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Governo central criará banco de dados para combater a pobreza infantil no Japão

Dados da OCDE apontam que 14% dos jovens japoneses entre 0 e 17 vivem com menos da metade da renda nacional. Confira como o Japão pretende resolver esse persistente problema

Apesar de ser a terceira maior economia do mundo, a pobreza no Japão é um problema persistente, especialmente a pobreza infantil. Das grandes economias do mundo, o Japão está atrás apenas dos EUA em percentagem.

Os últimos dados levantados pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) de 2008 revelou que 14% dos japoneses de 0 a 17 anos vivem com menos da metade da renda média nacional.

  • Para muitas crianças japonesas, as refeições oferecidas nas escolas são essenciais, por vezes, as únicas que terão no dia
  • A situação é semelhante para adolescentes que, por vezes, só têm uma peça de roupa para usar durante todo o ano escolar

Em comparação com seus pares desenvolvidos, a taxa da França é de 11,7%, 11,8% no Canadá, 12,4% na Inglaterra e surpreendentes 21,2% nos EUA. Os dados sobre esses países são referentes ao ano de 2017.

Se a situação já era ruim para a pobreza infantil no Japão em 2018, com a pandemia as coisas se tornaram ainda mais dramáticas, especialmente para as meninas que, além da pobreza que atingiu as mulheres com muito mais intensidade, ficaram muito mais vulneráveis a abusos.

Dificuldades em lidar com a pobreza

Embora a pobreza possa ser quantificada em números e dados como os apresentados acima, há uma forte resistência dos pais e/ou responsáveis pelos menores japoneses em buscar ajuda do governo.

Essa relutância em buscar ajuda se dá pela própria cultura do país. O fracasso econômico, por assim dizer, é sempre visto como uma responsabilidade individual quando na verdade o problema é sistêmico.

A cultura social do Japão impede que pessoas em situação de vulnerabilidade social e econômica busquem ajuda das autoridades por vergonha
A cultura social do Japão impede que pessoas em situação de vulnerabilidade social e econômica busquem ajuda das autoridades por vergonha

A nível de exemplo, muitos estrangeiros que visitaram o Japão antes da pandemia não conseguiam perceber a pobreza. Contudo ela existe, está escondida em cybercafés que servem como moradia para milhares ou nas marquises das estações de trem quando elas fecham.

Durante o dia, essas pessoas vulneráveis se misturam em meio aos salarymens (termo usado para os trabalhadores).

Para alguns, pedir ajuda do governo, da família ou amigos é vergonhoso, outros ficam presos na burocracia e para muitos, não há família ou amigos a quem recorrer.

Digitalização do Japão

Apesar do Japão possuir grandes empresas de tecnologia, o governo em si é totalmente analógico e ainda não entrou para a era digital. Já o Primeiro Ministro Fumio Kishida está comprometido com a digitalização da sociedade japonesa.

E junto com a digitalização da burocracia, um banco de dados para acompanhar crianças vulneráveis deverá ser uma prioridade do país. O banco de dados trará informações sobre as condições econômicas das famílias, desempenho escolar, entre outras informações.

Primeiro ministro japonês Fumio Kishida visita restaurante para crianças pobres em companhia da ministra responsável para a política de crianças do país, Seiko Noda
Primeiro Ministro japonês Fumio Kishida visita restaurante para crianças pobres em companhia da Ministra responsável para a política de crianças do país, Seiko Noda

Esses dados serão coletados e interligados entre o que seria o equivalente as secretarias de assistência social e educação das redes municipais do Brasil.

A expectativa é que com esse banco de dados, oficiais do governo possam prover assistência a essas crianças o mais rápido possível.

A digitalização do Japão e a criação do bando de dados para monitorar a pobreza infantil deverá começar em algum momento do início do ano fiscal de 2023 (o ano fiscal japonês começa no dia 1º de abril).

Outras medidas

Há grandes expectativas de grupos da sociedade civil, de que o novo sistema conseguirá driblar a hesitação dos pais e/ou responsáveis desse grupo de jovens japoneses vulneráveis em procurar ajuda, além da redução da burocracia.

Os programas sociais destinados a pobreza infantil deverão ampliar os subsídios do governo as escolas para acompanhar o desempenho físico, acadêmico, social do público alvo.

Koji Ogawa, líder de um grupo chamado Asunoba que acompanha e auxilia famílias pobres no Japão está acompanhando o processo da criação do banco de dados para a pobreza infantil de perto.

“O suporte do governo para essas famílias sem que seja solicitado pelos responsáveis é fundamental uma vez que muitos sentem vergonha em pedir ajuda”, afirmou Ogawa em entrevista ao portal Kyodo News.

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