Festival Somin-sai no templo Kokusei-ji
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Giro de notícias no Japão – 18 de fevereiro de 2024

Templo Kokuseki-ji realizou seu último ritual Somin-sai e 1.000 artesãos de laca de Wajima tiveram prejuízos e futuro incerto.

Em um único post, confira uma seleção de resumos das principais notícias do Japão. Confira temas de categorias diferentes, como política, entretenimento, sociedade e mais. Se atualize e saiba o que aconteceu no país de uma vez só em poucos minutos.

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Templo Kokuseki-ji realiza o último festival Somin-sai de sua história

No pôr do sol do sábado, 17 de fevereiro de 2024, foi realizado o último festival Somin-sai no templo Kokuseki-ji de sua história.

O festival sobreviveu por mais de mil anos acabou sucumbindo para o envelhecimento da população japonesa.

O Somin-sai é um festival da categoria “hadaka matsuri”, os chamados festivais nus no qual os homens utilizam apenas um fundoshi.

Ele é, ou melhor, era celebrado na noite do 7º dia do ano novo lunar e contou com milhares de participantes até o final.

Templo Kokuseki-ji, na cidade de Oshu, prefeitura de Iwate, local onde foi celebrado por mais de mil anos o festival Somin-sai
Templo Kokuseki-ji, na cidade de Oshu, prefeitura de Iwate, local onde foi celebrado por mais de mil anos o festival Somin-sai

Durante os anos de restrições impostas pela pandemia de COVID-19, o festival tem como objetivo rezar por colheitas abundantes e boa saúde foram reduzidos a cerimônias de orações e pequenos rituais.

Crise populacional

Infelizmente a crise populacional e o envelhecimento acelerado da população japonesa afetaram violentamente as comunidades rurais.

A cidade de Oshu, prefeitura de Iwate, onde fica o templo Kokuseki-ji desde o ano 729 é mais uma das vítimas.

A organização do Somin-sai atraía milhares de participantes e milhares de turistas todos os anos, mas tinha se tornado um pesado fardo para os monges do Kokuseki-ji. Eles sentem dificuldades em se manter firmes para prosseguir rigorosamente com o ritual.

Milhares de japoneses e até mesmo estrangeiros participavam todos os anos do festival Somin-sai no templo Kokuseki-ji, prefeitura de Iwate
Milhares de japoneses e até mesmo estrangeiros participavam todos os anos do festival Somin-sai no templo Kokuseki-ji, prefeitura de Iwate

Dificuldades

“É muito difícil organizar um festival dessa escala. Você pode ver o que está acontecendo hoje: tantas pessoas aqui presentes e tudo isso é muito excitante. Mas, por trás das cenas há muitos rituais e muito trabalho a ser feito. Não posso fechar meus olhos ante as dificuldades da realidade” desabafou Daigo Fujinami, monge residente do templo.

Originalmente o ritual só terminava às 07:00, mas nesta última edição em 2024 foi encerrada bem mais cedo às 23:00. Os participantes chegaram ao pôr do Sol, se lavaram no rio Ruritsubo (rio Yamauchi) exclamando “Jasso Joyasa” (que o mal se afaste) para se purificar antes do ritual.

Como funcionava

O climax do Somin-sai é quando os homens entram no templo de madeira exclamando “Jasso Joyasa” e disputando amuletos de madeira jogada pelos monges na multidão, puxando e empurrando agressivamente, mas nunca violentamente.

Antes do ritual Somin-sai, os participantes devem se purificar nas águas do rio Ruritsubo (rio Yamauchi) exclamando “Jasso Joyasa” (que o mal se afaste)
Antes do ritual Somin-sai, os participantes devem se purificar nas águas do rio Ruritsubo (rio Yamauchi) exclamando “Jasso Joyasa” (que o mal se afaste)

Último festival atraiu muitos participantes

Muitos participantes e espectadores expressaram sua tristeza com o fim do festival, mas compreenderam a situação. Participantes da última edição vieram de diversas regiões do Japão.

“Eu realmente quis participar do ritual. Este é o último ritual deste grande festival que durou mais de mil anos”, disse Yasuo Nishimura, cuidador de 49 anos residente de Osaka, cidade a mais de 800 km do templo.

“Mesmo tendo um formato diferente, espero que a tradição seja mantida. Há muitas coisas para serem apreciadas, mas só se você participar”, disse Toshiaki Kikuchi, residente de Oshu e ajudou a realizar o festival durante anos e tem esperança de ser retomado no futuro.

Outros templos no Japão seguirão realizando rituais similares ao Somin-sai do templo Kokuseki-ji.

Alguns festivais estão se adaptando para lidar com o desafio demográfico para continuarem existindo como permitir a participação de mulheres nas cerimônias historicamente masculinas.

Patrimônio Cultural Imaterial de Wajima em risco por causa do terremoto de 1º de janeiro

Os artigos de laca Wajima-nuri (輪島塗) e sua produção é um Patrimônio Cultural Imaterial, e como o próprio nome indica, é um saber originário da cidade de Wajima, prefeitura de Ishikawa, e uma das cidades afetadas pelo terremoto de 1º de janeiro de 2024.

Assim como os produtores de sake da região (confira no nosso Giro de notícias no Japão – 24 de janeiro de 2024), os artesãos de laca de Wajima se encontram em uma situação igualmente preocupante para a continuidade de seus negócios.

De acordo com a Wajima Lacquerware Commerce and Industry Cooperative Association, todos seus 103 membros tiveram seus estabelecimentos danificados pelo terremoto
De acordo com a Wajima Lacquerware Commerce and Industry Cooperative Association, todos seus 103 membros tiveram seus estabelecimentos danificados pelo terremoto

Todos estabelecimentos de laca danificados

De acordo com a Wajima Lacquerware Commerce and Industry Cooperative Association, associação coordenadora dos negócios com os artesãos e gerencia o processo de vendas, todos seus 103 membros tiveram seus estabelecimentos danificados pelo terremoto.

Não obstante, mais da metade das oficinas colapsaram completa ou parcialmente.

Processo trabalhoso

A produção de laca envolve mais de 100 processos, cada qual com suas próprias especialidades, portanto, se um artesão estiver faltando no processo, o trabalho não pode ser concluído.

Na rua Asaichi-dori, um dos maiores mercados matinais do Japão, foi engolida pelo fogo após o terremoto.

12 estabelecimentos foram afetados, mas ainda não se sabe qual é a real extensão dos danos. “O sistema de manufatura e venda de laca Wajima-nuri foi destruído”, afirmou Kensei Sumi, secretário geral da associação de 66 anos.

Kunie Komori, artesão designado pelo governo japonês como Ningen Kokuhō (“人間国宝”, Tesouro Nacional Vivo)
Kunie Komori, artesão designado pelo governo japonês como Ningen Kokuhō (“人間国宝”, Tesouro Nacional Vivo)

Kunie Komori, artesão de 78 anos designado como Ningen Kokuhō (“人間国宝”, Tesouro Nacional Vivo) ficou chocado ao ver o estado de sua oficina no dia seguinte, 2 de janeiro, ao terremoto de 7,6 na península de Noto.

Não tinha espaço para pisar no chão. Todos os seus trabalhos em andamento que tinham como destino uma exposição, estavam jogados e a laca estava toda espalhada pelo chão da oficina de e sem possibilidade de restauração.

“Nós podemos recriar uma peça, mas o processo de criação de Wajima-nuri é dividido entre um grupo de pessoas, então, não sei se a oficina de processamento de madeira recomeçará suas operações”, contou Komori ao Asahi Shimbun.

Trabalho e materiais de trabalho esparramados pelo chão da oficina de Kunie Komori
Trabalho e materiais de trabalho esparramados pelo chão da oficina de Kunie Komori

Mudança dos artesãos de Wajima

Outra preocupação é a possibilidade de artesãos deixarem a região. A cidade tem aproximadamente mil artesãos e todos foram afetados.

Alguns foram para casa de parentes em Kanazawa, capital da prefeitura de Ishikawa e outras cidade da prefeitura de Toyama.

Alguns artesãos mais velhos disseram não ter intenção de retornarem para Wajima. Kunie Komori, líder da Wajima Lacquer Technical Training Institute, se disse preocupado com o futuro da Wajima-nuri.

“Quero recriar um ambiente onde os aprendizes possam retornar e aprender as técnicas. Mas estou preocupado que não sobre ninguém para carregar as técnicas. O completo renascimento da Wajima-nuri demorará pelo menos um ano ou mais”, disse Komori.

Além dos danos materiais, há uma grande preocupação com a permanência dos artesãos mais experientes e mais velhos na cidade de Wajima, prefeitura de Ishikawa
Além dos danos materiais, há uma grande preocupação com a permanência dos artesãos mais experientes e mais velhos na cidade de Wajima, prefeitura de Ishikawa

Dos 37 aprendizes inscritos no programa do instituto, pelo menos 10 tiveram seus apartamentos ou casas completa ou parcialmente destruídas, e por hora, as aulas foram suspensas.

Resiliência

Muito foi perdido. A fábrica e oficina Taya Shikkiten, loja de laca com cerca de 200 anos de história foi destruída, mas a resiliência dos artesãos é maior do que a destruição causada pelo desastre.

“Nunca desistiremos. Não importa o que aconteça, trabalharemos juntos para reconstruir e recomeçar como produtores de Wajima-nuri. Queremos fazer uma indústria ainda mais atrativa para que as pessoas queiram visitar a península de Noto por casusa da Wajima-nuri”, afirmou Takahiro Taya, proprietário da 10ª geração da Taya Shikkiten de 32 anos.

Campanhas de arrecadação de fundos para a reconstrução das oficinas de laca Wajima-nuri está acontecendo pela sociedade civil, pela inciativa privida e pelo governo
Campanhas de arrecadação de fundos para a reconstrução das oficinas de laca Wajima-nuri está acontecendo pela sociedade civil, pela inciativa privida e pelo governo

Takahiro Taya lançou um crowdfunding e até o dia 17 de fevereiro arrecadou JP¥ 58 milhões (US$ 386.100,00). O presidente da consultoria Next Age, Daisaku Yoshimura, também lançou uma campanha para reconstruir as oficinas de Wajima-nuri.

O governo de Ishikawa informou subsídio de até JP¥ 10 milhões (US$ 66.6640,50) para as oficinas afetadas pelo desastre. Deverão cobrir ¾ dos custos necessários para novas ferramentas e matéria-prima.

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