Você já ouviu falar em Japandi? A palavra Japandi é uma mistura de Japan com Scandi e se traduz na fusão das estéticas das duas culturas: o Wabi-Sabi e o minimalismo japonês e a Hygge escandinava.

É difícil dimensionar o que são cada um desses conceitos em palavras. São termos tão complexos dignos de livros. Mas, talvez, uma palavra sintetizadora da estética Japandi seja “santuário”.
Apesar da distância geográfica entre o Japão e a Escandinávia, as duas culturas possuem similaridades estéticas: a simplicidade, o apreço pelo trabalho artesanal e pelas coisas naturais.

Desse intercâmbio de designs emergiu o Japandi combinando a luminosidade, o brilho, a funcionalidade e o aconchego do design escandinavo com a sofisticação do design japonês resultando em uma estética minimalista, terrosa e orgânica.
O surgimento do Japandi
Durante os primeiros anos da era Meiji (1868 – 1912), o Japão se tornou um país aberto após mais de 200 anos de Sakoku (鎖国).
Ela foi a política do shogunato de isolar o país de nações estrangeiras e missões estrangeiras foram estabelecidas no país.

As relações bilaterais entre Japão e Dinamarca começaram em 1867 com o Tratado de Amizade, Comércio e Navegação. Este foi o último tratado realizado pelo shogunato Tokugawa.
Quando as relações entre os dois países começaram, muito arquitetos, designers e artistas foram para o Japão em busca de novas inspirações.
Esses dinamarqueses e outros escandinavos se apaixonaram pelo que encontraram no Japão.

O minimalismo do budismo zen, a beleza natural do Japão, os artesãos, o comprometimento dos japoneses com as tradições, tudo isso influenciou esses turistas vindos de um lugar muito diferente, mas encontraram no Japão um terreno comum.
Era só uma questão de tempo até as duas estéticas construírem uma nova identidade.
Embora as revistas especializadas só tenham começado a dar atenção ao Janpandi em 2020, já era possível ver o relacionamento das duas estéticas durante o século XX.

Em uma entrevista para a BBC, o designer dinamarquês Lars Veien comentou sobre suas viagens ao Japão:
“O Japão ainda possui os mais impressionantes e bem preservados artesãos que continuam honrando as tradições. Eles são perfeccionistas em muitos sentidos”.

Nina Tolstrup, designer dinamarquesa e cofundadora do Stuidomama, afirmou: “No Japão e na Escandinávia há uma apreciação das coisas feitas a mão, feitas com cuidado e feitas para durar”.
Caraterísticas do Japandi
Antes de falar sobre as características do Japandi, é bom dar uma recapitulada nas características do minimalismo japonês, do Wabi-sabi e do Hygge escandinavo.

O minimalismo japonês tem raízes muito vinculadas ao budismo zen. Confira depois o artigo Ma: a vacuidade existente entre o tempo e o espaço para aprender sobre o valor do espaço e da austeridade na cultura japonesa.
Wabi-sabi é uma estética que dá protagonismo à imperfeição das coisas materiais e aceita a transitoriedade das coisas, bem como a finitude. Como ponto de vista filosófico, confira depois Wabi-sabi: reflexão sobre a filosofia da perfeita imperfeição
Por fim, Hygge. Tal como as palavras japonesas, o termo Hygge é difícil de traduzir.
Umas das melhores definições de Hygge é a sensação de tomar uma bebida gostosa e quente em um dia frio.

Hygge é a sensação de aconchego e acolhimento diretamente associado aos cinco sentidos humanos: o tato, a visão, o paladar, o olfato e a audição.
É a felicidade da simplicidade das coisas e do convívio.
Princípios básicos do Japandi
O Japandi trabalha com alguns princípios básicos: a simplicidade, funcionalidade, elementos naturais, paletas neutras e artesanato. A simplicidade é o foco em espaços organizados, com sobriedade e minimalista.

Qualquer item ou objeto escolhido em um design Japandi deve cumprir o princípio da funcionalidade.
Tudo precisa ter um propósito e contribuir não apenas para uma função específica, mas para a funcionalidade do espaço como um todo.
Elementos naturais como pedras, madeira e bambu são fundamentais para dar textura e trazer uma sensação de aconchego.
As paletas de cores neutras também dão o tom e a atmosfera de calma e acolhimento do ambiente, cores como branco, bege, cinza e tons pasteis claro.
Peças artesanais são muito importantes tanto para a cultura japonesa, como para a cultura nórdica, mas é preciso se manter atento ao princípio minimalista da simplicidade e escolher qualidade sobre a quantidade.
Elementos de design do Japandi
Os móveis precisam ser discretos para dar um aspecto clean ao espaço e combinar as duas culturas.
Por exemplo, cadeiras de madeira ao estilo escandinavo e almofadas de chão ao estilo japonesa.
A textura é muito importante. É preciso saber combinar o suave e rústico de forma harmônica como uma toalha branca decorativa em cima de uma mesa de madeira como no exemplo abaixo. Confira:
A iluminação deve priorizar o máximo possível de luz natural acompanhada por um jogo de luzes simples e funcionais embutidas.
Luzes suaves e quentes são indispensáveis para criar um ambiente aconchegante e confortável.
Incluir plantas na decoração é importante para trazer uma atmosfera mais natural para dentro do ambiente doméstico.
Bonsais, vasos de plantas, ikebana, tudo isso é válido, mas sempre respeitando o princípio minimalista da simplicidade.

Por fim, a decoração deve ser pensada com muita sobriedade e parcimônia considerando, que menos é mais.
Uma peça de decoração marcante e com personalidade sempre será mais valiosa do que muitas outras que se perdem em meio à multidão.
Japandi e a harmonia espacial
Se você deu uma oportunidade ao artigo “Ma: a vacuidade existente entre o tempo e o espaço” sugerido acima, você provavelmente entendeu a importância do espaço vazio dentro dos espaços.

Espaços abertos permitem o fluxo de luz e energia, o trânsito das pessoas e a consciência da presença no presente momento. Tudo isso deve ser balanceado entre o prático e o belo dentro desse espaço.
Como dito no início do artigo, uma forma de sintetizar o que é a estética Japandi é utilizando o termo “santuário”.
Um ambiente Japandi deve promover uma sensação de calma, tranquilidade, acolhimento, conforto, aconchego e bem-estar.
Confira abaixo um exemplo de uma casa com a estética Japandi e perceba qual é a sensação que ela causa em você.
Dicas para implementar a estética Japandi
Organizar o espaço é o primeiro passo. Manter o espaço aberto e se livrar de tudo aquilo não essencial já abrirá novas possibilidades.
Repensar nas coisas que compõem esse espaço e trocar por itens de alta qualidade. Mas de novo: menos é mais.
Pintar as paredes e utilizar luzes para realçar a atmosfera calorosa, receptiva e com amplitude no espaço, além de incorporar plantas e elementos naturais para dentro da casa é uma das dicas.
A forma de como implementar a estética Japandi dependerá do tamanho do espaço disponível.
Confira abaixo um exemplo de transformação de um ambiente pequeno para a estética Japandi.
Para concluir você aprendeu uma estética com fusão escandinava e japonês chamada Japandi e está em alta.
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