O Japão tem uma merecida fama de país seguro e com uma polícia eficiente. Mas como era a polícia japonesa durante o período Edo? Como foi que o policiamento conseguiu conduzir uma nação inteira a uma relativa paz?
O período Edo (1603 – 1868) colocou fim a um período de mais de 100 anos de guerra civil no Japão, além de uma guerra ultramarina em Joseon (Coreia), a Guerra Imjin (1592 – 1598).
Depois de tanto tempo lutando, qual era a vida dos bushi em tempos de paz? Quando a única ferramenta que você tem em mãos é um martelo, tudo a sua frente acaba virando prego.
E depois de 100 anos de guerra, os guerreiros não sabiam como viver na paz. Surgiu então uma imensa necessidade de criar uma polícia japonesa logo no início da era Edo.
Além dos guerreiros que perderam função com o fim das guerras, muitos clãs que foram derrotados na batalha de Sekigahara (15 de setembro de 1600) perderam seus castelos, títulos e status. Com sua dissolução, seus vassalos acabaram se tornando ronins.

A necessidade da polícia japonesa feudal
Como você deve imaginar, aqueles que perderam sua posição social, casas, soldos e até mesmo autorrespeito, não ficaram nada satisfeitos com a decisão do shogunato em tomar tudo o que eles tinham.
Somado isso ao fato de que muitos guerreiros também perderam função social, esses guerreiros continuavam se matando. Havia também crimes comuns dos quais muitas vezes eram realizados por antigos guerreiros.
O shogunato decidiu agir para deixar claro que o Japão agora era um país pacificado e criou uma força policial autorizada a prender, cegar e torturar quem perturbasse a ordem pública.
Se você acha que as prisões japonesas de hoje são muito severas, da missa você não sabe o terço. Esse artigo falará sobre a polícia japonesa da cidade de Edo, atual Tokyo, por razões óbvias.
Foi a primeira cidade a atingir 1 milhão de habitantes durante o século XVIII. Uma cidade complexa que tinha metade de sua população formada por samurais e a outra metade por plebeus e mercadores.

O policiamento da cidade mais populosa do mundo
Policiar a maior cidade do mundo sendo que metade da sua população era formada por samurais que, apesar de passíveis de investigação pelos agentes da ordem pública, em última instância respondiam apenas aos daimyos e ao próprio shogun, era uma tarefa bem complicada.
Esse grupo de cidadãos normalmente eram sujeitos acima da lei por causa de suas filiações e privilégios de nomes de nascença, a não ser em casos extremos. Ainda sobravam 500 mil habitantes que não gozavam de tal privilégio.
Para os reles mortais existiam dois magistrados, os Machi-bugyō (奉行 奉行), que eram responsáveis por governar e manter a ordem na capital shogunal.
Cada um dos bugyō contavam com uma força policial de 25 Yoriki (与力), samurais de classe intermediária.
Esses samurais eram conhecidos na cidade de Edo como Machikata Yoriki (町方与力). Eles andavam a cavalo e utilizavam armaduras por baixo de suas vestes, além de carregar duas espadas para lembrar a todos que eles eram samurais e figuras importantes da cidade.
A hierarquia policial japonesa na cidade de Edo
Apesar de serem a tropa de choque dos dois magistrados de Edo, os Machi-bugyō, Os Machikata Yoriki não eram chamados por qualquer incidente.
Eles só eram chamados em algum caso grande como um homicídio, por exemplo.
Quem realmente colocava a mão na massa no cotidiano de Edo eram os Doshin (同心), samurais de classe baixa que andavam com pelas ruas de Edo armados com espadas.
No entanto, não usavam Hakama por serem samurais de baixa patente, mas usavam um Jitte que equivalia a um distintivo.
Os Doshin totalizavam em cerca de 280 em Edo, um número bastante diminuto para lidar com meio milhão de pessoas.
Mas os Doshin também empregavam civis como seus assistentes, os Komono, além de informantes no mundo do crime, os chamados Okappiki (岡引).
Para lidar com a criminalidade da maior cidade do mundo, considerando a quantidade pequena de policiais, algumas comunidades contratavam segurança particular.
Essa segurança particular não armada (somente com bastões não letais) eram chamados de Meakashi ou de Gōyokiki.
Apesar das limitações de pessoal, quando somadas todas as forças, incluindo a segurança privada, acabava dando certo, a segurança, a ordem pública e a lei funcionava para todos. Com exceção daqueles acima da lei e os torturados.
Os policiais de Edo
Ao que tudo indica, as pessoas tinham muita afeição pelos Machikata Yoriki, os comandados dos magistrados.
Naquela época, as três profissões mais admiradas pelos plebeus eram lutadores de sumo, bombeiros e assistentes dos Machikata Yoriki (os Doshin).
A força policial tinha autorização até mesmo de entrar em casas de banho femininas para coletar informações ouvindo conversas na sessão masculina, mas somente no início da manhã quando geralmente estava vazio.
Ser Doshin, por sua vez, não era exatamente um sonho de consumo. O soldo era baixo e passar o dia inteiro andando por ruas perigosas não era exatamente muito glorioso. Apesar de portarem espadas, os Doshin preferiam capturar os criminosos vivos.
E não era por razões humanitárias. Era para que o acusado pudesse ser torturado pelas vias legais. A confissão era a pedra angular do sistema judicial de Edo, e como sempre, a confissão sempre vinha.
Os métodos da polícia de Edo
O sistema judiciário Edo era qualquer adjetivo diametralmente oposto ao conceito de civilidade.
As torturas aplicadas em criminosos ou acusados eram dignas de cenas que devem acontecer no reino dos infernos. Açoites, esmagamento por pedras, Shibari (técnica de amarrar o corpo) e muito mais.
Se o acusado confessasse seu crime poderia ter a pena reduzida e o prisioneiro poderia ser exilado ou sair da prisão depois de pagar fiança. A depender do crime ou da acusação, o prisioneiro poderia ser decapitado, crucificado ou fervido vivo.

Para saber mais sobre a adorável prisão de Edo e o destino dos prisioneiros, não deixe de ler os artigos listados abaixo.
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