Roupas vintage no Japão crescem como tendência em meio aos jovens

Produtos Vintage no Japão ganham espaço com jovens

Os produtos vintage no Japão dos anos 90 estão sendo disputados e os jovens desembolsam valores altos pelos seus achados.

Os produtos vintage no Japão com foco nas camisetas dos anos 90 e produtos de segunda mão estão fazendo sucesso com as gerações mais novas. Estes itens estão sendo vistos como valiosos e raros, além dos mais jovens terem uma visão de sustentabilidade e evitam comprar coisas novas.

Mercado vintage cresce no Japão

Roupas vintage no Japão são vistas como exclusivas e com personalidade

Esse modo de vida pautado pelas tendências mundiais e mais consciência ambiental e de recursos, abriram caminho para um mercado vintage lucrativo de 3.13 trilhões de ienes em 2023, de acordo com Reuse Economic Journal e repercutido pelo Japan Times.

O mercado só aumenta faz 14 anos desde 2010 quando eles começaram a fazer esta análise. O Japão é o paraíso das peças vintage e itens de segunda mão com muita variedade de lojas com qualidade.

Os japoneses cuidam bem de suas roupas e objetos, por isso o estado das mercadorias é excelente. Algumas peças parecem ser novas, não cheiram mal e são bem apresentadas.

Preços altos por exclusividade e raridade

Quando a loja se declara vintage os preços não são tão acessíveis. A loja Awesome by Bring Harajuku estava vendendo uma T-shirt do mangá Akira dos anos 90 por 790.000 ienes.

Originalmente custava 3.000 ienes em sua época de lançamento, mas como ela virou vintage o preço se justifica. Mais tarde ela encontrou um comprador mostrando que existe demanda.

Peças gastas tem personalidade

O gerente da loja Yuki Shimizu conta que se a peça possui sinais de tempo que tornam elas únicas e individuais como estampa craquelada ou meio apagada, elas acabam valendo mais.

As peças são vistas como tendo história aos olhos dos colecionadores de peças vintage. Ainda segundo a varejista Staygold Inc de Tóquio, os jovens são levados pelo momento e compram itens caros. Grande parte guarda dinheiro de seus trabalhos de meio período e dividem suas descobertas nas redes sociais.

Assim que eles perdem o interesse eles vendem para ganhar dinheiro e comprar o próximo item. A especialista em consumo jovem e planejadora digital da agência Dentsu, afirmou que os jovens se voltam aos produtos vintage por ansiedade gerada pelas suas economias.

Parece meio ilógico, mas essa geração possui muita instabilidade financeira, mas não poupa esforços para se dar mimos com a sensação de que merecem, mesmo que comprometa suas rendas ou fazendo sacrifícios para ter valores para gastar.

Mudanças no mercado

A cultura das peças vintage no Japão é liderada por uma série de mudanças no comportamento de consumo. O país já foi referência no mercado de luxo e já ocupou primeira posição em seus tempos áureas de crescimento econômico.

As compras desenfreadas eram comuns e todo mundo tinha dinheiro para gastar em bolsas, roupas ou qualquer lançamento e novidades do mundo fashion. Ninguém pensava que isso acabaria.

No entanto, quando a economia chegou ao topo, só havia uma direção para seguir. A deflação pegou em cheio no bolso de muitas pessoas que correram para vender seus itens sobressalentes para fazer um dinheiro.

A onda dos itens de segunda mão floresce não apenas entre os jovens, mas entre turistas internacionais aproveitando o dólar forte e iene fraco, que descobriram produtos muito bem cuidados dessa época de consumo desenfreado.

Passados os anos viraram vintage, ainda são caros, mas depende do produto. As bolsas de luxo de segunda mão são bem mais baratas agora e de coleções passadas que não são fabricadas mais, sendo alvo de desejo de muitas fashionistas. Aliás, o país é conhecido por ser um museu fashion.

A franchise Komeyo viu suas vendas online crescerem 34.5% no último quarto do ano em 2024. Zozotown teve um aumento de 10.2% entre abril e junho do mesmo ano.

A expectativa é que ocorra um aumento de U$27 bilhões em 2030. A ideia de quem busca produtos de segunda mão passa necessidade é algo que está ficando para trás.

Agora, o perfil é de pessoas com poder aquisitivo o suficiente para gastar pequenas fortunas para satisfazer seus desejos e ter nas suas coleções achados raros.

Não é preciso buscar muito como era antigamente quando se tinha que vasculhar lojas pequenas e esquecidas em locais pouco acessados. Agora, estas lojas ocupam grandes espaços, são iluminados e os produtos dispostos com evidência e como se fossem novos.

Para um produto ser classificado como vintage deve ter pelo menos 20 anos e deve ser original de sua época.

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