecimento dos danos causados e remanescentes por conta da exposição a irradiação das bombas nucleares nos sobreviventes e a doença da bomba atômica estava passando a ser descoberta naquela época.

Símbolo de paz e tocou o coração das pessoas

A história de Sadako e sua iniciativa em fazer os origamis de tsuru com a garça japonesa virando símbolo de paz fez pessoas do mundo inteiro chorarem e refletirem sobre guerra e bombas.

Assunto distante ficou mais próximo

Guerras eram assuntos distantes na cabeça da maioria das pessoas, bomba atômica nunca havia sido usado antes e suas consequências inimagináveis.

Por isso, Sadako começou a integrar livros educacionais no mundo todo e sua história impactou pessoas de diferentes culturas, línguas e modos de vida permeando gente de todos os níveis educacionais, faixas etárias e rendas.

A menina e a garça japonesa viraram símbolos de desejo pela paz e pela vida humana com busca da pacificação mundial sem uso de armas nucleares.

A história de Sadako Sasaki completa

Sadako Sasaki nasceu no dia 7 de janeiro de 1943 em uma família de classe média em Kusunoki, Hiroshima. Ela era a segunda filha entre quatro filhos de Fujiko Sasaki e Shigeo Sasaki.

Família de Sadako Sasaki, bebê ao colo da mãe
Família de Sadako Sasaki, ela era um bebê ao colo da mãe Fujiko ao centro da foto. Pai barbeiro Shigeo se alistou em época de guerra para ajudar em hospital. Masahiro seu irmão mais velho tinha 2 anos de idade.

Dois anos depois no dia 6 de agosto de 1945, uma bomba nuclear foi lançada em Hiroshima pelos Estados Unidos.

Após a explosão, incêndios começaram a se alastrar e uma chuva negra atingiu a região. A casa da família de Sadako ficava a 1.7 km do centro zero. Todo o entorno pegou fogo e foi queimado em um raio de 2 km.

Além disso, o entorno foi atingido por um calor insuportável e irradiação. Da população de 350.000 pessoas, 140.000 morreram até o fim do ano.

A bomba explode em Hiroshima

Segundo explicado no site da prefeitura da cidade de Hiroshima contando sobre o dia da explosão na perspectiva de um dos irmãos de Sadako:

Era uma manhã ensolarada de verão. Às sete da manhã um alarme soou na cidade, mas como não aconteceu nada as pessoas seguiram suas vidas.

Tomando café da manhã

Sadako, sua mãe, sua sogra Matsu e o irmão mais velho Masahiro estavam tomando café da manhã: pão de batata-doce e soja. Arroz era muito difícil de conseguir.

Uma luz cegante e um vento violento derrubaram as paredes da casa.

Eles conseguiram sair dos destroços e fugiram para um rio que tinha ali perto. A avó voltou para a casa para pegar algo que tinha esquecido e nunca mais retornou.

Incêndios

Incêndios começavam por todos os lados e um calor insuportável atingiu toda a região. Então, eles entraram em um pequeno barco e se abrigaram ali. Uma chuva negra (chuva radioativa) começou a cair.

Manchas pretas pintaram pequenas bolinhas no kimono de Sadako com dois anos de idade.

O pai da menina tinha se alistado e estava ajudando no hospital ao norte da cidade.

Abrigo na casa de parentes

A casa deles foi queimada e eles buscaram abrigo na casa de parentes em Miyoshi ao norte.

Recomeço

Os anos se passaram e eles recomeçaram em Nakagawa reabrindo a barbearia da família e retomando suas vidas.

Sadako estudava em escola elementar Nobori-cho. Na época as pessoas ainda enfrentavam escassez de recursos.

Saudável e gostava de correr

Time de corrida de Sadako Sasaki
Time de corrida de Teiko (Sadako Sasaki). Ela está ao meio da primeira fileira

Com 1.37 cm e 27 kg era uma criança pequena e magra, mas com saúde. Gostava de correr fazendo 50 metros em 7.5 segundos.

Seu time ganhou uma competição de revezamento após se empenharem e treinarem todos os dias após a aula.

Queria virar professora de educação física

Seu sonho era virar professora de educação física, segundo relatos do diário de sua mãe e compõem a história contada pelo museu.

Primeiros sinais: nódulos e inchaço

Em 1954 percebeu que sua pele estava pálida. Em novembro daquele ano ao ficar gripada percebeu nódulos no pescoço e atrás das orelhas.

Doença desconhecida

Aos poucos foi ficando maior e seu rosto foi ficando todo inchado. Após o ano novo eles foram até o hospital, mas a doença progredia de forma desconhecida.

Diagnóstico: leucemia e um ano de vida

Após passar por testes e exames, foi diagnosticada com leucemia no dia 18 de fevereiro. Seu pai ouviu que Sadako teria apenas mais um ano de vida. Foi difícil de acreditar.

Ela foi hospitalizada imediatamente no hospital da cruz vermelha de Hiroshima no dia 21 de fevereiro.

Ela não conseguiu ir para o evento de graduação da escola elementar e seu pai foi em seu lugar após um mês de hospitalização. Seus colegas se revezavam para visitá-la.

Sadako foi liberada para comparecer a uma cerimônia de paz no dia 6 de agosto, mas teve que retornar ao hospital após colapsar e sofrer sangramentos.

Doença progredia de forma lenta

No entanto, pelos efeitos dos medicamentos seus inchaços estavam diminuindo, mas com progressão da doença de forma lenta.

1.000 tsurus enviados ao hospital

Os estudantes de uma escola em Nagoya enviaram 1.000 origamis de tsuru feitos em papel celofane colorido para os pacientes do hospital.

Passou a fazer o origamis com desejo de ficar saudável

Alguns foram entregues no quarto da menina. Então, ela começou a fazer as dobraduras ao descobrir a simpatia, de quem fizesse 1.000 dobraduras tinha um desejo atendido.

Ela começou a fazer as dobraduras com o desejo de ficar saudável e poder ir para casa.

Na época virou um passatempo entre todos os pacientes da ala pediátrica do hospital e passaram a fazer origami em suas camas.

1.000 garças

Eles foram sendo pendurados no teto do quarto. Ao final de agosto ela conseguiu fazer 1.000 garças japonesas.

Mas, continuou fazendo dobraduras até o fim. Ao final estavam cada vez menores, um dos últimos do tamanho era de um grão de arroz.

Origami de tsuru do tamanho de um grão de arroz feito por Sadaki Sasaki
Grão de arroz e um tsuru feito por Sadako Sasaki. Tão pequeno e dobrado com ajuda de uma agulha.

Falta de papeis

Naquela época pós-guerra papel era um luxo. Por isso, Sadako usava papeis do hospital como embalagens de remédios. Eles cortavam e usavam.

Esperanças e responsabilidades

Sadako até o fim tinha esperança em ir para a casa mesmo quando piorava dizendo que seus irmãos estavam sentindo sua falta.

Como irmã mais velha, era Sadako que cuidava dos menores e da casa junto com seu irmão enquanto seus pais trabalhavam. Eram seis ao todo.

“Me deixe sozinha, eu cuido de tudo para você”. Disse a menina para sua mãe quando não havia sinais da doença.

Nunca reclamou

Engolia sua frustração e raiva quando piorava para poder voltar para casa logo. Segundo contou sua mãe e irmãos depois nunca reclamou sabendo da condição financeira precária de sua família, que lutava para ganhar dinheiro e sobreviver em tempos difíceis.

Escondia que sabia de sua doença

Os pais nunca contaram o diagnóstico para Sadako. Mas, ela descobriu e fingia que não sabia de nada, segundo seu irmão Masahiro Sasako, autor do livro: 1.000 garças de Teiko.

Origami de Sadako Sasaki feito em 1955 em exposição

Queria voltar para a escola

A menina se destacava nos esportes e era excepcionalmente rápida. Segundo os relatos do diário de sua mãe exposto no museu, ela não parava de pensar em voltar para a escola, iniciar o junior high e estava preocupada em conseguir fazer as lições de casa atrasadas.

Ela andava por todo o hospital e sorria sempre com uma personalidade vívida. No mês de julho, a criança que dividia o quarto com ela com 5 anos e também com leucemia chamada Okura faleceu causando um impacto grande.

Segundo conta seu irmão mais velho Masahiro ao site oficial da prefeitura de Hiroshima, ela se indagou: “eu vou morrer assim também?”.

Dor, corpo inchado e sangramentos

A realidade ao final da doença em uma época em que não existia um tratamento efetivo para leucemia foi triste.

Ela estava em severa dor, sofria sangramentos, seu pé estava inchado e roxo.

Não conseguia mais dormir por conta das fortes dores de cabeça e tinha febre alta.

Mesmo assim continuava a fazer as dobraduras de sua cama mesmo já tendo feito as 1.000 garças para a simpatia.

Alguns origamis de tsuru feitos por Sadako Sasaki
Alguns origamis feitos por Sadako Sasaki

Últimos momentos

Na manhã do dia 25 de outubro sua família se reuniu em seu quarto. Ochazukê* foi servido a pedido de seu pai.

Após comer a segunda colherada respirou pela última vez e suas últimas palavras foi: delicioso.

Após oito meses de hospitalização, ela pereceu da doença de sangue chamada leucemia provocada pela doença da bomba atômica, dez anos após o fim da II guerra mundial.

*ochazukê é uma preparação de arroz japonês mergulhado em chá verde misturado com temperos furikake.

Choque na comunidade, escola e família

Sua morte foi um choque para a comunidade, colegas de escola e família. Sua família e amigos acompanharam seu falecimento progressivo sem que pudessem fazer nada. Isso afetou sua família depois com sentimento de impotência.

Não apenas Teiko Sasaki (Sadako Sasaki) havia sido vítima da bomba atômica, colegas de sua sala também eram sobreviventes e isso criou ansiedade entre todos e muita tristeza pela perda repentina.

Ideia de um monumento em homenagem

Voluntários se organizam para pedir doações e erguer estátua pedindo paz e homenageando crianças que sofreram e morreram por bomba atômica
Voluntários se organizaram para pedir doações e erguer monumento

A ideia de criar um monumento em sua homenagem começou na escola de Sadako e logo se espalhou por escolas elementares, junior e de ensino médio de toda a cidade.

Eles criaram uma Associação da Solidariedade e distribuíram flyers para a construção de uma estátua memorial a Sadako e para todas as crianças impactadas ou mortas pela bomba atômica.

Pessoas de todas as partes do Japão contribuíram

Pessoas de todas as partes do Japão fizeram doações em um chamado por paz e homenagem a criança morta pela doença da bomba atômica Sadako Sasaki.

Conselhos pela Paz criado em todas as escolas

Uma Associação Hiroshima das Crianças pela Paz foi formada por conselhos de cada escola.

Em conjunto com a Associação Unidade eles lançaram uma campanha a nível nacional em abril, um ano após o falecimento de Sadako.

Estátua da Criança no Parque Memorial da Paz em Hiroshima

Estátua da criança no parque memorial da paz
Dia da inauguração da estátua da criança no Parque Memorial da Paz

Os rádios e jornais passaram a divulgar a iniciativa. Foi decidido que a estátua seria erguida no Parque Memorial da Paz.

Dois anos e meio após o início do movimento, eles inauguraram a estátua batizada de estátua da criança.

Estátua de criança do topo do Parque Memorial da Paz
Criança no topo do monumento teve como molde criança Sadako Sasaki (Teiko)
Teiko Sasaki ou Sadako Sasaki como ficou conhecida mundialmente em foto com família e depois com rosto inchado
Teiko Sasaki ou Sadako Sasaki como ficou conhecida mundialmente em foto com família e depois com rosto inchado

Ela foi criada por Kazuo Kikushi, professor da Universidade de Artes de Tokyo e a parte de cima por Yoshi Ikebe, professor da Universidade de Tokyo.

Na frente está uma pedra com a inscrição:

“Nos esperamos que nenhuma criança seja ferida por uma bomba atômica novamente”. “Este é nosso choro. Esta é nossa reza. Para trazer paz ao mundo.”

As pessoas passaram a se reunir para fazer dobraduras de garça japonesa (origami de tsuru). Em 1958 um filme chamado 1.000 tsurus foi lançado.

A história de Sadako foi ficando popular.

A popularização da criança da paz

Jornal conta a história de Sadako Sasaki
Jornal estrangeiro contando história de Sadako Sasaki e suas dobraduras de tsuru (Teiko Sasaki)

A história da criança Sadako Sasaki, morta pelas consequências da radiação da bomba atômica de Hiroshima e a estátua da criança com pedido de paz se espalharam no mundo.

Em 1956, o jornalista austríaco Robert Junck visitou Hiroshima e ouviu a história de Sadako. A partir dali, ela entrou no coração das pessoas transcendendo fronteiras e ganhando vida eterna.

Vontade de viver

A Sadako real queria muito viver e nunca perdeu suas esperanças de cura. As pessoas acabaram criando uma imagem própria da história se propagando com diferentes mensagens.

Mundo em conflito

Nos períodos entre 1950 e 1980 o mundo estava em conflito entre União Soviética e Estados Unidos na chamada guerra fria.

Uso político e social

Sadako foi usada de maneira política e social. Sua história chegou a muitos países e sua família passou a receber mensagens de pessoas ao redor do globo.

Doença da bomba atômica

Sua morte foi noticiada pelos jornais como a “morte de um sobrevivente de bomba atômica” e “doença da bomba atômica” passou a ser replicada pela mídia.

Movimento de paz e contra uso de bombas atômicas

Nos países ocidentais Sadako virou um clamor pelo banimento de uso de bombas atômicas e de hidrogênio em um movimento de paz.

A criança que rezou e se opôs ao seu uso era uma mensagem forte. Na União Soviética ela virou um símbolo de sacrífico de uma criança inocente com uso de bombas desumanas pelos Estados Unidos.

Fazer origami de tsuru ficou popular

Como fazer origami de tsuru, dobradura de garça

Crianças do mundo todo passaram a aprender a fazer origami de tsuru e passaram a enviá-los ao Japão.

Segundo reportagem do Nippon de 2016, 10 milhões de tsurus são enviados todos os anos para a estátua da criança no Memorial da Paz em Hiroshima.

Memorial da paz em Hiroshima reúne origamis de tsuru enviados pelas pessoas do mundo todo
Memorial da paz em Hiroshima reúne origamis de tsuru enviados pelas pessoas do mundo todo

Incorporada em livros educacionais

Por conta da facilidade da absorção de sua história ela passou a ser incorporada em livros educacionais para ensinar as consequências da guerra.

Discussões internacionais

O uso de bomba atômica virou um assunto e considerada violação humanitária com discussões pela comunidade internacional da corte da justiça na Holanda (atual Países Baixos) na cidade de Hague na época em 1995.

Houve discussão sobre banimento deste tipo de arma. Em 7 de novembro daquele ano, o prefeito de Hiroshima fez um discurso.

Variação da história de Sadako

Sadako Sasaki desperta emoções nas pessoas e tocam o coração pela sua comovente história. Por conta disso, surgem versões diferentes ao real acontecido com toques dramáticos e criativos inspirados pela versão do livro lançado por Eleanor Coerr.

Na sua história misturando elementos reais com ficção a menina consegue fazer apenas 644 e é ajudada por colegas de escola após sua morte.

Por isso, o número de origamis de tsuru são os mais alterados. Na realidade mais de 1.300 foram feitos por Sadako antes de morrer.

Estátuas no Japão e ao redor do mundo

Em frente a escola Noborimachi de ensino médio de Hiroshima tem uma estátua de origami de tsuru inaugurado em 26 de outubro de 2000.

Em Seattle nos Estados Unidos existe uma estátua de Sadako construída em 1990 no parque dedicado a paz com iniciativa do ativista de paz Floyd Schmoe.

Estátua de Seattle nos Estados Unidos no parque memorial da paz de lá
Estátua de Seattle nos Estados Unidos no parque memorial da paz de lá pelo ativista de paz Floyd Schmoe

Uma escola elementar de Albuquerque, Estados Unidos, possui uma estátua da criança da bomba atômica inaugurada em 1995, após coletar fundos de 64 países ao redor do mundo. Ela possui flores e origamis de tsuru dourados. Os cinco continentes do globo estão representados.

Albulquerque possui seu memorial de paz inspirado por Sadako Sasaki

Em Santa Barbara, EUA, um jardim que possui uma pedra encravada com imagem de uma garça japonesa foi criada pela Associação da Paz com clamor de um mundo livre de armas nucleares.

Dia 25 de outubro, dia de morte de Sadako Sasaki é comemorado o dia do origami de tsuru na cidade de Noborimachi em Hiroshima.

Livros ajudaram a popularizar sua história

Dois livros foram fundamentais para a popularização de Sadako na Europa. O de Carl Bruckner e o de Eleanor Core, ambos vendidos em 34 países.

Livro de Eleanor sobre Sadako Sasaki

Por isso, muita gente aprendeu a fazer origami de tsuru permeando mais 52 países, incluindo os que falam inglês e da Ásia com dados de 2001.

Sadako e os origamis chegaram a mais 66 países, vejamos alguns: Israel, Emirados Árabes, Estados Unidos, Coreia do Sul, Kuwait, Siri Lanka, Iraque, Iran, Tailândia, Índia, Nova Zelândia, Austrália, Brasil, Canadá, Jordânia, Mongólia, Hong Kong, Argentina, Uruguai, Islândia, Inglaterra, Costa Rica, Irlanda, Itália, Ucrânia, Holanda, Dinamarca, Bélgica, Hungária, Suíça, Iuguslávia, África do Sul, República Tcheca, Croácia, Áustria, Cazaquistão, Eslováquia, Espanha, Suécia, Dinamarca, Romênia, Noruega, Rússia, Eslovênia, França, Finlândia.

Depois da morte: sua família sofre

Bom, a partir da morte de Sadako Sasaki pouco se comenta sobre sua família. A realidade de terem que lidar com o luto foi ainda mais trágico.

Depois do jornalista austríaco Robert Junck ter feito sua matéria em 1956 o mundo conheceu sua história e foi replicada. Junck era sobrevivente do Holocausto, por isso se comoveu muito.

Acusaram a família de Sadako Sasaki de terem vendido sua história. Isso fez com que sua morte parasse de ser comentada na família, assim como o assunto bomba atômica.

Eles mudaram de cidade e foram morar em Fukuoka dependendo de parentes. Por anos reinou o silêncio e a vergonha de seu pai de não ter tido condições financeiras de pagar um tratamento adequado para ela, fora a dor da perda.

Faz pouco tempo que sua família voltou a se manifestar sobre o assunto. O irmão mais velho de Sadako Sasaki, Masahiro, mudou este posicionamento de silêncio quando viu seu pai chorar muito ao visitar um memorial em Hiroshima por volta de 2010, segundo reportagem do Asahi.

Seu pai faleceu e Masahiro passou a atender jornalistas e contar a história de Sadako.

Masahiro Sasaki irmão mais velho de Teiko Sasaki (Sadako), a criança da paz com origami de tsuru feito por sua irmã
Masahiro Sasaki, 81 anos, sobrevivente da bomba atômica, irmão mais velho de Teiko Sasaki (Sadako), a criança da paz com réplica de origami de tsuru feito por sua irmã. Foto de maio de 2023. Créditos: Yoshiyuki Hirakawa e publicado no Mainichi Shimbun

Além disso, lançou um livro, fez uma associação para relembrar o mundo dos perigos de armas nucleares, estava produzindo um documentário.

Ele se encontrou com o neto chamado Daniel do presidente Truman, responsável por ter dado a ordem de jogar as bombas mostrando que o mundo precisa se reconciliar em favor da paz, além de ter doado origamis de Sadako para o museu de Pearl Harbor nos Estados Unidos, além de outros locais importantes.

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