O caminho da escrita, Shodo (書道), também chamado de Shūji (“習字”, caligrafia) é uma das formas de arte mais sofisticadas e difíceis de dominar do Japão.
O Shodō é introduzido na vida dos japoneses desde os primeiros anos escolares.
Continue por aqui e aprenda sobre shodo e seu caminho até o país.
Shodo

Uma das características que fazem o Shodo ser tão belo é a profundidade que a escrita ganha com pinceladas Fude (“筆”, pincel) carregada de tinta Sumi (“墨”, nanquim) em um Washi (“和紙”, papel feito com casca de amoreira).
Jornada espiritual
A arte da escrita Shodo tem um quê de jornada espiritual. Para além dos elementos artísticos básicos como linha, formato e espaço, um verdadeiro mestre na caligrafia precisa se conectar com o seu verdadeiro eu.
É por isso que se chama Caminho da Escrita. Sho “書” significa escrever/escrita. Dō “道” significa caminho ou Tao.
Isso faz do Shodō uma arte que não se contenta apenas com a técnica, mas exige o comprometimento e a expressão do espírito.

É por isso que é considerada uma arte muito difícil de dominar. São necessários anos de dedicação técnica e espiritual.
Origem do Shodo
Caligrafia é uma forma de arte que acompanha a humanidade pelo menos desde os últimos 5 mil anos.
O primeiro-ministro da dinastia Qin e uma das três pessoas mais importantes da história da China, Li Si (280 a.C – 208 a.C), ajudou a sistematizar os ideogramas.

Mais do que um hábil político, Li Si era um mestre na arte da caligrafia e foi pioneiro em utilizar a escrita fora do universo religioso, uma verdadeira revolução para a organização do estado.
Essa escrita sistematizada chegou ao Japão em algum momento do período Asuka (538 – 710).
A escrita mais antiga do Japão que se tem notícia é a inscrição na estátua do Buddha da medicina, Yakushi, no templo Hōryū-ji em Irukaga, província de Nara.

O Shodō é herdeiro dessa tradição dos textos religiosos. A caligrafia serviu para organizar o estado, a religião, para produzir arte e para que ela mesma fosse uma forma de arte cultivada através dos séculos.
A história do Shodō
A inscrição Hokke Gisho (法華義疏) do templo têm o estilo de escrita cursiva, o que revela um alto nível de sofisticação ainda no período Asuka como indica O sutra Kongō Jōdaranikyō (金剛場陀羅尼経), o mais antigo que se tem notícia (ano 686).
Copiado pelo monge Hōrin, o texto revela que o estilo da caligrafia foi fortemente influenciado pelo trabalho de Ouyang Xun (557 – 641), médico imperial da dinastia Sui, acadêmico durante a dinastia Tang e mais tarde calígrafo Imperial, um dos quatro grandes da dinastia Tang.
Mas foi a partir da era Heian (794 – 1135) que a caligrafia começou a se espalhar dentro da família Imperial e a aristocracia.
Cortesãs e cortesãos estudavam caligrafia copiando os clássicos chineses adicionando seu estilo artístico.
Apesar de utilizar os clássicos chineses como base para o estudo da caligrafia, o Shodō como conhecemos hoje começou a emergir no Japão criando uma caligrafia única do país.
Por causa da política Sakoku (“鎖国”, país fechado) durante o período Edo (1603 – 1868) o desenvolvimento dos estilos de caligrafia propriamente japoneses de Shodō floresceram consideravelmente através das escolas de budismo Zen e Daishi, por exemplo.
O caminho do Shodō
Os que se dedicam ao caminho da escrita no Japão normalmente fazem o seguinte caminho de estilo:
- Kaisho (楷書): o estilo Kaisho é uma escrita regular e por onde todo o estudante de Shodō começam. É o estilo menos artístico e que busca a estrutura rígida da escrita;
- Gyōsho (行書): Gyōsho significa “estilo em movimento” e é quando a caligrafia começa a tomar formas artísticas. É menos formal e semi cursiva para dar movimento e fluidez nos ideogramas;
- Sōsho (草書): é quando se domina a arte. O estilo cursivo Sōsho tenta emular o farfalhar (efeito do vento soprando na grama) com um caractere fluindo para o outro. Estilo muito comum na arte zen para transmitir e energia do pensamento através do trabalho.

Para conseguir chegar ao estilo Sōsho não basta dominar a técnica. Para transmitir a energia do pensamento ou o mais profundo estado de espírito, é preciso atingir um estado de não-mente chamado Mushin (無心).
O estado de não-mente é quando os pensamentos cessam e toda a atenção do indivíduo está na ação presente, a mente se aquieta, não cria pensamentos, não vai nem para o passado e nem para o futuro.
É por isso que Shodō é também uma prática espiritual, afinal, poucas pessoas são capazes de atingir plenamente esse estado de não-mente e os que conseguem precisam treinar duro suas habilidades físicas e espirituais para conquistar o Mushin.
Para concluir você aprendeu mais um aspecto cultural interessante do Japão. Curta, compartilhe e deixe sua visita em nosso site em dia. Temos sempre conteúdos sobre o Japão.


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