Os nascidos em 1912, 1924, 1936, 1948, 1960, 1972, 1984, 1996, 2008, 2020 e 2032, a depender do calendário lunar é Nezumi (子), o signo do Rato, o primeiro animal do zodíaco japonês.

A hora do rato começa às 23:00 e vai até as 00:59, sua direção cardinal é a norte com Senju Kannon sendo a deidade budista padroeira. Seu elemento é água, polaridade Yang (“陽”, luminoso, ativo) e mês novembro (calendário lunar). É associado a outono.
Significado do rato no Japão

Diferente da cultura ocidental que associa os ratos como um ser repulsivo, no Japão e demais países asiáticos com sociedade baseada no confucionismo, é considerado um animal de boa sorte.

Fuku-Nezumi, o rato branco da sorte, é o mensageiro de Daikokuten (大黒天), deidade prosperidade e da fortuna, patrono da agricultura e do comércio, um dos Shichifukuji (七福神), os Sete Deuses da Fortuna – ou os Sete Deuses da Sorte.
Personalidade do signo do rato
A primeira impressão, pessoas que nascem sob o signo zodiacal do rato podem parecer reservadas e introspectivas. Não é o caso. Apesar das aparências, aqueles sob o signo do rato são pessoas muito agitadas, ainda que sejam capazes de manter o controle.
Populares e alegres
Eles têm a tendência de serem populares e terem uma vasta rede de amigos por serem luminosos, alegres e possuírem uma personalidade bastante sociável. Festas e celebrações são uma grande fonte de prazer para os nascidos no ano do rato.
Mas mais do que um apreciador de confraternizações, eles buscam com afinco participar de clubes privados e exclusivos, sejam eles em uma organização ou nos principais círculos de amizades. São naturalmente atraídos para isso e não é incomum encontra-los lá.
Existe uma tendência que fica numa linha tênue entre a mesquinhez e a parcimônia, difícil de identificar, tanto para quem observa, quanto para o próprio nativo.
Generosidade
Só as pessoas mais estimadas pelos que nasceram no ano do rato poderão ver até onde vai sua generosidade. Aliás, essa é uma das formas mais eficiente de saber se você está entre os que são mais amados pela pessoa do rato: presentes caros.

Virtudes do rato
Charmoso e bem humorado, costumam ser honestos e meticulosos, e apesar de terem uma tendência de indecisão, são capazes de dar bons conselhos. São apaixonados e normalmente bons parceiros amorosos.
São imaginativos, extremamente generosos com aqueles que ama. Os laços familiares são fundamentais para os nascidos no ano do rato, bem como a estima que têm pelos amigos de seu coração. Por isso, podem ter atitudes muito voltadas ao seu próprio clã.
Prósperos
Pais que têm filhos nativos do ano do rato normalmente podem ficar tranquilos quanto a seu futuro.
Primeiro que esse é um signo que costuma atingir a prosperidade, segundo por ser fortemente dotados de um sentimento de responsabilidade para com os mais velhos.
Não são de se preocupar com o dia de amanhã por serem sempre capazes de achar alguma coisa para fazer e disso tirar seu sustento. Eles também não se importam em cuidar e alimentar os outros, sejam eles familiares ou amigos.
Criterioso
Contudo, dificilmente alguém consegue ser um sanguessuga dos nativos do signo do rato. Sob sua tutela a caridade tem seus limites e não há espaço para preguiçosos, vadiagem ou vida mansa. O rato os dobrará e os endireitará para que façam algo da vida.
Diplomatas
Não são afeitos a confrontos e buscam sempre a abordagem que gere o menor atrito possível nas relações. Altamente adaptáveis a quaisquer situações, as pessoas do signo do rato são ótimas para lidar com dificuldades durante uma crise.

O lado negativo do rato
Embora seja prestativo, afetuoso, charmoso e muito inteligente, o nativo do signo do rato tem a tendência de ser apostador, temperamental e altamente crítico. Quando irritados com algo, não fazem questão de esconder suas chateações com caras e bocas, e reclamações.
Uma de suas grandes ambiguidades é o seu senso de auto preservação. Todos possuem senso de auto preservação, é natural, contudo, quando em seu aspecto negativo, nativos do signo do rato podem abandonar o barco com todos a bordo para se salvar.
A ganância, o amor pelo dinheiro e a busca incessante por poder pode ser tão grande a ponto de ofuscar sua capacidade de amar as pessoas. Também tem a tendência de serem fofoqueiros, fazerem comparações entre pessoas e brigar por coisas inúteis.
Podem ter o péssimo hábito de se intrometer na vida das pessoas com quem se importam. Seus laços afetivos podem se tornar em um forte apego emocional que não é saudável para nenhuma das partes, especialmente os que tem a vida passada pelo escrutínio do rato.
Apesar da tendência em ser sovina, costumam comprar coisas que não precisam. Isso pode fazer com que nativos do signo do rato sejam acumuladores e tenham toda a sorte de objetos inúteis que possuem ou já possuíram algum valor sentimental.
A barganha também é uma forte marca negativa do signo do rato que está sempre atrás do que em seu julgamento é um bom negócio, uma armadilha tanto emocional quanto material (acúmulo) que pode cair recorrentemente.
O signo do rato no trabalho
Pessoas do signo zodiacal do rato costumam ser trabalhadores e com grandes ambições. Por serem grandes observadores e terem alta capacidade de coletar informações, são muito bons com negócios de risco e tem ótimo instinto para detectar o perigo.
Se dão muito bem no mercado financeiro, comércio e em setores estratégicos. São peritos em utilizar as informações coletadas para se aproveitar dos erros dos outros para capitalizar em cima deles.
Em posições de poder podem demonstrar genuína preocupação por seus subordinados. Se alguém tem um problema, também será um problema do nativo do signo do rato. Porém, na hora de dar um merecido aumento, poderão agir de maneira mesquinha.
Por ser capaz de saber tudo sobre todos e ter boa memória, uma das profissões que esses nativos se destacam é na escrita, seja ela literária, crítica, política, periódica ou noticiaria por seu incrível olho para os pequenos detalhes.
Rato de metal
Os nascidos em 1840, 1900, 1960, 2020 e 2080, a depender do calendário lunar, são do elemento metal. São indivíduos com grandes idealismos, apreciador de discursos e ações que marcam por sua intensidade emocional.
Se apresentam como uma pessoa alegre e com uma personalidade charmosa (e o são), mas podem transitar rapidamente desse estado para uma versão possessiva, irada, egoísta e invejosa.
Seu estilo estético será sempre baseado em seus próprios gostos. Pode não ser o mais romântico entre os ratos dos elementos, mas provavelmente é uma pessoa bastante sensual e com grande senso moral.
Como todos os ratos, o rato de metal ama dinheiro, mas não costuma ser muito econômico e não se importará em gastar seu dinheiro nas coisas que considera que tenham valor e boa qualidade.
Rato de água
Os nascidos em 1852, 1912, 1972, 2032 e 2092, a depender do calendário lunar, são do elemento água. Nativos do signo do rato de água são do tipo que apreciam exercícios mentais que processam o pensamento.
Em outras palavras, é um rato com grande capacidade de ter excelentes insights, bem como estabelecer boas relações com pessoas de todos os níveis. Por causa disso, será respeitado, seus talentos serão reconhecidos e o promoverão.
Conservador, o rato de água é do tipo que nada conforme a maré e não contra ela, uma característica bastante ambígua. Sabe o que as pessoas gostam e desgostam, bem como agradar aqueles que estão em posição de ajudá-lo.
As vezes pode falar demais, e falar demais para as pessoas erradas. No demais, o rato do elemento água sempre buscará novos conhecimentos mesmo que seja sozinho e nunca deixar de aprender algo novo.
Rato de madeira
Os nascidos em 1864, 1924, 1984, 2044 e 2104, a depender do calendário lunar, são do elemento madeira. Diferente do rato de água, os nativos do elemento madeira têm a tendência de serem mais progressistas.
De caráter amável, buscará explorar tudo o que encontrar em seu caminho e dar bom uso. O rato de madeira tem uma excelente compreensão de como o sistema funciona e como fazê-lo trabalhar em seu favor.
Por outro lado, é bastante assustado, por isso vive tentando encontrar o como e porquês das coisas. Pode ter atitudes egoístas e se fazer agradável para buscar a admiração e a aprovação dos outros.
Tem seus próprios princípios e sabe o que quer. É flexível para atingir seus objetivos. Excelente profissional, é bastante autoconfiante e sabe como explicar seus know-hows. Além disso, é um excelente vendedor de novas ideias e projetos.
Rato de fogo
Os nascidos em 1876, 1936, 1996, 2056 e 2116, a depender do calendário lunar, são do elemento fogo.
Os nativos deste elemento amam se envolver em todos os tipos de atividades e nunca se cansam de se engajar em questões que consideram justas.
Cortês, adora viajar e estar na moda. Energético e idealista, falta ao rato de fogo senso de diplomacia. Por causa de sua natureza agressiva, pode ser meio brusco na hora de buscar apoio. Ainda assim, pode ser o mais generoso dos ratos.
Disciplina não é o forte do rato de fogo, em vez disso, tenderá a seguir muito mais seu coração do que sua razão. Por mais dedicado que seja a sua família, pode fugir dela sempre que se sentir acuado.
É tão independente quanto competitivo. Possuem uma estima por si muito grande e não costumam aceitar uma vida comum e ordinária.
A busca pela grandeza invariavelmente trará grandes reveses em sua vida, especialmente se não souber conter a impaciência.
Rato de terra
Os nascidos em 1888, 1948, 2008, 2068 e 2128, a depender do calendário lunar são do elemento terra. Consideravelmente opostos aos ratos de fogo, os ratos de terra são felizes quando há ordem, disciplina e segurança.
Ratos de terra costumam se tornar maduros ainda jovens. Buscará desenvolver traços positivos tendem a ser reconhecido por seus talentos. São extremamente realistas e não se deixam levar por ilusões ou grandes expectativas.
Não é do tipo que gosta de se arriscar e prefere trabalhar no mesmo lugar o máximo que puder. Gosta de manter boas relações com todos até criar um círculo de amizades leias e duradouras.
Pode ser de poucas palavras, hipócrita e intolerante com os outros, especialmente quando não seguem suas instruções. Além disso, tem um alto padrão e costumam comparar seu sucesso e vitória com os outros.
Não é do tipo que faz apostas e raramente corre riscos. Os nativos do elemento terra aumentarão sua prosperidade financeira lentamente, mas de forma sistemática e segura através de seu trabalho.
O rato e a compatibilidade com os outros animais zodiacais
As relações de pessoas do mesmo signo (rato) não tendem a terem conflitos, são bem compatíveis, podem trabalhar harmonicamente em conjunto e possuem agradável relação de cooperação.
Pessoas do signo do boi são excelentes parceiros dos ratos, seja nos negócios, seja no amor. Há amor e compreensão mútua, e muita simpatia entre si. Já com pessoas do signo do tigre há relações moderadas e de tolerância, sem conflitos ou especial atração entre eles.
O signo do rato tem relações amigáveis com o coelho, sem grandes dificuldades ou conflitos de interesse. Já com o signo do dragão fazem uma excelente dupla tal com o signo do boi. Rato e dragão são capazes de atingir o sucesso, a felicidade e a prosperidade.
Existe uma admiração mútua e grande compreensão entre o rato e a serpente. Cooperam entre si em várias áreas da vida. Com o signo do cavalo, no entanto, o rato não encontra felicidade, mas grandes conflitos de interesses no amor e nos negócios.
Há um choque entre as personalidades do rato e do cavalo e muita rivalidade entre eles. Também não há grandes simpatias entre o rato e carneiro, há até uma certa animosidade entre os dos signos que não tem muito em comum e não se relacionam bem entre si.
O signo do rato é altamente compatível com o signo do macaco. A união entre eles costuma ser bem sucedida, há espaço para o amor e contentamento mútuo. Com o signo do galo, por outro lado, há dificuldades de comunicação. Tenderam evitar a companhia um do outro.
O rato e o cachorro possuem uma relação respeitosa entre si. Por não terem grandes diferenças entre si e não competirem para ser a personalidade dominante, costumam ter uma boa cooperação.
Por fim, as relações entre o signo do rato e do javali tendem ser moderadas. Não há choques de personalidades, razoáveis compatibilidades e até alguns objetivos comuns.
Os simbolismos do rato
Há muito simbolismo relacionado do rato, primeiro signo do zodíaco japonês. Além das sociedades confucionistas, o rato também é personagem de destaque da deidade hindi Ganesha.
O rato é associado a riqueza. No passado, ele era relacionado ao arroz e até o final do período Edo (1603 – 1868), toda a economia do Japão era baseada no arroz. Não àtoa que ele está associado a Daikokuten, um jovem senhor sorridente cercado de sacos de arroz.
O rato, Daikokuten e Enma-ō
Há uma lenda que diz que as pessoas faziam oferendas para Daikokuten na expectativa de serem abençoados por ele e se tornarem ricos, porém, a deidade parece relaxado demais para fazer qualquer esforço nesse sentido.
Quando elas se frustravam com Daikokuten, se voltavam para Enma-ō (閻魔王), Rei dos 10 Juízes do Mundo dos Mortos, o Jū-ō (十王) para que ele se livrasse do deus da prosperidade.
Enma-ō enviou Shiro, um de seus Oni (“鬼”, demônio) subordinados, para levar Daikokuten.
Shiro procurou pelo deus da prosperidade, descobriu que ele estava deitado dormindo em cima de um saco de arroz e aguardou pelo melhor momento para atacá-lo.
Daikokuten, no entanto, ouviu os passos de Shiro e mandou seu rato-chefe para investigar a situação. O rato encontrou Shiro e o perseguiu com um ramo de azevinho o empurrando de volta aos portões do inferno.
É dito que essa lenda originou o Hiiragi-iwashi (柊鰯), um ramo de azevinho com uma cabeça de sardinha frita na ponta.
Esse amuleto é tradicionalmente colocado na porta das casas dos japoneses durante o Setsubun (節分) e também no ano novo para afastar os Oni.
O rato no clássico Kojiki
O clássico Kojiki (古事記) conta as façanhas de Ōkuninushi (大国主) que após salvar Inaba no Shirousagi (因幡の白兎), a Lebre de Inaba, casa com a princesa Yamaki, filha de Susanoo, conforme prometido pela Lebre.
Susanoo não fica nada contente com o casamento da filha e faz de tudo para se livrar do genro indesejável. Sabendo disso, a princesa Yamaki dá a seu marido uma estola de serpente para protegê-lo.
Um dia, Susanoo lançou uma Kabura-ya (“鏑矢”, flecha que assobia) no pântano e ordenou que Ōkuninushi fosse buscá-la. Quando Ōkuninushi estava no meio do pântano, de repente, tudo começou a pegar fofo.
Ōkuninushi não conseguiu ver nenhuma escapatória no meio daquele fogo, até que um rato apareceu e mostrou a ele um buraco onde ele pôde usar como abrigo. O rato também pegou a Kubara-ya lançada por Susanoo e devolveu a princesa Yamaki. Ela por sua vez cuidou do rato.
A história de Ōkuninushi, a princesa Yamaki e Susanoo continua no clássico com o final triunfante de Ōkuninushi, apesar de suas dificuldades. Mas ele só conseguiu triunfar graças a ajuda do rato.
O rato e Sesshū Tōyō
Em outra lenda envolvendo a figura do rato, o Sesshū Tōyō (1420 – 1506) um dos principais mestres de sumi-ê do Japão e membro do clã Oda e monge budista zen.
Enviado para estudar budismo para seguir a vida monástica, um de seus instrutores se irritou com ele por ele “gastar tempo” pintando e sonhando ao invés de estudar.
O monge instrutor amarrou suas mãos, ordenou que se sentasse e se arrependesse.
O jovem sentou e chorou durante muito tempo. A terra em sua volta ficou molhada com suas lágrimas e Sesshū começou a desenhar ratos na terra com os dedos de seu pé. Os desenhos ficaram tão realistas e vívidos que os ratos ganharam vida.
Como agradecimento, os ratos roeram as cordas e libertaram o garoto. Quando os monges voltaram e se depararam com a cena, além de perdoar a “preguiça” do garoto, o encorajaram a perseguir seus reais talentos.
Yukihime: a heroína do Kabuki e o rato
A peça Gionsai-reishinkōki (祇園祭礼信仰記) originalmente escrita em meados de 1757 para ser uma peça de Bunraku (“文楽”, teatro de bonecos), também se tornou uma peça de teatro tradicional Kabuki (歌舞伎).
No centro da trama está a história da princesa Yukihime, uma personagem considerada como uma das três mais difíceis de serem interpretadas em todo o repertório de teatro Kabuki.
No quinto ato da peça Kinkakuji (“金閣寺”, O Pavilhão Dourado), Yukihime é sequestrada junto com seu marido Naonobu pelo terrível guerreiro Matsunaga Daizen, que pede que ela desenhe um dragão.
Yukihime, neta de Sesshū Tōyō, se recusa. Após muitas situações na peça, a princesa se encontra amarrada em uma sakura. Ela lembra que seu avô também passara pela mesma situação e se convenceu de que poderia fazer o mesmo.
Mas em vez de suas lágrimas, Yukihime utilizou pétalas de sakura caídas no chão para desenhar um rato com os dedos de seu pé.
De repente, um grupo de ratos brancos se materializou, e tal como Sesshū Tōyō, roeram as cordas que a prendiam.
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