A poluição olfativa no Japão é um termo que foi criado para explicar quando pessoas caem doentes por causa de químicas que dão odores a produtos de limpeza, como amaciantes. Continue lendo e entenda.
Poluição olfativa no Japão

É cada vez mais frequente o número de reclamações de pessoas que sofrem com problemas de saúde por causa de produtos químicos que costumam dar odor a produtos.
Náuseas e dor de cabeça
São amaciantes ou outros produtos destinados a limpeza. Os sintomas mais comuns são dor de cabeça e náuseas atribuídas a poluição olfativa no Japão conhecida como osmophobia.
No médico quando vão investigar acabam descobrindo que sofrem de sensitividade química. A reportagem do Mainichi Shimbum foi fazer uma investigação sobre os casos.
Mulher teve que fechar seu café
Uma mulher de 54 anos começou a ter dores de cabeça e aceleração cardíaca há 5 anos. Na época ela administrava junto ao esposo um café em Miyagi.
Quando foi investigar no médico não foi diagnosticada com nenhuma condição cardíaca. Foi quando seu marido começou a reclamar de tremores nas mãos e dores nas juntas.
Cheiro de amaciante era o causador
Um dia, ela percebeu que se sentiu doente quando chegou perto de um cliente com um cheiro forte em suas roupas comuns de amaciantes.
Ela abriu as janelas para ter uma melhor ventilação, mas os sintomas não passaram. Em 2019 os dois foram diagnosticados com sensitividade química por uma especialista.
Então, eles fizeram uma limpeza em seus produtos eliminando todos os que tivessem aromas, indo de detergentes ao sabonete.
Produto de limpeza alternativo
Ela passou a usar uma solução básica de bicarbonato de sódio e ácido cítrico para fazer limpezas em casa, além de ter substituído todos os seus produtos com uma versão sem cheiro.
Passou a pedir para os clientes que usavam produtos com aromas sintéticos parassem de entrar no café, incluindo quem usava perfumes e amaciantes.
No entanto, o pedido não foi bem recebido e a frequência de clientes caiu em 20%, contando com o fato de que ela não se sentia bem, por isso em 2019 após seis anos de existência tiveram que fechar.
Grupo de pessoas com sensitividade ao odor
Ela achou apoio em um grupo de pessoas com sensibilidade a odores químicos chamado Canary Network Nationwide.
Inclusive, ela se mudou para um local em Nasu em Tochigi que se declarou fragrância free, ou seja, livre de odores sintéticos onde abriu uma cafeteria.
O grupo de pessoas que sofrem de poluição olfativa é ainda pequeno, mas crescente. Segundo dados do Ministério de Assuntos de Consumo, foram feitas 200 ligações de pessoas que reclamavam do odor de fabricantes de amaciantes e que caíram doentes.
Causas desconhecidas
No entanto, as causas dos sintomas ainda permanecem desconhecidos e por isso o Ministério de Saúde, Trabalho e Bem-estar pretende realizar uma pesquisa.
Segundo a professora do departamento de anestesiologia da Universidade de Medicina para Mulheres Adachi Medical Center de Tokyo, Kumiko Taira, 50 pacientes foram diagnosticados com sensitividade química vindos de amaciantes.
Efeitos no sistema nervoso central
Os sintomas são desencadeados por aromatizantes de ar, água sanitária, amaciantes, repelentes de inseto e outros produtos. Segundo a profissional a sensitividade vem dos sistema nervoso central que fica sensível pela exposição repetida.
Segundo o professor Hiroshi Okochi do departamento químico da Universidade de Waseda, o problema pode vir da tecnologia de microencapsulamento das fragrâncias.
Estas pequenas cápsulas liberam odor assim que ocorre fricção fazendo com o que o cheiro dure mais e são liberados de tempos em tempos.
Chegada dos aromas florais e doces no Japão
Segundo reportagem do Nippon, o Japão passou a investir em produtos com aromas florais e adocicados após a chegada da marca americana de amaciantes Downey nos anos 2000.
Aromas que vendem
A indústria japonesa passou a investir em um marketing em que o aroma é o principal motivador de desejo, combinado com a obsessão por limpeza comum no país.
Resíduos de micro-plástico no ar
O desenvolvimento de novas técnicas de fragrâncias como o microencapsulamento passou a representar problemas pelos resíduos de plástico deixados no ar, além da química tóxica.

Quando estes fragmentos são inalados entram em contato com o pulmão, passam pelas células e vão parar na corrente sanguínea.
As microcápsulas podem abrigar substâncias voláteis com tamanho entre nanômetro e micrômetro. Estas pequenas partículas que são a casca dos odores é resistente a água e calor é muito usado a nível industrial.
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