Pagamentos no Japão

Pagamentos no Japão: cartões pré-pagos e carteiras digitais

Pagamentos no Japão estão a caminho da transformação digital. Saiba como a aceitação dos pré-pagos e das carteiras digitais moldam o futuro.

Os pagamentos no Japão estão sendo mudados com a tecnologia, mudanças de costumes com incentivo do governo rumo a sociedade cashless.

Para quem não sabe, até pouco tempo o país era 100% dominado por pagamentos usando dinheiro físico, a maioria dos estabelecimentos não aceitava cartão de crédito por conta das altas taxas.

Pagamentos em dinheiro no Japão ainda são comuns, mas país caminha para ser sociedade cashless

Algumas coisas permanecem, mas outras mudaram completamente. Os planos de digitalizar os pagamentos era algo que vinha sendo discutido, mas que teve uma implementação acelerada pós-pandemia.

Aos poucos, os estabelecimentos passaram a aceitar mais cartão, os bancos passaram a cobrar taxas maiores para depósitos em dinheiro para desestimular as pessoas neste meio de pagamento, entre outras transformações que lideram as pessoas a usarem pagamentos digitais.

Pagamentos no Japão sendo transformados

Pagamentos digitais no Japão

Os pagamentos no Japão digitais mais populares são os cartões pré-pagos e carteiras digitais. Eles estão sendo usados mais nos pequenos gastos do dia a dia. Nas lojas de conveniência, nas estações de trem, supermercados, restaurantes.

Também são boas maneiras de pagar contas, comprar comida delivery e até comprar ingressos ou comprar jogos.

Pagamentos IC Card no Japão são recarregados pré-pago e boas opções para pagamentos digitais

Os cartões pré-pagos são bem conhecidos dos japoneses. As bandeiras mais famosas são Suica e Pasmo. Ambos são usados no transporte público, mas eles servem para fazer compras em diversos estabelecimentos.

Eles são recarregáveis e usados para fazer compras pequenas. Não são ligados a bancos e por isso dão a sensação de mais segurança para serem carregados no cotidiano. Também é uma forma de controlar gastos, já que não está ligado ao fundo geral da conta, limitando as compras ao dinheiro que foi depositado previamente.

Já as carteiras digitais como PayPal, Rakuten Pay, ApplePay, Merpau e o Line Pay dão conveniência pelos pagamentos poderem ser feitos através do smartphone. Uma forma de conferir segurança é colocar login por biometria para pagamentos, verificações em duas etapas e ter alertas no app de compras feitas.

Governo incentiva pagamentos digitais

O governo japonês está por trás de campanhas que incentivem pagamentos digitais no Japão. O objetivo é que chegue a uma taxa de 40% nesta fase de transição pós-pandemia. Incentivos com ganho de pontos para este tipo de pagamento, que podem ser trocados por créditos são um exemplo.

Aos poucos eles desejam rumar para que 100% dos pagamentos seja feito de forma digital e a circulação do dinheiro em papel seja raro.

Benefícios: rapidez, conveniência e controle

Os prestadores de serviços e comércio se adaptaram a pagamentos digitais. Táxis, restaurantes, livrarias e lojas de departamentos colocaram QRCodes de pagamento e agora eles são padronizados e comuns de serem encontrados.

Os cartões pré-pagos também adicionaram valor aos negócios. Por exemplo, empresas que emitem cartões para seus funcionários e clientes com sistemas de bônus, limites pré configurados são atrativos.

As carteiras digitais constroem lealdade, já que os usuários que o usam de forma recorrente recebem ofertas. Isso foi bom para o consumo nacional com facilitação das gerações que já estão acostumadas com tecnologia e preferem pagamentos digitais atraindo novos públicos a comércios pequenos, como turistas internacionais podem gastar mais no país com facilidade.

Além disso, eles adicionaram um benefício no dia a dia por serem mais rápidos e reduziram o tempo que as pessoas ficam na fila para pagar.

Seu carregamento é rápido também, pois podem ser feitos através de apps no telefone e as carteiras digitais podem receber transferências instantâneas. Outra característica que atrai os consumidores é eles poderem conferir o saldo em tempo real.

O motivo desses dois tipos de pagamentos no Japão terem dado certo é a confiança. Este era o principal empecilho que as gerações mais antigas tinham em usar meios eletrônicos de pagamento no passado.

Eles respondem bem neste quesito, além de oferecer excelentes serviços de qualidade com clareza, estrutura e progresso. Além disso, eles podem ser usados em outros países da Ásia em colaboração regional.

Pagamentos com dinheiro ainda lideram

Na questão das cédulas físicas e moedas elas continuam sendo muito úteis no Japão. Em áreas rurais e nas máquinas automáticas. A geração mais velha domina as áreas rurais do país e este tipo de pagamento acaba sendo mais fácil para idosos que sequer tem smartphones ou usam cartão pré-pago.

Agora nas áreas turísticas que costumam receber pessoas de fora e as grandes cidades já estão no modelo de pagamentos digitais. Ainda assim a oferta maior ainda é de cartões de crédito. As bandeiras mais aceitas são Visa, JCB e Mastercard.

Cartões pré-pagos

Os cartões pré-pagos são adquiridos nas estações. Para comprá-los nas máquinas automáticas precisará de dinheiro. Um depósito de 500 ienes é feito e ele pode ser reembolsado quando devolver o cartão após terminar seu uso.

Eles funcionam com data limitada estipulada e os valores que estão lá devem ser utilizados no tempo proposto. Como são usados no transporte público e para compras no dia a dia é uma função útil, pois é um dinheiro que seria usado durante a semana pelos japoneses com toda a certeza a caminho do trabalho, da universidade ou de qualquer compromisso.

Para quem não quer andar com cartões, existe o Mobile Suica e Mobile Pasmo. Estes podem ser linkados com cartão de crédito.

Japão e a evolução dos meios de pagamentos

É curioso notar que apesar dos hábitos dos cidadãos em pagamentos no Japão continuarem sendo em dinheiro, o país foi pioneiro ao possibilitar meios de pagamentos digitais.

Em 2004 os chips no celular já permitiam pagamentos. Além de ter sido o líder global de mobile commerce e integrar o top 5 do mercado e-commerce global.

Para se ter ideia, em 2002 os pagamentos eletrônicos alcançaram 111 trilhões de ienes, segundo divulgado pela Nikkei Asia. Deste valor 16% ficou com os cartões de crédito, 19% com cartão de débito, 50% com pagamentos por Qrcodes e 2% com e-money.

Além disso, os pagamentos por cartão de crédito são liderados em 90% por pessoas com 60 anos em 2022. Em 2023 foram emitidos 308.6 milhões de novos cartões. Já os cartões de débito são usados para retirar dinheiro dos caixas eletrônicos no Japão e não é comum usá-los para pagamentos digitais.

Ainda assim, os números são menores em comparação com os pagamentos que ainda ocorrem em dinheiro por fatores culturais e limitantes pela dificuldade em saber mexer nas contas e apps de forma digital, bem como resistência por desconfiança em relação a segurança.

A estimativa é de que 36.23 milhões de pessoas tem 65 anos ou mais. 10% da população tem mais de 80 anos. Apesar dos locais turísticos aceitarem mais possibilidades de pagamentos, os locais pequenos ainda podem ser mais tradicionais ou limitar o uso em relação aos cartões de crédito por conta das altas taxas que os negócios pagam.

Questões culturais, facilidades e tradição

A questão cultural em aceitar dinheiro envolve tradições e ritos em que dinheiro é dado em envelopes em datas especiais, mas ultrapassa isso. Afinal de contas, essas datas acontecem de forma pontual.

Soma-se isso a facilidade e comodidade instituída pela facilidade dos pagamentos através das conbinis. Estas lojas de conveniência que vendem comida e bebida, também aceitam pagamento de contas. Também é possível fazer compras online e pagar em dinheiro para eles.

Após efetuar a compra online, você recebe um recibo e vai até o caixa da loja pagar em dinheiro. Aliás, pagamento no meio digital em dinheiro nas conbinis representa o segundo mais usado na categoria pagamento online no Japão. As principais redes que dominam o mercado são Family Mart, 7-Eleven e Lawson.

No demais, existem muitos caixas eletrônicos espalhados pelo Japão para sacar dinheiro também e fazer transferências bancárias. Aliás, dá para fazer transferências pelos caixas ATMs sem ter conta bancária através de depósitos via ATM. No entanto, em todos os casos paga-se taxas.

Não é a opção mais barata, mas é como os idosos acostumaram a fazer pagamentos, saindo do campo cultural e da tradição para o campo do conhecimento empírico e dificuldade em aprender novos meios, com desconfiança e um pouco de teimosia de mudar algo que já dá certo.

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