Clube hostess no Japão ou os clubes de cabaret fazem parte de uma cultura japonesa aonde garotas ou homens trabalham em clubes para entreter clientes de uma forma não sexual direta em clubes em que eles ganham comissão por bebida alcoólica, conversam amenidades sendo agradáveis criando uma experiência.
Obviamente que existe esse lado sexual como um meio, mas inicialmente não é uma obrigatoriedade. Portanto, um clube hostess não é uma casa de prostituição aonde se espera por esse serviço.
Tem algumas meninas que sim fazem programas para ter mais ganhos, se destacar entre a preferida dos clientes, fidelizar e manter o interesse ativo, entrando em relacionamentos, virando sugar babies, mas pode ter profissionais que não vão para esse lado.
Saindo dessa premissa básica, existem dois tipos de clubes de flerte japoneses. Os luxuosos kurabu e os comerciais baratos chamados kyabakura. No entanto, cada clube é diferente.
Neste artigo você terá uma visão aprofundada sobre os clubes de flerte japoneses, indo além das explicações básicas para desmistificar e entender a sua existência.
Insights de clubes hostess no Japão

Os insights de coisas para evitar fazer mostrados nesse artigo vieram de hostess das casas kyabakura populares, que lidam com muitos clientes de forma rotativa.
Elas deram depoimentos anônimos para o portal Sora News e repercutiu no Japan Today que foram analisadas por nossos especialistas criadores de conteúdo.
Confira as partes negativas desse tipo de trabalho e algumas coisas que ocorrem nos clubes e para as mulheres é péssimo para ter uma ideia de como é o ambiente das casas sob o ponto de vista das profissionais.
Elas refletem algumas coisas, mas nem de perto são a verdadeira realidade e podem ter situações mais pesadas, que ficam de fora de entrevistas e não são discutidas de forma aberta na sociedade.
Ao final do artigo terá uma compreensão cultural e dos motivos dos homens frequentarem para além do óbvio e entender esse aspecto da cultura japonesa que permeia papel de homem e mulher, cultura de negócios e trabalho, jogos de poder e a capitalização da atenção, do tempo e de prover experiências.
No artigo de hoje não entraremos nos clubes hostess para mulheres, esse fica um assunto para outro artigo dada a complexidade e nuances.
Não dizer nada
As hostess são especialistas em conversar e entreter. Sabe aquele papo para quebrar o gelo, mesmo que possa parecer o mesmo sempre para inícios, o famoso chit chat?
Eles são fundamentais para o desenvolvimento do tempo e para desenvoltura comunicativa mostrando habilidades de adaptação, cooperação, paciência e social. Portanto, quando o homem não diz nada, o que resta é o silêncio constrangedor.
Nas casas kyabakura é normal ter um sistema rotativo em que as moças ficam na mesa por alguns minutos até trocar de turno.
Isso possibilita que os caras possam conhecer mais meninas em menos tempo dando aquela ideia de que há variedade e quantidade, além de ter tempo de selecionar a sua escolhida, que ficará mais tempo na mesa. Essa preferência deve ser verbalizada para o staff saber e a hostess voltar. Como tempo é relativo, 15 minutos podem parecer uma eternidade.
Para quem busca a oportunidade de conversar em japonês é uma excelente oportunidade, mas não se engane em achar que dali sairá reflexões profundas e um encontro de almas.
Elas seguem sim um script, assim como um vendedor de uma loja de roupas. Só que ali ela estará oferecendo seu tempo, atenção e exclusividade.
Sim, vender a atenção é um dos trabalhos de hostess. Além disso, ela ganha dinheiro com a comissão de bebidas alcoólicas. E a bebida ali é consumida rápido. Cada mulher que senta na mesa, bebe da garrafa que o cliente comprar.
Se um homem está ali está de boa vontade, curioso ou foi arrastado pelos amigos, obrigado pelo chefe ou pelo cliente, não importa o motivo. De qualquer forma, uma vez que se entra no jogo pode se fazer o tempo passar de uma forma agradável ou não.
Mostrar que tem dinheiro
Obviamente que poder financeiro é algo que está na mesa quando alguém vai em uma casa hostess. Só que ficar tentando a qualquer custo mostrar que tem dinheiro acaba sendo uma atitude desagradável.
Sim elas estão ali por dinheiro, mas em troca de um serviço que está sendo prestado: atenção, conversa, flerte e atendimento.
Assumir que elas são puramente interesseiras acaba criando um jogo de superioridade e humilhação que não faz nenhum ser humano se sentir bem. As moças ali são humanas, afinal de contas. Não precisa ser um babaca. Se não gosta de hostess e do sistema, apenas não vá. Se foi obrigado aproveite para treinar seu chit chat sobre amenidades, que essa é uma habilidade social necessária.
Elas estão ali para receber sua comissão. Isso ocorre em uma loja de departamento também quando for procurar uma televisão também ou em lojas de roupas e comércio.
Tentando parecer legal
Bem, alguns caras tentam de tudo para parecerem maneiros e quando isso é forçado apenas causa constrangimento.
Apenas as trate com respeito e converse sobre tudo, sem querer parecer a pessoa mais legal do mundo. Quem é assim, não precisa provar nada. Naturalmente elas demonstrarão que você é maneiro, não precisa forçar.
Humilhar
Quando o cara é desrespeitoso, fazendo perguntas inadequadas, julgando e ofendendo as moças não é legal. Alguns homens se sentem no direito de humilhar e diminuir as hostess somplesmente pelo fato de pagar pelo tempo. Estes locais não servem para despejar frustração, nem ódio contra mulheres.
Muitas hostess estão ali para fazer um trabalho que pague suas contas, as ajude a conquistar sonhos, pagar uma faculdade, etc. Todo mundo tem sua motivação pessoal para fazer algo e as hostess não são diferentes.
Piadas sujas
Grosseria e rudeza com as piadas sujas é algo que não será engraçado, mas desconfortável. Obviamente que as moças estão ali para rir das piadas e isso encoraja alguns comediantes de piadas sujas a continuar por um caminho de degradação.
É um trabalho fácil?
Muita gente se refere de forma pejorativa ao trabalho de hostess dizendo ser um trabalho fácil, mas a realidade é um pouco diferente. No ocidente não tem uma profissão dessas a nível comparativo, mas no Japão a mentalidade é de ser apenas outro tipo de trabalho da classificação entretenimento. E trabalhar dá trabalho simples assim.
Em comparação com outras profissões “normais” em que uma mulher ganha pouco, sim hostess dá a possibilidade de ganhar mais.
No entanto, não são todas as hostess que fazem 100.000 ienes por mês como as famosas que dão entrevistas como a hostess número 1 chamada Hoshino Kurumi.
Para chegar lá terá que investir tempo da vida pessoal para manter os clientes lembrando de aniversários, dando presentes, atenção e etc.
Além disso, elas tem que aturar todo tipo de coisa e estão em uma posição de vulnerabilidade envolvendo poder e dinheiro, pressão estética, abusos verbais, assédios, etarismo, pressão para cumprir metas, competitividade agressiva, entre outros.
Muitas mulheres tem ciúmes e invejas das hostess e os homens a veem como produtos ou acham que elas são inferiores, isso quando a consideram não humanas. Há todo tipo de julgamento.
Elas precisam estar sempre arrumadas e investir em dinheiro em sua aparência, trabalhar longas horas em horários não convencionais, enfrentar julgamentos, lidar com pessoas bêbadas, situações desagradáveis, etc.
É um sidejob considerado normal
Você sabia que cerca de mais de 20% das japonesas já trabalharam em algum momento em clubes de cabaret no Japão? Trabalhar em distritos de entretenimento é considerado normal na sociedade, da mesma forma que uma pessoa escolheria trabalhar como garçonete em balada no ocidente. Muitas são universitárias e isso é comum.
É uma forma de tirar um dinheiro extra enquanto trabalha de meio período de dia e estuda também, já que o custo de vida no país é alto e as mulheres tendem a ganhar salários baixos. O assunto não é discutido amplamente e de forma aberta, mas algo que as pessoas sabem e aceitam.
Vamos dar um exemplo: só pelo fato de ter garçonete de balada que aceita sair com o cliente pós expediente isso a enquadra como trabalhadora sexual? Não. Pois, no caso da hostess é a mesma coisa, só que além de servir mesas, ela estará sentada ao lado do cliente e conversará com ele como companhia.
Agora que você aprendeu um pouco sobre a cultura dos clubes hostess no Japão vamos entender um pouco sobre a cultura.

Papel na sociedade e cultura de trabalho
Os clubes de flerte japoneses tem um propósito que vai além do óbvio. Estes locais são um escape das pressões sociais e um fim pós expediente que muitos homens assalariados acabam indo por sua vontade ou obrigados para acompanhar clientes ou seus colegas como parte da cultura de trabalho/negócios para homens, ou seja, é esperado e estimulado.
Faz parte da cultura sair após o expediente e beber em casas de hostess ou não. Acaba sendo esperado essa parte alcoólica, seja em izakaya, karaokês ou em kyabakura ou kurabu.
Cultura da bebida alcoólica
No Japão um país rígido moralmente, a bebida alcoólica e cigarro são coisas muito comuns e aceitas. Nessas casas é esperado que o cliente peça garrafas e fique bêbado. As hostess também, faz parte de seu trabalho beber com seus clientes e estimular a compra de mais garrafas.
Enquanto que existam mulheres que apreciam bebida alcoólica, essa norma não se faz uma regra inquebrantável.
Olhe, pode ter hostess que bebem e fiquem bêbadas, mas pode ter mulheres que fazem como as bartenders, que fingem beber álcool e isso é compreensível.
Imagine que elas não estão ali a passeio, mas trabalhando. Ficar bêbada pode atrapalhar sua função primária, que é dar atenção e conversar, servir bebidas e ser prestativa. Além disso, para uma hostess ficar bêbada as deixa vulneráveis para abusos colocando sua segurança em risco.
Uma casa hostess não é uma casa de prostituição. Não tem quartos e há um decoro a ser seguido lá dentro. Sim existem salas privativas, mas não são ambientes para ter contato íntimo. Algumas casas expulsam clientes que tocam nas mulheres de forma desapropriada.
No entanto, se uma hostess aceita ter encontros íntimos com os clientes fora do clube, é muito comum ter moteis nos arredores.
Cultura de negócios
Ser um homem de negócios no Japão está ligado diretamente a frequentar casas hostess. Isso faz parte do jogo e uma arma usada para entreter clientes e possíveis parceiros. Portanto, normal e esperado.
Lá eles são adulados, seus cigarros são acendidos e seus copos sempre são cheios por mulheres bonitas. Nos locais eles não precisam gastar sua energia em conversas, já que isso é feito pelas anfitriãs. Lá de forma relaxada, eles passam tempo juntos e ficam mais propensos a fechar acordos, continuar relacionamento comercial e mais.
Solidão, atenção e jogos de poder
Para os homens acaba sendo um lugar fácil para conseguir atenção, compreensão e um local amigável para se sentir especial.
Muitos dos homens frequentadores de kurabu (casas de luxo) que conseguiram prestígio em suas carreiras e dinheiro gostam de serem adulados e se sentem bem nesse jogo de poder e sexo, que claramente não é igualitário. Existe um fetiche de dominação e submissão.
Aliás, na psicologia isso é clássico. Homens poderosos que desejam afirmar ainda mais seu poder, mas não conseguem isso de forma orgânica, pois pensam que todo mundo está atrás de seu dinheiro ou que só aprenderam a masculinidade baseada em poder aquisitivo e luxúria.
No demais, muitos homens que tiveram sucesso em suas carreiras tiveram que abdicar de suas vidas amorosas, passando muito tempo em viagens e se dedicando exclusivamente ao trabalho, sem ter tido tempo de investir em uma vida romântica. Então, eles acabam sendo muito solitários e procuram por mulheres jovens e lindas para passarem seu tempo livre.
Há também os casos clássicos de homens casados que deixam suas esposas em casa, pois se faz uma separação da vida. As que servem para serem as esposas e mães dos filhos devem ser comportadas e puritanas e as que são a companhia devem ser interessantes e sensuais. Esse tipo de expectativa social não é só comum no Japão, mas em outras sociedades ocidentais também.
Viver um estilo de vida
Estar em uma casa de luxo, vestindo roupas bonitas, bebendo bebidas caras acompanhado de belas mulheres é o sonho de muitos. Se não é possível ter essa vida 24/7, muitos bancam momentos que levem a experiências.
Para os frequentadores de casas kyabakura ter a atenção de mulheres e poder conversar com pessoas que demonstram interesse também é um fator, já que a vida do trabalhador comum demanda muito tempo e esforço.
Nas casas por mais que as interações sejam superficiais, é uma experiência e estes homens não teriam a possibilidade de ter isso sem pagar.
Você pode ter uma mentalidade ocidental e achar fácil demais conversar e se entreter de forma orgânica no ciclo de amizades, mas a mentalidade japonesa é diferente e cria barreiras.
Para quem não consegue flertar
Para homens que não desenvolveram habilidades sociais ou tem tempo de flertar com mulheres de seus ciclos sociais, os clubes são ótimas saídas também já que elas estão ali para serem agradáveis e complacentes independente se são bons em conversa ou não.
Na vida real, as mulheres não são assim abertas e o ambiente acaba sendo o ideal para ter esse tipo de experiência.
Capitalização do tempo e da atenção
Os japoneses masterizaram a arte de capitalizar tempo e atenção com estes clubes. Tanto é que os homens são cobrados pelo tempo que ficam na casa. Nas luxuosas o limite máximo costuma ser de duas horas com a anfitriã favorita.
Nas casas mais populares, o cliente tem uma rotatividade até escolher a sua favorita e a hostess dividirá seu tempo, se for escolhida por outro cliente com sets de no máximo 50 minutos.
Conversa agradável
Ao final das contas, as hostess estão ali para conversar e ouvir o que os clientes tem a dizer. O lado psicológico de ser compreendido e ter a atenção de alguém causa uma sensação boa. Além disso, elas são profissionais na arte de agradar. Dá para entender os motivos de tantos homens voltarem para suas anfitriãs favoritas e pagar a conta alta.
Diferenças entre casas
Mesmo que uma pessoa tenha frequentado várias casas hostess, ela terá a impressão das casas que frequentou. Cada clube tem sua regra e uma mamma com estilo de liderança.
Algumas mammas agem exatamente como pimps encorajando encontros fora do local de trabalho para que suas garotas fidelizem os clientes, outras gerenciam negócios profissionais protegendo suas meninas de contato externo, pois isso cria problemas. Tudo depende do negócio.
Tem as hostess que se viciam em álcool, tem as que não bebem. Tem as que saem com os clientes, tem as que não saem.
Nos referimos a mammas, pois é muito comum que as donas de casas hostess sejam mulheres. No entanto, existem gerentes masculinos.
Motivações e atrativos
Nos anos 2000 existiu uma febre de muitas estrangeiras vindas de diversos países que trabalhavam como hostess para ganhar dinheiro no Japão, por exemplo.
Hoje em dia o hype diminuiu, mas ainda existe esse tipo de atratividade e casas quem contratam estrangeiras e outras que tem apenas japonesas.
A ideia de ganhar dinheiro dessa forma, ao mesmo tempo em que é preciso estar bonita e arrumada sem a obrigatoriedade de fazer programas é algo que agrada na mentalidade ocidental e japonesa.
Empoderamento e escolhas
Há até um discurso empoderador com viés feminista, de que a escolha de ter encontros íntimos é da mulher e isso é uma demonstração de autonomia e poder. Há quem pense justamente o contrário.
A hostess número 1 do Japão foi bem franca ao contar em entrevista que aceita sim sair com clientes pós expediente se ela gostar do homem, mas nunca recebe dinheiro por sexo.
Obviamente que precisamos refletir o quão influenciada ela é por tomar essa decisão, já que é importante fidelizar e agradar seus clientes para que eles voltem ao clube hostess e a continuem escolhendo como favorita.
O fato de não aceitar dinheiro pelo sexo mostra uma mentalidade em que se mantém a dignidade e evidencia que é uma escolha fora da relação monetária. No entanto, isso cria um ciclo difícil de analisar com muitas nuances, não é mesmo? Evidencia um problema estrutural da sociedade e do mercado de trabalho em relação a mulheres também.
É dúbio, confuso e o fato de haver uma escolha faz essa profissão receber menos julgamentos abertos, mas ainda assim é um assunto difícil e que os japoneses preferem não discutir de forma direta.
Algumas acham que encontrarão um homem com dinheiro e que se apaixonará por elas, salvando a de uma situação difícil com seus motivadores românticos e com altas expectativas.
Outras se contentam em arranjar um sugar daddy que banque seus gastos. Aliás, esse é um termo ocidental contemporâneo que no Japão foi sistematizado comercialmente nas casas hostess há tempos. Outras caem ali e se deixam levar pelo estilo de vida se afundando ou não.
Vida real
No entanto, a grande parte das mulheres são pessoas comuns que apenas querem um trabalho que pague suas contas, enquanto não se habilita a ter outro emprego melhor e aceito abertamente socialmente sem ser tabu, estão passando por fase de crise financeira, o salário de seu trabalho formal não é o suficiente, desejam juntar dinheiro para abrir um negócio, tem sonhos a serem realizados, vieram de lares desajustados e não tiveram como investir na sua educação para ter melhores empregos, têm parentes e filhos para sustentar, etc.
Realidade do mercado de trabalho
Apesar de muitas meninas sonharem com o estilo de vida glamuroso inicialmente, logo a realidade bate. No Japão só faz faculdade boa quem tem dinheiro para investir em educação, já que as boas e gratuitas dependem de notas boas.
Quem se forma, enfrenta um mercado de trabalho em que apenas 60% consegue uma vaga e raramente conseguirão cargos altos que paguem bem, já que eles são destinados a homens. Elas ganham menos e a sociedade espera que elas se casem, tenham filhos e fiquem em casa, mas nem isso é possível sem dinheiro.
Casar e manter um lar é caro e os salários dos homens medianos raramente é o suficiente, levando as mulheres a trabalhos de meio período ou no entretenimento.
Hoje você teve uma visão mais aprofundada da cultura e da psicologia das casas hostess no Japão. A verdade é que todos esses motivos também servem com suas adaptações para os clubes de cabaret que tem mulheres como clientes, já que os clubes de hostess masculinos existem, mas por outros motivos, mas isso fica assunto para um próximo artigo.
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