Kamikaze (神風) é uma das palavras japonesas mais conhecidas no mundo. A palavra é invariavelmente associada aos pilotos de aviões de combates durante a segunda guerra mundial.
Kamikaze

O termo foi apropriado pelas autoridades militares e políticas durante a guerra para criar o mito da invencibilidade do Japão, que custou muito caro para o país e para sua população.
Você sabia que Kamikaze originalmente não quer dizer ataques suicidas contra seus inimigos?
Ventos Divinos
Kamikaze originalmente quer dizer Ventos (“風”, Kaze) Divinos (“神”, Kami), mas também pode significar “Deus dos Ventos” ou “Deidade dos Ventos”.

Se há alguma coisa que tangencia esses dois entendimentos da palavra Kamikaze é a guerra, uma da segunda metade do século XIII e outra quase na metade do século XX. Continue acompanhando e saiba mais.
Kamikaze: o mito durante a invasão mongol
Depois do Império Mongol, o segundo maior império da história (perde apenas para o Império Britânico) ter conquistado a China e Goryeo (reino da Coreia), Kublai Khan voltou suas atenções para a conquista do leste, isto é, o Japão.

As invasões mongóis aconteceram de 1274 a 1281 e tiveram como palco a ilha de Tsushima, a ilha de Iki e a região norte de Kyushu.
Conta-se que tanto no começo da invasão quanto ao final, o Japão foi salvo por uma Kamikaze.
O primeiro na batalha de Bun’ei (“文永の役”, Bun’ei no Eki) na baía de Hakata em 1274 e o segunda na batalha de Kōan (“弘安の役”, Kōan no Eki), também conhecida como a segunda batalha da baía de Hakata em 1281.

Os registros históricos contam que tempestades violentas destruíram e afundaram a maioria das embarcações da dinastia Yuan (Império Mongol).
Historiadores encontraram vestígios de uma tempestade violenta durante o período das batalhas, o que dá veracidade ao mito.

Já o impacto que os afundamentos das embarcações mongóis tiveram nas batalhas continua em debate entre especialistas.
Tufões: os ventos divinos Kamikaze
Não há certezas históricas de que um tufão tenha influenciado a derrota mongol durante a batalha de Bun’ei, mas as evidências indicam que a condição climática foi fundamental na batalha de Kōan.

Tufões e tempestades em momentos decisivos como a invasão mongol no Japão ou a invencível armada espanhola destruída por uma tempestade, invariavelmente são vistas como providencias divinas pelos governantes.
Durante a invasão mongol, o shogunato Kamakura implorou as deidades e ordenou que os santuários Shintō e templos budistas conduzissem um exorcismo da ameaça estrangeira.

O tufão na batalha de Kōan foi entendido como prova irrefutável das preces atendidas.
Se por um lado os santuários e templos propagaram ao longo dos anos o mito da intervenção divina de Kamikaze, enfatizando o papel que as deidades têm no reino mundano, a classe guerreira não via dessa forma.
Para os samurais e demais bushi que enfrentaram os mongóis, a derrota das forças da dinastia Yuan foi lutada com unhas e dentes contra um inimigo feroz, matando e morrendo.

Porém, o reconhecimento pelo sacrifício da classe guerreira foi mínimo, Kamikaze ficou com toda a glória para si.
A insatisfação dos guerreiros que combateram a força estrangeira foi uma das razões pela queda do shogunato Kamakura.
Para concluir você aprendeu mais sobre a história do Japão. Curta, compartilhe e deixe sua visita em nosso site em dia. Temos sempre conteúdos sobre o Japão.


0 comentário em “Kamikaze: a história dos Ventos Divinos”